Bus Ride Notes

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Lançamentos / Playlists

VEM AÍ!, parte 2 – O que é pre-save e porque usar!

Dado ao enorme sucesso (rs) da primeira matéria sobre lançamentos, resolvemos fazer uma segunda parte!

Tendo em vista várias novidades pipocando por aí, queria trazer um pouco de conteúdo e falar sobre pré-save, direcionando o papo à galera das bandas. Quase ninguém usa essa isso em terras brasilis.

– Ô seu doido, mas que diabos é pré-save?

É uma ferramenta que permite que seu público, vulgo seus fãs, incluam as músicas em suas bibliotecas/playlists antes da data oficial de lançamento, tendo acesso às músicas logo nos primeiros segundos em que estiverem disponíveis.
E por que motivos você deveria usá-la? Vamos lá:

  • Chama atenção dos ouvintes, criando expectativas e aumentando o engajamento do seu trabalho – antes mesmo de ser publicado.
  • Você pode aproveitar a oportunidade para publicar um teaser, seja um trecho da música ou videoclipe, e/ou também a pré-venda ou anúncio de novos merchs.
  • Reforçando o engajamento, o algoritmo do streaming vai ~crescer o olho pra cima de você, o que aumenta a possibilidade de conseguir adentrar as grandes playlists editoriais das plataformas – exponencialmente te levando a um possível número de maior de ouvintes. (Importante: estou falando de hipóteses, não é uma garantia!)
  • Ok, há poucos dias fomos informados sobre o vazamento de dados de milhões de pessoas no Brasil. Então é preciso ser cauteloso nessa parte. É que o pré-save serve também pra você coletar dados sobre seu público, como localização, faixa etária… te permitindo direcionar melhor sua comunicação. Às vezes rola até endereço de email, que pode se tornar um mailing de newsletter. Mais importante ainda: NÃO SEJA CUZÃO, NÃO VAZE OS DADOS DE NINGUÉM!
  • E você, caro/a ouvinte, se por acaso vir suas bandas preferidas soltando um pré-save: FAÇA-O! Isso ajuda muito mais do que pode imaginar.

Sua distribuidora de música certamente oferece a possibilidade de um pré-salvamento. Vale a pena dar uma conferida .


Dito tudo isso, hora do esquenta pros pré-saves todos:

Autoclismo
Diretamente de Teresina/PI, o trio instrumental vai lançar seu novo EP, “Tetra”, no próximo dia 23. E, eba!, tem pré-save, que você pode fazer aqui. Acompanhe a Autoclismo pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Californicks
A rapaziada do hardcore melódico de Mauá/SP tem publicado há algumas semanas os bastidores da gravação de seu novo material. Seu último trabalho foi o EP “Por Todos Nós”, de 2018. Acompanhe a Californicks pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Charlotte Matou um Cara
No último post, a gente chutou e fez gol! Só atualizando mesmo, Charlotte anunciou seu novo disco, “Atentas”, que está em fase de financiamento coletivo – e você pode contribuir aqui.

Família Estranha
Fugindo um pouco da curva (até pros padrões do Busão), Família Estranha é uma banda londrinense influenciada por música brasileira, latina e bluegrass (!), que tem a rua como seu palco principal. Estão com campanha de financiamento coletivo pro seu primeiro disco, “Toda Família Merece um Álbum” – e você pode contribuir aqui. Acompanhe a Família Estranha pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Join the Dance
Depois de soltar o single “The Sun” ano passado, os cariocas de hardcore melódico skate delicinha entraram em estúdio semana passada novamente. Aguardemos! Acompanhe a Join the Dance pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Kattana OCK
Duo de horror punk, baixo+bateria, estão em fase de gravação de seu material de estreia. Dá pra dar um confere nesse áudio aqui que o trem vai ser doido! Acompanhe a Kattana OCK pelo Instagram.

