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Entrevistas

Manger Cadavre? – um papo sobre AntiAutoAjuda

Formada em 2011 entre São José dos Campos e Pindamonhangaba e atualmente (até o fim de 2019) com Nata Nachthexen (vocal), Marcelo Dod (guitarra), Marcelo Kruszynski (bateria) e Jonas Morlock (baixo), Manger Cadavre? é uma banda que você já pelo menos ouviu falar se acompanha lançamentos do gênero “barulheira e gritaria”, digo isso porque as bandas de hardcore/crust costumam ter fãs que não são tão adeptos ao som que o pessoal costuma chamar de “extremo”.

Além de um split com as bandas No Rest, Vasen Käsi e Warkrust, em 2019 eles lançaram o disco “AntiAutoAjuda”, que conta uma história (literalmente, se você comprou o CD ou se ler as letras no Bandcamp, antes de cada uma tem uma introdução) sobre doenças psicológicas causadas pelo capitalismo.

Fizemos uma pequena entrevista com a banda pra falar um pouco sobre o disco e mais:

Vocês podem falar um pouco sobre a banda pra quem não conhece?

Somos uma banda de hardcore, com influências de crust de São José dos Campos, interior de São Paulo. Estamos em atividade ininterrupta desde 2011, tendo tocado em todas as regiões do Brasil e lançado seis trabalhos de forma digital e física.

As letras de “AntiAutoAjuda” têm o mesmo tema. De onde surgiu essa ideia e a escolha do tema?

O álbum, que foi o nosso penúltimo lançamento, é temático, mas as letras contam uma história, logo, elas são diferentes dentro de um contexto de evolução. As três primeiras falam sobre estar em uma condição de adoecimento mental, as três do meio sobre a tomada de consciência sobre as razões do adoecimento (capitalismo) e as três últimas sobre o reencontro do ser coletivo como fator de superação da condição de sofrimento mental (a luta como cura). A ideia surgiu, pois os quatro da banda, na época, estavam em condições de adoecimento, assim como muitos amigos queridos. Nisso, a gente tentou sair do niilismo e apenas denúncia (que são padrões dentro do estilo) e quisemos trazer algo propositivo. Quem adquire o CD físico tem acesso a narrativa que permeia as letras e trazem sentido pra história que contamos.

E como foi o processo de composição das letras?

Compusemos em seis meses, ensaiamos semanalmente, e no período final, duas vezes por semana.

Pra uma banda D.I.Y. vocês fizeram shows pra caramba em 2019. Podem falar um pouco sobre?

A nossa banda não recebe cachê, mas temos exigências mínimas como transporte (carro, ônibus ou passagens de avião), alimentação, traslado. Apenas em festivais de grande porte a gente pede cachê. O que paga as nossas despesas rotineiras de gravação, ensaios etc, é a venda de merchandising. Ainda hoje, quase um ano depois desse lançamento e do “Inflamar” ainda estamos pagando as parcelas da gravação. Portanto, continuem nos dando suporte pra gente poder continuar produzindo!

Como uma banda de som extremo vocês estão presentes nas cenas metal e punk/hardcore. Vocês vêem alguma diferença nelas?

A gente transita entre os dois meios e cada um tem seus pontos positivos e negativos, o diferencial é que no meio metal a galera consome mais merch e, pelo menos com o nosso som, agitam mais no pogo, mosh pit, stage dives, que no meio hardcore punk, que geralmente a galera mais presta atenção ao som. Talvez pelo fato de incorporarmos muitos elementos do metal no hardcore isso não empolgue tanto a galera desse meio, mas sempre colam pra conversar, elogiar e incentivar a banda. O público hardcore punk é mais crítico em relação a postura (até porque a maioria já tem base ideológica formada), enquanto o metal é mais acessível por meio da sonoridade das músicas e posteriormente das letras e é o espaço em que a gente mais consegue disseminar nossa mensagem, trocar ideia e esclarecer muitos pontos. Mas a gente é fã dos dois nichos, então é impossível dissociar ambos do nosso som. Ambos os públicos variam muito em relação a postura de uma região pra outra no Brasil, não conseguimos generalizar por esse fato. 

Últimas considerações? Algum recado?

Faça o que puder, mas faça sempre! Obrigado pelo suporte durante esses nove anos de banda.

A banda fez um mini documentário sobre a gravação do disco, que você pode assistir abaixo: