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Sobre jornalismo de música, projeto editorial e leitores

Por Revista O Inimigo e Bus Ride Notes

Na semana passada, o site Hits Perdidos publicou um artigo bastante oportuno sobre o futuro do jornalismo cultural no pós-pandemia. Entre questões válidas, como a precarização das redações, a velocidade irrefreável das redes sociais, a avalanche semanal de lançamentos de singles e álbuns nas plataformas de streaming e o embate entre o “relevante” e o “novo”, dois pontos que julgamos fundamentais acabaram ficando de fora do debate: a importância de uma proposta editorial e da formação de público leitor.

O jornalismo musical não existe mais em grande escala no Brasil, isso é um fato. Hoje existem poucos sites que cobrem a cena de música independente, e cada um faz de sua forma. Isso acaba confundindo todo mundo envolvido na cadeia, tanto o leitor quanto o jornalista, e também os próprios artistas. É por isso que acreditamos que antes de se preocupar com algoritmos e plataformas de streaming, é fundamental pensar na mensagem que queremos passar e com quem queremos falar.

Será que é tão importante assim “dar conta” de tudo que sai às sextas-feiras? O próprio texto do Hits Perdidos observa que mesmo um leitor dedicado e interessado vai ouvir, se muito, 10% da lista com os 250 singles da semana. Então, vale perguntar: quem se interessa por esse tipo de informação?

Claro que o registro é importante, mas o registro pelo registro não pode ser o objetivo final. É preciso definir a linha editorial e construir uma base de leitores. Sites/blogs que cobrem “tudo” correm risco de cobrir “nada”. Em geral, esse tipo de abordagem acaba atraindo um público disperso e pontual, que não vai virar leitor frequente do site. Tampouco ajuda o trabalho do artista, sobretudo dos mais novos, a chegar a quem possa se interessar por ele. Ou seja, vira um depósito de conteúdo, uma vitrine sem comprador.

Basta olhar meia dúzia de posts do Bus Ride Notes ou da Revista O Inimigo para ver o tipo de música que cobrimos, que é basicamente o que gostamos de ouvir e o que nós entendemos. Consequentemente, nossos leitores são pessoas que também gostam e se interessam por esses estilos. Mesmo assim, praticamente todos os dias recebemos sugestões de pautas sobre artistas de estilos musicais que não têm nada a ver com o que cobrimos.

De que adianta publicar se o nosso público leitor não curte esse som? Não vai ter alcance nenhum. O tempo que o artista gasta mandando o material pra gente, poderia ser gasto mandando para um site que publica o estilo dele. Faz sentido você mandar teu disco de MPB pra um site de metal?

O problema que colocamos em debate aqui é esse modelo de “publicar tudo”, não o meio onde você publica o conteúdo (isso é outro problema para outra conversa). A gente está vendo que ele não funciona, mas ainda vamos continuar insistindo?

A lógica da produção de conteúdo não pode pautar o jornalismo cultural, são coisas diferentes. Há muito conteúdo de música e pouco jornalismo de música. Há sites que simplesmente não cobrem bandas nacionais, mas noticiam cada peido dos gringos como se fosse site de celebridades.

Quer escrever sobre cultura? Primeiro, pense no seu projeto editorial. Se você prefere ou manja mais de um estilo, ótimo – pesquise e foque nele. Quer falar de muita coisa? Beleza, você pode criar um público que acompanha as coisas mais diversas que você publica. Separa por temas, editorias, sei lá, mas SE ORGANIZE.

E a gente precisa, sim, de mais pessoas fazendo jornalismo musical. Tem bandas demais hoje (só na lista do Bus Ride Notes com bandas do interior de SP tem mais de 250 na ativa), e acreditamos que esse é um dos fatores que gerou essa bagunça.

A saída do jornalismo cultural é voltar a fazer jornalismo. Por jornalismo, entenda fazer entrevistas, reportagens, críticas, levantar discussões e dialogar com o leitor. Como? Ninguém sabe. O importante é manter a discussão viva, trocar ideias para construir saídas.

Seguimos em frente.


Entrevistas / Sites

A extrema direita no palco: Derrubando bandas fascistas na internet

Na última década, a guinada conservadora no Brasil e no mundo trouxe a urgência de um posicionamento político contra o fascismo. Na música independente tivemos pessoas se posicionando ao bolsonarismo ou à direita, o que naturalmente abalou toda essa de rede de amigues e parcerias de palco.

