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Entrevistas / Selos

Big Cry Records – The kids will have their say

O punk é da juventude, fazendo por ela mesma, mostrando o quanto pode criar e fazer barulho por aí.

É bem nesse clima que surge a Big Cry, um coletivo faça-você-mesmo da capital paulista que bebe da água da Dischord do nosso amigo Ian, do punk com melodia e sentimento e da ideia de uma cena menos hétero topzera.

É uma movimentação de extrema importância, nos moldes da cena “pop punk queer feminista” independente que se formou nos EUA e Inglaterra, de bandas como RVIVR, Sourpatch, Aye Nako, Peeple Watchin’, Martha, Worriers e inúmeras outras, que reforçaram o punk como um espaço necessariamente além/fora do padrão cis-branco-macho que se fez durante muito tempo. Um pop punk político em oposição ao vendido pelo mainstream, por vezes bobo e distante do próprio punk.

Segue abaixo uma entrevista que fizemos com eles, sobre os projetos e os feitos do coletivo até aqui. Com vocês, Vini, Lucas, Miguel e Luke:

Ei gente, como vocês estão? Queria que vocês contassem um pouco sobre o começo da Big Cry, quem faz parte e a ideia por trás do projeto. Um selo? Um coletivo? O que seria?

Miguel: Primeiro queria dizer que é um prazer tá podendo contar um pouco da nossa jornada até agora. Estamos no comecinho ainda, mas já tem bastante história!

Bom, o projeto inicial da Big Cry era ser um selo independente pra dar suporte pra bandas e artistas, com foco nas que não tem muita experiência, não tem um bom suporte, tão muito no começo, não tem ideia de como seguir, por onde seguir, enfim… E fazer tudo isso de uma forma bem acessível, que fosse bom tanto paras bandas quanto pra nós. Levantar uma nova cena, inclusiva, respeitosa, diversificada, abolir aquele velho HC “hétero top” de sempre.

Grande parte dessa vontade é pela experiência que nós passamos quando mais novos. Primeira banda, aquela energia adolescente, doidos pra tocar por aí à fora, registrar nossos sons, participar de festivais, tocar com outras bandas, agregar mesmo, montar uma cena local. E aí a gente dá de cara com a realidade, né? Tudo muito caro, inacessível, difícil de achar lugar pra tocar, difícil de encontrar gente pra tocar junto, difícil de gravar.

Esse é justamente o sentimento que faz a gente levar nosso projeto pra frente, é trazer essa molecada toda que tá começando e que tá com aquele tesão de fazer o negócio acontecer. Fazer essa ponte entre os artistas e eventos, shows, gravação de qualidade por um preço justo. Levantar toda essa galera pra uma cena nova, esse é o grande sonho.

Aí também entra a questão do nosso projeto de coletivo. Nós já começamos com uma grande parceira que é a Modern Souds, produtora de eventos da nossa grande amiga Clara Ferreira, ela já entrou de cabeça nessa loucura com a gente.

E queremos expandir ainda mais e trazer outras vertentes, além das cenas emo, pop punk e hardcore. Somar cenas do rap, trap, alternativo, tudo ligado à contracultura, o undergound num geral. Fortalecer toda essa gama de artistas independentes que não tem suporte.

Nosso trampo preza a coletividade, fazer tudo junto. As bandas, os artistas se apoiam, se divulgam, se ajudam, de igual pra igual. É uma parada que a gente não vê mais.

E também uma das pautas mais importantes é nossa luta pelo fim dessa cena predominantemente masculina, hétero e branca. Essa sede de reformular, dar espaço pras mulheres, pros pretos, pra toda comunidade LGBTQIA+.

O punk é isso, é a revolta dos humilhados, dos abandonados. Mostrar que a gente tá aqui presente e que não vamos desistir de levar nossa arte, nosso som. Dar aquela varrida nessa gente machista, racista, homofóbica, toda essa podridão que tá entranhada na cena atual.

