Bus Ride Notes

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Resenha

Sobre o dia em que ouvi o disco “Sintoma”, da In Venus

Esse tem sido o ano que mais tenho lido resenhas. Isso é ótimo, mostra que as pessoas continuam criando, “apesar de você”. E hoje chegou meu dia de fazer minha primeira resenha pra valer. Não sei usar os nomes corretos, os gêneros musicais, descrever panoramas e apostas. Então vou usar o estilo “Mama Rachmuth” e resenhar com o coração. Com atropelo, com a paixão das coisas, com o que atravessa a gente quando ouvimos a música que nos toca.

E essa resenha é, nada mais nada menos, do que do disco mais esperado desse ano. Não importa o tipo de música que você ouve dentro do punk, a bolachona da In Venus é o gatilho mais foda que tá rolando, que rememora os dias de shows e encontros. E que prepara o coração pros dias que virão, cheios de raiva e afeto.

Acho que falar desse disco é falar do que queremos pro punk que vivemos. Porque eu sei que você também quer mais autonomia e controle da música que você cria, mais trocas nas relações e espaços que fazem parte desse meio. Falar desse disco é falar do quanto precisamos da arte punk, dos fazeres coletivos, das construções fugindo de algoritmos. Mas também é falar de acesso, de quem pode pagar, da música enquanto produto. É um disco pra gente repensar o que temos feito enquanto comunidade.

Em abril as músicas já estavam rolando na internet, parte da arte do disco também. E aos poucos foram aparecendo entrevistas e o disco foi criando uma forma na cabeça de quem estava ouvindo devagarzinho e esperando o físico sair. Tenho certeza que nesse momento as músicas passaram por muita gente e nem ficaram. Não dá mesmo pra separar a música punk de todo resto. Eu nunca escuto música olhando pro nada, coloco o som e olho a capa, viro pro outro lado, tiro o encarte, olho a capa de novo, procuro a letra pra cantar junto, vi ali que tem participação na música, “Ah, bem que sabia que era ela”, olho a capa de novo, “Que arte mais loca”. Não dá pra ouvir música punk olhando pro nada. Até mesmo na internet, tem sempre que passar um olho na telinha pra ver a imagem e reafirmar a memória e o afeto da coisa.

E foi nesse ritmo que, mesmo escutando meses antes na internet, ouvi pela primeira vez o disco “Sintoma”, da banda In Venus. Sábado agora chegou a bolacha toda linda aqui em casa e vou tentar juntar tudo isso que eu queria falar com a pira de ouvir na vitrola.

Capa perfeita do disco “Sintoma”, da In Venus

Quando abri o pacote e vi aquela capa enorme, deu um misto de “Que foda!” com “Que punk!” porque é bem essa ideia que esse disco traz, algo esteticamente incrível que só um LP dá, com a confusão e beleza das cores e forma da colagem da capa. Arte feita por Erikat, da Coletiva Formas, que tem uma história massa por trás, algo como uma intervenção com os livros que cada uma da banda deu pra ela envolver a coisa toda. Eu li na resenha que saiu na Música Pavê, lê lá.

E aí não soube o que fazer primeiro, as letras estão impressas num poster gigante, já coloquei no chão igual um mapa, botei a bolacha na vitrola e a mágica aconteceu.

A primeira música já vem com uma rasteira, “Hen to Pan” fala sobre oroboro, a serpente comendo o próprio rabo, na hora lembrei da zine da Ju Gama. A roda da existência, esse é o nosso rolê nessa vida, nada perfeitinho e vivendo as glórias e tristezas disso tudo. O som é frenético, um ritmo alucinado, se eu fizesse um filme colocaria essa música na cena correndo num beco escuro, com uma faca na mão, que é a melhor descrição de viver que existe. É pós punk? Não sei, pra mim é punk.

A segunda é “Ninguém se Importa”, quase um anúncio dos anos de pandemia nesse Brasil governado por fascistas. “Tá tudo uma merda, e não é só pra mim, é pra mim e pra você, então o que fazer além de reclamar e divagar? Às vezes tenho vontade de gritar!”. Caraca, quem não tá com vontade de cantar esses versos num show? A música tem um pegada Mercenárias que amo.

Depois vem a “Quatro Segundos” e nossa, já veio um manguetown na cabeça, aquele sonzinho do agogô no fundo é lindo. A própria letra e a forma como ela foi colocada ali dá esse climão Chico e dedo na ferida. “O paladar, a gula e o prazer só pra quem detém o poder”. Eu tô na terceira música e já tomei vários tapas, volto pro mapa no chão e rio sozinho de tão foda que é.

Aí vem “Cores”, que pra mim é mais forte do disco. Porque ela é denúncia, mas ela também é muito reconhecimento da existência e luta, que é diária. É tipo hino, e como todo hino é ferida, mas é levante também. A mais foda.

“Bordas” é a ultima do lado A, e nessa hora eu já tô tão dentro do disco que acho que elas criaram seu próprio movimento e sonoridade e não consigo mais comparar com nenhuma banda, as músicas se parecem com In Venus e é isso hehe. Eu danço fácil essa, sem passinho definido, só na levada da coisa. “Bordas” fala de propriedade, território e toda essa ideia merda que vem sustentando modos de vida sem sentido algum, que só gera morte. Quando a música acaba rola uma parte de outra música e Rodrigo falando “Quebrou a corda”.

Amo esses extras de fim de música, na moral <3

E essa beleza de bolacha?

Hora de virar o disco. É um 180g translúcido, pesadinho e lindo de ver. Veio também um poster incrível feito por Rodrigo Lima e Erikat, uma intervenção em cima de alguns trampos já feitos pela Coletiva Formas. Digno de emoldurar e jogar pra cima da parede. Eu já imaginei um lambe foda dele pela cidade, em preto e branco e com as rugas de dobrado na cola.

A sexta faixa se chama “Ansiedade” e acho que ninguém vai escapar dessa. É a minha dor e vida nesses últimos anos, e acredito que a sua também. O baixo é lindo, difícil não se deixar levar por ele em todas as músicas. No show vou ficar do lado da Patricia só pra ouvir ele batendo no coração.

Depois vem “Silêncio”, o baixo aqui tá lindo também e junta com um synth (eu acho) bem no destaque. Quase hipnotizante, só que com a energia lá em cima. Tipo transe né, essa é pra escutar bem alto.

“Velocidade Líquida” vem no mesmo clima, guitarrinha dando um loop na sua mente, bateria frenética. Batera que, por sinal, deu uma identidade perfeita no disco. A real é que cada instrumento ali se fez de um jeito único.

E aí vem “Hipócritas”, a música mais música, a letra mais letra. Já aproveita que aumentou o volume nas de antes e se acaba nessa, que tem o sax do Rafael Nyari, quase desconcertante. Pega o encarte e canta junto, essa é de tomar tapa, eu e você.

E quando olho já é a última do disco, “Ancestrais”. Pesadíssima, fala sobre ancestralidade e formas de vida que se perdem, ou melhor, são destruídas pelo branco capital. Ela tem participação de Renato Kuaray, que também participa da composição da música. Essa é linda demais, fecha o disco de uma forma incrível, junto com um quase som-imagem, daqueles que você fecha o olho e imagina a dança e a vida se fazendo.

Encarte tamanho mapa, capa e pôster tamanho lindo

“Sintoma” foi lançado pela No gods, No masters e parte da pré-venda foi revertida pro Vivência na Aldeia, um projeto social de apoio às comunidades indígenas no litoral sul de São Paulo. O disco, a banda, No Gods, No Masters, nós que acreditamos no punk como espaço e momento de pensar outras formas, está tudo ligado e é isso que nos faz comunidade.

E aí, ter essa bolacha em mãos faz a gente pensar em todo esse boom de mídias analógicas e como tem se dado o acesso a elas. É inquestionável a força que a mídia física tem pro punk, a gente poderia cair por cima de mil ideias em torno disso, muito da base que temos do hardcore/punk é sobre ter o controle da nossa música, seja decidindo o que e como criar, até como fazer tudo isso circular e se manter vivo, sem qualquer viés de mercado apontando dedo e enchendo o bolso. É foda demais ver as bandas lançando discos e fitas, a galera criando seus selos. Mas também causa incômodo ver o valor de tudo, não tem como.

Que a gente consiga entender onde estamos nisso, de todas as formas. As bandas continuam lançando CD-R com capinha xerocada, CDs no papelão, gravando em fitas velhas, K7s novas e também em discos maravilhosos como esse da In Venus. Esse é o ponto, criar fora do algoritmo e fazer existir no chão de um show, na troca de mãos, no abraço e no “Que foda, vi o show de vocês e amei, tem material?” e tudo isso acontecer no encontro, longe da tela. Não tem como não ser bom.

Como eu disse lá no começo, pra mim esse é o disco mais esperado do ano, porque esse é o punk mais apaixonante que temos e que queremos que nunca deixe de existir. Vivo e ativo, feito por nós, invertendo a lógica e dançando com a nossa revolta.

Terminei o disco assim, querendo tramar e confabular, derrubar tudo e partir daí.

Porque eles nos devem uma vida.

É claro que devem.

“Sintoma” está disponível no Bandcamp e nas redes de stream.


Resenha

Punho de Mahin + Sendo Fogo – Racistas Otários Nos Deixem em Paz

Eu não sei quando essa resenha será publicada, mas no momento em que a escrevo, estou dentro de um barril de pólvora chamado América.