Assim, produtoras de eventos, jornais digitais de música e bandas assumiram o compromisso de falar sobre o assunto. Aliás, a palavra “fascismo” foi finalmente trazida ao debate, e tivemos até o episódio em que o Dead Kennedys foi derrotado por um panfleto na tour brasileira, pois foram incapazes de assumirem um compromisso antifascista (com os fãs e contra Bolsonaro).

Mas se enxergamos apenas o bolsonarismo, deixamos de ver outros fascismos correndo por aí. A real é que o Brasil está repleto de bandas à direita como skinheads e punks nacionalistas, de NS Black Metal, “fashwave”, muitas realmente ligadas a partidos políticos, movimentos radicais e organizações como integralistas e nazistas.

Nessa matéria entrevistamos a Natália, do Rio de Janeiro, que coordena o Mapa do Ódio, projeto que analisa grupos radicais brasileiros e que nesse mês se dedicou a denunciar bandas neofascistas, com a ajuda dos sites Cifra Club e Letras.

O Mapa do Ódio pode ser acompanhado em tempo real no Twitter e traz uma compreensão mais realista do fascismo atual e como ele se apresenta no Brasil. O capítulo atual, sobre a presença dessas ideias na música, é urgente para nós que trabalhamos com isso; é necessário que nossos shows e nossas redes sejam espaços antimachistas, antirracistas, e seguros para pessoas LGBTQIA+.

Como começou o Mapa do Ódio? E como ele é feito?

Natália: O Mapa do Ódio começou muito a partir de pesquisa de rua que eu fazia com outros militantes antifascistas, mapeávamos principalmente integralistas aqui do Rio.

Na verdade, o grupo integralista começou a ser um ponto modal nos círculos de extrema direita aqui. Bandas “Rock Against Communism”, motoclubes neonazistas, etc. Isso nos levou a perceber que haviam muitos grupos assim e que eles estavam se relacionando.

Durante a pandemia, essa pesquisa obviamente teve que parar e eu comecei a me ocupar mais entendendo esses grupos na internet. Fui olhar grupos bolsonaristas no Whatsapp e vi que tinham algumas conexões entre eles.

A partir disso, comecei a entrar num lugar da internet que chamam de “machosfera”, que é um reduto de incel. Assim como o grupo integralista, foi um ponto modal onde consegui achar outros grupos de extrema direita aqui no Rio, na internet a “machosfera” também teve esse papel. Então, esses dois mundos acabaram se juntando, o online permeia o offline e vice versa.

A partir disso, a pesquisa focou em entender as relações desses grupos aqui na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

O que levou vocês a irem atrás das bandas?

O que me levou a elas foi justamente a pesquisa de rua, esse grupo integralista tinha muita gente do “Rock Against Communism”. Eu tenho proximidade com a galera punk, então já conhecia bastante do meio underground aqui do Rio. 

Essa pesquisa foi muito de amigos que foram indicando e, a partir disso, fui achando bandas parecidas nos sites. Tem bandas skinheads integralistas, por exemplo, então eles estão sempre interligados.

Não tem como falar da atuação de rua da extrema direita sem falar dos skinheads. Por mais que seja uma subcultura que tem dado uma diminuída, ainda existe.

Qual é a maior dificuldade no rastreamento de bandas como as que tiveram suas músicas apagadas desses sites?

Como muitas dessas bandas são do início dos anos 2000 e final dos anos 90, elas não tem tanto material online, é mais difícil conseguir provar que a banda é neonazista. A Resistence 88 a gente sabe que é uma banda neonazista, mas tem pouquíssima coisa na internet, só consegui no Last Fm.

Algumas eu sei que são neonazistas, mas não tem nada nesse sentido na presença online deles para que eu possa apontar. Talvez a galera do underground vá sentir falta de algumas bandas no Mute do Ódio, mas é porque não tem como provar. Algumas são fáceis, o Zurzir faz questão de botar o Hitler na capa, mas nem todos os grupos são assim.