Miguel, Vini, Lucas e Luke

Quando o Lucas me contou sobre a Big Cry, pensei no quanto isso era incrível! Eu estava comentando com ele sobre uma cena “pop punk queer feminista” específica que rolou a partir de 2008 lá nos EUA, que juntou uma galera massa, não branca, latina e que foi um boom enorme pro que conheço e entendo por pop punk underground hoje. E saber que existe uma movimentação assim aqui, feita por jovens, é pra gente ficar feliz mesmo, né? Conta um pouco das referências de vocês, tanto na música emo e pop punk, quanto na forma de fazer tudo isso.

Vini: Acho que a principal influência que une nós quatro é o Ian Mackaye, junto com suas bandas Minor Threat e Fugazi, e principalmente a Dischord Records.

Sempre foi uma cena que nós admiramos muito, e eles começaram justamente como nós começamos: tentando gravar as próprias bandas, com o pouco que tinham, e fazendo tudo de forma independente e pelo DIY.

Agora citando referências brasileiras, apreciamos muito o trabalho da Modern Sound, da Clara Ferreira, aqui em SP. Ela faz um role muito foda, praticamente sozinha, e já trouxe até banda gringa pra cá.

Também nos inspiramos muito com o trampo das minas da PWR Records, que tem um trabalho lindo como selo e produtora, além da Bangue Records, um selo e gravadora voltado para bandas do Vale do Paraíba e região, e que apareceram em 2020 construindo uma cena muito massa por lá.

Aproveitando que falei dessa cena, tem uma coisa que sempre vi aqui e que não mudou muito hoje, que é a forma como as pessoas veem o pop punk: desvinculando do punk na maioria das vezes, por falta de um discurso político panfletário e pela melodia das músicas. O mainstream ajudou muito pra se criar essa ideia de pop punk como coisa de adolescente bobo, mas a gente sabe o quanto ele pode ser político, principalmente por acolher uma galera que se sente excluída do hardcore macho branco. Vocês acham necessário essa reafirmação do pop punk enquanto punk ou foda-se essa galera e bóra criar nosso rolê? Qual sentimento de vocês quanto a isso?

Vini: Eu acredito muito na gente criar o nosso próprio rolê, mas isso não implica necessariamente na desvinculação com o lado político do punk, até porque tudo é político, e mesmo grande parte das letras de pop punk não tratando sobre assuntos políticos, isso não significa que a banda não tenha posicionamento.

Devemos, sim, criar nossa própria cena, mas sem esquecer nossas raízes, que sempre foi algo voltado à contestação, à ir contra o status quo. A ideia com a Big Cry sempre foi a criação de uma cena que trouxesse abrigo pra essa galera excluída, que não tem suporte, e erguer isso por nós mesmos, e isso por si só já é um ato político.

Estúdio e QG da Big Cry

Em março de 2020 ia rolar o primeiro fest Big Cry, mas a pandemia adiou o rolê. Qual era expectativa pro evento na época? Poderiam contar um pouco sobre ele?

Miguel: Bicho, nossa expectativa tava incrivelmente alta! Era a festa de estreia do selo e nosso primeiro trampo de fato.

Fizemos toda correria pra conseguir o equipamento, juntamos o que nós já tínhamos, uma galera emprestou o que faltava, as bandas iam ajudar com uma parte também, foi aquela loucura haha.

Nós fechamos com três bandas, Ment que é uma banda parceiraça nossa e deu todo suporte logo no início, Nâmbula Mangueta, nossas amigonas e vizinhas de estúdio e Zero to Hero, banda de pop punk e emo de Taubaté que já tínhamos contato há tempos.

Também ia tocar a Lights Out (atual Lovemedead), banda que eu e o Carmo fazemos parte. As bandas iam se apresentar de tarde e de noite ia ter discotecagem com a Clara.

