Bus Ride Notes
Lançamentos

VEIO AÍ – Lançamentos de Abril, pt. 1

Nossa coluna de lançamentos do mês tá fazendo um ano! Parece que foi semana passada que távamos escrevendo a primeira (pandemia, né?). Há tempos eu queria fazer algo parecido e há um ano, com algum incentivo e a várias mãos, o primeiro post foi feito.
Entre discos, EPs e singles, nesse um ano foram 196 lançamentos (sim, nós contamos) e inúmeras bandas (não contamos, houveram coletâneas) divulgadas. Aqui tem mais 18. Divirtam-se!
– Livia Pin

YEEEEEY, um ano de “VEIO AÍ”! Real, parece que foi outro dia que a gente tava falando sobre começar. E, sinceramente, não imaginei que daria continuidade, parecia ser só um momento de euforia. Mas cá estamos! Livia deu os números aí em cima e pra mim foi uma surpresa. Obrigado de coração a geral que acompanha, que vem somando com a gente e as eventuais amizades que surgiram de lá pra cá <3

Excepcionalmente, neste mês teve novidade pra caralho, daí resolvemos fazer duas partes. A próxima sai regularmente no começo de maio. Vamos celebrar esse um ano duas vezes! Aguardamos sua contribuição no nosso Apoia-se pra providenciar um kit festa. Sem mais delongas, bora nessa!

Budang – Seguda Lei da Termodinâmica

Em meio de sua primeira tour pelo sudeste, a rapaziada hardcore de Floripa anunciou seu novo EP “Astrologia, Destino & Salmos”, e esse é o primeiro single. Mais um lançamento da Urtiga Records.
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caxabaxa – TTB (TATUDOBEM?)

Sorri gostoso quando recebi a notificação dessa! É o primeiro som novo desde 2015, dando continuidade ao legado lofi-nonsense-zuero-até-umas-hora desse projeto formado originalmente por Carlos Dias (Polara, Againe) e Adriano Cintra (Thee Butchers’ Orchestra, CSS, Madrid, Pin Ups).
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Cout – Remsem

E veio ao mundo o segundo EP do duo de rock amazônico! Fazendo barulho em Belém desde 2016, Raissa e Pine trazem guitarronas saturadas e baterias groovadas pra te fazer dançar até umas horas.
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Escolta – Conduta

Primeiro material inédito desde o EP de estreia, “Efeito Moral” (2018), meus parceiros da Escolta lançaram “Conduta”, que será seguido por outros cinco singles ao longo do ano. A letra, escrita pelo vocalista e rapper Agga Guimarães, aborda a insatisfação pela injustiça social e o fracasso do sistema que nos deprime enquanto sociedade. A banda de nu metal brasiliense espera expandir horizontes e promete botar todo mundo pra bater cabeça! (edit: fui no show de lançamento neste último sábado e a promessa foi cumprida com sucesso!)
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Eterno Rancor – Decadência

O primeiro álbum dos metaleiros de Santa Maria, RS está entre nós! Nele, a banda diz: “Falamos sobre tudo, falamos sobre nada, expomos a dúvida mais íntima do ser em meio a um mundo que nos torna cada vez mais insignificantes“.
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Eu Jonatha Mermo – Se Eu Tivesse uma Banda

Eu Jonatha Mermo é o projeto solo de Jonatha Carvalho, músico e produtor de Floriano, PI. “Se Eu Tivesse Uma Banda” é seu primeiro album, foi gravado em home studio “tudo feito sozinho, como se fosse uma ‘banda de um homem só'”, além de ter sido produzido, mixado e masterizado por ele mesmo. “Com letras compostas no intervalo de três anos, o disco carrega diversas personalidades do artista. O nome vem da ideia do mesmo participar de várias bandas da cidade e ainda assim apostar em carreira solo, coincidindo com a data do lançamento, 1º de Abril, considerado dia da mentira”. Lançamento do APENAS1teste Records.
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Felipe NizumaNatalia Sedov

Conhecido guitarrista das cenas metal (Blasthrash, Braindeath) e hardcore (Urutu) paulistanas, Felipe também tem uma prolífica produção própria, beirando o (post-)punk. Este novo álbum traz elementos do garage e do psicodélico, e saiu numa edição limitada de fita cassete pelos selos Mandinga Records, Cospefogo Gravações e Revelia Discos.
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gorduratransenterro dos ossos