Outra dificuldade também são as bandas integralistas. O integralismo no Brasil não é visto como uma ideologia fascista. Inicialmente, com o Plínio Salgado, eles se diziam fascistas e tinham relações com o Mussolini na Itália, mas eles fizeram um “rebranding”. Então, se você fala hoje em dia que o integralismo é fascista, vai surgir um “PlínioSalgado_66” pra te encher o saco no Twitter.

Vai ser uma dificuldade que vou encontrar futuramente, mas vou falar assim mesmo porque é uma coisa bem forte.

Os Carecas do Subúrbio tem muita relação com o integralismo, eles iam fazer um festival em Curitiba em 2015 para criar uma frente nacionalista com muita iconografia fascista. Estou deixando os integralistas por último, justamente para ter uma base de confiança no nosso trabalho.

Você esperava a resposta que obteve do Cifra Club e do Letras? E como é a resposta de sites maiores, como o Youtube, por exemplo?

O Cifra Club e o Letras foram muito parceiros, eu não esperava. Foram super solícitos e estão tirando todas as bandas que eu peço. O Last Fm não me respondeu, mas vou continuar enchendo o saco.

O Youtube também não respondeu, mas quando eu denuncio alguma coisa lá, os vídeos caem. Inclusive, quando eu colocar uma banda que esteja lá e a galera quiser denunciar todos os vídeos, seria incrível.

Eu acho que é importante essas plataformas terem noção do tipo de coisa que está sendo colocada nos sites delas. Eu sei que o Cifra Club e o Letras são colaborativos e qualquer um pode escrever, mas não dá para ter músicas como as do Comando Blindado numa plataforma tão grande de música. Eles precisam rever, criar um algoritmo, talvez passar por um censor humano.

Bandas bizarras com letras horríveis vão surgir, então essas plataformas grandes tem que ter uma maneira de proteger a audiência deles, de não dar palco para essa galera de maneira alguma.

E no underground? Como essas bandas ocupam espaços em lugares mais obscuros da internet?

Como o underground da internet é uma galera jovem, até mais nova do que eu, eles tem outros gostos musicais. Banda skin não faz tanto sucesso na “machosfera”. Acho que a galera que ainda procura essas bandas é mais velha, que teve na juventude essa referência. Os sites que eu tenho aqui geralmente são antigos, do início dos anos 2000.

Então na “machosfera” e no undeground nazista mais atuante é uma galera mais nova, “cripto neonazistas”, digamos assim. Essas bandas não são tão referenciadas lá, mas no underground de rua a gente sabe que tem, ainda toca Virus 27 e Confronto 72 pra cacete.

Então, na internet é uma questão etária mesmo e na rua continuam ouvindo. É importante a gente não deixar isso rolar e falar que o Confronto 72 é uma banda integralista porque o 7 é o G, o 2 é o B, que é a porra do Gustavo Barroso, um integralista antissemita.

Essas bandas vão tocar e a gente precisa saber, se você vai num bar e elas estão tocando, talvez não seja o melhor lugar pra você beber sua cerveja.

Fale um pouco mais sobre o Mute no Ódio

O Mute no Ódio é uma campanha que está no Mapa do Ódio para divulgar a informação sobre o que são os grupos skinheads. Desde a origem, grupos também de esquerda, depois a guinada para a extrema direita no Reino Unido com o “Rock Against Communism”, até como está acontecendo hoje em dia.

Ao mesmo tempo é uma ação para juntar isso e tirar essas bandas dessas plataformas (Cifras, Letras, Last Fm, Youtube). Essas bandas existem há muito tempo e mesmo que algumas delas não estejam ativas (por exemplo, o Zurzir tá todo mundo preso), eles tinham músicas no Letras e no Cifra Club. Alguém colocou isso lá.

Me perguntam muito se eu não estou dando plataforma para eles, na verdade o Mapa o Ódio é muito pequeno e deixar essa galera correr solta não tem funcionado. Diferente do Morgan Freeman, não acho que se a gente não falar do racismo ele vai simplesmente sumir. A gente tem que fazer ele sumir.

Tem algo mais que você gostaria de acrescentar?

Só agradecer pelo espaço, foi muito maneiro. O Mute no Ódio está sendo pensado para ter várias edições, essa primeira é dos skinheads, mas vou falar de outros estilos musicais, como o black metal que tem uma influência neonazista, vou falar do fashwave (o vaporwave fascista), tudo isso em edições futuras.