A Colômbia pega fogo, o Chile se liberta da constituição de Pinochet; é o mês de um ano do assassinato de George Floyd por policiais norte americanos; semana passada a Polícia Militar de Goiás (estado onde moro) algemou e apontou uma arma pra um ciclista negro sem qualquer motivo aparente; ontem a noite (30 de maio) recebi vídeos que mostram um policial de São Paulo esmurrando o rosto de um jovem negro; garimpeiros atiram nos índios Yanomami e invadem suas terras; e como se não bastasse, fazem dois dias que fomos às ruas, em plena pandemia, protestar contra um governo genocida que assassina brasileiros como se fossemos nada.

É, leitor do futuro, não sei como esse barril de pólvora vai estar quando você ler isso. Espero que já tenha explodido. Por enquanto, continuamos criando e procriando dentro deste barril.

E é nesse contexto que foi criado o split “Racistas Otários Nos Deixem em Paz”, das bandas Punho de Mahin (Natália Matos, Camila Araújo, Paulo Tertuliano, Du Costa) e Sendo Fogo (Robinho, Alemão, Diogo).

A ideia do álbum nasceu no fim de 2020, a convite do projeto Seja Independente ou Morra, Percursos Entre Acordes e Rimas. O projeto, criado pelo 1º Andar Studio & Produções, pretende organizar um calendário de atividades voltadas para a música independente na periferia.

As duas bandas dividem, meio à meio, as seis faixas desse split lançado em 25 de maio de 2021. A gravação, mixagem e masterização ficaram a cargo do 1º Andar Studio & Produções por Kleber Luis. Kurt Pfeffer é responsável pela edição e a arte da capa é de autoria da artista Monica Marques. O nome do álbum referencia a música dos Racionais Mc’s, “Racistas Otários”, do álbum “Holocausto Urbano”.

Como vocês já devem ter sacado, aqui temos 12 minutos de punk rock e hardcore que reúnem letras sobre a violência do racismo à luta dos povos originários da floresta contra a invasão e o genocídio.

A primeira parte do slipt é com a banda Sendo Fogo, e a faixa que abre é “Libertar”. A letra fala sobre as correntes do sistema que aprisiona corpos pretes e clama pela libertação dos indivíduos que são barbarizados pelo racismo estrutural.

Não dá tempo de respirar e já entra a segunda faixa, “Placebo”, falando sobre a apatia e a cura para uma doença inexistente que nos enfiam goela abaixo todo dia. “Não se faça de idiota!”, repete a música nos segundos finais.

“Enterrem Meu Coração na Curva do Rio” é uma pancada sobre a invasão de ruralistas em terras indígenas. Quem diria que o mais selvagem é o homem branco, não é mesmo? A letra questiona quem tem o direito dessa terra chamada Brasil, uma terra invadida e violada continuamente desde 1500.

Aos quatro minutos e vinte segundos de álbum, a banda Punho de Mahin abre a segunda metade do split.

A música “Xingú” continua o grito da faixa anterior e responde o que sobrou da invasão dessa terra Brasil e da devastação ambiental: fumaça e destruição. O descobrimento aqui é tratado pelo nome correto: roubo.

Luiza Mahin é o nome de uma mulher negra, quituteira em Salvador e ex-escrava. É uma figura lendária da resistência negra no Brasil; articulou revoltas de escravos como a Revolta dos Malês e a Sabinada. É ela quem dá nome à banda e à segunda música dessa metade do álbum. “Punho de Mahin” referencia a história de Luiza e as demais mulheres que resistem.

“Racistas Otários Nos Deixem em Paz” termina com a faixa “Navio Negreiro”. Uma triste memória dos negros sequestrados na África e escravizados nas Américas. Seres humanos tratados como mercadoria. A letra cita um desses navios que tinha por nome “Boa Intenção”. O Brasil é de um ironia sádica, né? Esse navio fazia o trajeto Brasil – Angola e transportou cerca de 845 escravos. Desses, desembarcaram vivos no Rio de Janeiro, 769. Também é citado na música um escravo chamado Cosme Damião, que retorna à Angola após uma revolução apenas para ser novamente condenado.

O split das bandas Punho de Mahin e Sendo Fogo é bem curto, mas carrega consigo o peso de séculos de opressão e injustiça. São doze minutos que se espera que reverberem por muitos e muitos anos, semeando a resistência e acendendo esse barril de pólvora chamado América.

“Racistas Otários Nos Deixem em Paz” está disponível nas redes de stream.


Entrevista

Penúria Zero – Não Me Representa

Penúria Zero é uma banda de punk-hardcore do DF, hoje composta por Tuttis (vocal), Sopão (guitarra), Biscoito (bateria) e Ismael (baixo).

A banda tem um disco lançado, “Manipulado” (2017), e em Outubro de 2020 eles lançaram seu novo EP “Não Me Representa”.

Abaixo você lê nossa entrevista com eles, onde você conhece a banda, o EP “Não Me Representa”, a cena do DF e mais:

Vocês podem falar um pouco sobre a banda pra quem não conhece?

Olá, primeiramente, muito obrigada pelo convite.
Penúria Zero é uma banda de punk hardcore que tem o intuito de falar do nosso cotidiano e de situações do nosso país. As vezes com músicas engraçadas, as vezes com ar de deboche e outras vezes só pagação de sapo mesmo.

Foi formada em 2005 na cidade de Luziânia, GO, porém só começamos a desenrolar o som mesmo em 2011 e desde então não paramos mais.
Hoje a banda é: eu (Tuttis, vocal), Sopão (guitarra), Biscoito (bateria) e Ismael (baixo).

Uma das primeiras coisas que percebemos ouvindo Penúria Zero são algumas letras engraçadas. Deboche é quase pré-requisito no punk-hc, mas muita gente diz que precisa ser sério. Vocês podem falar sobre isso?

Nós brasileiros somos um povo que consegue fazer graça com a nossa própria desgraça, a prova disso são os milhares de memes na internet.

Concordo que o punk deveria e é para ser sério, porém muito mais do que música, o punk é a atitude. Eu creio que a banda tem essa atitude de poder falar com um pouco mais de leveza sobre a nossa situação atual.

Vocês podem falar um pouco sobre cada música do “Não Me Representa”?

Tratamos muito as falas do imundo do presidente na música “Não Me Representa” e como ele ganhou uma eleição na música “Fake News”.

Já “Cidade do Caos” fala um pouco sobre a cidade de Ceilândia e de sonhos de nordestinos que saem da sua cidade e estado natal para tentar uma vida melhor. Foi uma música feita pelo o guitarrista Sopão, que também é nordestino.

E como foi o processo de gravação? Vocês tiveram que fazer alguma adaptação devido à pandemia ou ele foi feito antes?

Gravamos antes da pandemia, porém lançamos na pandemia mesmo porque sabíamos que ia demorar pra poder lançar em shows…

E o clipe da música “Não Me Representa”? Ele foi gravado e lançado no segundo semestre de 2020, né?

Sim. Como sempre, fazemos as coisas por conta própria. Gravamos um pouco na lan house onde o biscoito trabalhava e as minhas partes gravei em casa mesmo. E o Sopão, que sempre fez essa parte de áudio e vídeo, editou em casa também.

Pensando no mundo antes do Covid, como é a cena no DF?

Ahhh saudades, inclusive, de ir aos shows.
Creio que a cena daqui não é muito diferente de outros lugares: produtores fazendo tudo na raça, sem apoio, bandas fazendo seu próprio corre para lançar material, tocar e etc… Saudades dos bons tempos!

Inclusive, Tuttis é organizadora do “Sinta a Liga”, né? Vocês podem falar sobre o festival?

Sim, esse festival é meu amor! rsrs
Ele foi criado com intuito de divulgar e enaltecer as bandas com mulheres na cena, só pode tocar banda que tem ao menos uma mina na formação.

Infelizmente o espaço para nós mulheres é pequeno, então pra mim é importante ter um show dedicado só a nós.

Nisso já conseguimos trazer várias bandas de fora pro festival, como Escrota (SP), Manger Cadavre (SP), Trash no Star (RJ), Benária (RJ), Klitores Kaos (PA), Bertha Lutz (MG), fora as bandas do DF.
Enfim, mais uma saudade: produzir esse festival que amo tanto!

Últimas considerações? Algum recado?

Se cuidem, usem máscara, não subestimem o vírus! E uma hora esse pesadelo todo passa.

“Não Me Representa” está disponível nas redes de stream, e não deixe de acessar o canal do Youtube da banda pra assistir os clipes.


Entrevista

Reles Córtex – Operações Psicológicas

Reles Córtex é uma banda de punk acústico, anti-folk, criada em São José do Rio Preto em 2015 por Matheus Moura.

Em fevereiro de 2021 ele lançou seu segundo disco, “Operações Psicológicas”.

É meio difícil falar sobre folk punk, pois é um gênero bem direto, tanto no som quanto nas letras.

É claro que poderíamos falar sobre elas, mas fomos direto à fonte e convidamos Matheus pra conversar sobre o novo disco e mais. Confira:

Você pode se apresentar pra quem não conhece?

Meu nome é Matheus Moura (conhecido também por Mourarc), 29 anos, natural de São José do Rio Preto, SP, doutorando em ciências sociais. A Reles Córtex é um projeto de punk rock acústico iniciado por mim em 2015.

Como surgiu Reles Córtex?

Reles Córtex surgiu da contínua e incansável propriedade criativa de composição musical.
Desde pelo menos 2006 eu já esboçava diversas canções, bem toscas na época, gravava num toca-mp3 e ficava insistindo para os amigos escutarem

Nos anos seguintes participei de algumas bandas de punk e hardcore, mas que não duraram muito, por diversos motivos. Entre 2009 e 2015 foram anos meio estagnados na música pra mim.

