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Entrevista

Andressa Nunes – O Mandacaru Intergaláctico

“O Mandacaru Intergaláctico” é uma carta de amor ao sertão escrito pela cantora baiana Andressa Nunes. Lançado em 2020, o álbum contêm 13 faixas que fluem como um abraço, como em “A Bahia é Grande”. Isso sem perder a mão nas experimentações, como a technobrega “Bagaceira”.

O álbum foi gravado em Juazeiro (BA) com coprodução de Iago Guimarães, da Casinha Lab. Todas as letras, bem como a arte da capa e as artes personalizadas das músicas no Youtube, são assinadas pela própria cantora.

Andressa canta que “o sertão é a resposta”. Então, fazendo o caminho contrário, fizemos um monte de perguntas sobre “O Mandacaru Intergaláctico”. Confira:

Andressa, a gente pode começar falando sobre o caminho que levou até “O Mandacaru Intergaláctico”. Em 2019 você lançou vários singles, certo? Como foi esse período entre os singles e a composição do álbum? 

Sim, em 2019 eu decidi publicar algumas experimentações caseiras que estava fazendo sozinha e sem muitas pretensões. Dessas, a minha preferida é Ana(r)coluto, que é uma música bem antiga mas que gosto bastante da letra, cheia de referências à filosofia da mente e à gramática da língua portuguesa. Como meu processo de composição é bem aleatório, não houve um ponto específico em que eu decidi compor “O Mandacaru Intergaláctico”. A música título, por exemplo, foi escrita há mais de cinco anos, enquanto “Bagaceira” foi escrita na hora de entrar no estúdio, praticamente.

Algumas músicas (talvez o álbum inteiro, até) são verdadeiras cartas de amor ao sertão, à Bahia, ao Nordeste como um todo. Na primeira música você já canta que “o sertão é a resposta”. O que te motivou a compor essas letras? O que você estava sentindo nesse período?

O sertão, principalmente por sua adaptabilidade e riqueza cultural, pode ser a resposta para muitas das questões sociais que temos enfrentado. O sertão é a resposta num sentido geopolítico, de olharmos para as riquezas e para os modos de vida da população dos vários sertões do Brasil (os rincões da Amazônia, do Centro-Oeste, dos Pampas, das Caatingas), que num geral conseguem conviver melhor com a natureza e produzir seu próprio alimento. Mas também o sertão pode ser uma resposta mais íntima: compreender de onde vim e a linguagem que me habita foi um processo importante para me deixar levar pela música que há tanto tempo componho.
A motivação maior para reunir essas canções foi justamente olhar no espelho da palavra, já que na época eu estava sentindo uma saudade de mim que tomou a forma (espinhosa, mas bonita) de um mandacaru. Há também uma motivação política – toda arte é política, inclusive a “neutra”. Falar do nordeste como algo contemporâneo, sem saudosismos, sem estereótipos, é uma forma de trazer luz a questões que estão em voga como a xenofobia e o machismo. Eu quis trazer um sertão que se deixa permear pela modernidade, mas sem medo de criticá-lo também, como em “A Última Cajuína do Sertão”. Vale ressaltar que não é uma questão de fazer o nordeste virar uma pauta identitária, pelo contrário: quero falar das suas pluralidades e das suas contradições, da ignorância e do saber, com consciência e sem vitimismo. O sertão não precisa de narrativas sensacionalistas. Fico com as narrativas sensoriais.

Quais foram suas referências musicais e de outras fontes? 

Na música, posso citar Cátia de França, Alceu Valença, Tom Zé, Luís Gonzaga, Dominguinhos, Caetano Veloso, Daniela Mercury, os Beatles, Björk, Zé Ramalho, Baiana System.
De outras fontes, acredito que Guimarães Rosa tem uma presença marcante na minha relação com o sertão feito de palavra. Também gosto bastante de cinema, e obras como “Bacurau” e “Deus e o Diabo na Terra do Sol” atravessaram bastante meu processo criativo.

Pode falar um pouco da parte instrumental do álbum? Quais os demais músicos que participaram? Como foi bolar esse som? 

Eu toquei violão em todas e guitarra em algumas das músicas. O restante (bateria, baixo, teclas) ficou por conta de Iago Guimarães, do Casinha Lab em Juazeiro, BA (que coproduziu e mixou as músicas) e do Wagner (percussões diversas) como representante da Camerata Matingueiros de Petrolina, PE. Bolamos o som seguindo o fluxo das letras, eu já tinha em mente o clima e a instrumentação que desejava e os meninos foram geniais e muito generosos ao me escutar e trazer novos elementos para a brincadeira.

O álbum foi lançado no ano em que a pandemia chegou. Já que os shows estão inviabilizados, como foi feita a divulgação do trabalho?  

Divulguei apenas pela internet e também entre amigos e familiares. As novas pessoas que têm chegado para escutar têm sempre me surpreendido positivamente, já que infelizmente não pude fazer nenhuma ação de marketing mais grandiosa. Mas o fluxo da vida, dos algoritmos e das canções tem uns mistérios interessantes.

Tem previsão para clipe?  

Tenho gravados takes de clipes para “Mulher Apocalíptica” e para “Manequim”, mas te confesso que sou eu que faço tudo na minha “carreira”, então a falta de tempo para editar está pesando bastante nesse aspecto. Quem sabe esse ano ao menos esses dois não saem, né?

Num momento em que o Brasil parece estar sendo atacado diariamente pelo que tem de pior nele mesmo, é realmente um respiro ouvir algo que fale com a gente assim, né? Na música “O Absurdo” você escancara esse clima que a gente vive. Você vê alguma esperança pra esse absurdo tanto na via artística, social ou política?

Nem medo, nem esperança: tenho confiança na ética e na capacidade de se transformar que o Brasil tem. Certamente é um processo lento e meu grito de “não me deixe achar normal o absurdo” resume esse chamado para que não deixemos a ignorância e a necropolítica se tornarem a voz da vez, como se fossem uma certeza fatal contra a qual teremos que lutar o tempo inteiro. Não. Não é normal, não é o nosso normal e não existe um “novo normal”: esse desmonte da coisa pública e o descaso com tantas vidas é uma aberração. Tenho fé em grande parte da população que se preocupa consigo mesma, mas que também busca ajudar o próximo. Tenho confiança na ciência e nas instituições de ensino e no seu papel político tão fundamental e de tanta resistência. Tenho fé nos artistas independentes, principalmente nos que produzem arte em vez de produto: a revolução também virá pela beleza, pelo sublime e pela coragem. Mas a mudança é silenciosa e lenta, e enquanto ela não vem, vamos agindo aos poucos para combater os fascismos que nós mesmos reproduzimos com arte, muita solidariedade e muita paciência.

O álbum está disponível no Youtube, Deezer, Spotify e Itunes.


Resenha

Clandestinas

Clandestinas foi formada em 2017 em Jundiaí, SP por Alline Lola (guitarra, voz), Camila Godoi (contrabaixo, voz) e Natalia Benite (bateria, voz), militantes feministas e LGBTQIA+.

Quando eu ouço Clandestinas, lembro do movimento Riot Grrrl. O Riot Grrrl não foi só um gênero musical, ele foi a terceira onda do feminismo, que coincidiu em ser através da música.
As primeiras bandas do movimento queriam chamar atenção pra sua mensagem e escolheram a música pra isso.

Clandestinas surgiu “da necessidade de se fazer ser ouvida em seus questionamentos sobre padrões de gênero e sexualidade, transparecendo e veiculando seu posicionamento questionador tanto em suas canções quanto nas falas, nos corpos e afetos das três musicistas”, e por isso acho que Clandestinas é mais um movimento artístico do que uma banda.

Toda banda é um movimento artístico, mas a escolha de priorizar um pouco a música ou a mensagem ou misturar igualmente é bem sutil, mas a gente enxerga.

Seu primeiro album, “Clandestinas”, foi lançado em 2020. Produzido por Mari Crestani, ele conta com participações de Aline Maria, Luana Hansen e Mariah Duarte.

A gente tá acostumado a ouvir letras políticas no punk e no rap, mas Clandestinas não escolheu um gênero musical e por isso o som é bem distinto, é rock, é punk, é MPB e mais um pouco de inúmeras influências.

A banda também mistura português e inglês na faixa de abertura, “Clandestinas”, e “Lovely Lola” é a única música em inglês do disco.

“Even if she is just my best friend and I must understand another meaning of love”

Sobre as letras é difícil falar, pois é muita informação. Esse é um disco que eu recomendo pra toda pessoa ouvir pelo menos uma vez na vida. “Clandestinas” é um album interessante em muitos aspectos.

“O não lugar me ocupa, o não pertenço me define. A não família me acolhe, a solidão me oprime”

“O nome ‘Clandestinas’ remete a ‘pessoa que vive fora da lei’, na banda o termo surge como essência e traz novos significados: ser clandestina é gritar quando disseram que se deveria estar calada, é amar sem medo e sem pudor quando disseram que seu amor era doentio, é fazer música mesmo achando que não se sabe cantar nem tocar, é estar com outras mulheres e se mover, é ter a consciência de que, para a hetero-cis-normatividade compulsória que rege a sociedade, os corpos e afetos distintos da norma não devem existir”.

Ainda em 2020 a banda participou do curta “Pluma Forte”, nele há um trecho de um show e podemos literalmente ver o formato de militância da banda.