Uns amigos nossos se responsabilizaram em montar uma cantina vegan, porque o evento ia rolar o dia todo. Estávamos pra fechar com duas tatuadoras também, pra lançar umas flash tattoos. Montamos um esquema pra venda de merch das bandas, enfim, tava tudo lindo de mais… Nossa expectativa era que passassem por volta de 100 pessoas durante todo o evento. Inacreditável pra gente haha.

Mas aí o soco no estômago, né? Cancelamos o evento umas duas semanas antes dele acontecer, devido a pandemia, e aqui estamos sonhando com a queda desse governo e com a vacina pra gente poder retomar o projeto da festa, que dessa vez vai ser muito maior e mais legal!

Dia 12 de maio saiu o primeiro single produzido por vocês. Como foi tudo? Gostaram do resultado? Musicalmente falando, o que marca uma produção da Big Cry?

Luke: Então, na verdade “I Never Wanna Sleep Again” foi a primeira produção inteiramente feita no nosso estúdio, que montamos em março. O resultado foi ótimo, a acústica do lugar ficou bem boa, e a música foi muito bem recebida!

O que marca uma produção da Big Cry exatamente eu não sei te dizer, mas o que eu posso falar é que todas as pessoas que gravaram e gravam com a gente viram nossos amigos, o processo é sempre muito divertido, e tenho certeza de que isso influencia bastante na personalidade e sonoridade que os sons trazem!

Sei que vocês curtem um mainstream, mesmo vivendo o D.I.Y. e fazendo as coisas por ele. E aí eu queria fazer uma reflexão daqueles anos do pop punk emo no Brasil, os anos da Trama Virtual, dos festivais e do Rick Bonadio emocionado com tudo isso haha. Porque pensar que hoje aquela movimentação não existe mais, não dá mais a grana e mídia que dava, faz a gente pensar na cilada que pode ter sido aquilo. Vocês conseguem criar um cenário ideal pra gente que faz e vive esse tipo de música?

Lucas: Eu particularmente acho que a música é muito cíclica, soa como uma matemática exata, as vezes o rap tá em alta, as vezes o pop, as vezes o rock e geralmente isso acontece com roupagens diferentes, como foi o trap ou como tá sendo esse pop punk atual. Então talvez os “boss” que comandam essa mídia possam achar que a gente precisa de um descanso e assim vão mudando as coisas.

Mas ainda assim, eu acho que o mainstream é uma porta de entrada muito interessante, afinal muita gente do hardcore nem ouviria falar de underground se não tivesse ouvido Pitty lá nos anos 2000.

Porém, mesmo sendo uma vitrine e talvez uma forma de representatividade pra animar as pessoas a fazerem, quem amava de verdade sempre acabou seguindo pelo independente e pelo underground. Com raras exceções de bandas como Fresno que foram, se mantiveram no mainstream, e hoje se tornaram praticamente um marco na história da música brasileira.

QG Big Cry de fora (pegou a referência? <3)

Hora da lista. Cinco bandas de cada um, de coisa nova que vocês tem ouvido:

Luke: Be Like Max, Futuro, Anti-Queens, The Carolyn e Can’t Swim.

Lucas: Destroy Boys, Creeper, Grumpster, Salem e Pity Party (menção especial pros singles novos do Fiddlehead).

Miguel: Pinkshift, Meet Me @ The Altar, Yours Truly, Mod Sun e Double Play.

Vinicius: Desventura, De Carne e Flor, Nothing, Charmer e Gulfer.

Acho que é isso, gente. Se quiserem falar sobre algo que não comentei, fiquem a vontade. Vi que está rolando uma camisa linda de vocês e tal <3 Vida longa à Big Cry!

Lucas: A gente agradece demais pela oportunidade, queria agradecer você e todo mundo do site por isso! Essa é talvez nossa primeira aparição pública haha e tô muito feliz de fazer isso com você!