Então quem quiser conhecer o sacolé de chorume que são os grupos de extrema direta aqui do Rio e quiser acompanhar o mapa, a gente já é bem atuante no Twitter (@MapaDoOdio) e vamos criar um site em algum momento esse ano.


Playlists / Sites

As 18 Músicas ++ de 2018 em 2019 – Por Cada Dia Outra Música BR

Mais uma lista das músicas ++ da Cada Dia Outra Música BR aqui no Bus Ride Notes (para ler a primeira, clique aqui), só que dessa vez as 18++ de 2018 em 2019, porque música não tem prazo de validade algum!

A ideia de serem trabalhos que mais escutei/acompanhei ao longo do ano, assim por dizer, é a mesma. A diferença, é que talvez seja tecnicamente uma lista mais “justa” já que todas estavam lançadas desde o primeiro dia de 2019.

Então, segue a singela lista d’As 18 Músicas ++ de 2018 em 2019!

18) Autonomia – Dois Barcos

“certos naufrágios não são em vão”

Navegando e remando, a Dois Barcos abre a lista com Autonomia, uma faixa sobre reestruturação.


17) Você Vai Encontrar – Troá

“você é bem maior do que esse banco de metrô em que você se colocou”

Com um grande primeiro álbum lançado em 2019, Troá ainda cativou com essa faixa do EP de 2018. Foi música do dia 27/10/2018.

16) Côco Babaçu – Tupi Machine

“a força a festa desse canto transformando tu”

Tema de post do dia 17/09/2019, Côco Babaçu mostra o abraço forte do grupo ao contemporâneo e o ancestral.

15) Patuá – Pitaias

“quando Patuá passa vira pescoço quebra vidraça devolve bombas as balas de fuzil”

Pitaias traz poesia, feminismo, questões sócio-políticas e ancestralidade. A poesia que entra aqui na lista é Patuá.

14) Azul Moderno – Luiza Lian

“entre as estrelas em volta de Andrômeda e o meu manto azul moderno”

Entre as estrelas em volta de Andrômeda, aparece a maravilhosa Luiza Lian com seu manto Azul Moderno. Foi tema de post do dia 21/01/2019.

13) Mormaço de Outubro – Batuca na Bituca

“me debruço sobre o caos sem entender”

Música do dia 22/04/2019, Batuca na Bituca vem com seu indie rock lo-fi com um sonzinho inusitado de roda de bicicleta.

12) Toada do Amanhã – República Popular & Arlindo Júnior

“De onde vem, de onde vem esse canto que emana, dentre as folhas do alto e as raízes no chão”

Orgânico inteiro, descobri esse álbum precioso da República Popular apenas no meio de 2019. Toada do Amanhã aqui na lista.

11) Cores no Quarto – Tatá Aeroplano

“Estamirantes, estamirados, estamirar”

Sinfonia completa de Tatá acompanhado por um coro fantástico, nessa canção que corre entre dores, amores e medos.

10) Você Me Pôs Pra Fora – Choro D Tandera

“a chuva hoje chegou e não tinha você pra comentar que hoje a chuva chegou”

A música tema do dia 16/04/2019, a faixa é uma música eletrônica popular que em meio sua balada emocional traz a inserção do poema Felicidade Realista.

9) Quero Te Guardar Nesse Lugar Bonito Que é o Mundo – Clau Aniz & Vitor Colares

“se te interessa me esquecer, cria teu próprio personagem de mim”

Toda a nebulosidade e clemência numa faixa jamais cansável. Música do dia 06/06/2019, é uma parceria frutífera de Clau Aniz e Vitor Colares.

8) Tremores – Lau e Eu

“você é a razão mas não tem dimensão dos fatos”

Não queria dizer mas Lau e Eu é (ou somos?) fod* pra caralh*. É música para dançar e chorar, dormir e acordar. E pensar naquele alguém.

7) O Monge e o Executivo – El Efecto & Helen Nzinga

“larga a bomba em Nagasaki, depois faz acupuntura”

É tiro, porrada e bomba, é bala de canhão… O Monge e o Executivo é apenas uma fração da grandiosidade e importância do álbum Memórias de Fogo.

6) Gosto Serena – Anelis Assumpção

“beterraba e coração cabem na mesma paleta de cores ou são ilusões servidas fatiadas?”