No interior de SP é bastante difícil encontrar uma galera séria pra fazer um punk rock mais cabeça. Nesses anos todos as tentativas foram frustradas, mas as composições continuavam a vir, então resolvi colocar o projeto pra funcionar sozinho, mas sem a guitarra distorcida.

Abandonei todas as composições antigas e me concentrei em letras mais sérias, mais poéticas e filosóficas. Ainda que talvez não tenha conseguido cumprir esse objetivo muito bem (risos).

O nome “Reles Córtex” veio antes de eu ter qualquer coisa pronta. Era uma tentativa de dizer “pra que um cérebro se na maior parte do tempo a gente não o usa satisfatoriamente pra refletir?”.

Em 2015 eu tinha o nome, em 2016 eu tinha duas demos, que trabalhei sem noção de gravação nenhuma em um estúdio da cidade. Foi aí que resolvi gravar as músicas eu mesmo. Comprei uma aparelhagem mínima, um condensador, e comecei as gravações fuçando num programa de mixagem gratuito.

Em 2018 saiu o “Causas Vazias” no pior do “faça você mesmo”.

Quais são algumas das suas influências?

Minhas bandas de coração são Anti-Flag e Bad Religion. Não é coincidência esse projeto ser um punk acústico, os vocalistas dessas duas bandas, Justin Sane e Greg Graffin, possuem projetos acústicos paralelos. Minha grande inspiração vem daí.

Recentemente descobri também um cara chamado Pat The Bunny, que faz um anti-folk muito semelhante ao meu. Talvez seja essa minha mais nova fonte motivadora.

“Operações Psicológicas” é mais direto, digamos assim, que “Causas Vazias”. Ele tem menos instrumentos, é menos melódico… Como foi o processo de composição?

Esse segundo álbum traz mais agressividade tanto nas letras quanto na pegada. Eu comecei a compô-lo durante as eleições de 2018 (logo após o lançamento do “Causas Vazias”), e bom, não é preciso dizer muito mais…

Foi uma forma de colocar pra fora o que toda pessoa sensata e sensível estava sentindo naquele momento (esse sentimento talvez tenha se intensificado até o dia de hoje).

Das 11 faixas inéditas, somente duas foram feitas posteriormente às eleições, “Sua Imagem” e “Rio Preto”, essa última é uma versão de uma música que compus com a Refluxo Mental, na qual eu era vocalista até o começo desse ano.

Comparado ao álbum anterior esse está mais próximo do punk, com seu teor político e músicas mais rápidas e diretas, do que o primeiro.

Ele foi todo gravado em home studio. Como foi esse processo? Você costuma gravar em casa ou isso foi devido a pandemia?

Como mencionei anteriormente, desde o começo eu fiz músicas em home studio (à parte daquela experiência não muito feliz com duas demos).

Me sinto mais livre fazendo eu mesmo as gravações. O resultado não tem a mesma qualidade do estúdio, mas eu ainda prefiro, me sinto mais à vontade.

Também porque eu não tenho muita grana, e a música pra mim é um hobby, então gravar em estúdio não é muito atrativo.

E a parte de produção, mix e master? Foi tudo feito por você?

Durante a experiência com a Refluxo Mental eu aprendi bastante com o Lucas Dias, ex-guitarrista, que mixou e masterizou o álbum “Socialização das Perdas”.

Acho que é nítida a diferença entre “Causas Vazias” e “Operações Psicológicas”. Tudo que aprendi com esse brother eu consegui usar pra aprimorar as minhas gravações caseiras.

“Trágica Comédia” foi inspirada pelas eleições de 2018, você pode falar mais sobre essa música?

Era pra esse música chamar “Caquistocracia”, mas aí eu iria estar admitindo que acompanho o Foro de Teresina (risos). Não há problema em admitir isso, pelo contrário, mas não iria soar muito criativo, o termo já virou quase patente deles.

A letra representa essa comédia da vida real que estamos vivendo, em que o bobo da corte assumiu o trono, e dança e sapateia pra somente seu público aplaudir. Está tudo escancarado, não há necessidade nem mais de representar papéis. Quem enxerga, sofre, quem não enxerga ou se beneficia de alguma forma, aplaude. E assim seguimos…

Últimas considerações? Algum recado?

Gostaria de agradecer ao Bus Ride Notes pela oportunidade de responder a essa entrevista. E aproveitar também para agradecer a todos aqueles que me apoiam nesse projeto.

Novas composições estão por vir. E não vejo a hora de poder estar por aí fazendo apresentações desses trabalhos. Sigam-me nas redes! Abraços!

“Operações Psicológicas” está disponível no Bandcamp e nas redes de stream.


Entrevista

Anti-Corpos – We Keep On Living

Creio que todo mundo que acompanha o Bus Ride Notes conhece Anti-Corpos, banda de São Paulo formada em 2002, hoje em Berlin e composta por Adriessa Oliveira (guitarra), Helena Krausz (bateria), Marina Pandelo (baixo) e Rebeca Domiciano (vocal).

Anti-Corpos foi uma das primeiras bandas de queercore (se você nunca ouviu falar de queercore, leia aqui nosso rascunho sobre) do Brasil, numa época onde praticamente ninguém, nem mesmo a banda, usava o termo.

Em Outubro de 2020 elas lançaram seu novo EP, “We Keep On Living”, cujas músicas foram feitas e gravadas em momentos diferentes, inclusive com diferentes membros na banda.

Conversamos com Anti-Corpos sobre “We Keep On Living”, a história da banda e mais. Confira:

Primeiramente, como estão nessa pandemia? Todo mundo bem? Como andam as coisas aí na Alemanha?

Adriessa: Olá! Bom, a pandemia na Alemanha estava bem controlada até o final das férias de verão, quando os casos começaram a crescer assustadoramente e agora está novamente num lockdown mais severo.
Junta isso com temperaturas negativas e dias que escurecem as 16h, bicho, é tenso! Mas estamos bem e tentando passar por cima de tudo isso.

Vocês podem falar um pouco sobre a banda pra quem não conhece?

Adriessa: Anti-Corpos é uma banda queer feminista que faz som rápido e pesado que flerta com o hardcore, punk e metal, aquele famoso crossover.

Helena: A banda existe desde 2002 e ao longo de todo esse tempo tocamos em diferentes cidades brasileiras e vários países da Europa e América do Sul.

Desde 2015 a banda teve várias mudanças, alguns integrantes se mudaram pra Alemanha e formaram uma nova banda. Vocês podem falar sobre isso? E a escolha de continuar com Anti-Corpos?

Adriessa: A banda em toda a sua história teve muitas mudanças, essa é a real.
Em 2015 quando me mudei pra Alemanha e teoricamente a banda tinha acabado porque Rebeca tinha voltado para o Brasil, sabia que a primeira coisa que eu precisava era de uma banda nova, aí conheci Andrzej e Andrea e montamos o Eat My Fear, que na sua formação original tinha o Dirk no baixo. Após três anos ele deixou a banda e a Helena (baterista da Anti-Corpos) assumiu o baixo do Eat My Fear.

Mas logo em 2016, quando Rebeca também se mudou pra Berlin e estávamos reunides novamente, resolvemos dar continuidade e escalamos a Marina pro baixo, que já vinha nos acompanhando por alguns shows que fizemos na Europa.

Acho que o Anti-Corpos sempre vai existir enquanto estivermos na pilha de tocar e sempre nos adaptamos para que isso continue acontecendo.

As músicas do “We Keep On Living” foram feitas durante todas essas mudanças, né? Vocês podem falar um pouco sobre cada faixa?

Adriessa: Esse EP é uma junção de quatro sons gravados em momentos diferentes. Alguns comigo e outros com Re no vocal.
Pouco antes de Rebeca deixar a banda, em 2017 (Rebeca já está de volta hehe), tínhamos recebido um convite para gravar um som para um tributo ao Bulimia e junto com esse som do Bulimia gravamos “Herança” e “Brincando de Igualdade”.

Em 2019, quando eu assumi os vocais, gravamos “Borders of Fear” e “Keep On”. Eu escrevi “Borders of Fear” em uma das viagens que fiz para ensaiar com uma banda que toco na Suécia, que tem uma das fronteiras mais brutais que já passei pela Europa. Sempre que eu atravessava me dava pânico, porque sabia que ia ser controlada de forma agressiva por causa do meu passaporte brasileiro. Pessoas com passaportes de origem africanas ou árabes então… era muito sinistro.

“Keep On” é sobre continuar dia após dia a viver nesse mundo caótico que te cobra demais e que é difícil não pensar em desistir. A letra é da Marina e foi nosso primeiro som em inglês, se não me engano.

Helena: “Brincando de Igualdade” é uma música feita em 2005 que resolvemos regravar. Ela fala basicamente sobre pessoas que são bem desconstruídas na teoria, mas que suas atitudes não condizem com o que falam.
Sempre existiram vários exemplos na cena punk/hardcore de caras com um discurso lindo em cima do palco, mas na realidade eram bem diferentes.

E como tá a banda hoje?

Adriessa: Voltou a ser Adriessa na guitarra, Rebeca no vocal, Marina no baixo e Helena na bateria.
Estávamos voltando a compor para um novo disco, querendo tocar muito e aí veio a pandemia.
Enfim, estamos como a maioria das bandas, na espera louca da vacina.

Não dá pra falar de Anti-Corpos sem falar de queercore. Conheci a banda em 2015 e tenho um adesivo da época onde se lê “lesbian feminist hardcore from brazil” e desde aquela época vocês já usavam o termo “queer” em alguns lugares. Vocês podem falar da relação da banda com o queercore?