A nossa primeira leva de camisetas foi encerrada no último dia 12, agora estamos na fase de produzir.

Ainda estamos entendendo como tudo funciona e como fazer de uma forma melhor, mas é isso, fiquem ligados no nosso Instagram que em breve vão rolar muitos lançamentos. Beijos e leiam zines.


Entrevistas

Marinas Found

Marinas Found é uma banda de Pelotas – RS, formada em 2014 e hoje composta por Pedro Soler (voz/guitarra), Eduardo Walerko (voz/guitarra), Pietro Strickler (baixo) e Arthur Feltraco (bateria).

Em 2017 eles lançaram o primeiro disco, “Marinas Found”, e em Maio desse ano lançaram o disco “Ansiolítico”, foi quando eu conheci a banda.
Eu sou suspeita pra falar por que hardcore melódico é provavelmente o meu gênero musical preferido, mas o “Ansiolítico” é muito bom. A banda toca aquele HC bom pra toda hora, sonoramente eles são bem concisos.

O primeiro disco é bem pop punk e contrasta com o segundo. Faz sentido dizer que o disco novo é um “amadurecimento” (eu tenho uma certa birra dessa palavra, mas se encaixa aqui): o “Marinas Found” tem muitas falas sobre “não quero envelhecer e me conformar” (coisa de jovem) e no “Ansiolítico” a mudança é visível, mas a essência é a mesma.

Como eu comentei na entrevista, o mundo hoje tá tão doente que é difícil saber o que é traço de personalidade e o que é sintoma e isso se reflete nas letras do disco“Por que é tão difícil se libertar das entranhas que nós mesmos criamos?”.
Acredito que muita gente pode se identificar com as letras dele, além dos problemas coletivos tem as músicas como “Vegan Youth” (assisti um documentário e algo me acordou) e quem não conhece um “Jorge”, não é mesmo?

Se você gosta desse som, eu recomendo muito ouvir esse disco.

A banda gentilmente nos cedeu uma entrevista, que você lê a seguir:

Vocês podem falar um pouco da banda pra quem não conhece?

A Marinas Found é uma banda de hardcore formada em 2014 na cidade de Pelotas, no sul do Rio Grande do Sul. Somos quatro amigos que curtem tocar musicas tristes de esquerda juntos haha. A gente lançou nosso primeiro álbum em 2017, reunindo músicas do início da banda, e o “Ansiolítico” este ano com uma proposta de lançar um álbum coeso mesmo, pensado e preparado, diferente do outro que juntamos tudo que tínhamos até então.
Somos Pedro Soler (guitarra e voz), Eduardo Walerko (guitarra e voz) e Pietro Strickler (baixo).
A banda surgiu e se estruturou ao longo do tempo porque eu (Soler) e o Arthur gostávamos de tocar juntos desde crianças. A gente se apaixonou por punk na mesma época e desde então seguimos nesse role. Até lá teve muita coisa de brincadeira até nos firmarmos na Marinas Found, junto com o Walerko. No meio dessa brincadeira precisávamos de um novo baixista e o Walerko assumiu a responsabilidade. Com ele a gente virou a Marinas Found mesmo, lançamos os álbuns e começamos a levar a coisa mais seriamente com shows e tal. Então basicamente a banda surgiu de amizade e de uma pulga atrás da orelha com várias coisas, com nós mesmos, com problemas sociais, com o que a gente tava vivendo ou observando. A gente foi muito ligado um com o outro desde que nos tornamos amigos e também pensamos parecido musicalmente e politicamente, então, tudo caiu como uma luva. Com o tempo o Walerko quis voltar a tocar guitarra e entrou o Pietro no baixo. Com essa formação lançamos o “Ansiolítico”. Agora o Arthurzinho saiu de novo porque foi fazer o mestrado longe de nós e estamos sem baterista, mas logo logo já divulgaremos o novo integrante.