E em janeiro de 2021 a banda lançou seu primeiro clipe, da música “Nenhuma a Menos”, um video que é mais que um clipe e menos que um curta.

“Com as nossas músicas, nossos corpos e nossos afetos, questionamos o machismo, o patriarcado, a hétero-cis-normatividade e o capitalismo. A revolução será feminista & LGBT”.

“Clandestinas” está disponível no Bandcamp e nas redes de stream.


Resenha

VEM AÍ!, parte 2 – O que é pre-save e porque usar!

Dado ao enorme sucesso (rs) da primeira matéria sobre lançamentos, resolvemos fazer uma segunda parte!

Tendo em vista várias novidades pipocando por aí, queria trazer um pouco de conteúdo e falar sobre pré-save, direcionando o papo à galera das bandas. Quase ninguém usa essa isso em terras brasilis.

– Ô seu doido, mas que diabos é pré-save?

É uma ferramenta que permite que seu público, vulgo seus fãs, incluam as músicas em suas bibliotecas/playlists antes da data oficial de lançamento, tendo acesso às músicas logo nos primeiros segundos em que estiverem disponíveis.
E por que motivos você deveria usá-la? Vamos lá:

  • Chama atenção dos ouvintes, criando expectativas e aumentando o engajamento do seu trabalho – antes mesmo de ser publicado.
  • Você pode aproveitar a oportunidade para publicar um teaser, seja um trecho da música ou videoclipe, e/ou também a pré-venda ou anúncio de novos merchs.
  • Reforçando o engajamento, o algoritmo do streaming vai ~crescer o olho pra cima de você, o que aumenta a possibilidade de conseguir adentrar as grandes playlists editoriais das plataformas – exponencialmente te levando a um possível número de maior de ouvintes. (Importante: estou falando de hipóteses, não é uma garantia!)
  • Ok, há poucos dias fomos informados sobre o vazamento de dados de milhões de pessoas no Brasil. Então é preciso ser cauteloso nessa parte. É que o pré-save serve também pra você coletar dados sobre seu público, como localização, faixa etária… te permitindo direcionar melhor sua comunicação. Às vezes rola até endereço de email, que pode se tornar um mailing de newsletter. Mais importante ainda: NÃO SEJA CUZÃO, NÃO VAZE OS DADOS DE NINGUÉM!
  • E você, caro/a ouvinte, se por acaso vir suas bandas preferidas soltando um pré-save: FAÇA-O! Isso ajuda muito mais do que pode imaginar.

Sua distribuidora de música certamente oferece a possibilidade de um pré-salvamento. Vale a pena dar uma conferida .


Dito tudo isso, hora do esquenta pros pré-saves todos:

Autoclismo
Diretamente de Teresina/PI, o trio instrumental vai lançar seu novo EP, “Tetra”, no próximo dia 23. E, eba!, tem pré-save, que você pode fazer aqui. Acompanhe a Autoclismo pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Californicks
A rapaziada do hardcore melódico de Mauá/SP tem publicado há algumas semanas os bastidores da gravação de seu novo material. Seu último trabalho foi o EP “Por Todos Nós”, de 2018. Acompanhe a Californicks pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Charlotte Matou um Cara
No último post, a gente chutou e fez gol! Só atualizando mesmo, Charlotte anunciou seu novo disco, “Atentas”, que está em fase de financiamento coletivo – e você pode contribuir aqui.

Família Estranha
Fugindo um pouco da curva (até pros padrões do Busão), Família Estranha é uma banda londrinense influenciada por música brasileira, latina e bluegrass (!), que tem a rua como seu palco principal. Estão com campanha de financiamento coletivo pro seu primeiro disco, “Toda Família Merece um Álbum” – e você pode contribuir aqui. Acompanhe a Família Estranha pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Join the Dance
Depois de soltar o single “The Sun” ano passado, os cariocas de hardcore melódico skate delicinha entraram em estúdio semana passada novamente. Aguardemos! Acompanhe a Join the Dance pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Kattana OCK
Duo de horror punk, baixo+bateria, estão em fase de gravação de seu material de estreia. Dá pra dar um confere nesse áudio aqui que o trem vai ser doido! Acompanhe a Kattana OCK pelo Instagram.

Medrado
Parece que vem coisa nova por aí nos versos do Medrado, que tem lançado vários singles. Um EP em parceria com o produtor An_Tnio tem previsão para ser lançado nos próximos meses. Acompanhe o trabalho do rapper pelo Instagram, Soundcloud e Spotify.

Numbomb
O trio de crust/grindcore de Brasília-via-Lisboa não terá só um, como dois lançamentos em breve: seu primeiro álbum e também um split com a Nekkrofuneral. Acompanhe a Numbomb pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Paranoia Bomb
Projeto recente de veteranos da cena punk rocker brasiliense (Firstations, Dissonicos, Caos Lúdico, Conteste!, Nada em Vão), o supergrupo traz também influências do country e do folk. Incansáveis, estão estúdio gravando o sucessor do EP “É Hora de Ir”, de 2020. Acompanhe a Paranoia Bomb pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Personas
No fim do último mês, os jovens do rock triste lançaram o single “E Eu Me Desespero Facilmente”, que dita o tom de seu próximo EP. Acompanhe a Personas pelo Instagram, Facebook e Spotify.

SLVDR
Faz bem uns 5 anos que saiu o excelente “Presença”, e dentro em breve tem novidades também! Se você curte uma fritação instrumental, fica de olho! Acompanhe a SLVDR pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Signo 13
Há quase 10 anos na estrada, vários EPs e coletâneas na bagagem, a banda pós-punk do DF lançou seu primeiro álbum “Serpentário” num formato inusitado: soltando cada faixa como single, mensalmente, entre setembro de 2019 e outubro de 2020. E trarão mais novidades em breve! Acompanhe a Signo 13 pelo Instagram, Facebook e Spotify.

coletânea Coletivo Lança
O coletivo ainda prepara pra se lançar oficialmente em breve, com um evento online. Mas já nos adiantou sobre sua primeira atividade: uma coletânea (ainda sem nome), que tem confirmada as presenças de nomezassos como Loyal Gun, Hayz, Trash No Star, Letty, Drowned Men, Fragmentos Urbanos e Gomalakka, com músicas inéditas, será lançada no primeiro semestre. Como ainda não temos links oficiais, fica de olho nas bandas pra acompanhar!

coletânea Território Antifa
Produzida pela produtora Casa Sonora, várias bandas antifas da região metropolitana de Porto Alegre se reúnem nessa coletânea que promete! Todas entrarão com duas músicas inéditas. Alguns nomes confirmados: Lo que Te Voy a Decir (AMO!), Pupilas Dilatadas, Cine Baltimore e Punkzilla. Acompanhe a Casa Sonora pelo Instagram e Facebook.


Por hoje é isso! Espero que esse amontoado de palavras e links tenha sido útil pra você. Acredito que não faremos uma parte 3 sobre lançamentos futuros, mas pode mandar sua pauta no busridenoteszine@gmail.com. Sextou!

Playlist

VEM AÍ – O que esperar de lançamentos para 2021?

Não sei você, mas pessoalmente tenho pequenas crises de ansiedade às quintas-feiras, antecedendo o Radar de Novidades do Spotify da sexta. Já faz parte da minha rotina – inclusive, minha playlist do ano de 2021 tá rolando. Pra dar uma amenizada nisso, costumo organizar uma lista do que tá pra sair, até pra não acabar esquecendo.

Ano passado tivemos uma baixa considerável no âmbito de lançamentos. Não preciso entrar nos méritos de dificuldades pandêmicas e etc., né? Foi e ainda tá foda pra todo mundo. Mas precisamos apoiar quem teve e tem condições de trabalhar de forma segura nesse período. E também esperar que todo mundo retome as atividades, o mais breve possível <3

Enquanto isso, bati um papo com contatinhos de bandas e selos nacionais, e abaixo elenco alguns lançamentos confirmados, previstos ou mesmo especulados – a esperança é a última que morre. Pega seu café e vem comigo!


A Trip to Forget Someone
Poucas semanas depois de publicar o single “Portão 14”, em setembro passado, a banda instrumental de Belém/PA anunciou a gravação de uma nova música, que ainda não saiu. Será que agora vai? Acompanhe A Trip to Forget Someone pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Agreste – Super Abalada (EP)
O trio belorizontino formado por remanescentes da amada Miêta soltou o (viciante) single “Cíclica em agosto passado. Podemos concluir ou presumir que, a qualquer momento, saia o EP completo? Acompanhe a Agreste pelo Instagram e Spotify.