Cinco anos depois do disco “paroxismos”, a banda da Baixada Fluminense retorna com um novo single, “enterro dos ossos”. A faixa fará parte de seu terceiro álbum, lançamento da Balaclava Records.
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Jacau – Em Nome do Pai

Nome já conhecido do hardcore crossover, os baianos de Itabuna anunciaram uma tour pelo estado de SP, se estendendo depois pelo nordeste; e mais este single novo pra levar na bagagem. Com pouco menos de dois minutos, “Em Nome do Pai” é uma voadora giratória na cara sem lenga-lenga pra denunciar a violência patriarcal.
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Mães Católicas – Lego – À Jato

Formada em 2021, a banda de Taubaté, SP, busca a cada lançamento renovar sua estética. No primeiro EP, “Cabuloso”, eles citam Weezer e Pavement como influências. Já no segundo, “Queijo Mussarela”, citam também o rock nacional dos anos 90, como Pato Fu (percebemos =D) e Skank. No recém lançado single duplo, “Lego – À Jato”, a banda diz que a inspiração veio de bandas como Dinosaur Jr., Plumtree e Dear Nora. Mais um lançamento da Big Cry Records.
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Mar de Lobos – Pancada

“Pancada” é o segundo álbum da banda de Iperó, SP. Dele fazem parte os dois singles lançados esse ano, “Divide essa Dor Comigo” e “Nação Zumbi”, ambos têm clipes dirigidos por Dhyego Xinxilah e Mayara Marques. Sobre “Nação Zumbi”, lançada em 4 de abril, a banda diz “Essa música fala sobre resistência, se dedicar e se arriscar pelo que você acredita. É sobre o nosso cotidiano difícil, nadar contra a maré, bater de frente contra toda opressão, afinal só temos uma vida. E, claro, uma singela homenagem à clássica banda brasileira”.
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Nosedive – Losing Touch

Novíssimo EP dos bauruenses (que você já conhece da Discografia Caipirópolis vol. 3, eu espero), contendo cinco faixas com aquela sonoridade que tange hardcore, emo e anos 90 que a gente adora. Já quero colar no Jack pra ver ao vivo!
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Pedra RelógioNinguém Vai Morrer por Isso

A banda de São João Nepomuceno, MG acabou de lançar seu novo single, “Ninguém Vai Morrer por Isso”, marcado por guitarras com estética dos anos 90 dentro de uma vertente do rock que um dia foi chamada de alternativo. A faixa foi lançada junto de um miniencarte com letra e mais, feito por Anderson Castro.
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Personas feat. Pablo Vermell – Você Não Vê

Ou Pablo Vermell feat. Personas. “Você Não Vê” é uma colaboração feita com o intuito de misturar e mesclar as influências pop de Pablo com as de emo e rock de Personas. Arte de capa por MOOLUSCOS e lançamento de Musikorama.
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Pink Opala – Madrugada

“Madrugada” é o novo EP do duo goiano, formado pelo casal Nataly Martins (letras, voz e sintetizadores) e João Victor Santana (guitarra e programações). A banda foi formada em 2018 e segundo eles, “Motivados pela ideia de explorar sua própria identidade e suas particularidades, ‘Madrugada’ se torna o primeiro trabalho do duo que não é uma colaboração com outros artistas”. Ternura, saudade, cachorros e até mesmo hipocrisia são os temas abordados no EP que passeia pelo dream pop, psicodélico e rock lo-fi.
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REzAComa

Com “Babilônia” como carro-chefe, que saiu ainda em janeiro, o novo EP dos paulistanos também veio ao mundo por esses dias, seguindo com um post-hardcore encorpado e afiadíssimo.
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TooCrazy – Chaotic

“Chaotic” é o primeiro disco da banda sergipana, depois de uma grande reformulação. Em 2020 o duo (que já havia lançado dois EPs como 2Crazy) se tornou um power trio e passou a incorporar novas influências de hardcore, grindcore, metal e outros gêneros da música extrema. Na página do Facebook da banda você pode conferir um faixa a faixa do novo disco.
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Weedevil – The Return

“The Return” marca o recomeço da banda: com nova formação, lançam seu primeiro full album. “Cinco exuberantes faixas que serpenteiam entre o melancólico, o soturno e o eletrizante, embalados por temas profundos e existenciais, narrando uma espécie de ‘ópera’ que promete tragar seus ouvintes para um universo particular”.
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Discografia Caipirópolis / Playlists

Discografia Caipirópolis Volume 4

A Discografia Caipirópolis nasceu pra mostrar que tem muita coisa boa sendo feita fora da capital.

