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Evento / Resenha

Ventos e The Overalls no Podrão

Pra contexto: Fernandópolis é uma cidade de 68 mil habitantes no noroeste paulista, uma região de cidades “gêmeas”, pois são todas iguais: pequenas e sem muita coisa, o famoso cu do mundo onde nada acontece. Alguns amigos costumam brincar que literalmente nada acontece, nada de bom e nada de ruim.

Foi aqui que há poucos anos surgiu o Podrão Underground Bar. Diferente da maioria dos bares alternativos (eu detesto quando essa palavra é usada nesse contexto) daqui que exclusivamente contratam bandas covers e/ou exigem um mínimo de horas de show, como se estivessem alugando uma jukebox, o Podrão é um lugar bem agradável. E pequeno.
Além de eventualmente hospedarem shows de bandas autorais (coisa que não tem muito na região) vez ou outra trazem bandas internacionais pra cidade.
Quando anunciaram o show fiquei surpresa e feliz com a presença da Overalls, que não é uma banda de metal (basicamente é só isso que tem por aqui).

Foi aqui, também, que surgiu a Ventos, banda recém nascida, de Votuporanga.
Conhecidos de outras bandas, eles se juntaram pra agora fazer um som com as novas influências e diferente do que tem por aqui.
Eles misturam emo com dreampop e as vezes bebem na fonte da MPB, um amigo descreveu como “um som bom pra colocar no fim de tarde e fumar um apreciar”.
É mesmo um som bem gostosinho com guitarra aguda estalada, de letra “triste, melódica e sincera”, por vezes também falando de um certo mito que foi quebrado.
Eu diria que assistir ao show num lugar pequeno e com pouca luz, como o Podrão, foi aconchegante. Esse, que inclusive, foi um dos primeiros shows da banda. Com oito músicas prontas, eles pretendem gravar algo ainda esse ano e por isso coloco aqui um video:

Eu não conhecia a Overalls antes do anúncio do show, ouvi algumas músicas na internet e não formei opinião nenhuma. Imaginei que o show seria ao menos interessante, jamais imaginei que seria tão divertido. Essa é a única palavra que consigo pensar pra descrever o show: divertido. Com direito a tentativa de crowd surfing e wall of death carinhosa (pois ninguém machucou ninguém).
Eu não sei descrever o som da Overalls, mas as vezes me aparenta uma mistura de Muse e nu metal (provavelmente vou ler isso daqui uns dias e dar risada, é melhor você mesmo ouvir).

Depois do show, no disputado sofá ao lado da mesa de merch, eu virei intérprete dos meus amigos e a banda sem ao menos perceber. Pessoal muito simpático (ambos).
Foi uma noite bem agradável, com a sensação respirar ar fresco depois de muito tempo fechada em casa.