Bus Ride Notes

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Lançamentos / Playlists

Singles de Setembro

Hoje vamos publicar algo diferente do que estamos acostumados, mais uma das mutações do nosso blog/site/ainda não sei como chamar.

Nessa semana chegaram até nós alguns singles e resolvemos vir aqui falar deles. E primeiramente tamos felizes de mostrar algumas músicas de estreia.

Pata “Casa de Gelo”

Se você acompanha o Bus Ride Notes provavelmente já conhece a Pata, além de estar em algumas das nossas playlists, publicamos uma pequena resenha do primeiro disco da banda, “Shit & Blood”.

Nessa quarentena eles resolveram se aventurar com singles gravados e produzidos em casa, numa “série de experimentações sem pretensão de definir uma chave sonora para os novos passos, também com a proposta de colaborar com diferentes artistas e deixar se levar instintivamente em produções pontuais que explorem novos caminhos estéticos”.

Os já lançados “blsnr pnt mrch” e “Casa de Gelo” são em maior parte eletrônica e bem diferentes da banda que toca um rock que eu chamo de grunge.

“Casa de Gelo” tem uma melodia calma e uma letra tristinha que pra muitos é sinônimo da quarentena, mas ela na verdade foi feita há alguns anos pela vocalista Lúcia Vulcano.

Ela tem a participação de Sentidor (também responsável pela mixagem e masterização) nos beats e ambiências eletrônicas e foi lançada pela Geração Perdida de Minas Gerais e Efusiva Records.

A capa ficou por conta de Hanna Halm e também foi lançado um lyric video, produzido por Lúcia Vulcano.

O próximo single previsto é um cover de Nina Simone que irá integrar a coletânea “Rock Triste Contra o Coronavírus”.

Tigre Robô “Desconforto”

Formada no final de 2018 em Brasília por Isabela Fernandes (guitarra, teclados, voz), Junio Silva (baixo, teclados, voz) e Rafael Lamim (bateria), Tigre Robô acaba de lançar seu primeiro single, “Desconforto”. “Uma música sobre esperar pelas coisas acontecerem quando o tempo não está ao seu lado”.

A banda está gravando seu primeiro álbum e pretende lançar mais um single até o mês de Dezembro.

Eles também participaram da nossa matéria sobre gravações caseiras durante essa quarentena.

A arte de “Desconforto” foi feita pela própria Isabela Fernandes.

Tropikaos Chaga “As Ruas Vão Queimar”

“As Ruas Vão Queimar” é o primeiro single do duo Samuel Kircher (voz, guitarra, baixo) e Érico Munari (bateria), que foi gravado já durante a quarentena de 2020 (será que ao nos referir à quarentena vamos ter que especificar o ano? Espero que não).

A música foi lançada já tem um tempinho, mas o lyric video (editado pelo próprio Érico Munari) acabou de sair.

“As ruas, os dias, as notícias do cotidiano em um país problemático como o Brasil, compõem as letras e o barulho da banda”, ou seja, aquele punk rock rasgado cheio de distorção que a gente gosta.

Kebrada HC “Unides Pelo Ódio”

“Banda punk/hardcore antifa femininja diretamente da periferia do ABC”, formada por Letícia Souza (voz), Juliana Moreira (guitarra) e Victória da Cunha (baixo) em 2019.

Apesar de ser uma banda nova e essa ser a primeira música que elas lançam oficialmente, a Kebrada HC já é um tanto conhecida e é bem ativa.

“Unides Pelo Ódio” foi lançada junto de um video com trechos de shows em comemoração ao aniversário de um ano de banda.

O amigue e baterista Tobias de Teipó participou da gravação do single, mas a banda ainda está a procura de um baterista.

Ano passado fizemos uma entrevista com a vocalista, Letícia, onde ela explica porque se afastou do “rolê punk” e começou a frequentar a nova “cena” paralela que tá rolando em São Paulo. Ver isso tomando uma forma ainda maior através de mais uma banda faz uma lágrima escorrer no meu rosto.


Resenhas

Pata – Shit & Blood

Pata é um powertrio de Belo Horizonte, formada em 2017 por Lúcia Vulcano (guitarra e voz), Luís Friche (baixo) e Beatriz Moura (bateria), e no mesmo ano lançaram seu primeiro EP “Wild and Cabeluda”. Em Junho de 2019 lançaram o primeiro disco “Shit & Blood”.

