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Resenha

Nâmbula Mangueta – Eu sou Nâmbula Mangueta

Nâmbula Mangueta é um girlpower trio formado em São Paulo em 2018 por Andrea Marques (bateria), Bruna Guilhem (baixo) e Gabe Halencar (guitarra e voz). Em Maio de 2019 elas lançaram o primeiro EP, “Eu sou Nâmbula Mangueta”.

Quando falo de Nâmbula Mangueta só consigo pensar no som, não que as letras sejam tratadas com menos atenção, mas a voz é inserida como o quarto instrumento, ela segue a melodia, não recita a letra como estamos acostumados a ouvir e o resultado disso é forte. Me sinto em um experimento sensorial ouvindo esse EP.

Acho que posso chamar esse som “forte” de “grave” (me corrijam se eu estiver errada, sei zero de teoria, técnica, etc musical), o baixo é sempre bem “visível” e apesar de ter muitas sonoridades diferentes o EP todo é bem conciso, parece uma coisa só.

Não sei se dá pra chamar ele de temático, já que toda interpretação é diferente e nem todo mundo vai chegar à mesma conclusão, mas as letras têm um tema principal: relacionamentos abusivos. Lembrando que relacionamentos não são só os amorosos, eles acontecem no trabalho, amizade, família e qualquer outro lugar.

“O EP faz uma viagem aos ambientes em que os abusos de poder acontecem. Elas relatam em suas letras vivências pessoais, conflitos internos e externos de se conviver numa sociedade nada justa”.

A primeira música, “Tormenta”, puxa pro stoner e introduz: “Enquanto seu retrato perde cor, já não resolve maquiar o fim. Tudo que fiz foi ser gentil demais com queria me roubar”.

“Fardo” segue com um som “pesado” que parece te envolver. Uso aspas porque “pesado” é sempre usado pra descrever bandas de metal que tocam rápido, mas nesse caso a melodia lenta e o grave criam um peso diferente.

Quando você prioriza o som, as letras costumam ser curtas e se repetir, é isso que vemos no EP, é isso que faz as músicas grudarem na cabeça e acho que é por isso que nem só “Mantra” parece um mantra.

“E os dias que você largou do meu esforço foram fechados com um sorriso meu”

“Bicicleta de (E)star” com sua melodia calma é daquelas que agrada não esquecer por dias.

“Macacos 12” é talvez a música que mais expresse o conceito todo do EP, tanto som quanto letra: “Acumulo milhas pra não te ver, tomo distância e espaço pra poder ter um sossego, um refresco, um ar”.

“‘Eu sou Nâmbula Mangueta’ é uma reflexão aos comportamentos da sociedade em que estamos inseridos. A capa do EP é o espelho, é o reflexo de sentimentos gerados por uma sociedade que nos pressiona a exercer poder sobre o outro, o que nos distancia de nós mesmos e dos reais sentimentos e impressões que poderiam ser vivenciados se não fosse essa cultura”.