Adriessa: Acho que no Brasil o termo queercore nunca foi propriamente usado até tipo Teu Pai Já Sabe?. O queercore é parte da nossa identidade e influências.

Bandas como Limp Wrist, Team Dresch, G.L.O.S.S., TPJS? são super importantes na nossa caminhada. Em 2019 tocamos com o Limp Wrist em Berlin e foi tipo WOW, realização de sonho!

Usar o termo “hardcore lésbico” ou “queercore” sempre foi muito importante para nós como luta mesmo, nesse espaço ainda super machista e homofóbico que é o hardcore punk.

Quem ouve punk e hardcore tem a impressão que é uma comunidade unida e linda, mas sempre que nos aproximamos da cena vemos que a realidade não é nada disso. Mas uma coisa visível na Anti-Corpos, até pra quem acompanha só pela internet, é um senso grande de comunidade. Vocês podem falar um pouco sobre isso?

Adriessa: Acho que a letra da música “Anti-Corpos” fala muito bem o que a banda representa para nós. É a nossa forma prática de luta.

Eu costumava tocar em uma banda que evitava ao máximo essa relação pessoal do público/banda. Acho que as bandas mais ”mainstream do underground” do hardcore punk dos anos 90 ainda tentavam ter essa divisão banda/público.

Eu vejo Anti-Corpos como uma grande comunidade queer, feminista, das mina, das mona, dos roqueiros e roqueiras que se encontram, curtem, pensam, trocam. O palco não nos separa e gostamos da interação em shows, trocando instrumento, chamando galera pra cantar, etc.
No final somos todes ”outcasts” que procuram nesses ambientes de shows queer feminista se divertir e sentir segure na medida do possível.

Eu acho que o que consegui com Anti-Corpos nunca consegui com nenhuma banda e muito vem desse apoio mútuo da nossa comunidade.

Helena: Total, esse apoio é essencial para nos fortalecermos ainda mais enquanto cena queer feminista.
O que não significa que quando vemos algo que achamos errado ficamos quietas. Pelo contrário, sempre que algo ou alguém é denunciado dentro da cena procuramos falar sobre isso, mesmo que não agrade a todes.

Vocês são o tema do documentário “Anti-Corpos, Pedaços de uma Turnê Cúir”, que foi exibido em Novembro no festival Mix Brasil. Vocês podem falar sobre ele?

Adriessa: Meu, isso foi muito surpresa! A nossa amigona Brunella Martina, que gravou todos os nossos clipes, já tocou na banda e gravou a segunda guitarra do disco “Meninas pra Frente”, assim que soube da nossa tour na América do Sul em 2019 falou sobre fazer um registro e usar de alguma forma o material.

Um ano depois, ela nos escreveu com o primeiro corte do mini doc, já nem lembrávamos mais dele. Fomos surpreendidas por um material super massa e ficamos ainda mais surpresas por terem aprovado o doc no Mix Brasil.

Foi interessante ver nossas entrevistas logo após a posse do Bolsonaro, falando de uma forma super pessimista, mas mesmo assim o tom da nossa fala não se compara com a realidade que está sendo vivida hoje. É tipo nossos medos que foram multiplicados por mil.
Triste demais, espero que tenha um ponto de virada em todo esse pior pesadelo.

Últimas considerações? Algum recado?

Adriessa: Obrigada demais pelo convite e sigam seus sonhos, chequem como seus amigues estão passado e fiquem bem! Vamos resistir e fazer a mudança! Quando tudo isso passar nos vemos na estrada.

Helena: Valeu pelo espaço! Força sempre!

“We Keep On Living” está disponível no Bandcamp e nas redes de stream.


Lançamentos / Playlist

VEM AÍ!, parte 2 – O que é pre-save e porque usar!

Dado ao enorme sucesso (rs) da primeira matéria sobre lançamentos, resolvemos fazer uma segunda parte!

Tendo em vista várias novidades pipocando por aí, queria trazer um pouco de conteúdo e falar sobre pré-save, direcionando o papo à galera das bandas. Quase ninguém usa essa isso em terras brasilis.

– Ô seu doido, mas que diabos é pré-save?

É uma ferramenta que permite que seu público, vulgo seus fãs, incluam as músicas em suas bibliotecas/playlists antes da data oficial de lançamento, tendo acesso às músicas logo nos primeiros segundos em que estiverem disponíveis.
E por que motivos você deveria usá-la? Vamos lá:

  • Chama atenção dos ouvintes, criando expectativas e aumentando o engajamento do seu trabalho – antes mesmo de ser publicado.
  • Você pode aproveitar a oportunidade para publicar um teaser, seja um trecho da música ou videoclipe, e/ou também a pré-venda ou anúncio de novos merchs.
  • Reforçando o engajamento, o algoritmo do streaming vai ~crescer o olho pra cima de você, o que aumenta a possibilidade de conseguir adentrar as grandes playlists editoriais das plataformas – exponencialmente te levando a um possível número de maior de ouvintes. (Importante: estou falando de hipóteses, não é uma garantia!)
  • Ok, há poucos dias fomos informados sobre o vazamento de dados de milhões de pessoas no Brasil. Então é preciso ser cauteloso nessa parte. É que o pré-save serve também pra você coletar dados sobre seu público, como localização, faixa etária… te permitindo direcionar melhor sua comunicação. Às vezes rola até endereço de email, que pode se tornar um mailing de newsletter. Mais importante ainda: NÃO SEJA CUZÃO, NÃO VAZE OS DADOS DE NINGUÉM!
  • E você, caro/a ouvinte, se por acaso vir suas bandas preferidas soltando um pré-save: FAÇA-O! Isso ajuda muito mais do que pode imaginar.

Sua distribuidora de música certamente oferece a possibilidade de um pré-salvamento. Vale a pena dar uma conferida .


Dito tudo isso, hora do esquenta pros pré-saves todos:

Autoclismo
Diretamente de Teresina/PI, o trio instrumental vai lançar seu novo EP, “Tetra”, no próximo dia 23. E, eba!, tem pré-save, que você pode fazer aqui. Acompanhe a Autoclismo pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Californicks
A rapaziada do hardcore melódico de Mauá/SP tem publicado há algumas semanas os bastidores da gravação de seu novo material. Seu último trabalho foi o EP “Por Todos Nós”, de 2018. Acompanhe a Californicks pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Charlotte Matou um Cara
No último post, a gente chutou e fez gol! Só atualizando mesmo, Charlotte anunciou seu novo disco, “Atentas”, que está em fase de financiamento coletivo – e você pode contribuir aqui.

Família Estranha
Fugindo um pouco da curva (até pros padrões do Busão), Família Estranha é uma banda londrinense influenciada por música brasileira, latina e bluegrass (!), que tem a rua como seu palco principal. Estão com campanha de financiamento coletivo pro seu primeiro disco, “Toda Família Merece um Álbum” – e você pode contribuir aqui. Acompanhe a Família Estranha pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Join the Dance
Depois de soltar o single “The Sun” ano passado, os cariocas de hardcore melódico skate delicinha entraram em estúdio semana passada novamente. Aguardemos! Acompanhe a Join the Dance pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Kattana OCK
Duo de horror punk, baixo+bateria, estão em fase de gravação de seu material de estreia. Dá pra dar um confere nesse áudio aqui que o trem vai ser doido! Acompanhe a Kattana OCK pelo Instagram.

Medrado
Parece que vem coisa nova por aí nos versos do Medrado, que tem lançado vários singles. Um EP em parceria com o produtor An_Tnio tem previsão para ser lançado nos próximos meses. Acompanhe o trabalho do rapper pelo Instagram, Soundcloud e Spotify.

Numbomb
O trio de crust/grindcore de Brasília-via-Lisboa não terá só um, como dois lançamentos em breve: seu primeiro álbum e também um split com a Nekkrofuneral. Acompanhe a Numbomb pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Paranoia Bomb
Projeto recente de veteranos da cena punk rocker brasiliense (Firstations, Dissonicos, Caos Lúdico, Conteste!, Nada em Vão), o supergrupo traz também influências do country e do folk. Incansáveis, estão estúdio gravando o sucessor do EP “É Hora de Ir”, de 2020. Acompanhe a Paranoia Bomb pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Personas
No fim do último mês, os jovens do rock triste lançaram o single “E Eu Me Desespero Facilmente”, que dita o tom de seu próximo EP. Acompanhe a Personas pelo Instagram, Facebook e Spotify.

SLVDR
Faz bem uns 5 anos que saiu o excelente “Presença”, e dentro em breve tem novidades também! Se você curte uma fritação instrumental, fica de olho! Acompanhe a SLVDR pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Signo 13
Há quase 10 anos na estrada, vários EPs e coletâneas na bagagem, a banda pós-punk do DF lançou seu primeiro álbum “Serpentário” num formato inusitado: soltando cada faixa como single, mensalmente, entre setembro de 2019 e outubro de 2020. E trarão mais novidades em breve! Acompanhe a Signo 13 pelo Instagram, Facebook e Spotify.

coletânea Coletivo Lança
O coletivo ainda prepara pra se lançar oficialmente em breve, com um evento online. Mas já nos adiantou sobre sua primeira atividade: uma coletânea (ainda sem nome), que tem confirmada as presenças de nomezassos como Loyal Gun, Hayz, Trash No Star, Letty, Drowned Men, Fragmentos Urbanos e Gomalakka, com músicas inéditas, será lançada no primeiro semestre. Como ainda não temos links oficiais, fica de olho nas bandas pra acompanhar!

coletânea Território Antifa
Produzida pela produtora Casa Sonora, várias bandas antifas da região metropolitana de Porto Alegre se reúnem nessa coletânea que promete! Todas entrarão com duas músicas inéditas. Alguns nomes confirmados: Lo que Te Voy a Decir (AMO!), Pupilas Dilatadas, Cine Baltimore e Punkzilla. Acompanhe a Casa Sonora pelo Instagram e Facebook.