“‘Shit & Blood’ é a construção de um subjetivo feminino que foi concebido com merda e sangue. São dez músicas que constroem a narrativa de uma persona que se tornou mulher – assim como disse Simone de Beauvoir – e está imersa nesse mundo com suas estruturas sufocantes e deterministas”.

Primeiramente, a capa do disco (por Lorena Bonna, também das bandas Whatever Happened to Baby Jane e Roberta de Razão) traz a ilustração de uma mulher sentada no vaso sanitário de um banheiro desarrumado com a calcinha abaixada mostrando um absorvente sujo de sangue e merda (“blood” e “shit” em inglês).

“Shit & Blood” é grunge puro e, assim sendo, é claro que as letras são um tanto pessimistas. O disco começa com “Downer” falando “não diga que eu não avisei!”.

Mas isso não quer dizer que as letras são tristes, se você prestar atenção nas letras de grunge você vê que a maioria é, na verdade, um desabafo. E o que a gente vê no disco todo é um tom de desabafo e deboche, “Selvagem e Cabeluda”, a única música em português do album, mostra bem isso. Entre gritos de “Ô seu bosta! Para de olhar pra minha bunda!”, ela narra o que as mulheres começam a enfrentar na adolescência e têm que aturar a vida toda: os padrões impostos pela sociedade.

“Eu era uma criança e de repente eu era mulher adulta e tinha que fazer coisas que os outros achavam que eu deveria fazer? Feche as pernas, não fale alto, não engorde. Eu quero ser livre, eu quero ser porca, eu quero ser eu. Eu quero destruir o patriarcado”.
Ela é uma das três músicas do disco que tiveram um clipe.

“Downer” foi lançada como single em Abril de 2019, a letra da música tem tudo o que você diz (ou quer dizer) naquele dia bosta quando você já tá exausto da vida acumulada. A barulheira e gritaria ajuda no “descarrego” por que é energizante. Ela também ganhou um clipe, ele segue uma menina-demônia que sai pentelhando todo mundo que ela encontra pela frente.

Algumas músicas têm nomes auto explicativos, além da já citada “Downer”, temos “Life Doesn’t Get Better (It Gets Worse)” e “Therapy Session”.
“I wish you could give up on me. And I could finally give up on myself too”.
Quando você começa a fazer terapia ou quando ela não tá funcionando a frustração é enorme e, acredito que, o sentimento universal. Sempre que ouço essa música lembro de “Therapy” da banda israelense Not On Tour e vice-versa. “After all this, say I need a psychiatrist?!

“Monster” é uma das músicas do disco que mistura várias sonoridades, começa com riffs sujos e guitarras distorcidas pra se tornar uma balada com violão enquanto a letra narra a transformação de uma garotinha em um monstro.
“The years, they passed. But I didn’t. I stood just where I wanted to, just where you need me to. Kneel before your god, before your monster”.

“The Witches” tem um som denso e sombrio e traz a narrativa de vingança das bruxas contra seus opressores.
“Look out for the shadow, you might see something you don’t wanna stare at so long”.

Em Abril de 2020 a banda lançou o clipe da música que começa com imagens de filmes de terror antigos misturadas a imagens ao vivo da banda. A segunda parte do clipe mostra cenas de protestos recentes, protestos contra a brutalidade das injustiças e desigualdades (que ironicamente é recebido com mais brutalidade policial), o que remete à imagem de “bruxas” modernas enquanto, em coro, a letra canta “We are gonna burn your house. We are gonna pray for the Sun. We are gonna make you pay for your crimes and it will be so fun”.

O disco que começa com “I hate every single day I lived so far” termina meio como uma resolução de ano novo com a melancólica e otimista “Next Year”, em um resumo que eu acho que posso descrever como o popular “vamo que vamo”:“Next year everything won’t be the same, I won’t be up all night with my regrets, I will forgive myself and try again”.

“Shit & Blood” está disponível no Bandcamp e nas redes de stream.

Essa semana a banda lançou a música “blsnr pnt mrch”.