Bus Ride Notes

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Resenhas

Campbell Trio – ///

Barra-barra-barra? Traço-traço-traço? Não sei como se pronuncia o nome, mas o fato é que hoje vamos falar de “///”, álbum do Campbell Trio lançado em junho desse ano. Com 14 faixas, esse é o primeiro disco completo da banda Porto Alegrense, sucedendo os EPs “The Campbell Trio Sings The Blues” (2011), “The Campbell Trio Does The Bebop” (2015), e “3-Way Split With Zat & Quiebre” (2015). Já dá pra sacar que de nomes eles são bons, né?

O álbum foi financiado coletivamente pelo Catarse e era considerado um disco perdido. O motivo é que as gravações foram iniciadas em lá em 2012 e acabaram sendo interrompidas, até que oito anos depois surgiu a ideia de concluir o trabalho e lançar o disco. Segundo a banda, um dos membros que também é aluno do mestrado Entrepreneurial Design do MFA em Interaction Design da faculdade School of Visual Arts de Nova Iorque (essa é uma resenha cheia de nomes interessantes), teve a ideia de resgatar o projeto e transformar em um trabalho acadêmico para o curso.

Espero que tenham recebido uma boa nota porque o trabalho ficou realmente espetacular e já canto a pedra de que pode entrar nas listas de melhores lançamentos do ano, ein? Mergulhada no post hardcore e emo, a banda lembra bastante sons como o At The Drive In. Destaco aqui as faixas “Lesson Never Learned” e “Devil Verse/Palindrome”. Segundo a descrição da própria banda, o álbum tem como tema a perda, um fantasma de um disco que nunca existiu.

“///” é uma montanha russa de emoções alternando entre momentos serenos e de explosão. Apesar de todos esses anos guardado nos HDs antigos da banda, não envelheceu em nada e que bom que finalmente veio à luz. Como diz o nome de uma das faixas, seria uma perda suprema se tivesse continuado no esquecimento. Isso me faz pensar na quantidade de obras incríveis que estão guardadas por aí esperando serem redescobertas.

Rafael Poloni é o responsável pelo baixo, bem como todo o trabalho gráfico do disco; o irmão Diego Poloni é guitarrista, vocalista, letrista, pianista, produtor, engenheiro de som, além de mixar e masterizar as faixas; e André Zinelli assina a bateria, percussões, piano, saxofone e a coprodução.

Participam também Júlia Piccoli (vocais na faixa “A Loss Supreme”), Felipe Vicente (trompete em “A Loss Supreme”) e Ronaldo Pereira (saxofone nas faixas “Our Names Forever on that Wall”, “A Canceled Future”, “A Loss Supreme”, “To a Friend” e “La Douleur”).

Os selos Yeah You! e Overall Records assinam o lançamento de “///”. O disco está disponível nas redes de stream.


Lançamentos / Playlists

Singles de Setembro

Hoje vamos publicar algo diferente do que estamos acostumados, mais uma das mutações do nosso blog/site/ainda não sei como chamar.

Nessa semana chegaram até nós alguns singles e resolvemos vir aqui falar deles. E primeiramente tamos felizes de mostrar algumas músicas de estreia.

Pata “Casa de Gelo”

Se você acompanha o Bus Ride Notes provavelmente já conhece a Pata, além de estar em algumas das nossas playlists, publicamos uma pequena resenha do primeiro disco da banda, “Shit & Blood”.

Nessa quarentena eles resolveram se aventurar com singles gravados e produzidos em casa, numa “série de experimentações sem pretensão de definir uma chave sonora para os novos passos, também com a proposta de colaborar com diferentes artistas e deixar se levar instintivamente em produções pontuais que explorem novos caminhos estéticos”.

Os já lançados “blsnr pnt mrch” e “Casa de Gelo” são em maior parte eletrônica e bem diferentes da banda que toca um rock que eu chamo de grunge.

“Casa de Gelo” tem uma melodia calma e uma letra tristinha que pra muitos é sinônimo da quarentena, mas ela na verdade foi feita há alguns anos pela vocalista Lúcia Vulcano.

Ela tem a participação de Sentidor (também responsável pela mixagem e masterização) nos beats e ambiências eletrônicas e foi lançada pela Geração Perdida de Minas Gerais e Efusiva Records.

A capa ficou por conta de Hanna Halm e também foi lançado um lyric video, produzido por Lúcia Vulcano.

O próximo single previsto é um cover de Nina Simone que irá integrar a coletânea “Rock Triste Contra o Coronavírus”.

Tigre Robô “Desconforto”

Formada no final de 2018 em Brasília por Isabela Fernandes (guitarra, teclados, voz), Junio Silva (baixo, teclados, voz) e Rafael Lamim (bateria), Tigre Robô acaba de lançar seu primeiro single, “Desconforto”. “Uma música sobre esperar pelas coisas acontecerem quando o tempo não está ao seu lado”.

A banda está gravando seu primeiro álbum e pretende lançar mais um single até o mês de Dezembro.

Eles também participaram da nossa matéria sobre gravações caseiras durante essa quarentena.

A arte de “Desconforto” foi feita pela própria Isabela Fernandes.

Tropikaos Chaga “As Ruas Vão Queimar”

“As Ruas Vão Queimar” é o primeiro single do duo Samuel Kircher (voz, guitarra, baixo) e Érico Munari (bateria), que foi gravado já durante a quarentena de 2020 (será que ao nos referir à quarentena vamos ter que especificar o ano? Espero que não).

A música foi lançada já tem um tempinho, mas o lyric video (editado pelo próprio Érico Munari) acabou de sair.

“As ruas, os dias, as notícias do cotidiano em um país problemático como o Brasil, compõem as letras e o barulho da banda”, ou seja, aquele punk rock rasgado cheio de distorção que a gente gosta.

Kebrada HC “Unides Pelo Ódio”

“Banda punk/hardcore antifa femininja diretamente da periferia do ABC”, formada por Letícia Souza (voz), Juliana Moreira (guitarra) e Victória da Cunha (baixo) em 2019.

Apesar de ser uma banda nova e essa ser a primeira música que elas lançam oficialmente, a Kebrada HC já é um tanto conhecida e é bem ativa.

“Unides Pelo Ódio” foi lançada junto de um video com trechos de shows em comemoração ao aniversário de um ano de banda.

O amigue e baterista Tobias de Teipó participou da gravação do single, mas a banda ainda está a procura de um baterista.

Ano passado fizemos uma entrevista com a vocalista, Letícia, onde ela explica porque se afastou do “rolê punk” e começou a frequentar a nova “cena” paralela que tá rolando em São Paulo. Ver isso tomando uma forma ainda maior através de mais uma banda faz uma lágrima escorrer no meu rosto.