Medrado
Parece que vem coisa nova por aí nos versos do Medrado, que tem lançado vários singles. Um EP em parceria com o produtor An_Tnio tem previsão para ser lançado nos próximos meses. Acompanhe o trabalho do rapper pelo Instagram, Soundcloud e Spotify.

Numbomb
O trio de crust/grindcore de Brasília-via-Lisboa não terá só um, como dois lançamentos em breve: seu primeiro álbum e também um split com a Nekkrofuneral. Acompanhe a Numbomb pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Paranoia Bomb
Projeto recente de veteranos da cena punk rocker brasiliense (Firstations, Dissonicos, Caos Lúdico, Conteste!, Nada em Vão), o supergrupo traz também influências do country e do folk. Incansáveis, estão estúdio gravando o sucessor do EP “É Hora de Ir”, de 2020. Acompanhe a Paranoia Bomb pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Personas
No fim do último mês, os jovens do rock triste lançaram o single “E Eu Me Desespero Facilmente”, que dita o tom de seu próximo EP. Acompanhe a Personas pelo Instagram, Facebook e Spotify.

SLVDR
Faz bem uns 5 anos que saiu o excelente “Presença”, e dentro em breve tem novidades também! Se você curte uma fritação instrumental, fica de olho! Acompanhe a SLVDR pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Signo 13
Há quase 10 anos na estrada, vários EPs e coletâneas na bagagem, a banda pós-punk do DF lançou seu primeiro álbum “Serpentário” num formato inusitado: soltando cada faixa como single, mensalmente, entre setembro de 2019 e outubro de 2020. E trarão mais novidades em breve! Acompanhe a Signo 13 pelo Instagram, Facebook e Spotify.

coletânea Coletivo Lança
O coletivo ainda prepara pra se lançar oficialmente em breve, com um evento online. Mas já nos adiantou sobre sua primeira atividade: uma coletânea (ainda sem nome), que tem confirmada as presenças de nomezassos como Loyal Gun, Hayz, Trash No Star, Letty, Drowned Men, Fragmentos Urbanos e Gomalakka, com músicas inéditas, será lançada no primeiro semestre. Como ainda não temos links oficiais, fica de olho nas bandas pra acompanhar!

coletânea Território Antifa
Produzida pela produtora Casa Sonora, várias bandas antifas da região metropolitana de Porto Alegre se reúnem nessa coletânea que promete! Todas entrarão com duas músicas inéditas. Alguns nomes confirmados: Lo que Te Voy a Decir (AMO!), Pupilas Dilatadas, Cine Baltimore e Punkzilla. Acompanhe a Casa Sonora pelo Instagram e Facebook.


Por hoje é isso! Espero que esse amontoado de palavras e links tenha sido útil pra você. Acredito que não faremos uma parte 3 sobre lançamentos futuros, mas pode mandar sua pauta no busridenoteszine@gmail.com. Sextou!

Discografia Caipirópolis / Playlists

Discografia Caipirópolis Volume 1

Não é novidade pra quem acompanha música underground que de uns três anos pra cá o número de bandas triplicou ou mais.

Nós do Bus Ride Notes gostamos de sair do eixo SP-Rio e juntando isso com nosso gosto por fazer playlists, um dia resolvemos fazer uma lista de bandas do interior. Como moramos em São Paulo e conhecemos muita coisa, começamos por aqui.

Essa lista deu mais de 300 bandas na ativa (até onde sabemos) e como várias delas não têm músicas nas redes de stream pra fazermos uma playlist, decidimos fazer uma coletânea.

Assim nasceu a Discografia Caipirópolis pra mostrar que tem muita coisa boa sendo feita fora da capital. O nome, que é uma brincadeira de amigos daqui, foi o título temporário da lista, mas acabou ficando. Colocamos bandas do litoral também porque ninguém sabe se litoral é interior ou não, é uma questão de opinião.

Sem saber se dividiríamos por estilo, região ou etc, nesse primeiro volume decidimos colocar apenas bandas com mulheres na formação porque, né? 2020 e essa conversa ainda dá muito pano pra manga.