Somos do interior de São Paulo e um dia decidimos fazer uma lista de bandas daqui, como várias delas não têm músicas nas redes de stream pra fazermos uma playlist, decidimos fazer uma coletânea.
Colocamos bandas do litoral também porque ninguém sabe se litoral é interior ou não, é uma questão de opinião.

Bom, lista feita, fizemos as edições necessárias e entre elas tiramos bandas com letras machistas, violentas, reacionárias ou coisas do tipo. Gostaríamos de pedir que vocês nos avisem caso deixarmos algo parecido passar.

No primeiro volume decidimos colocar apenas bandas com mulheres na formação, então tem de tudo, punk, crust, indie, synthpop, hard rock, folk, instrumental, etc.

A partir daí os volumes são divididos por gênero musical, o segundo volume contou com bandas de punk rock e hardcore melódico, o terceiro volume com indie rock e esse quarto volume com hardcore, crossover e etc.

Abaixo você lê um pouco sobre cada banda que faz parte desse quarto volume:

Ação Terrorista (São Carlos)

Formada em 2007 por Rafael Formenton (guitarra, voz), Fabiano Sanches (baixo, voz) e Guilherme Santos (bateria) com o intuito de tocar hardcore inspirado nas bandas paulistas dos anos 80, a banda entrou em hiato em 2008 deixando como registro um CD Demo. Em 2018 a banda voltou à ativa, agora com de André Rocha no baixo e vocais. A banda tem principal influência no hardcore old school e no rap nacional dos anos 90 nas letras.
“Onde o Inferno Começa” faz parte do disco de mesmo nome lançado em 2017.


Antes da Queda (Leme)

Formada em 2018 pelos membros da cena punk e metal da cidade, Rivelino (bateria, vocal), Lucas (guitarra) e Gezuis (baixo, vocal). A banda de crust e dbeat, tem influências que abrangem do hardcore ao noisecore. Antes da Queda tem dois EPs lançados, “retratos de uma sociedade retrógrada” (2019) e “das várias formas de escuridão” (2021).
“Cabresto” faz parte do EP “das várias formas de escuridão” (2021).


Apto Vulgar (Jacareí)

Formada em 2012 por Bonzo (vocal), Rafael (baixo), Luciano (bateria) e Dorgs (guitarra) a banda já lançou dois singles, “Resistência” (2016) e “Ainda Estamos Aqui” (2019), um disco, “Sistema Não Operacional” (2017), e um EP, “O Inimigo” (2018). Apto Vulgar acaba de lançar dois singles, “Estado da Mente” e “Tempo Espaço”, que antecedem o novo disco, “Sabotagem”, com lançamento previsto para março desse ano.
“Estado da Mente” foi lançada como single em novembro 2021.


Artigo DZ9? (Agudos)

Artigo DZ9? foi formada em 2001 e hoje é composta por Juninho (bateria), Lê (vocal), Léo (baixo, vocal) e Smega (guitarra, vocal). Seu nome faz alusão ao Artigo XIX da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o qual prevê a todos o direito à liberdade de opinião e expressão (ONU, 1948). A banda já lançou dois EPs, “Direitos e Conceitos Extremamente Violados” (2004) e “Sociedade Apática” (2006), dois álbums, “Liberte-se do Medo de se Expressar” (2013) e “O Universo é Nosso” (2021), e participou de vários splits e compilações nacionais e internacionais. Atualmente a banda trabalha na divulgação do novo disco e no lançamento do videoclipe da faixa “Sobre a Guerra”.