Por hoje é isso! Espero que esse amontoado de palavras e links tenha sido útil pra você. Acredito que não faremos uma parte 3 sobre lançamentos futuros, mas pode mandar sua pauta no busridenoteszine@gmail.com. Sextou!

Discografia Caipirópolis / Playlist

Discografia Caipirópolis Volume 2

A Discografia Caipirópolis nasceu pra mostrar que tem muita coisa boa sendo feita fora da capital.

Somos do interior de São Paulo e um dia decidimos fazer uma lista de bandas daqui, como várias delas não têm músicas nas redes de stream pra fazermos uma playlist, decidimos fazer uma coletânea.
Colocamos bandas do litoral também porque ninguém sabe se litoral é interior ou não, é uma questão de opinião.

Bom, lista feita, fizemos as edições necessárias e entre elas tiramos bandas com letras machistas, violentas, reacionárias ou coisas do tipo. Gostaríamos de pedir que vocês nos avisem caso deixarmos algo parecido passar.

No primeiro volume decidimos colocar apenas bandas com mulheres na formação, então tem de tudo, punk, crust, indie, synthpop, hard rock, folk, instrumental, etc.
E agora chegamos aos próximos volumes, que serão divididos por gênero musical. Nesse segundo volume são bandas de punk rock, hardcore melódico e etc.

Abaixo você lê um pouco sobre cada banda que faz parte desse segundo volume:

4HC (São José dos Campos)
Formada em 2016 por Fred (voz), Luan Felipe (guitarra), Josean Silva (baixo) e Wesley Nerosi (bateria). “Nossa banda consiste em fazer letras voltadas para o dia a dia, algo para motivar as pessoas a continuarem e também, é claro, contra a política fascista e opressora dos dias de hoje”. A banda tem três singles lançados, “Caminho do Exílio”, “Realidade Paralela” e “Cidade Moderna” e está em processo de gravação do primeiro EP.
“Cidade Moderna” foi lançada como single em Abril de 2020.


Anversa (São José dos Campos)
Formada em janeiro de 2018 por Tati Laukaz (vocal), Marcelo Lopes (guitarra), Mendel Graves (baixo) e Eder Penha (bateria), com “letras cantadas em português que interpretam relações cotidianas indo da política a dogmas espirituais, passando pela interpretação de questões individuais e coletivas na transformação do indivíduo e a sociedade em que atua”, a banda tem quatro singles lançados, “Quem Sou”, “Carlos”, “Não” e “Feito”.
“Feito” foi lançada como single em Outubro de 2020.


ASCO (Santos)
Formada em 2013 e hoje composta por Leandro Campos (vocal), Eder Camargo (guitarra), Willians Pereira (baixo) e Willians Cruz (bateria), a banda já tem quatro EPs lançados, o mais recente, “O Pior Cenário Possível”, foi contemplado com uma tour pela Europa no mês de março de 2020. A proposta do grupo sempre foi fazer punk rock/hardcore com a ideia de passar uma mensagem de contestação, tendo em suas maiores influências o hardcore americano dos anos 80”.
“O Pior Cenário Possível” faz parte do EP de mesmo nome, lançado em Dezembro de 2019.


Astronova (Jundiaí)
Formada em 2017 “por cinco amigos que decidiram se unir para falar sobre experiências, opiniões, sociedade, repressão, preconceito e liberdade de expressão”, é atualmente composta por Chello (vocal), Luís Paulo (guitarra, vocal), Junior Costa (baixo), Felipe Sibon (guitarra) e Jamil Neto (bateria). Em outubro de 2020, juntamente com o SESC Jundiaí, participaram do projeto #SonsdaTerra apresentando seu novo single “Sempre Assim?” acompanhado de um clipe gravado e produzido durante o período de distanciamento social, disponível nas plataformas digitais da banda e do Sesc Jundiaí.
“Fantasmas” faz parte do primeiro EP da banda, “Anomia. Omissão. Opressão. Ascensão” (2019).


Brado Revolucionário (Porto Ferreira)
Formada em 1996 e hoje composta por Paulo Urbano (vocal), Rodrigo Punk (guitarra, vocal), Lucas Santos (baixo) e Beto Giocondo (bateria), a banda tem como influências o cotidiano, o ódio ao atual sistema, a revolta ao dogmatismo e principalmente o anarquismo. “Acreditamos em nossa cultura, nossa imprensa alternativa, nossos meios de protesto sonoro, nossa oposição ao sistema, nossa luta, nossa militância, nossa seriedade. Acreditamos no movimento punk, no anarquismo”. A banda está em fase final de preparação para o lançamento de um split com Putrid Scum (México), “Efecto Moral”, e em 2021, data em que completam 25 anos de estrada, a banda pretende lançar materiais comemorativos para marcar a jornada.
“Negro Coração” faz parte do album “21 Anos de Punk HardCore” (2017).


Cannon of Hate (Cubatão)
Atualmente com Sandro Turco (vocal), André Félis (guitarra), Márcio Parducci (guitarra), Marcos Alves (bateria) e Marcus Vinicius (baixo), Cannon Of Hate foi formada em 2013 por integrantes das bandas Artany e Lasívia que haviam encerrado as atividades. A banda tem três EPs lançados e já excursionou pelas regiões Nordeste, Sudeste e Sul além de ser bem ativa no estado de São Paulo.
“O Que Vai Ser de Nós” faz parte do EP de mesmo nome, lançado em 2017.


Discordex (Itupeva)
Formada no fim de 2016 por Rodrigo Santos (vocal), Adriano (baixo), André Felipe (guitarra) e Gustavo (bateria) a banda tem dois EPs lançados, “Obrigada a Crescer” (2018) e “Prazer, São Paulo” (2019) e atualmente trabalha em seu próximo lançamento, com o selo Clichê Records. Discordex tem letras que retratam o cotidiano, com uma alta dose de sentimento e sinceridade e cita como influência as bandas Millencolin, Rancid, Chuva Negra, Fugazi e Title Fight.
“Bravo” foi lançada como single em Novembro de 2020 junto de um clipe.


ESC (Santos)
A banda surgiu em 2005 “sem pretensão de seguir um estilo ou chegar a algum lugar, nossa amizade manteve viva a vontade de tocar”. Passaram por vários estilos dentro do rock e em 2012, com a formação atual, a banda encontrou a linha punk rock, pop punk cantando em português contando suas histórias. “Seguimos assim, tentando passar um pouco de alegria por onde estamos”. A banda tem dois EPs lançados.
“Valete” faz parte do EP “Atemporal” (2020).


Facing Death (Jundiaí)
O power trio que mistura punk rock com heavy metal setentista foi formado em 2015 por Flávio (guitarra e voz), Briti (baixo) e Diego (bateria). Em 2017 a banda lançou o primeiro album, “From Here To The Unknown”, e em Maio de 2019 lançaram o single “Dinheiro” (primeira música em português da banda) em forma de cerveja, criando uma perspectiva física para a música, na embalagem podia ser escaneado um QR code que dava acesso ao vídeo da música no Youtube. Atualmente a banda está produzindo o segundo disco.
“M.I.X.” faz parte do album “From Here to the Unknown” (2017).


Gagged (São Carlos)
Formada em 2004 e hoje composta por Zeca Ruas (voz), Rodrigo Gutz (guitarra), Eric Costa (baixo) e Murilo Ramos (bateria), a banda de hardcore melódico que faz “música para reflexão, mudança e liberdade coletiva” tem dois discos lançados, “Silent” (2011) e “Sobre Nós” (2018) e um clipe “Cidade Sem Lugar”. Com 16 anos de estrada, a maioria deles bem ativos, a banda já tocou em vários estados brasileiros e teve várias mudanças. Fizemos uma entrevista com a banda que você pode ler aqui.
“ Cidade Sem Lugar” faz parte do disco “Sobre Nós” (2018).


Garrafa Vazia (Rio Claro)
Formada em 2009 por Mário Mariones (voz, baixo), Ralph Faust (bateria) e Vancil Cardoso (guitarra), a sonoridade remonta ao punk rock 77 e ao veloz hardcore punk oitentista, com um toque garage punk aqui e ali. “Há uma energia, uma irreverência na linguagem, uma forte identidade nas letras, cantadas em português, cheias de anarquia, fúria e ironia“. A banda tem bastante estrada, muitas de demos, coletâneas nacionais e gringas, presença em shows e festivais por todo o Brasil, além dos discos “Corotinho” (2016), “Cirrose” (2019), “Birinaite Apocalipse” (2020) e o ao vivo “Kill The Nazis” (2020).
“Autonomia” faz parte do disco “Birinaite Apocalipse”, lançado em julho de 2020 pela Red Star Recordings.


NWAY (Araçatuba)
Banda formada em 2012 e ao longo dos anos, em parceria com o selo Love & Noise Records, movimenta a cena da região, tanto organizando eventos como produzindo fonogramas. Eles tem dois EPs lançados, “Horizontes” (2016) e “(Sobre)viver” (2020), este conta com um mini documentário sobre suas gravações que pode ser visto no Youtube. Ainda sobre o novo lançamento, “ele fala sobre a vida e como devemos enfrentar e persistir, levantar e prosseguir. Esse registro fala sobre saúde mental, superação, relações tóxicas, desapego, amar e odiar”.
“Retrato Contínuo” faz parte do EP “(Sobre)viver” (2020).