Então tem música pra todo gosto aqui: punk, crust, indie, synthpop, stoner, hard rock, folk, instrumental, etc. É pouco provável que você goste de tudo, mas é muito provável que você goste de mais da metade.

Como a lista é grande, terão outros volumes, seja por coletânea, playlist, streamcast ou outro formato que ainda não conhecemos.
E nós gostaríamos de incentivar o pessoal de outros lugares a fazer o mesmo e mandar pra gente.

Abaixo você lê um pouco sobre cada banda que faz parte desse primeiro volume:

Amphères (Santos)

Amphères é um trio formado em 2016 pelos músicos Jota Amaral (bateria e voz), Paula Martins (baixo e voz) e Thiago Santos (guitarra e voz), que tocam juntos desde 2012 em outras formações. “Transitando entre diversas vertentes do rock alternativo, muitas vezes com nuances psicodélicas, o som da banda é definido por linhas de baixo bem marcadas e baterias vibrantes, que permitem explorar a pungência de guitarras com texturas harmônicas, loops, dissonâncias e ruídos diversos“. A banda já lançou dois EPs (2016 e 2018) e em Abril de 2020 lançaram o álbum “Porto”. “Densa” faz parte do primeiro disco da banda, “Porto”.


Balanopostite (Araraquara)

Banda de goregrind formada em 2018 e hoje com Serginho (guitarra/backing vocal), Mars Martins (vocal, baixo) e X (bateria), eles se preparam pra gravação do primeiro EP e tem duas músicas disponíveis no Bandcamp, “A Indústria Agropecuária Colabora com a Fome Mundial e a Falta de Água” é uma delas.


Blixten (Araraquara)

A banda surgiu no ano de 2013, fundada pela vocalista Kelly Hipólito e hoje com Aron Marmorato (baixo), Miguel Arruda (guitarra) e Larissa Futenma (bateria). “O objetivo da banda é trazer para o século XXI, o peso, velocidade e melodia que as bandas de Heavy N’ Hard tinham nos anos 80”. Em 2018 eles lançaram o primeiro EP “Stay Heavy”. “Strong As Steel” faz parte do EP “Stay Heavy” (2018).


Cigarros Indios (Araçatuba)

Formada em 2012 e hoje com Ana Lídia (voz), Herivelto Medeiros (baixo), Ricardo Storti (guitarra) e Tico (bateria), Cigarros Indios é um power trio roqueiro comandado por uma voz feminina e apresenta um repertório onde a trilha sonora é o rock, sem qualquer outro adjetivo. Em 2020 lançaram o primeiro EP, “Gravidade”. “Carnaval” foi lançada como single no dia 21 de Fevereiro de 2020.


Clandestinas (Jundiaí)

Formada em 2017 pelas militantes feministas e LGBTQIA+ Alline Lola (guitarra e voz), Camila Godoi (baixo e voz) e Natália Benite (bateria e voz), a banda surge da necessidade de se fazer ser ouvida em seus questionamentos sobre padrões de gênero e sexualidade, utilizando a música como ferramenta de luta, transparecendo e veiculando seu posicionamento questionador tanto em suas canções quanto nas falas, nos corpos e afetos das três musicistas. “Rotina” faz parte do recém lançado primeiro disco da banda, “Clandestinas”.


Crasso Sinestésico (Bom Jesus dos Perdões)

Formada em 2014 por Diego Fernandes (guitarra e vocal) e Sabrina Centonfanti Mori (bateria), o duo já lançou um disco e dois EPs. “Cassandra”, o EP mais recente da banda, foi gravado ao vivo em Fostex no rolo de fita, é cru e sem muitos efeitos. “Encontramos na sonoridade de alguns discos (Coloração Desbotada, Giallos, Hüsker Dü e Sonic Youth) um norte de como gostaríamos que fosse: noise rock, sujo, lo-fi, intenso e verdadeiro”. “Bhaskara” faz parte do EP “Cassandra” (2019).


