Formada em 2023, em São Paulo, capital, Trágico lançou em 2024 o álbum “Vida Amarga” e em abril de 2026, o EP “Futuro Miserável”. No segundo lançamento, a mensagem da banda é concisa, por isso um EP foi uma ótima escolha.
Com influências de hardcore punk e d-beat, “Futuro Miserável” é quase um manifesto niilista sobre a decadência urbana. Em tom de revolta, o EP tem temas que envolvem o cotidiano violento das grandes cidades, como a política de extermínio do Estado, exclusão, arquitetura hostil, desesperança e falta de perspectiva de futuro, mas a banda também transmite a insistência em seguir construindo a contracultura.
Além do formato digital, o EP foi lançado em CD, vinil e k7, em parceria com 18 selos independentes distribuídos pelo Brasil, e um no Equador.
Conversamos com a banda sobre sua história, o novo lançamento e mais, na entrevista que você lê a seguir:
Vocês podem falar sobre a banda pra quem não conhece?
Salve. Satisfação estar aqui conversando. Somos uma banda de hardcore punk de São Paulo, capital, com pouco mais de três anos em atividade. A banda é formada por quatro integrantes: Fernando no vocal, Amanda no baixo e backing vocal, Fejones na guitarra e Déda na bateria.
Como a Trágico começou?
Surgiu de um projeto duo que a Amanda e o Déda tinham, chamado Vida Exaurida. Com o tempo, sentiram falta de um vocal e guitarra, então chamaram o Fernando e o Bruno, que também toca na banda Batalha. Depois de alguns meses, a formação mudou, e o Feijão entrou no lugar do Bruno na guitarra. A ideia sempre foi fazer um som calcado nas bandas da primeira geração do punk paulistano, d-beat e alguma coisa de post-punk.
Em “Futuro Miserável” a mensagem da banda é mais direta, tanto nas letras, quanto no som, arte de capa. Esse é um EP conceitual?
Não necessariamente. As letras são reflexões abordando situações que todos que vivem em uma metrópole como São Paulo estão sujeitos a sofrer na pele e também falam sobre encarar o fim. Não como um evento isolado, mas como um estado contínuo. Tudo, de certo modo, está acabando ou se esgotando o tempo inteiro. Todas as letras e músicas foram criadas aos poucos, e essa conexão de temas acabou sendo uma grande coincidência no final.
Como foi o processo de composição e gravação?
As ideias foram surgindo e nós temos o costume de trocar as primeiras bases de forma remota, pelo Whatsapp, pra ver se todo mundo gosta da ideia. Depois, desenrolamos as músicas presencialmente, nos ensaios, e encaixamos a letra. Tudo isso rolou relativamente rápido, nos primeiros meses de 2025, e a gravação de fato ocorreu em agosto de 2025.
Gravamos a parte instrumental em um dia e depois rolaram algumas sessões para gravar o vocal e o backing vocal. Toda a master do EP ficou pronta em dezembro de 2025, e deixamos para lançar em Abril de 2026 nos streamings porque ficamos alguns meses trabalhando na capa, que foi desenhada pelo Fernando Romano.

Quais foram algumas das inspirações pro novo EP?
Musicalmente falando, cada integrante tem suas próprias referências. O Fernando ouve muito hardcore finlandês, a Amanda é mais do som extremo, o Feijão tem bastante influência do post-punk e do crust punk e o Deda ouve muitas bandas anarcopunk. Como banda, quisemos dar continuidade ao que fizemos no primeiro disco, “Vida Amarga” (2024), com alguns sons mais rápidos com influências do d-beat e outros mais pogo hardcore.
Além da mídia digital, o EP também foi lançado em vinil e fita cassete. Vocês podem falar sobre isso?
Somos da geração que cresceu ouvindo som em formato de mídia física e até hoje isso nos atrai. Hoje em dia é preciso mesclar todos os formatos. E acreditamos que a experiência de você escutar um som do vinil, da fita K7 ou do CD é muito diferente do que simplesmente escutar nos streamings. A relação com a música e com a banda muda completamente.
Quais são os próximos planos da Trágico?
Tocar e gravar mais discos. Temos alguns shows marcados até o fim do ano e já temos muitas ideias de músicas novas que agora precisamos desenvolver e, quem sabe, em 2027 iniciar o processo de gravação de mais um disco.
Últimas considerações? Algum recado?
Obrigado pela conversa e pelo espaço! Para quem quiser conferir nosso trampo, temos nosso perfil no Instagram, Youtube, Bandcamp e BandPress. Nos vemos por aí. Saúde e Anarquia!

Ex colaboradore das antigas Six Seconds e Calliope Magazine, entre alguns blogs de música. Resolveu fazer o próprio site enquanto não tem dinheiro o suficiente pra fazer uma versão BR do Audiotree Live.