The Biggs
Os últimos singles, “Breech Delivery” e “(Battle)Fields” saíram em 2015. Numa live recente, apresentaram uma música nova, “See You”. Será que podemos esperar mais novidades pra esse ano? Tá na hora né? Afinal o último álbum saiu há longos 12 anos… Acompanhe o Biggs pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Charlotte Matou um Cara
Nada oficial, mas algumas músicas inéditas (como “Lembrar Para Não Repetir” e “Farsantes Com a Bíblia na Mão”) foram apresentadas em shows passados e lives no último ano. Podemos sonhar com uma tão esperada voadora na cara como foi o disco homônimo de 2017? Acompanhe a Charlotte pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Deadtrack
Meus queridos crust punk metal brabo de Uberlândia estão em fase de gravação do material novo, sucessor do disco pedrada “Rupture”. Ainda sem data prevista de lançamento. Acompanhe a Deadtrack pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Enema Noise
Trabalhando em um novo EP de remixes e versões de músicas antigas, já tendo como uma prévia “Bayer + Monsanto” (an_tnio remix), a incansável e barulhenta banda candanga logo menos tem novidades – prevista pra esse primeiro semestre. Vem na sequência do EP “Aquilo que já é meu/ Hora mais fria”, que também saiu em vinil 7″. Acompanhe a Enema pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Escolta
O quarteto de rap metal brasiliense começou a gravar o novo material há poucos dias. Os shows do disco “Efeito Moral” foram incríveis, super energéticos. Que continue nessa pegada! Acompanhe a Escolta pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Eskröta – Vida Artificial (single)
Poucos meses após o discasso “Cenas Brutais”, a Eskröta retorna com um novo single, disponível no dia 28, próxima quinta! Acompanhe a Eskröta pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Gagged
Chegando em seu 17º (!) ano de estrada, os interioranos da Gagged estão em fase de composição com uma nova formação e (alerta de spoiler) preparando várias novidades. Seu último trabalho foi o disco “Sobre Nós”, de 2018 – veja o clipe de “Cidade Sem Lugar”. Acompanhe a Gagged pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Hayz
Com a possibilidade de gravar em casa, como foi o caso do excelente single “A Soma de Todos os Medos”, lançado há pouco mais de dois meses, seria correto supor que vem mais coisa por aí em breve? Por favor, nunca te pedi nada! <3 Acompanhe a Hayz pelo Instagram, Facebook e Spotify.

In Venus – Sintoma (álbum)
Com o belíssimo clipe do single Ansiedade, o quarteto pós-punk anunciou seu novo disco, Sintoma – com vinil já em pré-venda. Acompanhe a In Venus pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Jova – Nada é Fixo (EP)
O artista de Belford Roxo/RJ lançou em 2020 seu primeiro EP, “Músicas Para Ouvir Perdido na Floresta” e o segundo EP de Jova, “Nada é Fixo”, que será lançado dia 29 de janeiro já tem pré-save. Embalado pela pandemia de Covid-19, ele traz como temas situações com as quais fomos obrigados a lidar por causa do isolamento social. Acompanhe Jova pelo Instagram e Spotify.

La Burca – Desaforo (álbum)
Organizei uma minitour do lançamento do último disco, “Kurious Eyes”, em 2016 aqui pelo cerrado (DF e Goiânia). Portanto, “Desaforo” é muito esperado! Já tem um single instrumental, também chamado “Desaforo”, rolando por aí – e o disco vai sair em vinil! Acompanhe a La Burca pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Manger Cadavre?
Uma das mais ativas, prolíficas e turnêzantes bandas da última década, também está com nova formação e postou recentemente que logo terão novidades. Aguardamos o que vem em sequência do excelente disco “AntiAutoAjuda” (2019). Acompanhe a Manger Cadavre? pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Movva – Depois da Tempestade (EP)
Meus meninos da nova geração do hardcore de Jaboticabal/SP terminaram recentemente a gravação de seu EP de estreia. Já experientes na cena do interior, lançaram o single “Alento” ano passado como uma prévia do que está por vir. Acompanhe a Movva pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Naja White – desabafEMOs (EP)
Depois da estreia com o single O emo tá de volta em 2020, a drag queen revelação do emo nacional se prepara para lançar o primeiro EP. Disponível no próximo dia 29, sexta – e já tem como prévia as faixas “Pontes” e “Vida de Adulto”. Acompanhe Naja White pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Nada em Vão
Os bonitos do punk rock melódico delicinha brasiliense começaram a gravar seu primeiro álbum, dois anos após o último single, “Chegou a Hora”. Porém como nem tudo são flores, precisaram dar uma pausa enquanto o baixista César se recupera de dois braços quebrados. Acompanhe a Nada em Vão pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Paciente Anônimo
Dividi palco com eles em 2019 e olha, que sonzeira! Esperam entrar em estúdio nos próximos meses para registrar seu primeiro material. Acompanhe a Paciente Anônimo pelo Instagram.

Saving Lipe
Projeto solo de rock noventista do jovem Felipe Casquet, baterista da Casquetaria, em que ele assume todos os instrumentos e vocais. O single If I Had to Stay Alone já está disponível, e é uma prévia do EP homônimo previsto pra esse primeiro semestre de 2021. Acompanhe a Saving Lipe pelo Instagram e Spotify.

Trash No Star
Já tem alguns meses que tem um destaque no Instagram da banda indicando que rolou uma gravação… então cedo ou tarde vai pipocar por aí a sequência riot garageira do maravilhoso Stay Creepy (No) Summer Hits, de 2014. Acompanhe a Trash pelo Instagram, Facebook e Spotify.


ENFIM! É isto, amiguinhes. A lista não é muito longa se colocarmos em perspectiva tudo que acontece nesse Brasilzão véio sem porteira. O conteúdo dela se restringe à minha humilde bolha existencial. Se não conhece as bandas citadas, vale a pena ir atrás! E caso saiba de mais próximos ou possíveis lançamentos, manda pra gente no busridenoteszine@gmail.com. Quem sabe não sai uma parte 2?

Nota: Estamos com problemas nos links. Nesse post, estão todos em negrito. #AJUDALUSIANO


Discografia Caipirópolis / Playlist

Discografia Caipirópolis Volume 2

A Discografia Caipirópolis nasceu pra mostrar que tem muita coisa boa sendo feita fora da capital.

Somos do interior de São Paulo e um dia decidimos fazer uma lista de bandas daqui, como várias delas não têm músicas nas redes de stream pra fazermos uma playlist, decidimos fazer uma coletânea.
Colocamos bandas do litoral também porque ninguém sabe se litoral é interior ou não, é uma questão de opinião.

Bom, lista feita, fizemos as edições necessárias e entre elas tiramos bandas com letras machistas, violentas, reacionárias ou coisas do tipo. Gostaríamos de pedir que vocês nos avisem caso deixarmos algo parecido passar.

No primeiro volume decidimos colocar apenas bandas com mulheres na formação, então tem de tudo, punk, crust, indie, synthpop, hard rock, folk, instrumental, etc.
E agora chegamos aos próximos volumes, que serão divididos por gênero musical. Nesse segundo volume são bandas de punk rock, hardcore melódico e etc.

Abaixo você lê um pouco sobre cada banda que faz parte desse segundo volume:

4HC (São José dos Campos)
Formada em 2016 por Fred (voz), Luan Felipe (guitarra), Josean Silva (baixo) e Wesley Nerosi (bateria). “Nossa banda consiste em fazer letras voltadas para o dia a dia, algo para motivar as pessoas a continuarem e também, é claro, contra a política fascista e opressora dos dias de hoje”. A banda tem três singles lançados, “Caminho do Exílio”, “Realidade Paralela” e “Cidade Moderna” e está em processo de gravação do primeiro EP.
“Cidade Moderna” foi lançada como single em Abril de 2020.


Anversa (São José dos Campos)
Formada em janeiro de 2018 por Tati Laukaz (vocal), Marcelo Lopes (guitarra), Mendel Graves (baixo) e Eder Penha (bateria), com “letras cantadas em português que interpretam relações cotidianas indo da política a dogmas espirituais, passando pela interpretação de questões individuais e coletivas na transformação do indivíduo e a sociedade em que atua”, a banda tem quatro singles lançados, “Quem Sou”, “Carlos”, “Não” e “Feito”.
“Feito” foi lançada como single em Outubro de 2020.


ASCO (Santos)
Formada em 2013 e hoje composta por Leandro Campos (vocal), Eder Camargo (guitarra), Willians Pereira (baixo) e Willians Cruz (bateria), a banda já tem quatro EPs lançados, o mais recente, “O Pior Cenário Possível”, foi contemplado com uma tour pela Europa no mês de março de 2020. A proposta do grupo sempre foi fazer punk rock/hardcore com a ideia de passar uma mensagem de contestação, tendo em suas maiores influências o hardcore americano dos anos 80”.
“O Pior Cenário Possível” faz parte do EP de mesmo nome, lançado em Dezembro de 2019.


Astronova (Jundiaí)
Formada em 2017 “por cinco amigos que decidiram se unir para falar sobre experiências, opiniões, sociedade, repressão, preconceito e liberdade de expressão”, é atualmente composta por Chello (vocal), Luís Paulo (guitarra, vocal), Junior Costa (baixo), Felipe Sibon (guitarra) e Jamil Neto (bateria). Em outubro de 2020, juntamente com o SESC Jundiaí, participaram do projeto #SonsdaTerra apresentando seu novo single “Sempre Assim?” acompanhado de um clipe gravado e produzido durante o período de distanciamento social, disponível nas plataformas digitais da banda e do Sesc Jundiaí.
“Fantasmas” faz parte do primeiro EP da banda, “Anomia. Omissão. Opressão. Ascensão” (2019).