Cäbrä (Itatiba)

Formada em 2018 por Rickson Figueira (vocal, guitarra), Vinão Batista (baixo) e Oto Sales (bateria), a banda propõe pela musicalidade agressiva uma reflexão a atual situação na qual vivemos. Com abordagens líricas que trazem ao debate questionamentos pessoais e político-sociais, Cäbrä foi modelado com influências de diversos estilos como crossover, death metal e grindcore. Em 2019 lançaram dois singles e dois clipes, “Podridão” e “Ruínas”. “Ruínas” foi inteiramente produzida de modo independente pela própria banda e seu clipe foi reproduzido no importante portal, e canal no Youtube, Hardcore Worldwide.
“Cretino (Obrigado Por Bosta Nenhuma)” faz parte do split com Desmorto (2021).


Causa (Praia Grande)

Hoje formada por Eric Cravo (vocal, guitarra), Marcus Vinicius (baixo) e Vinicius Oliveira (bateria) a banda teve início em 2016 com integrantes que faziam parte da cena da baixada santista desde o começo dos anos 2000. Depois de um hiato, a banda voltou em 2019 e lançaram seu primeiro EP, “Onde Quer Chegar”, em 2021. “O nome da banda faz uma referência ao que todos nós buscamos, uma Causa para viver, sonhar, evoluir, levantar todos os dias e ir a luta por dias melhores”.
“Vou Te Enfrentar” faz parte do EP “Onde Quer Chegar” (2021).


Consequência da Revolta (Itatiba)

Consequência da Revolta é hardcore punk com influências de bandas como Agrotóxico, Olho Seco, Restos de Nada, Anti Cimex, Riistetyt e Rattus. A banda surgiu em 2014 quando os irmãos Valmir e Luciano decidiram montar uma nova banda após o fim da Olho de Cadáver. Em 2015 gravaram 15 músicas, Valmir na guitarra, contrabaixo e vocal, e Luciano na bateria e backing vocals. Em 2016 Renato e Rikko entram pra banda, sendo a nova formação Valmir (vocal), Renato (guitarra), Rikko (baixo) e Luciano (bateria). Essa formação durou até 2021, com a saída de Rikko, e logo em seguida, uma enorme perda com o falecimento do vocalista e fundador Valmir Mario de Souza. Hoje a banda conta apenas com Renato (vocal, guitarra) e Luciano (bateria, vocal). Em 2019 participaram da Coletânea Internacional “Punk y Acción” com as músicas “Guerras e mais Guerras” e “Atrás das Grades de um Mundo Livre”.
“Vaga Lembrança” faz parte do disco “Atrás das Grades de um Mundo Livre”.


Deskraus (Bragança Paulista)

Formada em 2014, por Alessandro Seiti Kataoka e Linêssa Passos, e hoje composta por Fabiana Ramos (vocais), Fernando Mucedola (baixo, vocais), Diego Fernandes (guitarras) e João Rodrigo Mucedola (bateria), a banda de hardcore tem letras com temáticas política e de protesto e a influência direta do movimento punk libertário. Deskraus lançou uma Demo (2015) e trabalha no seu próximo EP.
“Fato ou Fake (ao vivo)” é um lançamento inédito!


Hemattoma (Monteiro Lobato)

Formada em 2005 a banda esteve em hiato de 2010 até 2016 e hoje conta com Paulo (vocais), Edgar (guitarra), Jão (baixo) e Pêxi (bateria). A principal influência é o hardcore dos anos 80 e 90, misturada com passagens que vão do punk ao grindcore. As letras denunciam formas de opressão e manipulação da classe dominante, criticando a hipocrisia humana e o modelo de sociedade em que vivemos.
“Brincando de ser Deus” faz parte do EP “A Miséria do Ser Humano” (2019).


Make it Stop (Sorocaba)

Na ativa desde 2016, o quinteto é formado por Murillo Fogaça (voz), Felipe Fogaça (guitarra, voz), Wellington Conservani (baixo), Diogo Camargo (guitarra) e Vinicius Knup (bateria). A banda já lançou três EPs, “Respirando Esperança” (2016), “Amparo” (2017) e “Sobrevivência” (2021), o mais recente lançado pela Ártico Music.
“Cegueira” faz parte do EP “Sobrevivência” (2021).