Dead Parrot (Campinas)

Formada por Mariana Ceriani (vocal), Victor Vianna (guitarra), Matheus Stoshy (baixo) e Bruno Giacomini (bateria), a banda de stoner e hard rock já lançou três EPs, o mais recente, “Strange Times Are Coming”, em 2020. “Strange Times Are Coming” faz parte do novo EP da banda, de mesmo nome.


Derrota (Americana)

Derrota é uma banda de post-rock instrumental, formada em agosto de 2012 por Leonardo Cucatti (guitarra), Nathalia Motta Oliveira (guitarra), Eduardo Camargo (baixo) e Marcel (bateria). Além do primeiro álbum “Parece Insuportável” (2019), a banda já lançou dois EPs e três singles. “Sinestesia” faz parte do EP “XXX” (2018).


Estado Imaginário (Itupeva)

Formada em 2015 por Douglas Valente (vocal), Maurilio Babão (guitarra), Andressa Kaam (baixo) e Marcos Salles Lopes (bateria), a banda tem várias influências do cenário musical, abrangendo também a apreciação literária de grandes nomes da poesia universal como Rimbaud, Chesterton, Pessoa e Neruda. “Nada Pode Ser em Vão” faz parte do EP “Estado Imaginário” (2017).


La Burca (Bauru/Araraquara)

Fundada em 2011 por Amanda Rocha (voz, violão, composição) a banda de post-punk-tropicaos ou post-punklore estreia nova formação em 2020 como trio com o baterista Ed Paolow e o guitarrista Denial Guedes. A banda já lançou dois discos e um EP, “suas influências vão desde o punk DIY, amansando no folk, bebendo no post-punk, regurgitando no grunge e se recompondo nos temas introspectivos instrumentais”. No momento a banda mescla novo repertório cantado em português à releituras sonoras de alguns sons e experimentações libertárias lesbopunk. “Flowers of Romance” faz parte do disco “Kurious Eyes” (2016).


Mar de Lobos (Iperó)

Formada em 2013 e hoje com Kaue Marques (baixo), Judy Rocha (vocal), Bruno Canal (guitarra) e Yuri Naoto (bateria) a banda que se identifica como “algo entre tropical grunge post-hardcore screamo punk suburbano” já lançou um EP e um álbum. “Acenda” faz parte do disco “Criaterra” (2019).


Nada de Novo no Front (São Jose do Rio Preto)

Powertrio formado em 2018 por Rafael Nascimento (guitarra, vocal), Taiane Campos (baixo, vocal) e Caio RPS (bateria). A banda tem algumas músicas que podem ser ouvidas no seu canal do Youtube.


Pinscher Attack (Monte Azul Paulista)

Duo de fastcore formado em novembro de 2018 pelo casal Thaysa Zuccherato (bateria) e Danilo Zuccherato (guitarra e voz). Sua discografia é composta pelas “Canil Sessions” (que você pode assistir no Youtube). Fizemos uma entrevista com a banda que você pode ler aqui. “A Carta” faz parte do EP “Suicida” (2018).


S.E.T.I.  (Campinas)

Duo que pira nos samples, reverbs, eletronika e guitarradas. Uns chamam de dreampop, outros de synthpop. É tudo isso e um pouco mais. Formado em 2012 por Roberta Artiolli (voz e sintetizadores) e Bruno Romani (baixo, guitarra e programação), eles já lançaram dois EPs e um álbum. O grupo tirou seu nome da sigla em inglês para “Search for Extraterrestrial Intelligence” (busca por inteligência extraterrestre), utilizada para projetos e pesquisas sobre a vida fora da Terra. “Popfobia” faz parte do disco “Supersimetria” (2018).


