Bus Ride Notes

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Resenha

VEM AÍ!, parte 2 – O que é pre-save e porque usar!

Dado ao enorme sucesso (rs) da primeira matéria sobre lançamentos, resolvemos fazer uma segunda parte!

Tendo em vista várias novidades pipocando por aí, queria trazer um pouco de conteúdo e falar sobre pré-save, direcionando o papo à galera das bandas. Quase ninguém usa essa isso em terras brasilis.

– Ô seu doido, mas que diabos é pré-save?

É uma ferramenta que permite que seu público, vulgo seus fãs, incluam as músicas em suas bibliotecas/playlists antes da data oficial de lançamento, tendo acesso às músicas logo nos primeiros segundos em que estiverem disponíveis.
E por que motivos você deveria usá-la? Vamos lá:

  • Chama atenção dos ouvintes, criando expectativas e aumentando o engajamento do seu trabalho – antes mesmo de ser publicado.
  • Você pode aproveitar a oportunidade para publicar um teaser, seja um trecho da música ou videoclipe, e/ou também a pré-venda ou anúncio de novos merchs.
  • Reforçando o engajamento, o algoritmo do streaming vai ~crescer o olho pra cima de você, o que aumenta a possibilidade de conseguir adentrar as grandes playlists editoriais das plataformas – exponencialmente te levando a um possível número de maior de ouvintes. (Importante: estou falando de hipóteses, não é uma garantia!)
  • Ok, há poucos dias fomos informados sobre o vazamento de dados de milhões de pessoas no Brasil. Então é preciso ser cauteloso nessa parte. É que o pré-save serve também pra você coletar dados sobre seu público, como localização, faixa etária… te permitindo direcionar melhor sua comunicação. Às vezes rola até endereço de email, que pode se tornar um mailing de newsletter. Mais importante ainda: NÃO SEJA CUZÃO, NÃO VAZE OS DADOS DE NINGUÉM!
  • E você, caro/a ouvinte, se por acaso vir suas bandas preferidas soltando um pré-save: FAÇA-O! Isso ajuda muito mais do que pode imaginar.

Sua distribuidora de música certamente oferece a possibilidade de um pré-salvamento. Vale a pena dar uma conferida .


Dito tudo isso, hora do esquenta pros pré-saves todos:

Autoclismo
Diretamente de Teresina/PI, o trio instrumental vai lançar seu novo EP, “Tetra”, no próximo dia 23. E, eba!, tem pré-save, que você pode fazer aqui. Acompanhe a Autoclismo pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Californicks
A rapaziada do hardcore melódico de Mauá/SP tem publicado há algumas semanas os bastidores da gravação de seu novo material. Seu último trabalho foi o EP “Por Todos Nós”, de 2018. Acompanhe a Californicks pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Charlotte Matou um Cara
No último post, a gente chutou e fez gol! Só atualizando mesmo, Charlotte anunciou seu novo disco, “Atentas”, que está em fase de financiamento coletivo – e você pode contribuir aqui.

Família Estranha
Fugindo um pouco da curva (até pros padrões do Busão), Família Estranha é uma banda londrinense influenciada por música brasileira, latina e bluegrass (!), que tem a rua como seu palco principal. Estão com campanha de financiamento coletivo pro seu primeiro disco, “Toda Família Merece um Álbum” – e você pode contribuir aqui. Acompanhe a Família Estranha pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Join the Dance
Depois de soltar o single “The Sun” ano passado, os cariocas de hardcore melódico skate delicinha entraram em estúdio semana passada novamente. Aguardemos! Acompanhe a Join the Dance pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Kattana OCK
Duo de horror punk, baixo+bateria, estão em fase de gravação de seu material de estreia. Dá pra dar um confere nesse áudio aqui que o trem vai ser doido! Acompanhe a Kattana OCK pelo Instagram.

Medrado
Parece que vem coisa nova por aí nos versos do Medrado, que tem lançado vários singles. Um EP em parceria com o produtor An_Tnio tem previsão para ser lançado nos próximos meses. Acompanhe o trabalho do rapper pelo Instagram, Soundcloud e Spotify.

Numbomb
O trio de crust/grindcore de Brasília-via-Lisboa não terá só um, como dois lançamentos em breve: seu primeiro álbum e também um split com a Nekkrofuneral. Acompanhe a Numbomb pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Paranoia Bomb
Projeto recente de veteranos da cena punk rocker brasiliense (Firstations, Dissonicos, Caos Lúdico, Conteste!, Nada em Vão), o supergrupo traz também influências do country e do folk. Incansáveis, estão estúdio gravando o sucessor do EP “É Hora de Ir”, de 2020. Acompanhe a Paranoia Bomb pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Personas
No fim do último mês, os jovens do rock triste lançaram o single “E Eu Me Desespero Facilmente”, que dita o tom de seu próximo EP. Acompanhe a Personas pelo Instagram, Facebook e Spotify.