Serenidade musical, Anelis faz a feira e nos questiona. Eu acho que são sim ilusões servidas fatiadas.

5) Interestelar – Mulamba

“interestelar é codinome que eu vou te dar a caso resolva lhe dedicar uma canção”

Poesia universal, de detalhes absolutos. Com introdução de Agnes Ignácio, Mulamba aqui encanta e potencializa o amor ou a dor.

4) Oásis – Potyguara Bardo

“cê tem noção que consegue me afetar mais do que a situação da política brasileira?”

Sensação desde o Simulacre, Potyguara Bardo (ou Poty para os íntimos), nos deu de presente ainda nesse ano uma apresentação maravilhosa desta faixa no Mango Lab. Foi música tema do dia 27/03/2019.

3) Diz Graça – Banda Cambaia & Samuel Amaro

“e a cada segundo novo, eu admiro o novo e contemplo o infinito”

A cada colocação nova, uma outra música e dessa vez é a contemplação do infinito em Diz Graça. Banda Cambaia & Samuel Amaro nos faz pensar e refletir na música do dia 13/05/2019.

2 ) A Mesma Canção – Baleia

“cantamos para não ouvir lá fora, nossa década indo embora”

Baleia é uma banda maravilhosa e conceito shows/lançamento de disco fragmentado vem instigando cada vez mais.

1) A Verdade Rasga e Dói – Walfredo em Busca da Simbiose

“a verdade rasga e dói, você em mim”

A 32º música postada nesta singela página, no dia 08/04/2018. Ouvi muito à época mas a ‘redescoberta’ foi melhor ainda.

BÔNUS (ANOS ANTERIORES):

  • 1966 – Devolva-Me – Leno e Lilian
  • 1969 – Não Identificado – Gal Costa
  • 2001 – Sentimental – Los Hermanos
  • 2003 – O Velho e o Moço – Los Hermanos
  • 2004 – Você Pode Ir na Janela – Gram
  • 2005 – Sapato Novo – Los Hermanos
  • 2007 – Trovoa – Maurício Pereira
  • 2008 – Cresci – Rancore
  • 2010 – Esquadros – Renato Russo & Adriana Calcanhotto
  • 2012 – Pavimento – Lupe de Lupe
  • 2013 – Giramundo – Daniel Groove
  • 2014 – Fogo-Fátuo – Lupe de Lupe
  • 2015 – Queda Livre – Sara Não Tem Nome
  • 2017 – Apego – Lutre

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Playlists / Sites

As 38 Músicas ++ de 2019 – Por Cada Dia Outra Música BR

2019 já acabou, eu sei, mas gostaria de deixar uma pequena contribuição para o ano que passou. Foi o primeiro ano completo da página, com 365 músicas brasileiras postadas.

Então, tomei um espacinho emprestado aqui no Bus Ride Notes e tentei preparar algumas singelas listas! Não são necessariamente de melhores do ano, mas sim de trabalhos que mais escutei/acompanhei ao longo do ano, assim por dizer.

Antes tarde do que em Fevereiro, a primeira lista que você lê aqui é “As 38 músicas ++ de 2019”. A ideia era ser as 19 de 2019, mas convenhamos que 19 iria ser pouco. Então meta lista dobrada! Confira a seguir:

38) Greta – A Transe

“ter alguma fé na raça do futebol, no rainbow body total”

Começando pelo fim que na verdade não é o fim mas o começo invertido, está a música Greta – tema do post do dia 05/11/2019 – que entrega todo seu som e sua cor de maneira misteriosa e mágica.

37) Astronauta – Bomfim

“um caos sem fim”

Se começamos por um “falso fim”, aqui a Bomfim traz a faixa mais cósmica de seu EP Vazio. Música tema do post do dia 21/05/2019, Astronauta vem toda mansinha trabalhada pela solidão.

36) Tenho Raiva de Você – Dom Pepo & Marina Sena

” eu mal sei se é amor entre o gato e o cão, entre o espinho e a flor”

Nesse dueto inspirado pelo amor e ódio, a ponto de ser confundido um com o outro ou complementando o outro. Música do dia 11/11/2019.

35) Universos – Mazuli & Helton Moura

“universos para que unam seus versos”

Toda a poética de Thiago Mazuli abrangida pela banda Mazuli e com a participação de Helton Moura. Música do dia 06/11/2019, Universos procura sentido na união de letra existencial e ritmo cadenciado.