Nephillin (Piratininga)

Fundada em 2017 e hoje formada por Luiz Eduardo Dias (vocal), Marcos Antonio (guitarra) e Lucas Carvalho (baixo, vocais). A banda já lançou dois EPs, “Our Legacy” (2019) e “No Love” (2020), e dois singles, “Fases” (2021) e “Depois da Tempestade” (2021), o segundo gravado exclusivamente para a coletânea do coletivo Refuse To Sink. No final de 2021 Nephillin lançou mais dois singles acompanhados de clipes, “Depois da Dor o Ódio” e “Também Somos Feitos de Derrotas”, músicas feitas durante o tempo de isolamento na pandemia e que trazem a nova cara e rumo que a banda pretende tomar nas próximas composições.
“Depois da Dor o Ódio” foi lançada como single em novembro de 2021.


Poucas Ideias (Jundiaí)

Banda de punk hardcore formada em março de 2019 por Fillipe Kbelo (voz), Danilo Braga (guitarra), Felipe Furlan (baixo) e Vitor Dadalto (bateria). Composta por integrantes que acreditam na força e cultura do movimento underground, chegam com suas músicas carregadas de energia, peso e velocidade, trazendo em suas letras temas relacionados ao cotidiano e questões sociais.
“Natureza” foi lançada como single em junho de 2020.


PS-HC (Jacareí)

Formada em 2003 e hoje com Claudio (vocal), Aninha (vocal), Aline (vocal), Paulinho (guitarra), Marcelo (baixo) e Rodrigo (bateria), a banda tem letras de protesto e anti-governo e se autointitula hardcore de periferia. PS-HC já lançou dois discos, “Foda-se o Palácio” (2004) e “Pare pra Pensar (2016), e dois EPs “Não Podemos Temer” (2017) e “Ódio Demais” (2021).
“Ódio Demais” faz parte do EP de mesmo nome, lançado em 2021.


Revel (Agudos)

Formada originalmente em janeiro de 2000, Revel retornou às atividades em 2015 e hoje é formada por Kleber Cabrera (voz), Du Mattos (bateria), Birão Spoldari (baixo) e Thiago Braga (guitarra). “Desde seu início a banda alia crueza punk, crítica social com letras nítidas em português e referências diversas principalmente do hardcore underground nacional”. Na sua nova fase a banda lançou um EP, “Estrada Perdida” (2019).
“Trabalha” faz parte do EP “Estrada Perdida” (2019).


Sociopata (Bauru e Agudos)

Formada em 2008 nas cidades de Bauru e Agudos, SP, por Kleber Cabrera (voz), Birão Spoldari (baixo), Thiago Braga (guitarra), Leo Sanches (guitarra) e Marcos “Cowboy” (bateria), a banda surgiu com a proposta de fundir thrash metal com hardcore e progressivo. Segundo eles, “O nome da banda é bastante sugestivo e aberto à interpretação, partindo para um viés psicológico, bem como as letras, que levam os ouvintes à auto-análise de seus atos”. Sociopata já lançou uma demo, “Sociopata” (2013), e um EP, “Corrosão” (2016), e atualmente está gravando seu primeiro disco, que será lançado ainda esse ano.
“Soluciona” faz parte do EP “Corrosão” (2016).


Too Steps Back (Mairinque)

Too Steps Back é o projeto solo de Robson Dionisio, foi criado no inicio de 2020 com a intenção de realizar um sonho de adolescente: ter uma banda de punk rock. A banda tem um misto de nostalgia e inconformismo com o mundo atual, as letras políticas abordam temas do nosso cotidiano. Segundo Robson, “Toda a composição, gravação e produção foi realizada por mim mesmo e as influências te remetem aquele passado que você jogava Tony Hawk’s Pro Skater, sem se preocupar muito com a vida. Gravei este EP, entitualdo ‘Energy’, com a intenção de transformar energia em música, ocupar minha cabeça e talvez oferecer um pouco de entretenimento a quem possa interessar”.
“Modern Days” faz parte do EP “Energy” (2021).