Pouco antes de lançar o disco novo vocês mudaram a formação da banda, né? Como foi essa mudança no processo de composição (e no geral também)?

Então, a de antes do disco foi de boa porque na verdade a mudança não excluiu ninguém, ela só adicionou o Pietro. Nós éramos eu, Walerko e Arthur e viramos eu, Walerko, Arthur e Pietro. A gente não perdeu em nada nesse sentido, só ganhamos. A composição do “Ansiolítico” foi muito massa porque nós todos nos soltamos bem mais do que no primeiro álbum, ousamos mais e tivemos uma produção mais ganha também. Fizemos uma pré produção do álbum com o Augusto Santos (ex vocalista da Suburban Stereotype) e isso também foi muito importante. A gente costuma se entender bastante nas composições, cada um soma com o que acha massa e vamos nos acertando.

“Ansiolítico” é um disco temático? Várias músicas falam de frustrações ou de problemas mentais/emocionais (o mundo hoje tá tão doente que é difícil saber o que é traço de personalidade e o que é sintoma), isso foi planejado?

Cara, acho que dá pra dizer que é temático dependendo do ponto de vista, mas isso não foi intencional. A gente teve momentos bem deprimidos e ansiosos entre o primeiro álbum e o segundo e isso acabou influenciando muito. As nossas letras costumam ser bem sinceras e pessoais, então acaba que não é planejado, mas é simplesmente o que sai de nós. Falando particularmente pelas minhas letras, nos últimos anos foi difícil fugir destes temas e tratar outros assuntos. Quando a gente fez o álbum a gente juntou todas músicas novas que tínhamos e trabalhamos com o Augusto em cima delas, mas no final nada foi planejado, foi só sons que a gente já tinha feito meio que espontaneamente. Acho que por esses motivos que falei acabou que todos os sons são meio ligados, por remeterem a mesma época e aos mesmos compositores. Quando nós terminamos o álbum não sabíamos que nome colocar e pensamos umas semanas só nisso. Quando todo mundo já tava cansando, acho que o Walerko perguntou como se chamava o remédio pra ansiedade e percebemos que ansiolítico faria muito sentido com a temática do álbum. Eu não sei exatamente como é a comparação de hoje com o de outras épocas em questão de números de pessoas com problemas mentais, mas sei que a depressão e a ansiedade só crescem no mundo há algum tempo. Eu sei que as pessoas hoje em dia tomam muito mais remédio do que jamais tomaram, eu sei que nós, nossos amigos e familiares muitas vezes são vítimas de problemas assim, pessoas que tomam remédio, bastante remédio, pessoas que já pensaram em se matar ou até já foram adiante, que não conseguem trabalhar ou estudar e que na real eu acho que tá muito ligado a sociedade como um todo, esses problemas não aparecem numa porrada de gente com as mesmas características e sintomas por nada, existe um fator social ou vários importantes. Então o álbum tenta tratar esses dois lados, o individual e o coletivo.

Pelotas é interior, né? Vocês podem falar um pouco da cena daí? Ela também tem mudado muito nos últimos anos como no Sudeste?

Sim! Então a gente teve muita sorte que quando a gente tava entrando na adolescência tinha uma gurizada que organizava role aqui e que tinha um coletivo chamado Hardcore Pride. Por causa desses caras deu pra ver que uma banda daqui podia ser muito afudê como a Suburban Stereotype era e também nós pudemos ver muitas bandas na nossa frente e nos aprofundar nos roles de HC mesmo como Zander, Dead Fish, Sugar Kane, Bullet Bane e que na época era algo incrível pra nós. A gente não sabia de role de punk e HC e do nada esses caras tavam fazendo esses shows muito foda. Sem falar que os roles que eles organizavam só com banda daqui eram muito do caralho também, eles tinham a mão pra chamar muita gente pros eventos. Então essas coisas nos colocaram no role lá com 14 anos haha. Por mais que a gente tenha demorado a virar amigo do pessoal, era algo que nos impressionava e marcou demais. Hoje em dia o role é bem mais parado, mas a gente segue tentando movimentar, dia 23 estamos trazendo o Surra pro terceiro Nosco Fest que é um role que a gente da Marinas organiza. Então a gente segue tentando com o pessoal que curte fazer evento aqui e tá sendo bem massa. Sobre estar mudando, ela mudou um pouco pra pior nos últimos anos porque parece que ficou parada, mas felizmente, de algum tempo pra cá parece que o pessoal tá se mexendo mais de novo, então, veremos mais pra frente haha.