Old Rust (Guarujá)
Formada em 2012 por Luiz Fernando (voz e guitarra), André Bufoni (guitarra), Juliano Amaral (baixo e voz) e Juca Lopes (bateria), a banda tem um disco lançado, “Teoria Cíclica de Ascensão e Queda” (2019), que conta com a regravação das músicas do primeiro EP (2014), de mesmo nome, e outras cinco músicas compostas na primeira fase da banda, antes de um hiato de dois anos. Uma das músicas, até então inéditas, que vieram a entrar no álbum, “Audiência”, foi a escolhida para o primeiro clipe e gravado por Faria Filmes.
“Certo Pra Você” faz parte do primeiro disco da banda, “Teoria Cíclica de Ascensão e Queda” (2019).


Ovu Cuzido (Monte Aprazível)
Formada em 2003 e hoje composta por Guma (vocal), Ziq (bateria), Juliano (guitarra, vocal) e Serginho (baixo, vocal), a banda tem influências do punk e hardcore “sempre com riffs agressivos e letras contra o sistema”. Eles já lançaram uma demo, “Marmitex Infernal” (2006), e alguns singles.
“Toba de Tandera” foi lançada como single em Janeiro de 2020.


QI a Menos (São José dos Campos)
Formada em 2007 por Diegão (vocal), Gabi (baixo e vocal), Korpão (guitarra e vocal) e Lukão (bateria e vocal), a banda faz um mix das influências melódicas do hardcore californiano com toda revolta e indignação do punk rock nacional. As letras trazem contestações pessoais, sociais e políticas. A banda toma orgulho de ser underground e periférica, não fazendo questão de sair desse meio em que sobrevive por pouco mais de uma década. Eles já lançaram três EPs, “O outro lado da Moeda” (2011), “A verdade é Mentira” (2013) e “Sobrevivendo ao golpe” (2019), e participaram de coletâneas.
“Sentença” faz parte do EP “Sobrevivendo ao golpe” (2019).


Refluxo Mental (São José do Rio Preto)
Formada em 2019 e hoje composta por Ariel (bateria), Everton (guitarra), Matheus (vocal) e Maurício (baixo), eles acabam de lançar seu primeiro disco, “Socialização das Perdas”. Segundo a banda, “o momento político vivenciado no Brasil atual pede uma retomada forte às bases de uma crítica social ligada ao meio artístico. Em meio ao levante de diversos artistas (não somente da música), a Refluxo Mental pretende demonstrar que ainda é possível criar um punk rock vinculado ao pensamento crítico, como alternativa às amarras da desrazão, da barbárie e do reacionarismo. Fascistas não passarão!”.  Fizemos uma entrevista com a banda que pode ser lida aqui.
“Balbúrdia” faz parte do primeiro disco da banda, “Socialização das Perdas” (2020).


Refuse (Araraquara)
Formada por Boby Vianna (vocal), Fabrício Negrini (guitarra), Arthur Oliveira (guitarra), Pablo Dotele (baixo) e Leonardo Fernandes (bateria), em Dezembro de 2018, com a banda em processo de gravação, aconteceu seu primeiro show, no Alternatal (evento beneficente de muita história e tradição), onde, devido à fortes elogios do público presente, recebeu o convite para abrir a Intourior (tour das bandas Damage Corporation, Toxic Death e Tessalônica que rodou o interior do estado de São Paulo). Em Maio de 2019, a banda lançou seu primeiro trabalho, “Direções”, juntamente com o videoclipe da música “Minha Paz”. Logo após o lançamento surgiu o convite para ser a banda local convidada a se apresentar no Araraquara Rock 2019. Em 2020, foi lançado o clipe do novo single, “A Saída”, e atualmente a banda se encontra em processo de composição do novo EP.
“Glória” faz parte do EP “Direções” (2019).


Smoners (Paulínia)
Formada em 1996 e hoje com Edinho Smoners (baixo, vocal), William Valadares (guitarra, vocal) e Alle Leanza (bateria, vocal), a banda surgiu pelas mãos de jovens que queriam tocar um punk rock simples e de protesto, posicionando-se em relação à sociedade vigente.  “Fortalecer a cultura punk e gritar contra a constante opressão explícita ou camuflada que sofremos no nosso cotidiano, e contra o racismo, machismo, lgbtqia+ fobia”. Participar de coletivos culturais, como o Mondo Grottesco (Águas de Lindoia, Mogi Guaçu, Paulínia) e Arte de Periferia (projeto sociocultural de inclusão da arte e da cultura de periferia ao circuito central, apoiado pela Prefeitura de Campinas), é algo que a banda coloca como primordial para sua atuação pela resistência do movimento. Além de já ter tocado por todo o Brasil, em 2017 a banda foi selecionada para o “Extreme Sports and Music Events” (Nashville, EUA) e em 2018 lançou o documentário biográfico, “SmonerS.doc”, pela Arttería Filmes.
“TV” faz parte do disco “Ao Vivo Estúdio Mutante” (2019).


The Biggs (Sorocaba)
Formada por Flavia Biggs (vocal, guitarra), Mayra Biggs (baixo, vocal) e Brown Biggs (bateria), em 2020 a banda completou 25 anos de atividade.  “Com melodias que passeiam entre o grunge punk, alternative rock, riot punk e stoner rock, o power trio faz um som com influências de Sonic Youth, L7, Bikinni Kill, Babes in Toyland, MC5, entre outras”. A banda lançou duas fitas K7 “See Stars” (1997) e “Kind-Hearted” (1999), dois discos, “Wishful Thinking” (2001) e “The Roll Call” (2007) e alguns singles, sendo o mais recente “See You”, ainda não lançado oficialmente, mas apresentado no festival online “Viva Girls Rock Camp BR” (inclusive, Flavia Biggs é uma das idealizadoras do projeto Girls Rock Camp Brasil). A banda que já tocou em todo Brasil, na Argentina e Uruguai e participou de inúmeros festivais e coletâneas, também fez parte dos documentários “Feito Por Elas” (2018) e “Guitar Days” (2018) e são citados no livro “O que é punk?”, de Antônio Bivar.
“Breech Delivery” foi lançada como single em 2015.


Turning Off (Sorocaba)
Formada em 2018 e hoje com Diogo Camargo (voz e guitarra), Rafael Monari (guitarra), Alex Galdino (baixo) e Vinicius Knup (bateria), a banda lançou seu primeiro disco, “Behind The Sun”, em 2019, gravado de forma independente com ajuda de amigos da cena local. “Influenciados pela velha escola do hardcore melódico e melancólico dos anos 90, a Turning Off vem tentando trazer o clima de nostalgia do auge das trilhas sonoras subversivas do Tony Hawk’s Pro Skater em suas apresentações explosivas e diretas com alguns tons de sarcasmo e homenagens à tudo que serviu de influência para a banda”.
“Behind The Sun” faz parte do disco de mesmo nome, lançado em 2019.


Fizemos playlists com as músicas disponíveis nos streams, mas como faltam várias bandas eu recomendo muito que você ouça no Bandcamp.

Deezer aqui.


Entrevista

Refluxo Mental

Refluxo Mental é uma banda de punk rock de São José do Rio Preto, interior de SP, formada em 2019 e hoje composta por Ariel “Joio” (bateria), Everton “Facada” (guitarra), Matheus (vocal) e Maurício “Mau” (baixo).

Em 10 de Outubro de 2020 eles lançaram seu primeiro disco, “Socialização das Perdas”, “gravado e mixado com a ajuda do Estúdio Jardim Elétrico, do ex-integrante (mas para sempre integrante) da Refluxo Mental, Lucas Dias”.

Segundo a banda, “o momento político vivenciado no Brasil atual pede uma retomada forte às bases de uma crítica social ligada ao meio artístico. Em meio ao levante de diversos artistas (não somente da música), a Refluxo Mental pretende demonstrar que ainda é possível criar um punk rock vinculado ao pensamento crítico, como alternativa às amarras da desrazão, da barbárie e do reacionarismo. Fascistas não passarão!”

Abaixo você confere nossa entrevista com eles:

Vocês podem falar um pouco sobre a banda pra quem não conhece?

Mau: A banda surgiu há uns dois anos? Quando eu vi que foi a menos que isso eu realmente fiquei surpreso, sabe? Foi Joio e eu conversando num dia chuvoso sobre fazer um som subversivo e eu mostrei a letra da musica “Crente” pra ele. A gente tinha uma outra banda que o vocalista não queria cantar musica com critica política, saca? E eu conhecia um cara que iria querer, que era o Matheus. A banda faz esse punk 77 com um pouco da influência de cada um e acaba saindo bem característico.

Em mais de uma ocasião vocês disseram que a banda veio pra combater o reacionarismo que tá tomando conta de tudo. Vocês começaram a banda pensando nisso ou foi algo que veio depois?

Matheus: Desde o início tínhamos a intenção de fazer crítica social. O próprio nome da banda foi uma intenção de demonstrar isso. Refluxo Mental é a tentativa de fazer a galera refletir sobre certas questões presentes na realidade brasileira, colocar a mente pra pensar sobre outros ângulos, que não costumam chegar a todos os espaços. O combate à barbárie e ao obscurantismo vem com informação e reflexão. É o que procuramos fazer.

Vocês podem falar sobre o processo de composição e gravação de “Socialização das Perdas”? Houveram mudanças de formação na banda nesse período, né?