War X Inside (Jundiaí)

Formada no começo dos anos 2000 e hoje composta por Franz (vocal), Bilw (guitarra), Rakel (baixo) e Dorfo (bateria) War X Inside é uma banda punk vegan straight edge. Segundo a banda, “War X Inside é formada por quatro pessoas que levam o veganismo como estilo de vida e acreditam que a música é uma ferramenta de ativismo político e social. Abordamos temas que achamos relevantes em nossas letras e em nossas apresentações”.
“Não Nos Render” faz parte do disco “Banned in Jdy” (2019).


Fizemos playlists com as músicas disponíveis nos streams, mas como faltam várias bandas eu recomendo muito que você ouça no Bandcamp.


Entrevistas

Entrevista: Corpo Expandido

Onde habita o espírito de um artista? Acho que depende de quando essa pergunta é feita. No momento, se você perguntar isso para a baiana Paula Holanda Cavalcante, talvez encontre cascatas, riachos e ruínas. Vai saber. O fato é que o espírito de um artista é transitório, vive de viajar entre diversos cenários porque esse é o seu ofício. O movimento é o processo.

No caso de Paula (musicista, fotógrafa, acadêmica), cito esses cenários porque são o plano de fundo de seu primeiro EP com o projeto Corpo Expandido, “Entre Ruínas e Devaneios”. Lançado em dezembro de 2021, ele é um álbum instrumental, quatro faixas que descrevem justamente cascatas, riachos, ruínas e um luto em outono através do violão da autora.

As faixas são marcadas pelo clima de melancolia e um vazio que remetem ao período do isolamento e luto daquele ano. A capa, elaborada por Henrique Vaz, já dá o tom do EP: uma imagem aérea da Cordilheira dos Andes, deserta, fria, solitária e envolta em nuvens.

A gravação foi realizada no Gato Preto Estúdios em Feira de Santana, BA, e a mixagem e masterização ficou por conta de Jonas Costa.

É para falar do EP e da recente, mas expansiva, trajetória artística da autora que chamamos aqui Paula Holanda Cavalcante. Confiram:

Inicialmente, como surgiu a ideia do projeto Corpo Expandido? Você já havia tocado em bandas antes, depois foi para a fotografia e para uma área mais acadêmica. O que te deu o estalo para voltar para a música?

Eu comecei a compor no violão sem nenhuma pretensão. A princípio, era algo que eu fazia para relaxar e me distrair, e nem passava por minha cabeça transformar esse ritual em um projeto. Mas depois fui convencida a socializar essas composições, porque muitas pessoas me estimularam a fazer isso.

Esse ritual de composição surge justamente de uma lacuna deixada pela fotografia durante o período da pandemia. Eu aprendi a fotografar a rua, e aprendi a fotografar outras pessoas (muitas vezes aglomeradas). Era o que eu amava fazer, então a ideia de fotografar no isolamento social me pareceu simplesmente insuportável.

Eu até tentei criar projetos de fotografia em casa, mas não havia nenhuma naturalidade. As fotografias que fiz nos últimos dois anos são sofríveis (risos). Em 2020 participei de uma oficina de criação de trilha sonora para fotografias, acho que esse foi o grande estalo.

E por que a escolha pelo instrumental com o violão e não mais uma banda convencional?

A escolha por este formato foi meramente sanitária (risos). Criei um projeto solo porque estava respeitando o isolamento social. O violão era um instrumento que eu já tocava e tinha em casa. Mas não acho este formato tão fora do comum.

Como foi o processo de criação do EP? De onde surgem as músicas?

Foi muito livre e intuitivo, as composições surgiram muito espontaneamente, basicamente inspiradas por fotografia, literatura, natureza e meus próprios pensamentos e sentimentos.

Você, de alguma forma, relaciona a música à outras áreas que você já trabalhou antes? Como a fotografia, por exemplo?

Com certeza! Acho que não consigo separar meu interesse por imagem do meu interesse por som, por isso meus projetos sempre seguiram caminhos muito interdisciplinares.

Meu interesse por fotografia está muito vinculado ao meu interesse por capas de discos, ensaios fotográficos de artistas da música e coberturas de shows. Coisas que eu inclusive já fiz profissionalmente e pretendo voltar a fazer quando me sentir confortável para isso.

Como tem sido a recepção do EP?

A recepção está superando qualquer expectativa que eu poderia ter. Meu lançamento de estreia é um EP extremamente cru e sem muito planejamento, então a verdade é que eu não tinha expectativa nenhuma.