Brado Revolucionário (Porto Ferreira)
Formada em 1996 e hoje composta por Paulo Urbano (vocal), Rodrigo Punk (guitarra, vocal), Lucas Santos (baixo) e Beto Giocondo (bateria), a banda tem como influências o cotidiano, o ódio ao atual sistema, a revolta ao dogmatismo e principalmente o anarquismo. “Acreditamos em nossa cultura, nossa imprensa alternativa, nossos meios de protesto sonoro, nossa oposição ao sistema, nossa luta, nossa militância, nossa seriedade. Acreditamos no movimento punk, no anarquismo”. A banda está em fase final de preparação para o lançamento de um split com Putrid Scum (México), “Efecto Moral”, e em 2021, data em que completam 25 anos de estrada, a banda pretende lançar materiais comemorativos para marcar a jornada.
“Negro Coração” faz parte do album “21 Anos de Punk HardCore” (2017).


Cannon of Hate (Cubatão)
Atualmente com Sandro Turco (vocal), André Félis (guitarra), Márcio Parducci (guitarra), Marcos Alves (bateria) e Marcus Vinicius (baixo), Cannon Of Hate foi formada em 2013 por integrantes das bandas Artany e Lasívia que haviam encerrado as atividades. A banda tem três EPs lançados e já excursionou pelas regiões Nordeste, Sudeste e Sul além de ser bem ativa no estado de São Paulo.
“O Que Vai Ser de Nós” faz parte do EP de mesmo nome, lançado em 2017.


Discordex (Itupeva)
Formada no fim de 2016 por Rodrigo Santos (vocal), Adriano (baixo), André Felipe (guitarra) e Gustavo (bateria) a banda tem dois EPs lançados, “Obrigada a Crescer” (2018) e “Prazer, São Paulo” (2019) e atualmente trabalha em seu próximo lançamento, com o selo Clichê Records. Discordex tem letras que retratam o cotidiano, com uma alta dose de sentimento e sinceridade e cita como influência as bandas Millencolin, Rancid, Chuva Negra, Fugazi e Title Fight.
“Bravo” foi lançada como single em Novembro de 2020 junto de um clipe.


ESC (Santos)
A banda surgiu em 2005 “sem pretensão de seguir um estilo ou chegar a algum lugar, nossa amizade manteve viva a vontade de tocar”. Passaram por vários estilos dentro do rock e em 2012, com a formação atual, a banda encontrou a linha punk rock, pop punk cantando em português contando suas histórias. “Seguimos assim, tentando passar um pouco de alegria por onde estamos”. A banda tem dois EPs lançados.
“Valete” faz parte do EP “Atemporal” (2020).


Facing Death (Jundiaí)
O power trio que mistura punk rock com heavy metal setentista foi formado em 2015 por Flávio (guitarra e voz), Briti (baixo) e Diego (bateria). Em 2017 a banda lançou o primeiro album, “From Here To The Unknown”, e em Maio de 2019 lançaram o single “Dinheiro” (primeira música em português da banda) em forma de cerveja, criando uma perspectiva física para a música, na embalagem podia ser escaneado um QR code que dava acesso ao vídeo da música no Youtube. Atualmente a banda está produzindo o segundo disco.
“M.I.X.” faz parte do album “From Here to the Unknown” (2017).


Gagged (São Carlos)
Formada em 2004 e hoje composta por Zeca Ruas (voz), Rodrigo Gutz (guitarra), Eric Costa (baixo) e Murilo Ramos (bateria), a banda de hardcore melódico que faz “música para reflexão, mudança e liberdade coletiva” tem dois discos lançados, “Silent” (2011) e “Sobre Nós” (2018) e um clipe “Cidade Sem Lugar”. Com 16 anos de estrada, a maioria deles bem ativos, a banda já tocou em vários estados brasileiros e teve várias mudanças. Fizemos uma entrevista com a banda que você pode ler aqui.
“ Cidade Sem Lugar” faz parte do disco “Sobre Nós” (2018).


Garrafa Vazia (Rio Claro)
Formada em 2009 por Mário Mariones (voz, baixo), Ralph Faust (bateria) e Vancil Cardoso (guitarra), a sonoridade remonta ao punk rock 77 e ao veloz hardcore punk oitentista, com um toque garage punk aqui e ali. “Há uma energia, uma irreverência na linguagem, uma forte identidade nas letras, cantadas em português, cheias de anarquia, fúria e ironia“. A banda tem bastante estrada, muitas de demos, coletâneas nacionais e gringas, presença em shows e festivais por todo o Brasil, além dos discos “Corotinho” (2016), “Cirrose” (2019), “Birinaite Apocalipse” (2020) e o ao vivo “Kill The Nazis” (2020).
“Autonomia” faz parte do disco “Birinaite Apocalipse”, lançado em julho de 2020 pela Red Star Recordings.


NWAY (Araçatuba)
Banda formada em 2012 e ao longo dos anos, em parceria com o selo Love & Noise Records, movimenta a cena da região, tanto organizando eventos como produzindo fonogramas. Eles tem dois EPs lançados, “Horizontes” (2016) e “(Sobre)viver” (2020), este conta com um mini documentário sobre suas gravações que pode ser visto no Youtube. Ainda sobre o novo lançamento, “ele fala sobre a vida e como devemos enfrentar e persistir, levantar e prosseguir. Esse registro fala sobre saúde mental, superação, relações tóxicas, desapego, amar e odiar”.
“Retrato Contínuo” faz parte do EP “(Sobre)viver” (2020).


Old Rust (Guarujá)
Formada em 2012 por Luiz Fernando (voz e guitarra), André Bufoni (guitarra), Juliano Amaral (baixo e voz) e Juca Lopes (bateria), a banda tem um disco lançado, “Teoria Cíclica de Ascensão e Queda” (2019), que conta com a regravação das músicas do primeiro EP (2014), de mesmo nome, e outras cinco músicas compostas na primeira fase da banda, antes de um hiato de dois anos. Uma das músicas, até então inéditas, que vieram a entrar no álbum, “Audiência”, foi a escolhida para o primeiro clipe e gravado por Faria Filmes.
“Certo Pra Você” faz parte do primeiro disco da banda, “Teoria Cíclica de Ascensão e Queda” (2019).


Ovu Cuzido (Monte Aprazível)
Formada em 2003 e hoje composta por Guma (vocal), Ziq (bateria), Juliano (guitarra, vocal) e Serginho (baixo, vocal), a banda tem influências do punk e hardcore “sempre com riffs agressivos e letras contra o sistema”. Eles já lançaram uma demo, “Marmitex Infernal” (2006), e alguns singles.
“Toba de Tandera” foi lançada como single em Janeiro de 2020.


QI a Menos (São José dos Campos)
Formada em 2007 por Diegão (vocal), Gabi (baixo e vocal), Korpão (guitarra e vocal) e Lukão (bateria e vocal), a banda faz um mix das influências melódicas do hardcore californiano com toda revolta e indignação do punk rock nacional. As letras trazem contestações pessoais, sociais e políticas. A banda toma orgulho de ser underground e periférica, não fazendo questão de sair desse meio em que sobrevive por pouco mais de uma década. Eles já lançaram três EPs, “O outro lado da Moeda” (2011), “A verdade é Mentira” (2013) e “Sobrevivendo ao golpe” (2019), e participaram de coletâneas.
“Sentença” faz parte do EP “Sobrevivendo ao golpe” (2019).


Refluxo Mental (São José do Rio Preto)
Formada em 2019 e hoje composta por Ariel (bateria), Everton (guitarra), Matheus (vocal) e Maurício (baixo), eles acabam de lançar seu primeiro disco, “Socialização das Perdas”. Segundo a banda, “o momento político vivenciado no Brasil atual pede uma retomada forte às bases de uma crítica social ligada ao meio artístico. Em meio ao levante de diversos artistas (não somente da música), a Refluxo Mental pretende demonstrar que ainda é possível criar um punk rock vinculado ao pensamento crítico, como alternativa às amarras da desrazão, da barbárie e do reacionarismo. Fascistas não passarão!”.  Fizemos uma entrevista com a banda que pode ser lida aqui.
“Balbúrdia” faz parte do primeiro disco da banda, “Socialização das Perdas” (2020).


Refuse (Araraquara)
Formada por Boby Vianna (vocal), Fabrício Negrini (guitarra), Arthur Oliveira (guitarra), Pablo Dotele (baixo) e Leonardo Fernandes (bateria), em Dezembro de 2018, com a banda em processo de gravação, aconteceu seu primeiro show, no Alternatal (evento beneficente de muita história e tradição), onde, devido à fortes elogios do público presente, recebeu o convite para abrir a Intourior (tour das bandas Damage Corporation, Toxic Death e Tessalônica que rodou o interior do estado de São Paulo). Em Maio de 2019, a banda lançou seu primeiro trabalho, “Direções”, juntamente com o videoclipe da música “Minha Paz”. Logo após o lançamento surgiu o convite para ser a banda local convidada a se apresentar no Araraquara Rock 2019. Em 2020, foi lançado o clipe do novo single, “A Saída”, e atualmente a banda se encontra em processo de composição do novo EP.
“Glória” faz parte do EP “Direções” (2019).