Matheus: Ideias para composições foram muitas. Como a inspiração das nossas músicas surge dos problemas sociais que impactam nossa realidade, temos (infelizmente) conteúdo de sobra para trabalhar. A parte difícil é filtrar nossas ideias de uma forma mais ou menos coerente, a caber numa melodia bacana, na velocidade do punk rock. Cada ideia finalizada começava a ser gravada de imediato. Como gravamos em home studio, íamos criando e gravando, criando e gravando, até chegar o momento de dizermos: bom, melhor a gente fechar um CD aqui, finalizando esse primeiro momento da banda (que contou com diversas mudanças).

Mau: Mudança de formação foi apenas que a banda começou como um trio Matheus, Joio e eu e depois entrou o Lucas Dias, que acabou saindo para montar o Estúdio Jardim Elétrico em Lençóis Paulista, onde foi mixado e masterizado nosso CD, e entrou o Facada que já tocava com o Joio.

Rio Preto é interior, vocês podem falar um pouco sobre a “cena” daí?

Matheus: A cena do punk rock de maneira nacional já não é muito forte. O punk não é um estilo que agrada muita gente. No interior é ainda mais difícil. É complicado manter um ciclo constante de pessoas nos shows. Nem se fala sobre captar galera nova para ouvir o som. A internet tem ajudado bastante a esse respeito.

Vocês têm uma música chamada “Rio Preto” no disco, né?

Matheus: “Rio Preto” surgiu da indignação ao alto número de eleitores do Bolsonaro nas últimas eleições. Nossa região teve no segundo turno das eleições de 2018 uma taxa de 78% de apoiadores do dito-cujo (que é um dado presente nos primeiros versos da música). Não é fácil sair nas ruas sob o alto risco de trombar com o retrocesso. É claro que nem todo mundo compactua com as barbaridades que vem nesse pacote. Tem muita falta de informação (e desinformação) que ronda a cabeça das pessoas. É o preço de um país que investe parcamente em educação pública de qualidade. “Rio Preto”, apesar de levar o nome da cidade, representa diversas cidades que sofrem do mesmo problema.

E como vocês foram, do interior de SP, parar em Moçambique?

Mau: Cara, é uma história bem legal. Um youtuber moçambicano chamado Miguel Jorge viu um comentário que eu deixei com o Youtube da banda em uma notícia sobre a IURD (Igreja Universal do Reino de Deus) em Angola e entrou para ver os vídeos do canal, curtiu as músicas e marcou em uma postagem no Facebook que estava ouvindo Refluxo em Moçambique. Daí pra frente o pessoal foi pesquisando sobre e foram curtindo a página e ouvindo as músicas.

Últimas considerações? Algum recado?

Mau: Queria falar pro pessoal curtir as nossas redes sociais, dar uma força, que é disso que sobrevive uma banda autoral mesmo. Compartilhem, curtam, comentem! A gente faz nosso som aí com muita humildade e é verdadeiro, é o que a gente gosta, né? Afinal de contas se fosse apenas por publicidade pra barzinho a gente fazia cover de rock dos anos 80. Refluxo é Matheus, Facada, Mau e Joio.

“Socialização das Perdas” está disponível no Bandcamp e nas redes de stream.


Lançamentos / Playlist

Singles de Setembro

Hoje vamos publicar algo diferente do que estamos acostumados, mais uma das mutações do nosso blog/site/ainda não sei como chamar.

Nessa semana chegaram até nós alguns singles e resolvemos vir aqui falar deles. E primeiramente tamos felizes de mostrar algumas músicas de estreia.

Pata “Casa de Gelo”

Se você acompanha o Bus Ride Notes provavelmente já conhece a Pata, além de estar em algumas das nossas playlists, publicamos uma pequena resenha do primeiro disco da banda, “Shit & Blood”.

Nessa quarentena eles resolveram se aventurar com singles gravados e produzidos em casa, numa “série de experimentações sem pretensão de definir uma chave sonora para os novos passos, também com a proposta de colaborar com diferentes artistas e deixar se levar instintivamente em produções pontuais que explorem novos caminhos estéticos”.

Os já lançados “blsnr pnt mrch” e “Casa de Gelo” são em maior parte eletrônica e bem diferentes da banda que toca um rock que eu chamo de grunge.

“Casa de Gelo” tem uma melodia calma e uma letra tristinha que pra muitos é sinônimo da quarentena, mas ela na verdade foi feita há alguns anos pela vocalista Lúcia Vulcano.

Ela tem a participação de Sentidor (também responsável pela mixagem e masterização) nos beats e ambiências eletrônicas e foi lançada pela Geração Perdida de Minas Gerais e Efusiva Records.

A capa ficou por conta de Hanna Halm e também foi lançado um lyric video, produzido por Lúcia Vulcano.

O próximo single previsto é um cover de Nina Simone que irá integrar a coletânea “Rock Triste Contra o Coronavírus”.

Tigre Robô “Desconforto”

Formada no final de 2018 em Brasília por Isabela Fernandes (guitarra, teclados, voz), Junio Silva (baixo, teclados, voz) e Rafael Lamim (bateria), Tigre Robô acaba de lançar seu primeiro single, “Desconforto”. “Uma música sobre esperar pelas coisas acontecerem quando o tempo não está ao seu lado”.

A banda está gravando seu primeiro álbum e pretende lançar mais um single até o mês de Dezembro.

Eles também participaram da nossa matéria sobre gravações caseiras durante essa quarentena.

A arte de “Desconforto” foi feita pela própria Isabela Fernandes.

Tropikaos Chaga “As Ruas Vão Queimar”

“As Ruas Vão Queimar” é o primeiro single do duo Samuel Kircher (voz, guitarra, baixo) e Érico Munari (bateria), que foi gravado já durante a quarentena de 2020 (será que ao nos referir à quarentena vamos ter que especificar o ano? Espero que não).

A música foi lançada já tem um tempinho, mas o lyric video (editado pelo próprio Érico Munari) acabou de sair.

“As ruas, os dias, as notícias do cotidiano em um país problemático como o Brasil, compõem as letras e o barulho da banda”, ou seja, aquele punk rock rasgado cheio de distorção que a gente gosta.

Kebrada HC “Unides Pelo Ódio”

“Banda punk/hardcore antifa femininja diretamente da periferia do ABC”, formada por Letícia Souza (voz), Juliana Moreira (guitarra) e Victória da Cunha (baixo) em 2019.

Apesar de ser uma banda nova e essa ser a primeira música que elas lançam oficialmente, a Kebrada HC já é um tanto conhecida e é bem ativa.

“Unides Pelo Ódio” foi lançada junto de um video com trechos de shows em comemoração ao aniversário de um ano de banda.

O amigue e baterista Tobias de Teipó participou da gravação do single, mas a banda ainda está a procura de um baterista.

Ano passado fizemos uma entrevista com a vocalista, Letícia, onde ela explica porque se afastou do “rolê punk” e começou a frequentar a nova “cena” paralela que tá rolando em São Paulo. Ver isso tomando uma forma ainda maior através de mais uma banda faz uma lágrima escorrer no meu rosto.


Entrevista / Resenha

Cosmogonia: hoje

Essa é a segunda parte da nossa matéria sobre a Cosmogonia, se você não viu a primeira, leia aqui antes de começar esse texto.

Hoje formada por Gabi (vocal), Teté (guitarra), Andressa (baixo) e Dani (bateria), em 2017, dez anos após o início do hiato, Cosmogonia voltou e em 8 de Março de 2019 lançaram o EP “Reviva!”.

Sonoramente “Reviva!” é bem parecido com “O Sentir Que Violenta”, o que faz todo sentido, já que foi a última coisa que elas gravaram antes do hiato. As letras continuam tendo foco no empoderamento feminino.

“Grite, fale, jamais desista. Grite, ria, lute e resista que amanhã haverá sua paz, que dias ruins ficaram para trás”.

“Tempo” é a música mais rápida do EP e o clipe dela é o primeiro da Cosmogonia, lançado em 10 de Outubro de 2019, Dia Nacional de Luta Contra a Violência à Mulher. Ele consiste em imagens ao vivo da banda desde que voltaram.

Abaixo você confere nossa entrevista com a banda:

Acho que podemos começar falando sobre o início da banda. Nenhuma das meninas estava na formação original dos anos 90, né? Como foi a entrada de cada uma?

Atualmente não há nenhuma menina da formação original. A Elis (fundadora) ficou até 2007, quando a banda entrou em hiato. Teté entrou em 2002, Gabi entrou em 2004 e Dani entrou em 2005. Em 2017 revivemos com três integrantes dos anos 2000: Teté, Gabi e Dani (batera) e logo depois Karol (baixista) entrou. No final de 2018 a Karol saiu e entrou o Fernando. Em 2019 a Dani saiu, entrou a Andressa no baixo e o Fernando foi pra batera. Agora, em 2020, a Dani voltou pra bateria e o Fernando saiu.

Teté: Em 2002 eu estudava na escola do menino que tocava bateria na época para a Cosmogonia e também na escola da ex-guitarrista, Raquel. Aí souberam que eu tocava guitarra, me disseram que estavam procurando uma mina guitarrista. Foi aí que conheci a banda, mas cheguei a enrolar um pouco pra ir fazer o teste por insegurança. Quando finalmente criei coragem, fui e foi perfeito. Me apaixonei pelas meninas, por tocar com elas, pela história da banda e aí me disseram que já tínhamos um show marcado no Hangar 110, que na época era o sonho de qualquer banda da cena, né? Então minha entrada já foi logo de cara tocando num show do Hangar!

Gabi: Eu entrei pouco depois em 2004, já tinha relacionamento com a banda desde 98 e morávamos no mesmo bairro. Quando recebi o convite de fazer um teste para tocar nessa formação dos anos 2000, apenas a fundadora Elis, estava na banda. Nessa época, também contávamos com o Paulo, que integrava a lendária banda Punk Atitude.