Últimas considerações? Algum recado?

Gostaríamos de divulgar nossa maravilhosa agenda se possível hahaha.
Dia 23 agora em Pelotas teremos o Surra no Galpão e dia 30 fecharemos o mês com o Audiocore Festival com Sugar Kane, Chuva Negra, Violet Soda, Radical Karma, Suerte, Inimigo Eu, nós e a Atria, em Porto Alegre no Oculto. Vai ser muito foda e vale a pena procurar qualquer um desses eventos! Dezembro também iremos a POA, mas ainda não saiu o evento no Facetruque então vamos aguardar pra soltar o verbo, mas pode salvar a data: dia 13, Sexta Feira de Dezembro vamos a POA again.
Gostaríamos de dizer para todos tentarem ficar bem, porque a situação brasileira tá muito fudida! Precisamos estar unidos pra enfrentarmos nossos problemas pessoais e coletivos juntos! Sempre em frente com solidariedade e loucurada! A loucurada liberta, experimentem! Muito obrigado Bus Ride Notes pelo espaço e parabéns pelo corre!
Seguimos!

Ouça Marinas Found no Bandcamp ou nas redes de stream:


Resenhas

Crazy Bastards – Selfie Entitled

Crazy Bastards é a banda mais pop punk de todas as bandas pop punk do mundo.
Quando me mostraram, pensei “curti o conceito”. A banda escolheu um gênero musical e foi detalhista. Não só no som, como artes, clipes e todo o resto.

Formada em Curitiba em 2017 por Tiago Oliveira (Vocal/Guitarra), Geanine Inglat (Vocal/Baixo) e Leandro Sousa (Bateria) em 2018 eles lançaram o primeiro disco, “Selfie Entitled”, que consiste em 18 minutos e 11 músicas de puro pop punk.

A capa é um desenho bunitinho de uma foto (selfie) da banda e pra cada música eles fizeram uma tirinha com uma interpretação gráfica da mesma, você pode ver todas no canal deles no Youtube.

Segundo o vocalista Tiago: “Esse álbum a gente focou no ‘mal uso de celular’ pelas pessoas, como estamos cada vez mais dependentes disso e os efeitos psicológicos, culturais e comportamentais que isso vem trazendo. Com uma linguagem por vezes irônica, mas a mensagem/reflexão espero que seja positiva no fim”.

A banda já tem quatro clipes, da música “Nostalgia” que mostra eles em um fliperama com direito a mergulho em piscina de bolinhas, de “Don’t Take Shit” que acompanha a letra da música mostrando um casal aconselhando o filho e termina com a banda destruindo o estúdio, da música de Natal “Bright Side” que tem a banda só tocando e se divertindo mesmo e o mais recente é da música “My Mistakes”, que é cheio de referências à clipes clássicos do gênero.

Pra mim esse pop punk clássico é pura nostalgia. Ou será que o gênero não mudou quase nada? É possível? Acho que não. De qualquer maneira, se hoje você não liga muito pro estilo, mas um dia já foi fã de Blink 182, Sum 41 e adjacentes, você vai gostar desse disco.

Assim como o disco, essa resenha foi curtinha e direta, agora vai lá ouvir ele e divirta-se.

“Selfie Entitled” está disponível nas redes de stream.