S.U.C. (Sádica Utopia Convergente) (São Carlos)

Formada em 2014 e hoje com Letícia (vocal), Egiliane (baixo), André (guitarra) e Guilherme (bateria) a banda de deathgrind já lançou dois EPs e um split ao vivo com P.S.G (Poluição Sonora Gratuita), gravado no 3º Interior Brutal Noise em Sorocaba em 2017. Depois de um hiato, a banda voltou em 2019 e acaba de lançar seu primeiro álbum, “Cartilha da Dor”, que reúne músicas dos EPs anteriores e novas composições dos atuais integrantes. “Corporation’s Slaves (Work for Death)” está no disco “Cartilha da Dor” (2020).


Spiral Guru (Piracicaba)

Formada em 2013 e hoje com Andrea Ruocco (vocal), Samuel Pedrosa (guitarra), José Ribeiro Jr. (baixo) e Alexandre Garcia (bateria), a banda toca stoner com temáticas voltadas à ficção científica, vida extraterrestre, a psicodelia dos anos 60 e o som vintage e pesado dos anos 70. Eles já lançaram três EPs e um álbum. “Holy Mountain” faz parte do disco “Void” (2019).


Tatuajë DiCarpa (São Jose do Rio Preto)

Banda de powerviolence debochado formada em Maio de 2018 por Júlia (vocal), Vitor (guitarra), Rizzutti (baixo e vocal) e Renan (bateria). Eles já lançaram um disco e um split com a banda Prayana de Vitória, ES. Fizemos uma entrevista com a banda que você pode ler aqui. “Bate em nazi” faz parte do disco “Satisfação Garantida ou Foda-se” (2019).


TØSCA (Campinas)

Recentemente formada e hoje com Alica (baixo) e Fran (guitarra), Tosca é uma banda que mescla punk rock com indie com experimental com post-punk e com mais algumas coisas. Até o momento a banda lançou um EP “Não Repara a Bagunça” (2018) e um single. “Na Cidade Inteira” foi lançada como single em Julho de 2019.


Travelling Wave (Piracicaba)

Duo de synthpop formado por Thiago Altafini (guitarra e voz) e Carol Alleoni (voz e synth) que “faz rock para estados alterados de consciência abusando de climas soturnos e ruidosos construídos por camadas de reverbs, guitarras sujas, sintetizadores, vocais assombrados e loops tribais de bateria”. A banda já lançou dois albuns, um EP e vários singles. “The Strike” foi lançada como single em Abril de 2020.


Untraps (Peruíbe)

Duo de de punk rock vegan straight edge formado em 2017 por Geisxe Paula (guitarra, vocal) e Nelsinho Edge (bateria, vocal) . Em 2018 lançaram o primeiro EP, “Mútua”. Suas letras falam sobre “tomar de volta o controle de nossas vidas, introspecção sobre patriarcado, a vida engolida pelo cinza/cidade, veganismo, luta anticapitalista, inspirando formas práticas de luta e resistência”. “Propaganda Homicida” faz parte do EP “Mútua” (2018).


Vermenoise (Sorocaba)

Trio de grindcore formada em 2009 e hoje com Chris (vocal), Victor (guitarra) e Mauro (bateria). No começo a banda tinha um som indefinido e adicionava integrantes convidados e musica biotecnológica experimental em apresentações únicas e diferentes de uma para outra. Em 2017 aconteceram shows em parceria com o 00projeto: projeto, que resultou no split “201964”, lançado em 2019. Em Março de 2020 a banda lançou seu novo EP “O Outro”. “Epitáfio” foi lançada como single em 2019.


Fizemos playlists com as músicas disponíveis nos streams, mas como faltam várias bandas eu recomendo muito que você ouça no Bandcamp.

Deezer aqui.


Entrevistas

Pinscher Attack

Pinscher Attack é um duo de Monte Azul Paulista, SP, formado em Novembro de 2018 por Thaysa e Danilo Zuccherato na bateria e guitarra.
A sua discografia é composta pelas “Canil Sessions” (que você pode assistir no Youtube) e quase todas as músicas têm letras sobre doenças mentais/emocionais.