Smoners (Paulínia)
Formada em 1996 e hoje com Edinho Smoners (baixo, vocal), William Valadares (guitarra, vocal) e Alle Leanza (bateria, vocal), a banda surgiu pelas mãos de jovens que queriam tocar um punk rock simples e de protesto, posicionando-se em relação à sociedade vigente.  “Fortalecer a cultura punk e gritar contra a constante opressão explícita ou camuflada que sofremos no nosso cotidiano, e contra o racismo, machismo, lgbtqia+ fobia”. Participar de coletivos culturais, como o Mondo Grottesco (Águas de Lindoia, Mogi Guaçu, Paulínia) e Arte de Periferia (projeto sociocultural de inclusão da arte e da cultura de periferia ao circuito central, apoiado pela Prefeitura de Campinas), é algo que a banda coloca como primordial para sua atuação pela resistência do movimento. Além de já ter tocado por todo o Brasil, em 2017 a banda foi selecionada para o “Extreme Sports and Music Events” (Nashville, EUA) e em 2018 lançou o documentário biográfico, “SmonerS.doc”, pela Arttería Filmes.
“TV” faz parte do disco “Ao Vivo Estúdio Mutante” (2019).


The Biggs (Sorocaba)
Formada por Flavia Biggs (vocal, guitarra), Mayra Biggs (baixo, vocal) e Brown Biggs (bateria), em 2020 a banda completou 25 anos de atividade.  “Com melodias que passeiam entre o grunge punk, alternative rock, riot punk e stoner rock, o power trio faz um som com influências de Sonic Youth, L7, Bikinni Kill, Babes in Toyland, MC5, entre outras”. A banda lançou duas fitas K7 “See Stars” (1997) e “Kind-Hearted” (1999), dois discos, “Wishful Thinking” (2001) e “The Roll Call” (2007) e alguns singles, sendo o mais recente “See You”, ainda não lançado oficialmente, mas apresentado no festival online “Viva Girls Rock Camp BR” (inclusive, Flavia Biggs é uma das idealizadoras do projeto Girls Rock Camp Brasil). A banda que já tocou em todo Brasil, na Argentina e Uruguai e participou de inúmeros festivais e coletâneas, também fez parte dos documentários “Feito Por Elas” (2018) e “Guitar Days” (2018) e são citados no livro “O que é punk?”, de Antônio Bivar.
“Breech Delivery” foi lançada como single em 2015.


Turning Off (Sorocaba)
Formada em 2018 e hoje com Diogo Camargo (voz e guitarra), Rafael Monari (guitarra), Alex Galdino (baixo) e Vinicius Knup (bateria), a banda lançou seu primeiro disco, “Behind The Sun”, em 2019, gravado de forma independente com ajuda de amigos da cena local. “Influenciados pela velha escola do hardcore melódico e melancólico dos anos 90, a Turning Off vem tentando trazer o clima de nostalgia do auge das trilhas sonoras subversivas do Tony Hawk’s Pro Skater em suas apresentações explosivas e diretas com alguns tons de sarcasmo e homenagens à tudo que serviu de influência para a banda”.
“Behind The Sun” faz parte do disco de mesmo nome, lançado em 2019.


Fizemos playlists com as músicas disponíveis nos streams, mas como faltam várias bandas eu recomendo muito que você ouça no Bandcamp.

Deezer aqui.


Resenha

Messias Empalado – O Evangelho dos Tempos de Ódio

O nome da banda, Messias Empalado, e do disco, “O Evangelho dos Tempos de Ódio”, já diz muito, a descrição “banda LGBTQ formada em 2017 [em São Paulo] com temática anti-cristã, anti-fundamentalismo religioso, contra toda opressão social”, diz ainda mais.

Messias Empalado é Vee Wayward (voz), Gustavo Knup (baixo e voz), Karine Profana (teclado) e Letícia Figueiredo (bateria). Em fevereiro de 2020 lançaram seu primeiro disco, “O Evangelho dos Tempos de Ódio”.

Ainda segundo a banda, “a força de nossa criação é a blasfêmia, que de maneira alguma é um discurso de ódio ou intolerância religiosa, é tão somente reação contra os representantes religiosos que usam suas crenças e seus interesses pra nos condenar, criar leis pra deixar nossa vida ainda mais à margem e a mercê de todo tipo de exclusões e agressões”.

Estamos mesmo vivendo em tempos de ódio incitado por certos religiosos e isso é um perigo real pra maioria de nós (inclusive pra quem não se sente marginalizado), por isso sinto um certo alívio vendo uma banda falar dedicadamente sobre o assunto. Parece que é algo que quase ninguém dá a devida atenção (talvez isso seja só na minha bolha), ao mesmo tempo em que existe a angústia de “como deixamos chegar a esse ponto?”.

“Sangue de Jesus tem poder. Poder de nos dividir, poder de nos odiar, poder de nos discriminar, poder de nos execrar”.

O som nos remete à estética clássica de igreja, muitas vezes com órgão e canto lírico, é bem dark wave e industrial. A banda também cita como influências EBM, post punk e noise.

“O Messias tão esperado caiu. Reprovou os atos dos líderes, religiões sob sua mortalha, templos de exploração da fé”.

Em 2019 vi um show da banda e minha amiga disse “gostei e não gostei“. Depois de ouvir o disco e entender melhor as letras, eu acho que essa reação é proposital, a banda busca a reação de choque e as vezes um certo repúdio.

“Enforquem os pastores nas tripas dos senhores, cortem as cabeças da Santa Inquisição. Cuspimos em seu livro de abominação” é uma frase bem gráfica (assim como a maioria das literaturas sobre religião organizada).

“Bolsonazi” é a música que resume o disco, ela faz referência a um dos líderes que incita todo esse ódio e violência.

“O sangue tá nas suas mãos, não adianta tentar se esconder… Suas palavras são cheias de ódio. Autoritário, chefe de milícia. Bolsonazi, assassino de viado, Bolsonazi, higienista do caralho, Bolsonazi, tirou os fachos do armário”.

E falando em Bolsonazi, nos shows de bandas com letras políticas sempre rola um grito de “Bolsonaro, vai tomar no cu!” e no show da Messias Empalado, Vee nos ensinou que não devemos desejar coisa boa pra gente ruim. É sempre bom lembrar.

“O Evangelho dos Tempos de Ódio” está disponível no Bandcamp e nas redes de stream.


Entrevista

Klitores Kaos

Klitores Kaos foi formada em Belém em 2015 e hoje é composta por Nia Lima (guitarra), Dy Lima (guitarra) e Line White (baixo) .

A banda surgiu da “vontade e necessidade de bandas formadas só por mulheres no cenário hardcore punk da cidade, com uma ideologia de fato feminista. Como uma forma de expressar nossas ideias, criticar o sistema opressor que serve aos interesses da elite burguesa, a desigualdade e caos social de nossa cidade, enfatizando a questão de gênero”.

Em Março de 2020 elas lançaram o primeiro EP, “Klitores Kaos”, e em Outubro lançaram dois singles.

Abaixo você lê nossa entrevista com elas, onde você conhece a banda desde o começo até as atuais mudanças e mais:

Vocês podem falar um pouco sobre a banda pra quem não conhece?

Nia: A Klitores Kaos é uma banda baderneira antifascista de hardcore crust punk formada em 2015 em Belém, PA. Luma e Debby foram as fundadoras, porém não estão mais na banda. Além de Belém, já tocamos em São Paulo, Brasília, Tocantins e outras cidades dentro do Pará como Santarém, Marabá e Castanhal.

A banda foi formada em 2015 e o primeiro EP foi lançado em 2020. Vocês podem falar um pouco sobre ele? As músicas foram compostas durante esses vários anos da banda, né?

Nia: Sim, a banda começou com as minas ainda aprendendo a tocar, mas já criando as próprias músicas, e no começo haviam muitas críticas disso desmerecendo a banda, fora as dificuldades financeiras, que foi o maior problema para que o nosso primeiro EP saísse só esse ano. Em 2018, nós planejamos criar uma Vakinha virtual para quem pudesse nos ajudar e foi um sucesso! Muitas pessoas, de vários cantos, doaram fazendo com que ultrapassasse a meta, ficamos muito felizes. Uma pessoa que foi essencial para que esse EP tivesse a melhor qualidade possível e que fosse a nossa cara foi o Zé Lukas, ele abraçou nossas ideias e dificuldades e nos ajudou muito, ele estava presente na maior parte do processo. As letras são bem antigas mesmo, mas são assuntos da atualidade que ainda temos que nos questionar e lutar. Algumas letras foram de situações pessoais que tiveram que ser “expurgadas” e acabou que deu certo porque muitas pessoas se identificaram e sabem do que a gente tá falando.

Vocês podem falar sobre os dois singles que vocês acabaram de lançar? Eles foram gravados já durante a pandemia, né? Como foi esse processo de gravação?

Dy: Apesar de termos o máximo cuidado, ficamos bem apreensivas por conta de tudo o que estava acontecendo (Covid). A gravação do EP teve várias etapas, fizemos o roteiro de gravação, falamos com amigos que trabalham com produção e estavam dispostos a nos gravar. Chamamos algumas minas para participar da música “Atividade Subversiva” que ficou bem parecida com um grito de protesto (era essa a intenção). Separamos um dia para gravar as cordas e batera, e outro para a gravação do vocal. Como foi a gravação de músicas antigas, que já estavam na banda há um bom tempo, esse processo foi também uma despedida da vocal (Debby) que acompanhou a banda por anos, então foi um ciclo ali que se fechou pra nós.

E como vocês chegaram a escolha de lançar eles poucos meses depois do EP?

Dy: Como eram músicas antigas e que já tinham registro em vídeo (mas sem áudio oficial), decidimos lançar justamente para fechar o ciclo de músicas mais antigas da banda e para começar novos sons com essa nova formação.