34) Cidade Movediça – Lino Teixeira

“onde a cidade me levar eu vou”

Música postada em 26/06/2019, Cidade Movediça traz a intimidade em meio a texturas e distorções que te levam onde pulsa a cidade (ou a cidade te leva).

33) Lugar Na História – Banda Tenaz & Tino

“sai do passado menino, tu não nasceu pra ficar no escuro”

Trazendo a desordem tenaz, Lugar Na História é sobre contar sobre as coisas da vida, de forma direta e visceral. Foi post lá no dia 24/06/2019.

32) Cabeça Sem Tampa – Saci Wérè & Esdras Nogueira

“uma cabeça sem tampa é do tamanho do céu”

Toda a liberdade atenta aos pensamentos dados que podem se multiplicar e multiplicar. Assim, grita, devaneia e imagina uma Cabeça Sem Tampa, música do dia 12/11/2019.

31) Jacinto – grãomestre

“coexistir, conectar, néctar, da tulipa rosa, flor mais bela do altar”

Consagrando conquistas e dilatando vivências aparece grãomestre com Jacinto, música do dia 30/05/2019. Um olhar fresco sobre amores modernos e cheio de ternura.

30- Pó de Estrela – China & Uyara Torrente

“mas sem você nada faz sentido”

Fazendo sentido ou não, somos apenas Pó de Estrela. Nesse duo porreta entre China e Uyara, traz toda a leveza de coisas inexplicáveis que podem nos encher de esperança ou então nos corroer por dentro.

29) Madalena – Besouro Mulher & Camila Cortellini

“ô Madalena, esse teu jeito de brincar com o tempo me absorveu”

Aqui o ouvinte é absorvido por toda brincadeira sonora da faixa de Besouro Mulher & Camila Cortellini. Madalena foi tema de post no dia 22/10/2019.

28) Gosto de Sol – Tangolo Mangos

“eu não tenho certeza de nada, do que pareço que sou do que sou quando digo que eu não tenho certeza de nada”

A introdução da faixa parece definir metade da população jovem na internet, inclusive eu mesmo. Isso, aliado a um ritmo definido como “xaxado árabe psicodélico”, é Gosto de Sol, música do dia 04/10/2019.

27) Medieval Digital – Sindicato dos Artistas Carentes

“me tira desse inferno, esse mundo moderno, já me parece fosco, tá muito organizado pro meu gosto”

Tema de post lá no dia 19/10/2019, a música já chama atenção pela curiosa capa do álbum. E a proposta musical, destacando Medieval Digital, mantém a atenção ainda maior.

26) NVMFDA Vol. 2 – Dan Stump & República Popular

“mas essa ideia torta só me fez perder a graça de você”

Originalmente da República Popular, NVMFDA é adotada por Dan nessa parceria maravilhosa. Só tenho a agradecer a ambos por essa nova versão estendida. Foi a música do dia 10/11/2019.

25) Deus Não Compactua – Jair Naves

“nada é mais desumano do que a disputa por poder”

Visceral e explosivo, assim é a música, o álbum e o show de Jair Naves. Entre o humano e o desumano, ser filho ou inimigo, uma hora tudo tudo estoura e sobra aquele que não tem nada a perder.

24) Você Não Me Entende (Oblíquo)- Os Últimos

“não é possível que eu seja um ser assim tão oblíquo”

Entre os ângulos geométricos em que se busca alguém, aparece Os Últimos (na verdade em meio da ‘tabela’) com a música entendível Você Não Me Entende.

23) Porcos Que Pecam – Apoema & Mattmatize

“vai pra puta que pariu, lá intolerante é rei”

Autopoética e proclamática, Porcos Que Pecam é uma pérola da banda Apoema e Mattmatize. Toda a serenidade musical transcendendo numa entoação geral.

22) Porto Azul – Iuri Guião e os Cosmonautas

“para atracar na solidão do mar azul”

Se a solidão é toda a extensão dos oceanos, restamos a nós sermos meros barquinhos? Por aí navega Iuri Guião & Os Marinheiros Cosmonautas em Porto Azul.