Eles têm uma agenda bem diferente das bandas de interior, pois fazem uma das coisas mais legais que eu já ouvi falar: levar um gerador pra ocupar espaços públicos com shows (o que mais tem no interior é praça, né?).
Recentemente foi lançado o mini documentário “Guerrilha Gerador” em que a banda participa e fala um pouco sobre isso (você pode assistir ele ao fim desse texto).

Eles gentilmente nos cederam uma entrevista, que você lê a seguir:

Vocês podem falar um pouco sobre a banda pra quem não conhece?

Opa. Pinscher Attack aqui, somos um casal de HC rábico de Monte Azul Paulista – SP. Thaysa Zuccherato na batera e Danilo Zuccherato na guita e nos berros.

As Canil Sessions são o equivalente aos seus EPs, certo? Vocês têm vídeos delas e há pouco tempo colocaram os EPs nas redes de stream. Vocês podem explicar um pouco mais?

Sim, são séries equivalentes aos EPs. Quando começamos não queríamos colocar o áudio nas plataformas, pensávamos que não iriam escutar, queríamos ter tudo já com vídeo, mas algumas pessoas que curtiam os vídeos queriam ouvir off-line e falavam que não tinha como, aí colocamos nas plataformas e Bandcamp.

E cada uma delas tem um tema, certo?

Sim. Cada série tem 3 capítulos ou 3 músicas sobre o mesmo tema.

As animações pro EP/Session “Suicida” foram feitas por vocês mesmos? Ela foi a primeira Session, não?

Isso mesmo. Nosso primeiro trampo é animado pelo Danilo. Gostamos muito do resultado. Bem manual, cru e simples.

Vocês empregam bastante artes plásticas na estética da banda, podem falar um pouco sobre?

A Thaysa é artista visual, pra nós não há como desvincular a arte da vida, por isso utilizamos a arte em tudo e não poderia ser diferente na banda. Nossa casa é um ateliê.

A agenda de vocês é bem cheia pra uma banda do interior, como vocês conseguiram isso?

A maioria dos nossos shows são guerrilhas que nós mesmos organizamos com nosso gerador em cidades diferentes aqui em nossa região. Juntamos algumas bandas que topam a ideia, correr o risco e mandamos ver. De uns 15 rolês tivemos que parar por conta da polícia só uma vez, mas foi tranquilo e acabou numa boa.

Isso me leva a uma pergunta que tenho feito demais, mas é impossível não perguntar: a cena tem mudado muito nesses últimos anos, como estão as coisas no interior de SP?

Tá a mesma coisa. Casas abrem, casas fecham. Bandas começam, bandas acabam. Uma coisa que reparamos muito é que falta tesão nas bandas mesmo. Curtir ensaiar, gravar e ter a banda mais como prioridade na vida deles, nem que for um hobbie, mas um hobbie levado a sério, feito com o mínimo de organização e respeito.

Últimas considerações? Algum recado?

Valeu demais pela préza. Ficamos felizes pra kct. Valeu mesmo!

Ouça Pinscher Attack no Bandcamp ou nos sites de stream:

Documentário “Guerrilha Gerador”:


Entrevistas

Naome Rita

Naome Rita é um duo de Curitiba, formado pela baterista Sisie Soares e a guitarrista Ivy Sumini, que toca músicas que grudam na cabeça. Começou como banda em 2013 e a primeira demo, lançada em 2014 como power trio, eu diria que é meio um “rock sujo”. Seis baixistas depois, e acredito que também alguma frustração, elas resolveram se transformar em duo e em 2017 lançaram o EP “Tropical Punk” com a nova formação.
Esse EP foi a primeira coisa que ouvi delas e enquanto ouvia pensei “…mas o que é iss” e comecei a dar risada, pois as letras são engraçadas. Segundo elas essa é a influência do pop punk.
Sonoramente o “Tropical Punk” talvez possa ser descrito como um “grunge dançante cafona com influências punk”, com letras abordando “desde a incoerência de alguns religiosos, lugar da mulher na sociedade, feminicídio, veganismo até a não devolução de tupperwares”.