Já que Belém sai do eixo Rio-SP, vocês podem falar, no geral, como é a cena na cidade pra quem não conhece?

Dy: A cena é bem diversificada, no mesmo evento podemos ter uma banda de reggae e depois uma de rock. O único problema ainda é casas de show abertas para bandas autorais, e isso acaba fazendo com que shows autorais rolem no “faça você mesma”.

O que vocês têm ouvido ultimamente? Tem alguma banda que tá sempre tocando na sua playlist?

Nia: Todas nós curtimos sons variados (e põe variado nisso haha), eu por exemplo vou de Opeth à Falamansa, Manger Cadavre? à Dona Onete, a Dy gosta de MPB e também Nervosa, Blind Ivy e Joan Jett, e a Line de Pitty,  Brega Marcante e Xuxa haha. Claro que para influenciar no som da banda a gente tem referências de outros sons, mas com a gente não tem frescura com música, a gente gosta de quase tudo mesmo.

Últimas considerações? Algum recado?

A banda está um pouco parada porque temos novas integrantes, uma vocal e uma batera, estamos passando pelo processo de nos conhecer e criar um vínculo para seguirmos em frente compondo e tocando o terror! E os nossos dois singles que lançamos no Youtube e Bandcamp vão estar também em todas as plataformas digitais no dia 13 de Novembro, então se liguem!
E para finalizar, queremos agradecer ao Bus Ride Notes pela entrevista. Esperamos que em breve possamos voltar a tocar para ter uma resistência mais combativa contra esse fascismo instaurado no Brasil, conhecer outros estados ou tocar novamente nos lugares que já conhecemos, só que com a nova formação.

A discografia de Klitores Kaos está disponível no Bandcamp e redes de stream.


Entrevista

Entrevista: Cama Rosa Gruta

Em agosto de 2018, no Caffeine Studio, São Paulo, algo começava a ser gerado. Bruno Trchnmm e Cindy Lensi (Cama Rosa) passaram pela cidade e toparam com Analena Toku (Gruta), o resultado desse encontro nós só veríamos dois anos depois. Já dá pra adiantar aqui que valeu a pena a espera.

É interessante pensar nesse espaço entre esse encontro e o fruto dele, é como se o próprio tempo tivesse um papel importante no resultado final tanto quanto o ato de compor e tocar. E o tempo mexe com a gente. Nesse caso, de tanto mexer com os três, em 1 de outubro de 2020, saiu o EP “Cama Rosa Gruta”.

O álbum, mixado e masterizado por Juliana R., conta com quatro faixas: Vértice Osso Jade; Cipó Ouriço Beat; Passo Cravo Cipó; Melancia Vapor Cigarro. Tão abstrato quanto os nomes das faixas denunciam, no Bandcamp o álbum é definido como um caleidoscópio vivo, um animal que se move mas deixa um rastro de imagens coloridas, um rastro que tem mais de dois anos de metamorfoses antes de se cristalizar, e até mesmo como uma explosão em câmera lenta.

Pra olhar um pouco mais de perto esse caleidoscópio ambulante que, após tanto tempo se cristalizando, agora explode lentamente, convidamos os envolvidos na obra para uma entrevista. Confira:

Primeiramente, como estão nessa quarentena? Todos saudáveis?

Anelena Toku: Por aqui tudo sempre na linha entre estar “bem”, ter a possibilidade de ficar em casa e ao mesmo tempo sentindo todas as sensações que vem com esse momento tão crítico e com tantos acontecimentos que nos revoltam.

Cindy Lensi: Tudo bem, sim. No começo da pandemia estava tenso, um ar denso que impregnou o dia-a-dia com nóias e incertezas. Agora estou me sentindo um pouco mais tranquila, e conseguindo pensar com mais clareza.

Bruno Trchnmm: Eu sou professor da rede municipal aqui em Campinas e tenho um filho de 6 anos, então por aqui a quarentena tem alguns tons particulares de desespero . Mas não dá pra reclamar não, pelo menos podemos trabalhar em casa.

Como surgiu a ideia do EP? Por que as duas bandas decidiram trabalhar juntas?

Anelena: Esse encontro foi bem espontâneo, aproveitando uma vinda da Cindy e do Bruno pra São Paulo, marcamos essa sessão no estúdio. A gente já tinha vontade de produzir algo junto. A uns anos atrás eu já tinha gravado um som chamado “Ruínas” com uns samples de guitarra do Bruno. No início de tudo, Gruta era só guitarra/violão e voz, depois fui fazendo mais coisas com eletrônicos e deixei a guitarra, então esse reencontro com as guitarras foi ótimo.

Cindy: Já tínhamos ouvido alguns sons da Anelena (Gruta) e também já vimos ao vivo uma apresentação do Fronte Violeta (Anelena Toku e Carla Boregas). Achamos muito legal. Foi o Bruno quem deu a ideia de convidá-la, e quando um dia estávamos indo tocar em São Paulo no Hotel Bar, isso em Agosto de 2018, fizemos o convite para gravarmos um improviso juntos lá no estúdio Caffeine no mesmo dia. A Anelena topou e assim surgiu o EP. Só tivemos noção melhor do som quando ouvimos depois mesmo. Esse ano convidamos a Juliana R. para fazer a mixagem do disco, então na verdade esse disco foi construído por quatro pessoas.

Bruno: Tem muito o lance de que o meio que a gente circula mistura muitas dessas abordagens de som, o noise, o improviso livre, a música eletrônica, performance… meio que tudo ao mesmo tempo. Então apesar de ser um percurso estranho, é muito natural porque tem um pouco desse trânsito: a gente gravou um improviso totalmente livre sem combinar nada, e depois trabalhou nesse som fazendo umas colagens, que é meio que o modo de trabalho da música eletrônica. Depois a Anelena gravou as vozes, que trazem pra mais perto de um tipo de canção, mesmo que abstrata.

Fronte Violeta

Como foi o processo de gravação? O que vocês buscavam transmitir durante as sessões?

Anelena: Foi tudo bem rápido, a base do disco foi gravada em uma sessão de improviso. Ali a gente passou por vários processos ao mesmo tempo, de cada um achar seu espaço no som, testar os timbres e como eles se relacionam. Depois disso o Bruno ainda mexeu nas faixas e foi inserindo mais coisas e revelando as músicas no meio desse material. Esse ano resolvemos finalizar e eu gravei umas vozes pra compor com os eletrônicos e guitarras.

Cindy: Quando buscamos colaborar com alguém, nunca damos nenhum direcionamento. A ideia é deixar acontecer na hora. Nunca dá errado, é incrível haha. Isso que é legal de improvisar. Talvez no começo, sei lá, leva uma meia hora pra nos encaixarmos todos no som, mas depois ficamos bem conectados, tanto que as vezes eu acho até legal dar uma “desconectada” no processo, começar algo sonoramente diferente do que já estava acontecendo. Acho que nesse EP “Cama Rosa Gruta” aconteceu isso, tanto que foram criadas quatro faixas nele, cada uma com sua forma, sem muito destoar uma da outra ao mesmo tempo. O EP acabou ficando com um desenho bastante orgânico, me remete a coisas naturais como estalactites, lavas e ao mesmo tempo tem uns samples de jazz que deixam com uma cara bem única. Também tem presença de linhas vocais, que até então não tínhamos colocado. Cada vez que eu ouço um pouquinho mais, se transforma em outra coisa, outras imagens ou outros tempos talvez.

As gravações ocorreram em 2018, certo? Qual o motivo de ter demorado dois anos para serem lançadas?

Anelena: Talvez esse tempo tenha servido para maturar os sons. Acho que a gente que costuma gravar sessões de improviso com as pessoas, o que mais temos é faixas e mais faixas gravadas de diversas épocas. Quando eles falaram que estavam retomando foi uma surpresa boa. A gente voltou a mexer nesse material em Março desse ano, então de lá até Outubro ainda foram alguns meses de atenção pra tudo isso. Pra mim ouvir gravações de outros tempos sempre traz uma nostalgia, porque o som também cria nossas memórias, mas também coloca a gente pra perceber o que tá ali com uma outra escuta. A primeiras vezes que eu ouvi as gravações de 2018, eu tive a sensação de estar diante de um horizonte distante, olhando por um binóculo, e quando gravei as vozes esse ano, eu sinto que estava tentando trazer esse horizonte pra mais perto, para o agora.

Cindy: Demoramos porque naquele mesmo ano começamos tocar bastante nos lugares e também precisávamos juntar um dinheiro talvez, além de outros contratempos da vida pessoal, mas rolou. Queríamos que uma pessoa mixasse pra gente com carinho, pois não temos essa habilidade. Esse ano por mais difícil que está sendo por conta da pandemia, coincidiu de dar certo a continuidade desse material.

Bruno: É aquela coisa também, o nosso tempo pra trabalhar em música é sempre o tempo da sobra, geralmente. Tem trabalho, casa pra limpar, coisa pra estudar. Então tem que se acostumar com a ideia de que as coisas vão se estender no tempo, porque no momento é a única forma que elas podem sobreviver. A gente tem aqui uma ideia muito fixa que ser artista é viver de arte, o que é uma farsa, porque a maior parte de quem produz arte (no mundo inteiro, inclusive), não vive de arte. Mas mesmo assim produz. Esse método de trabalho, inclusive, de lidar com improviso, colagem, tem a ver com esse tempo que sobra. É uma forma de trabalho que, apesar de soar ou parecer meio “torta”, é muito dócil a esse tempo do dia-a-dia, sabe? É uma forma de fazer música que entende quando você chega cansado do trabalho ou só tem tempo livre no final de semana.