21) Cinza – Gregor

“saudade é quase tudo e ao mesmo tempo nada”

É difícil falar de saudade. Mas em Cinza, a banda Gregor destila todo o seu conhecimento sintetizando das mais variáveis formas o tal sentimento descabido. Música do dia 16/06/2019.

20) Falta – Ambivalente

“mas então por que ainda falta?”

Música tema do dia 16/08/2019, não tem nada em falta em Falta, de Ambivalente. A simultaneidade do nome do projeto é ponto de vista da canção, entre o vazio e o tudo.

19) Carcará – Mineiros da Lua

“me sacrifiquei por um mundo que já não me quer mais”

Uma preciosidade em meio a tantas outras presentes no álbum A Queda dos duplamente Mineiros da Lua. É sobre ser e estar – ou não ser e não estar – com direito a incidência de Zé Ramalho.

18) Um Corpo é um Corpo – MUM

“a beleza não precisa machucar, o corpo gordo é obra prima, é lar”

Não apenas uma música, mas um hino daquele que faz arrepiar. Tema de post do dia 14/08/2019, o single empunha sonoramente a campanha contra a gordofobia de mesmo nome do projeto voluntário Diálogos Culturais.

17) Corações em Fúria (Meu Querido Belchior) – Teago Oliveira

“e um cantor amigo meu disse que se tiver que ser na bala vai”

Aqui Teago entrega seus corações em fúria a Belchior e a todos os ouvintes. Cheio de referências, dentro e fora do universo Belchioriano, a homenagem ‘violenta e doce’ foi post do dia 27/10/2019.

16) Tem Certeza? – Ana Frango Elétrico

“você tem certeza?”

Você. Tem. Certeza? Perguntando assim, Ana Frango Elétrico deu o primeiro gostinho do que seria – e agora é – de seu ‘pequeno coração galinha’, que pode se dizer, estourou a estratosfera.

15) Efêmero – Monstra

“acordei, em um segundo esqueci tudo o que sonhei”

Postada na página no dia 15/08/2019, a banda Monstra externaliza sua angústia em Efêmero. Além da baladinha que nos leva, traz em seus versos belas palavras como “sencientes”.

14) Placebo – rubatosis

“e nessa avalanche de saudade me afoguei em um dois três e tu nem fez por mal, né?”

Ainda sobre belas palavras, vem a banda rubatosis com seu belo nome. Inexplicável mas ainda sim compreensível, Placebo, música do dia 10/08/2019, é uma das faixas que compõem o ousado álbum-filme Carta ao Meu Ego.

13- Sol do Samba – Supervão

“na sombra do lado avesso do mundo é tempo de paz”

Música postada no dia 02/01/2020, inaugurando a nova fase dessa singela página, Sol do Samba é uma leve síntese da Supervão. É pista, é psicodelia, é tropicalidade e tudo mais batido num liquidificador sensorial.

12) São Paulo -Terno Rei

“me perdi, acho que estou aqui, em São Paulo”

Terno Rei bateu na porta lá no início de 2019 com o álbum todo excelente Violeta. Entre todas suas faixas, São Paulo aparece aqui não perdidamente, mas talvez com um leve bairrismo inconsciente.

11) Fantasma – Florais da Terra Quente

“o teu sorriso me tirou do céu”

O coletivo Florais da Terra Quente conquistou minha atenção com os dois singles lançados em 2019. Mas Fantasma chamou aquela atençãozinha especial e foi a música do dia 13/08/2019.

10) Redoma – GAEL Remix – borsarini & GAEL

“só porque consigo eu enxergar não quer dizer que eu queira ver”

Chegando ao famigerado top 10, vem o remix de GAEL para a música Redoma, de borsarini. Tema de post do dia 04/09/2019, traz uma levada ao horror cyberpunk.

9) Par de Olhos – YMA

“só eu e um par de olhos que não sei se vou usar”

Ouvidos para olhar e olhos para ouvir, talvez você precise de seu par de olhos para sentir a faixa-título do álbum de estreia de YMA. Observando a própria existência no campo criativo, foi a música do dia 10/03/2019.

8) Não Aprendo, Estou Vivo – Miopia Não Tem Cura

“eu não aprendi a estar vivo”

Toda a filosofia existencialista sem cura e fim. Música tema do post do dia 05/08/2019, destila todo seu sentimento de forma visceral e imersivo em suas ideias.