SLVDR
Faz bem uns 5 anos que saiu o excelente “Presença”, e dentro em breve tem novidades também! Se você curte uma fritação instrumental, fica de olho! Acompanhe a SLVDR pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Signo 13
Há quase 10 anos na estrada, vários EPs e coletâneas na bagagem, a banda pós-punk do DF lançou seu primeiro álbum “Serpentário” num formato inusitado: soltando cada faixa como single, mensalmente, entre setembro de 2019 e outubro de 2020. E trarão mais novidades em breve! Acompanhe a Signo 13 pelo Instagram, Facebook e Spotify.

coletânea Coletivo Lança
O coletivo ainda prepara pra se lançar oficialmente em breve, com um evento online. Mas já nos adiantou sobre sua primeira atividade: uma coletânea (ainda sem nome), que tem confirmada as presenças de nomezassos como Loyal Gun, Hayz, Trash No Star, Letty, Drowned Men, Fragmentos Urbanos e Gomalakka, com músicas inéditas, será lançada no primeiro semestre. Como ainda não temos links oficiais, fica de olho nas bandas pra acompanhar!

coletânea Território Antifa
Produzida pela produtora Casa Sonora, várias bandas antifas da região metropolitana de Porto Alegre se reúnem nessa coletânea que promete! Todas entrarão com duas músicas inéditas. Alguns nomes confirmados: Lo que Te Voy a Decir (AMO!), Pupilas Dilatadas, Cine Baltimore e Punkzilla. Acompanhe a Casa Sonora pelo Instagram e Facebook.


Por hoje é isso! Espero que esse amontoado de palavras e links tenha sido útil pra você. Acredito que não faremos uma parte 3 sobre lançamentos futuros, mas pode mandar sua pauta no busridenoteszine@gmail.com. Sextou!

Resenha

Pretos Novos de Santa Rita – Se Chegar na Esquina é Checkpoint

Será que vai sobrar algo amanhã?: Uma resenha de “Se Chegar na Esquina é Checkpoint”, a estreia dos Pretos Novos de Santa Rita.

Pretos Novos de Santa Rita são Bing (vocal), Gênesis (bateria), Sonic (baixo) e Ton (guitarra). Em 2019, o grupo carioca botou a cara na cena com o EP “Se Chegar na Esquina é Checkpoint”. O trabalho foi gravado no estúdio Fluxroom e produzido por Philip Sanchez.

Em entrevista ao Nada Pop, Bing explica que o nome do grupo, tirado de uma estação do VLT que liga a região portuária e o centro histórico do Rio, evidencia a cultura negra e a posição de não se furtar da responsabilidade que é carregar essa bandeira em suas músicas nesses tempos de resistência.

O nome da estação Pretos Novos/Santa Rita homenageia o cemitério onde escravos eram enterrados próximo a igreja de Santa Rita, no Rio. O Rio, que inclusive, alcançou a marca de 885 mortos em ações policiais no primeiro semestre de 2019. Desses 885, 711 eram negros ou pardos. A Cidade Maravilhosa continua enterrando mais e mais corpos negros, não se sabe, porém, se esses 711 serão homenageados com estações, praças ou ruas.

Com apenas cinco músicas e muita poesia nas letras sobre o amor, o ódio e a vida na sua forma mais crua, “Se Chegar…” é um belo encontro entre o trap/rap com o jazz que remete à sons como Tyler The Creator e Nill. A primeira música “Jazzada” é de um groove hipnotizante embalado pelos versos de Bing. “Acaba o show. Só os pretos vêm e agradecem. Se eu rezasse, eu pediria isso nas minhas preces”, abre a faixa.

Em “Ouvindo Of” o dedo já vai direto na ferida. Dramas familiares, sexualidade, paixões e frustrações aflorando mas sem nunca perder o deboche. “Eu vou rir mesmo, foda-se. Esqueço das merdas e acho graça das coisas. Mas dentro tô que nem frozen”. Mantra de quem sabe o que é marcar um Checkpoint em cada esquina no caminho.

Na faixa “Slowfunkmetal”, apesar dos instrumentais que parecem ter saído de um sonho, Bing não perde a oportunidade de alfinetar figuras conhecidas da cena do trap/rap nacional. O recado fica dado em trechos como “Raffa vai ficar rico com sua burrice no Insta. Lamentável IIIx achar que o Froid é terraplanista”.

Fica aqui o destaque para a banda que providencia o “morde-assopra” das músicas, trazendo a atmosfera leve e até sensual que serve de base para as pedradas que Bing dispara nas letras. Não se engane, não: se você se descuidar, periga perder o ponto aqui . “Não sou filho da sua mãe. Não encosta no meu black. Eu sou artista mermão”, diz a letra de Slowfunkmetal.

“Janela”, a melhor do EP, é de uma sinceridade brutal sobre a relação entre paternidade e maturidade. É prestar atenção para sair catando as referências espalhadas na letra: aqui tem Kendrick Lamar, filosofia, cinema e Samba. Mas, de novo, nada disso tenta mascarar a dor guardada nas letras. “Todo dia eu acordo, puta que pariu. É o peso do mundo todo, bala de fuzil. Viagem no tempo podia rolar, ia ser da hora. Mandar um e-mail pro meu pai: na moral, goza fora”, desabafa Bing.

O EP se encerra com “Te Traz de Volta” deixando aquela sensação de desconforto e inquietação. Os Pretos Novos de Santa Rita fazem questão de pôr tudo à mesa, sem muitos rodeios. O amor não fica ileso das tretas que nos cercam e que carregamos desde o nascimento, as coisas não estão tão distantes assim em “Se Chegar…”. Antes de tudo, o amor aqui é real, é cru. Não esquece: “Dorme bem, que já vem o amanhã e nada vai sobrar”.