Cama Rosa

De onde surgiram os nomes para cada faixa?

Anelena: Pra mim as músicas todas me trazem uma sensação de trilha sonora, me remete a muitas imagens. Ao mesmo tempo são imagens bem abstratas, fluídas e não lineares. Como se o sentido delas fosse construído a partir de uma organização própria. Essa ideia de cada um sugerir uma palavra pra cada som surgiu um pouco disso, de serem nomes que trouxessem mais uma sensação do que nomear propriamente a música.

Cindy: Para dar um contexto para entender esses nomes – no nosso Bandcamp tem o registro de todas as nossas improvisações que gravamos. Colocamos duas faixas e damos dois nomes para cada uma, por exemplo “Hibisco/Navalha”. A escolha desses nomes são mais aleatórias, em uma vibe parecida com um jogo de palavras, tipo aqueles exercícios de automatismo que os surrealistas usavam, mas nada profundo. Em algum nível nosso som surge na mesma maneira em que nossas palavras surgem ou vice versa. A gente decidiu (por grupo no Whatsapp) que seria legal para o EP “Cama Rosa Gruta” usar três palavras dessa vez para cada faixa, já que somos em três. Foi interessante, teve até palavra que repetiu e deixamos. As palavras foram; vértice osso jade — cipó ouriço beat — passo cravo cipó — melancia vapor cigarro.

 O que vocês buscaram fazer de diferente em relação à uma gravação “tradicional”?

Anelena: Acho que meus processos de gravação com Gruta sempre foram zero tradicionais, sempre gravando do jeito mais caseiro possível porque era como eu tinha como fazer. E foi assim com as vozes que gravei. Somado a isso, toda a troca de arquivos e comunicação durante um início de quarentena/pandemia com certeza marcaram essa gravação. Acho que outra parte do processo importante foi a mixagem e masterização que a Juliana R. realizou. Foi importante ter alguém de fora, mas ao mesmo tempo que nos conhece bastante pra desenhar a forma que isso teria.

Cindy: Boa pergunta, pois eu não acho que a gente fuja da gravação tradicional. Inclusive a maioria de nossas gravações são bem lo-fi. E nesse a gente gravou em estúdio, para seguir a tradição. Mas a gente sempre dá uma mexidinha aqui e ali depois que estamos com o material.

Bruno: A gente faz o que pode com o que pode né haha. A gente gravou essa sessão em um esquema de “ensaio gravado”, que é uma gravação ao vivo bem simples. Essa sessão depois ficou comigo e eu aos poucos fui editando o que pareciam as partes mais legais, cortando uns trechos, montando uns loops com partes mais bacanas. Eu cheguei até a achar que perdi esse disco uma vez, quando meu PC pifou. Esse ano, no choque do começo da quarentena eu peguei pra ouvir essas faixas, dei uma mexida última e parece bem legal. Coloquei os samples (um do Sun Ra e de uma videoaula de bateria ensinando a levada do Elvin Jones haha) , só que feito do meu jeito, muito tosco. Então a gente mandou para a Juliana transformar aquela colagem tosca em algo mais coerente, o que deu esse espaço pra Anelena gravar as vozes.

Podem falar um pouco da arte da capa?

Anelena: Quando começamos a pensar a arte logo me veio a imagem de colagens e recortes, mas como o Bruno escreveu no texto que divulgamos, era uma idéia de uma colagem em movimento, que se alterava. Eu busquei umas fotos minhas de 2015 e criei essa montagem a partir desses fragmentos. Uma tentativa de recriar memórias e experimentar esse horizonte que não é estático, um horizonte que escapa.

Cindy: A capa é um projeto gráfico da própria Anelena Toku. Uma colagem que casou muito bem com os sons. A combinação das palavras, o som e mais a arte da capa conversam tão bem que eu acredito que por conta disso o disco conquistou vida própria.

Bruno: Eu gosto muito de todos trabalhos visuais da Anelena, muito mesmo. A colagem tem um lance como o do sample, é uma parada que parece meio dura, porque é uma imagem fixa que você pega de um lugar e põe no outro, não tem muito o que mexer. Mas a colagem e o sample também tem o lance da repetição, que você pode jogar no espaço e vira uma coisa muito fluida, que você pode mergulhar.

E os projetos futuros de cada um dos grupos? Pretendem fazer mais coisas juntos futuramente?

Anelena: Gruta é um projeto meu bem pessoal e que nos últimos tempos esteve meio dormente principalmente porque tenho desenvolvido bastante coisa com o Fronte Violeta, que é meu projeto com a Carla Boregas. Acho que Gruta, Cama Rosa e Fronte Violeta sempre tiveram uma proximidade por habitarem um mesmo universo de som, então com certeza imagino que continuaremos essas trocas.

Cindy: Seria muito legal continuarmos fazendo coisas juntos, assim espero. O Cama Rosa está pra lançar um disco com as canções, nós temos composições com letras que gravamos no final de 2019. Também está sendo mixado e o lançamento será em breve. Então temos todo esse material de improviso no nosso Bandcamp, mas geralmente quando nos apresentamos, tocamos nossas canções que considero um desdobramento das improvisações, já que muitas bases saíram de lá.

Bruno: Eu sempre brinco com a Anelena e a Carla que a gente tinha que fazer um disco ou um festival com projetos que tem cores no nome, Cama Rosa, Fronte Violeta, Objeto Amarelo… talvez montar tipo uma big band.

“Cama Rosa Gruta” está disponível no Bandcamp.


Entrevista

Derrota

Derrota foi formada em Americana, interior de SP, em 2012 e hoje é composta por Leonardo Cucatti (guitarra), Nathalia Motta (guitarra), Bruno Meneghel (guitarra), Eduardo Meneghel (baixo) e Claudio Cestare Jr. (bateria).

A banda é instrumental e eu me atrevo a dizer que o som é quase post-rock. Eu acho difícil descrever uma banda instrumental quando o som não é bem específico. No caso da Derrota a sonoridade é bem melódica e um tanto pesada.

Depois de dois EPs e três singles, em Abril de 2019 a banda lançou seu primeiro disco, “Parece Insuportável”.

A banda já participou de algumas coletâneas, incluindo o primeiro volume da “Discografia Caipirópolis”, composta por bandas do interior de São Paulo e lançada por nós do Bus Ride Notes em Julho de 2020, e, mais recentemente, da “Sangue Preto”, “projeto em parceria com bandas, artistas, fotógrafos e selos independentes com a proposta de combate ao racismo na sociedade em que vivemos”.

Abaixo você lê nossa entrevista com a banda:

Vocês podem falar um pouco sobre a banda pra quem não conhece?

Leonardo: Eu e a Natt montamos a banda em 2012, mas na época não era realmente uma banda ainda, era mais a nossa vontade de criar e compor. Diversos amigos tocaram com a gente nesse começo, por isso entre 2012 e 2015 a banda praticamente não existiu, não fizemos muitos shows e nem gravações. De 2015 pra cá é que a banda foi tomando forma com uma formação mais sólida.

Eu acho meio bobo perguntar por que uma banda toca certo gênero musical, mas instrumental é algo que tamos começando a ver mais agora, até um tempo atrás era difícil conhecer mais de uma banda, mesmo no underground. Eu queria perguntar como vocês fizeram essa escolha e como vocês vêem esse cenário específico de projetos instrumentais atualmente.

Leonardo: Eu sempre ouvi muita música instrumental, desde Jazz até bandas como Tortoise e The End of the Ocean, fora o Hurtmold, que era bem próximo da gente, vi um milhão de show deles. E sempre achei muito foda o lance de subir no palco e passar toda emoção e fúria sem dizer uma só palavra. Dessa forma, pra mim, foi muito natural pensar numa banda instrumental. Hoje em dia realmente tem muito mais bandas instrumentais, até mesmo de estilos bem diversificados, festivais somente com bandas instrumentais, o que é muito legal. Por exemplo, o festival “A Música Muda” que tem esse nome ambíguo muito interessante.

Eduardo: Antes de entrar no Derrota eu tinha assistido alguns shows e me chamou muita atenção como o som era expressivo. Ao mesmo tempo que cada guitarra está tocando um riff/tema diferente, elas se complementam e acho que isso deixa o som mais expressivo. Além disso, os efeitos que usamos também ajudam a passar a mensagem da música, mesmo sem dizer nada.

Natt: A gente nem pensou muito em ser instrumental acho, era uma ideia de brincadeira por que a gente falava que vocalista enchia muito o saco, daí ficou instrumental e acostumamos assim haha. Ah, e inclusive, festivais de música instrumental, nos notem! Nunca tocamos em nenhum que eu me lembre haha.

Vocês têm alguma influência específica pra esse tipo de som ou foi o normal de toda banda: cada um chega com a sua bagagem e vamos ver o que acontece?

Leonardo: Eu falei basicamente as minhas influências na resposta anterior, mas com certeza a bagagem musical de cada um e as emoções que passamos no dia a dia são nossa maior influência.