Andressa: A minha entrada foi com uma responsabilidade enorme. Eu estava entrando em uma banda que tem uma puta história, e que eu curtia muito. Fora isso, eu estava substituindo a Karol, que é uma excelente baixista, com uma base musical maravilhosa. Eu tinha a obrigação de estudar pra me sair bem. Tanto que, quando fui convidada a primeira vez pela Gabi, fiquei com muito receio de não estar no mesmo nível. Mas depois de pensar direito, voltei atrás e deu muito certo. Isso foi ano passado, 2019.

Fernando: O Fernando já era amigo da Teté de muitos anos e quando a Karol saiu da banda, chamamos ele pra nos ajudar e cumprir a agenda de shows. Não conseguimos achar nenhuma baixista e ele foi continuando com a gente. Quando a Andressa assumiu o baixo, o Fernando foi pra batera, substituindo nossos dois amigos Roberto e Nautilus, que estavam se revezando como substitutos da Dani.

E como é manter a banda mesmo sem ninguém da formação original?

Inicialmente, achávamos que não faria sentido a banda sem a Elis. Porém, ela mesma nos incentivou a retornar e nos lembrou que a Cosmogonia sempre foi uma banda aberta à novas integrantes e que ao longo dos anos, muitas meninas passaram pela banda e deixaram sua marca, experiência de vida e luta. A particularidade mais importante da Cosmogonia é resistir ao longo dos anos e trazer a vivência de diversas mulheres, que são unidas em torno do mesmo propósito. Apesar da Elis não estar presencialmente na banda, ela é também um membro que mantemos contato constante e que nos aconselha, dá opiniões, apoia e é responsável por muita coisa que fizemos desde o retorno.

Vocês fizeram um hiato em 2007, né? O que esse hiato representou para vocês?

Em 2007 cada integrante da época estava passando por coisas diversas em suas vidas pessoais que foi impossibilitando de conseguirem conciliar com a banda. Além da questão financeira que era complicada para todas (pagar ensaio, transporte, manutenção de instrumentos, etc), havia também trabalho, estudo, filhos e família. Então o hiato representou um tempo que precisávamos naquela época, para ser mais compatível com a nossa condição de vida daquele momento e com as dificuldades financeiras e psicológicas que cada uma enfrentava.  Esse tempo foi extremamente triste, pois sempre sentimos muita saudade da banda em si e de estarmos em uma banda. E nesse tempo, algumas de nós tivemos que lidar com relacionamentos abusivos, violência doméstica, dentre tantas outras coisas que as pessoas não enxergam em vidas que não estão expostas de alguma forma.

Como vocês decidiram que era hora de voltar?

Em 2017, após um período maior sem se verem, Gabi e Teté se reencontraram num show e como elas sempre sentiram saudades de tocar, mencionaram que seria legal montarem uma banda. De longe a Elis percebeu essa movimentação entre as duas, e também estava muito ligada na movimentação das mulheres no cenário underground, que aumentava a cada dia. Ela então nos reuniu em um grupo de Whatsapp e praticamente exigiu que voltássemos com a banda, mesmo sem ela, que mora no exterior.

No Bandcamp da Cosmogonia a gente percebe que todos os álbuns ali são bem curtos. Existe algum motivo pra essa escolha?

Cosmogonia é uma banda que nasceu na periferia e bandas de periferia, mais ainda, bandas com mulheres sempre foram invisibilizadas pela falta de recursos e também pelo próprio machismo e misoginia, que também existem na música e na cena punk/hardcore. Sempre dependemos do corre de cada uma, dos amigos de outras bandas e de coletivos que se juntavam para gravar coletâneas (no início ainda em fitas K7). Nunca tivemos grana pra bancar gravação, produção e até o final dos anos 90, a produção de tudo foi com o “faça você mesma”. Em 2006 lançamos um single, que conseguimos gravar graças a um cachê que nos foi dado de um show. Agora em 2019 lançamos um EP gravado pelo projeto Experiência Family Mob. Fomos selecionadas para participar do projeto, o que nos possibilitou a gravação. A mixagem e masterização foi arcada com nossos próprios recursos e venda de merch.

O que vocês têm escutado nos últimos tempos?

Gabi: Eu tenho ouvido muito folk, bandas clássicas de hardcore dos anos 90, algumas bandas novas e bandas que carrego em playlists ao longo dos anos, como Converge, Million Dead, Pennywise, bandas nacionais como Bioma e Miêta.

Teté: Hardcore sempre! Desde os clássicos que sempre me acompanham (Pennywise, NOFX, Bad Religion) até bandas nacionais: Mar Morto, Garage Fuzz, Bioma.

Andressa: Eu sou extremamente eclética, por mais que dizer isso pareça clichê. Nacional tenho escutado bastante Violet Soda, Miami Tiger, Hayz, Radical Karma. Internacional tenho um carinho mais que especial por uma cantora pop, a Dua Lipa. Acho a sonoridade e influências dela do Disco no último álbum maravilhosas, principalmente no baixo haha. Também o álbum solo da Hayley Williams, tá bem “diferentão”.

O gosto musical de vocês mudou muito do começo da banda até agora? Como vocês incrementam essas influências no som de vocês?

Teté: O gosto continua bem parecido. Claro que sempre surgem bandas novas, mas até hoje ouço praticamente tudo o que eu ouvia desde que entrei na banda. Para compor, obviamente trago todas as coisas que ouço, porém é algo bem espontâneo. Desde que comecei a tocar guitarra, sempre gostei de criar bases e riffs muito mais do que ficar tirando músicas e aí as brincadeirinhas na guitarra vão se transformando em som.

Gabi: Minhas experiências e influências para compor são vivências de silenciamento, violência doméstica e o sentimento de como eu gostaria de que as coisas fossem diferentes na sociedade em que vivemos.

Andressa: Eu comecei a ouvir mais hardcore. Eu sempre escutei um rock alternativo, muita coisa de pop rock e pop. Acho que sou a única a ter influências totalmente diferentes. E isso que é o interessante de fazer parte de uma banda, poder criar coisas novas juntando um pouco de cada gosto, cada influência. Cada um coloca uma pitada do que curte. Eu depois que entrei já andei dando umas pequenas modificadas no baixo nos shows.

Estamos num momento de bastante ebulição em questões políticas e sociais, com os protestos tomando conta dos Estados Unidos e agora estourando de volta no resto do mundo. As letras da Cosmogonia sempre fizeram questão de falar abertamente de assuntos assim, principalmente na questão feminista. Como a obra da banda se comunica com um momento tão intenso como o que está acontecendo agora?

Gabi: Cosmogonia sempre foi uma banda de periferia, de mulheres guerreiras que sempre tiveram que correr atrás pra se sustentar, sustentar filhos, família, a si próprias, levar o feminismo para aquelas que nunca puderam falar e se expressar. Falar dessas experiências coletivas e individuais é um ato político. Desde as criações antigas até as novas, sempre levamos a contestação do quanto é difícil a sobrevivência das mulheres na sociedade. Ser mulher é um ato político.

Teté: Estamos num momento em que fica cada vez mais exposto o engano do capitalismo: ele não é um sistema para todos e nós, mulheres, vemos, vivenciamos e sentimos na pele isso todos os dias. Como disse Simone de Beauvoir: “Basta uma crise política, econômica e religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados”. Como o próprio capitalismo coloca em xeque o tempo todo as questões das minorias, que no sentido quantitativo é a maioria, fica cada vez mais difícil aceitar as condições que esse sistema nos impõe. Como a banda e suas integrantes ao longo dos tempos sempre fizeram parte dessas minorias, não apenas por serem mulheres, todas essas pautas estiveram sempre presentes nas letras, canções e ideais.

E como vocês observam a evolução de debates assim na cena underground durante a trajetória da banda?

Sempre houve a invisibilização de atos e atividades lideradas por mulheres ao longo da história, e no cenário underground não é diferente. E hoje, mesmo que com uma visibilidade um pouco maior por conta das mídias sociais, ainda estamos em uma posição de falar para nós mesmas, de criarmos nossos espaços paralelos porque ainda há muita resistência de estarmos igualmente nos espaços “comuns”, que são majoritariamente masculinos. E o que mais chama a atenção é que as poucas pessoas que parecem estar preocupadas com a maior visibilidade dessas minorias em canais de divulgação, somente fazem isso para não se sentirem cobradas e não por acreditarem e respeitarem o nosso trabalho.

Há uma comunicação com outras bandas Riot Grrrl em outros estados?

Sim, sempre. No passado, mesmo antes da internet e depois, quando só poucos tinham acesso, as bandas de mulheres sempre se comunicaram. Cosmogonia tocou em diversos estados antes dos anos 2000 e também trazia as bandas de mulheres de outros locais para tocar em São Paulo. Mas com a internet, foi possível ampliar muito essa rede e união.

Em tempos de quarentena, como estão os projetos futuros?

Fica um pouco complicado pensar em futuro nesse momento. Acho que o foco maior agora é sobreviver a essa pandemia e a esse desgoverno. Sobreviver financeiramente e emocionalmente. Mas estamos compondo remotamente e nos falando diariamente.

Gostariam de dizer algo para as demais mulheres que estão ou querem entrar numa banda?

Quando o assunto é mulheres assumindo papéis em projetos, o direcionamento é sempre insistência, persistência e paciência. Nada acontece da noite para o dia, e, principalmente para nós mulheres os obstáculos são maiores. É importante buscar redes de apoio com as mulheres que já fazem qualquer tipo de trabalho artístico.

A discografia da Cosmogonia está disponível no Bandcamp e redes de stream.