Assim que comecei a pensar em escrever sobre a banda percebi que eu tinha mais dúvidas do que o que escrever, por isso pedi uma entrevista que elas gentilmente concederam e você lê a seguir:

Vocês começaram como banda e hoje são um duo, tem alguma diferença entre os dois? Tanto pra compor quanto no resto.

Sim, como sempre gostamos muito de escutar o som do baixo nas músicas, sentimos um pouco a ausência dele, mas acabamos suprindo essa falta com pedais, mais tambores e vimos que conseguimos fazer o som acontecer com o que tínhamos. Recebemos alguns feedbacks da galera nos shows. Sempre fui fã de duos. Na prática é tudo um pouco mais difícil, principalmente a questão de dividir custos. Por outro lado é libertador a ideia das decisões como duo não despenderem de tanta gente que talvez não esteja na mesma vibe, o que acontecia muito com outros integrantes.

Vocês tiveram alguma influência pra essa nova formação?

Hoje ouvimos de tudo, do grunge/punk dos anos 90/trash/doom até Marília Mendonça. Não nos limitamos. A gente escuta tudo que nos representa de alguma forma, seja nas letras, na melodia, no instrumental, no protesto como um todo. Bandas como Skating Polly, Gulabi, o duo gorduratrans, Nervosa, Test, Molho Negro, é o que escutamos ultimamente.

As composições do “Tropical Punk” vieram todas depois disso?

Nós duas tínhamos um projeto de HC que viveu por um curto período de tempo, as músicas “Alice Odeia Ovo”, porque queria falar sobre não termos necessidade de matar e torturar animais pra comer e a “Tupperware”, sobre o clichê de “lugar de mulher é na cozinha”, compomos pra esse projeto. “Ai que gostoso” veio da vontade de fazer um instrumental mais leve, mas querendo a morte do humano hipócrita. “Atividade Policial” fizemos após os eventos do dia 23/04 de 2015, onde os professores sofreram toda aquela violência na nossa cidade, nessa época já éramos um duo.

Os processos de composição e gravação geralmente são sempre a mesma coisa, mas tem algo que vocês queiram compartilhar sobre os processos do “Tropical Punk”?

O “Tropical Punk” foi um EP gravado as pressas, não tínhamos grana suficiente pra pagar estúdio e o resultado ficou longe do esperado, mas queríamos lançar logo. Depois, um pouco antes das eleições, descobrimos que quem gravou nosso EP tinha ideias, diguemos, bem contrárias as nossas. O legal é que musicas surgiram durante as gravações, como a “Tropical Punk” e a “Bostas Fididas”.

Vocês tem vários videoclipes, o que não é comum pra bandas underground, a que se deve isso?

Isso se deve a nós sempre querermos fazer tudo do nosso jeito, meio podrera mesmo, sem ter que depender de outrem, pois a maioria dos produtores querem padronizar a maneira como nos comunicamos, como fazemos arte. E também, temos amigos que acreditam na gente que manjam muito de audiovisual e dão um help quando precisamos. O clipe de “Dado” foi captado editado por Nicole Micaldi que fez um trampo delicado que curtimos muito.

A cena tem mudado muito nos últimos anos, como andam as coisas em Curitiba?

A passos lentos e árduos. Estão surgindo mais bandas com integrantes que estão fazendo a diferença, estamos nos juntando mais pra fazer os shows e festivais acontecerem. Há também mais bandas com mulheres do que quando começamos. Antes na ativa era apenas nós, o que dificultava realizar eventos seguros pra nós mulheres, que até na roda punk somos deixadas de lado ou “expulsas” do pogo.

Últimas considerações? Algum recado?

Que tenham cada vez mais mulheres no palco, na produção, na estrada em tour. Que esse ambiente seja libertário. Sem espaço para machistas, racistas, homofóbicos e qualquer tipo de opressão disfarçada. Esperamos que de fato o underground seja acolhedor para todes.
Girls to the front!

Ouça Naome Rita no Spotify ou nos sites de stream :