Natt: Eu nem ouço música instrumental, no máximo um Hurtmold as vezes haha. Cada um carrega sua bagagem de desgostos na vida, isso é o que mais conta no Derrota, acredito.

Vocês podem falar sobre o processo de composição e gravação de “Parece Insuportável”, por que ele demorou pra sair, né?

Leonardo: Então, esse foi um período complicado hehe. Como falei antes, a banda não tinha uma formação fixa e estabelecida e nessa época foi mais complicado ainda porque a Natt ficou um ano mais ou menos fora da banda, então eu e o Jesse (ex-guitarrista) continuamos compondo, mas não tínhamos baterista e nem baixista. Quando a Natt voltou para a banda e o Eduardo entrou, as músicas tomaram forma e começamos a gravar as prés, mas como ainda não tínhamos baterista ficamos mais um bom tempo empacados com o disco. Quando o Marcel (ex-baterista) entrou na banda é que começamos as gravações pra valer, ele praticamente entrou na banda gravando o disco. Depois ainda demoramos um tempo com mixagem e escolha da capa, tudo isso demorou bastante mesmo.

Natt: É o “Chinese Democracy” do interior haha. Foi demorado, mas é um dos discos mais lindos que já gravamos. O bom é que saiu bonito, imagina se demorasse e ainda saísse uma merda? Aí seria o fim…

Vocês podem falar um pouco sobre o clipe de Jus De Pomme?

Eduardo: O clipe reforçou a ideia de que uma música instrumental pode passar uma ideia bem clara. Quem vê o clipe consegue entender a história e a mensagem da música.

Natt: Esse clipe é meu favorito, ele foi gravado aqui em Americana mesmo, com nosso baixo orçamento, e muita gente amiga participando. Foi emocionante do começo ao fim a gravação desse clipe. Sou eternamente grata a cada um que se dispôs a ajudar a gente nessa ideia.

Leonardo: Foram dois dias intensos de gravação e que deixaram saudade! No primeiro dia gravamos em São Paulo com as skatistas, fizemos algumas cenas na pista do chuvisco, na rua e principalmente no minhocão. No dia seguinte gravamos com a banda e os manifestantes aqui em Americana, numa rua meio abandonada, bem o cenário caótico que pensamos mesmo. Tínhamos a ideia de colocar fogo ao redor da banda e deu tudo certo! Pensamos muito em como fazer isso de forma segura. Quase tivemos um pequeno acidente quando, sem querer, um dos assistentes da produção deixou respingar álcool na bateria, tivemos que parar tudo, limpar. Depois disso ainda ameaçou chover e começamos a desmontar o equipamento. Foi um momento meio tenso, porque já estávamos todes ali pra começar a gravação, mas não podia chover. No final não choveu, montamos tudo de novo, o que nos atrasou mais um pouco, mas de tudo certo e o resultado ficou incrível!

Vocês podem falar sobre a música que vocês gravaram pro Projeto Sangue Preto? Alguns integrantes da Derrota também produziram a coletânea, não foi?

Leonardo: Sim, eu estive a frente da produção da coletânea. Depois da onda de protestos contra o racismo por conta do assassinato do George Floyd nos EUA eu comecei a pensar o que nós, enquanto banda no Brasil, poderíamos fazer; e com essa ideia na cabeça eu fui conversando com outras pessoas de bandas como o Anderson do Desobeça, o Xandão do Crexpo, a Josie do Hayz e também o Clayton do selo A Saga e o Canti do selo Caustic Recordings, e a ideia foi tomando forma, criar essa coletânea contra o racismo e contra a violência e opressão policial. Fui conversando e convidando outras bandas e artistas do Brasil todo, no final somamos 25 bandas e 11 artistas que ilustraram o encarte. Todo o processo de produção e criação da coletânea foi discutido entre as bandas para que chegássemos num acordo desde a capa até as opções de como e quando lançar. Saiu em CD pela união dos selos Läjä Records, Caustic Recordings, A Saga, América do Sul, Inside A5 e de todas as bandas envolvidas. Quem se interessar pode comprar uma cópia, que acompanha um lindo encarte em formato de livrinho A5, diretamente com as bandas.

Americana é interior de SP, vocês podem falar um pouco sobre a “cena” daí? Ela tem mudado muito nos últimos anos como em São Paulo e outras cidades?

Natt: A cena daqui sempre foi muito intensa, tivemos vários festivais fodas, Americana era referência no role underground, hoje em dia um pouco menos. Passamos por uma fase da qual parecia que as pessoas não gostavam mais de sair de casa pra ver bandas tocarem, essa era minha percepção uns anos atrás. De repente voltou o interesse, aqui mesmo no HUP (estúdio da qual nossos guitarrista e baterista fazem parte) sempre aconteciam rolês incríveis, e estamos com saudades disso.

Leonardo: Realmente Americana já teve shows e festivais memoráveis na música independente. Sempre partindo do faça você mesmo, as bandas e amigos sempre se mobilizaram pra fazer a coisa acontecer.

Últimas considerações? Algum recado?

Leonardo:Agradecemos demais o espaço e a conversa! Há alguns meses vocês lançaram uma coletânea com uma música nova, só podemos agradecer mesmo, de coração, pelo apoio e pelo incentivo a diversas bandas independentes. A cena independente só acontece com nossa força unida! Acompanhem a gente nas redes sociais, Bandcamp… e outras bandas também!

“Parece Insuportável” está disponível no Bandcamp e nas redes de stream.


Playlist / Resenha

Singles de Setembro

Hoje vamos publicar algo diferente do que estamos acostumados, mais uma das mutações do nosso blog/site/ainda não sei como chamar.

Nessa semana chegaram até nós alguns singles e resolvemos vir aqui falar deles. E primeiramente tamos felizes de mostrar algumas músicas de estreia.

Pata “Casa de Gelo”

Se você acompanha o Bus Ride Notes provavelmente já conhece a Pata, além de estar em algumas das nossas playlists, publicamos uma pequena resenha do primeiro disco da banda, “Shit & Blood”.

Nessa quarentena eles resolveram se aventurar com singles gravados e produzidos em casa, numa “série de experimentações sem pretensão de definir uma chave sonora para os novos passos, também com a proposta de colaborar com diferentes artistas e deixar se levar instintivamente em produções pontuais que explorem novos caminhos estéticos”.

Os já lançados “blsnr pnt mrch” e “Casa de Gelo” são em maior parte eletrônica e bem diferentes da banda que toca um rock que eu chamo de grunge.

“Casa de Gelo” tem uma melodia calma e uma letra tristinha que pra muitos é sinônimo da quarentena, mas ela na verdade foi feita há alguns anos pela vocalista Lúcia Vulcano.

Ela tem a participação de Sentidor (também responsável pela mixagem e masterização) nos beats e ambiências eletrônicas e foi lançada pela Geração Perdida de Minas Gerais e Efusiva Records.

A capa ficou por conta de Hanna Halm e também foi lançado um lyric video, produzido por Lúcia Vulcano.

O próximo single previsto é um cover de Nina Simone que irá integrar a coletânea “Rock Triste Contra o Coronavírus”.

Tigre Robô “Desconforto”

Formada no final de 2018 em Brasília por Isabela Fernandes (guitarra, teclados, voz), Junio Silva (baixo, teclados, voz) e Rafael Lamim (bateria), Tigre Robô acaba de lançar seu primeiro single, “Desconforto”. “Uma música sobre esperar pelas coisas acontecerem quando o tempo não está ao seu lado”.

A banda está gravando seu primeiro álbum e pretende lançar mais um single até o mês de Dezembro.

Eles também participaram da nossa matéria sobre gravações caseiras durante essa quarentena.

A arte de “Desconforto” foi feita pela própria Isabela Fernandes.

Tropikaos Chaga “As Ruas Vão Queimar”

“As Ruas Vão Queimar” é o primeiro single do duo Samuel Kircher (voz, guitarra, baixo) e Érico Munari (bateria), que foi gravado já durante a quarentena de 2020 (será que ao nos referir à quarentena vamos ter que especificar o ano? Espero que não).

A música foi lançada já tem um tempinho, mas o lyric video (editado pelo próprio Érico Munari) acabou de sair.

“As ruas, os dias, as notícias do cotidiano em um país problemático como o Brasil, compõem as letras e o barulho da banda”, ou seja, aquele punk rock rasgado cheio de distorção que a gente gosta.

Kebrada HC “Unides Pelo Ódio”

“Banda punk/hardcore antifa femininja diretamente da periferia do ABC”, formada por Letícia Souza (voz), Juliana Moreira (guitarra) e Victória da Cunha (baixo) em 2019.

Apesar de ser uma banda nova e essa ser a primeira música que elas lançam oficialmente, a Kebrada HC já é um tanto conhecida e é bem ativa.

“Unides Pelo Ódio” foi lançada junto de um video com trechos de shows em comemoração ao aniversário de um ano de banda.

O amigue e baterista Tobias de Teipó participou da gravação do single, mas a banda ainda está a procura de um baterista.

Ano passado fizemos uma entrevista com a vocalista, Letícia, onde ela explica porque se afastou do “rolê punk” e começou a frequentar a nova “cena” paralela que tá rolando em São Paulo. Ver isso tomando uma forma ainda maior através de mais uma banda faz uma lágrima escorrer no meu rosto.