7) Fora de Lugar – Bazar Pamplona

“eu canto forte pra tudo ficar bem”

Pode estar tudo fora de lugar mas aqui está Bazar Pamplona. Mesmo com a banda vendendo tudo, sobra ainda canções para cantar forte e (tentar) ficar tudo bem.

6) Carne – Walfredo em Busca da Simbiose

“cada detalhe, de cada detalhe, de cada detalhe”

Em busca de mínimos detalhes, estando sujeito a qualquer coisa, Carne é parte de um todo. É sobre querer aproveitar enquanto e o quanto puder e der.

5) Terra – Papisa

“quanto tempo resta? quero a conta justa”

Sempre estamos no começo do fim. E sabemos quando é realmente o fim? Desse jeito (talvez), Papisa entoa e questiona em versos conversas.

4) Calçada – Bernardo Bauer

“lá não tem nada não mas lá tem tudo, tudo, tudo”

Assim como contei em seu post no dia 20/05/2019, demorei pra entender Calçada. Mas depois que se permite, vem toda a sensação livre, leve e bichana da canção.

3) Idas e Vindas do Amor – Sophia Chablau & Uma Enorme Perda de Tempo

“então melhor sofrer do que ser blasé”

Não, não é uma enorme de tempo ouvir as Idas e Vindas do Amor. Você pode sofrer ou achar blasé, mas a música tema do dia 18/04/2019 é para ouvir já cantando.

2) Santa Mônica – El Toro Fuerte & Raquel Batista

“mas quem não tá sozinho?”

A pergunta que sintetiza a canção já é um bom começo. El Toro Fuerte e Raquel Batista destilam sentimentos sobre imaginar e aceitar em Santa Mônica.

1) A Alegria Dorme no Calor dos Seus Braços – Apeles

“a geração ibuprofeno, refém de um aparelho”

Uma surpresa para mim mas ao mesmo tempo nem tanto. Postada em 02/09/2019, a canção sobre efemeridade, amor & ódio das redes sociais e relações pessoais. Poderia descrever melhor 2019?

Você pode encontrar todas as músicas em uma playlist só no Spotify:


Sites

Bandcamp

Você provavelmente já ouviu falar do Bandcamp. É um site de stream de música e acho que o mais decente de todos eles, pois cerca de 75% do valor das vendas vai diretamente pras bandas.

Spotify e outros pagam literalmente centavos por mil streams, é impossível ganhar dinheiro neles sem ser uma banda muito famosa. Não sei como funciona o Soundcloud, se é que ele paga alguma coisa.

Pois bem, eu tava conversando com um pessoal sobre merch de banda (o único meio em que as bandas ganham dinheiro): alguns não gostam de comprar camiseta, outros de comprar CDs, mas certeza que todo mundo baixa música ou faz stream.
Então, e se em vez de pagar quinze reais pro Spotify no mês, você pagar um dólar por um disco no Bandcamp?
Se você pensar que um dólar tá quatro reais, se uma dúzia de pessoas comprar já dá uma graninha pra banda sacar do site.

Você precisa de um cartão de crédito internacional pra usar o Bandcamp, mas hoje muita gente tem Nubank, Digio, etc e todos esses cartões são internacionais.
Já que você vai gastar dinheiro, essa é uma opção bem melhor do que pagar pro Spotify.
Eu não tô julgando quem usa streams, eu uso, mas se você se preocupa em apoiar financeiramente as bandas, você precisa saber como as ferramentas pra isso funcionam.

Se a banda habilitar “pague o quanto quiser”, as pessoas podem comprar sem um preço mínimo (as vezes a pessoa só pode pagar um dólar mesmo).
Fora o fato de que se muita gente do Brasil começar a usar e pedir pro site adicionar a opção de real (eles tem opções de outras moedas) talvez isso aconteça e fica mais fácil pra todo mundo. Inclusive, as bandas vão poder usar a ferramenta de loja virtual que o Bandcamp tem.

O site também funciona como rede social, você segue outras pessoas, vê o que elas compraram e quando alguém compra algo porque viu no seu perfil eles te mandam um email avisando (um “toca aqui!” virtual, como eles dizem).

Fiz esse texto pra compartilhar uma ferramenta que é boa pra todos, espero que vocês gostem desse site tanto quanto eu.