Mas antes mesmo que ele fosse lançado oficialmente, o Alexandre Matias decidiu me fazer uma surpresa e enviou o vídeo privado do EP para o Kiko Dinucci, que elogiou minhas composições e me incentivou a continuar compondo.

Eu evito palavras como “fã” ou “ídolo”, e não gosto de dinâmicas de fanatismo e idolatria, mas também não vou negar que é muito emocionante receber apoio de pessoas que você admira e que fazem trabalhos que te inspiram diretamente. Consegui alcançar o radar de artistas e profissionais que considero gigantescos e conheci muitas pessoas legais graças ao EP e a quem acreditou nele.

Como você vê o alcance da música instrumental no cenário atual? Dá pra passar uma mensagem sem usar palavras?

Não sei responder à primeira pergunta com precisão, acho que não tenho conhecimento o suficiente para desenvolvê-la de maneira objetiva. Eu sinto que a música instrumental é muito desvalorizada em relação à canção, o que é uma pena, pois no Brasil muitos dos melhores projetos musicais em atividade atualmente são instrumentais, na minha opinião.

Meu palpite é que boa parte das pessoas não tem interesse em música instrumental porque não tem interesse em escutar e nem se comunicar por vias que não envolvem as palavras.

O que me leva à resposta da segunda pergunta: dá para se comunicar sem usar as palavras? É óbvio que dá, e é isso que eu estou tentando fazer há um bom tempo.

É por isso que eu fotografo, é por isso que eu faço música instrumental e é por isso que eu dou aula de arte, porque quero que outras pessoas aprendam a se comunicar para além das palavras, com a fotografia ou com a música instrumental, por exemplo.

É importante ter consciência de que, como toda linguagem, linguagens visuais e sonoras não são naturais, são ferramentas socioculturais e, portanto, precisam ser aprendidas, mas o sistema educacional do Brasil geralmente privilegia as linguagens textuais em detrimento das outras.

Você citou o Kiko Dinucci, o que mais você tem ouvido e que tem te inspirado ultimamente?

Sun Ra, Pharoah Sanders, Alice Coltrane, Don Cherry, Baden Powell, Bert Jansch, John Fahey, Gábor Szabó, Frantz Casseus, Violeta Parra.

Os nomes das faixas do seu EP parecem sempre remeter a cenários, a cascata, as ruínas, o riacho. O que esses lugares representam para você? O que eram essas ruínas?

As composições foram bastante inspiradas por fotografias e paisagens da natureza. Para mim a natureza representa paz e conexão com o mundo interior, uma introspecção quase espiritual, que os contextos urbanos não nos permitem experienciar.

E os títulos das faixas são objetivos e ao mesmo tempo subjetivos, eu por exemplo compus “Riacho” pensando na materialidade de um riacho, mas também na sensação que um riacho pode causar, que talvez seja uma ideia mais abstrata. Assim como “ruína”, é uma palavra que pode evocar tanto materializações quanto abstrações.

Objetivamente, “ruína” me remete a texturas ásperas e rochosas como as representadas na fotografia da Cordilheira dos Andes que usei como capa do EP, e subjetivamente, ela me remete à incerteza e vulnerabilidade que penso ter sido presente na vida de todo mundo em algum momento desde que a pandemia começou.

Quais são os próximos passos para o projeto Corpo Expandido? A gente pode esperar apresentações ao vivo?

Quero lançar um LP este ano. Em relação às apresentações ao vivo, a ideia de fazer shows, por enquanto, é algo que me deixa em dúvida. Infelizmente, ainda me sinto desconfortável em ambientes fechados e que têm uma concentração muito grande de pessoas. Apesar de que, quando eu me apresentar com esse projeto, acho que não vai dar muita gente (risos).

Existe certo receio, mas de qualquer forma, estou me preparando, porque uma hora esse dia vai chegar, né? O próprio Matias está querendo organizar um show meu em São Paulo, surgiram convites na Bahia também. Vamos ver.

E pra finalizar, o que você tem a dizer pra quem está pensando em começar um projeto agora, pro pessoal que sente essa necessidade de criar algo?

Se você quer criar algo, descubra uma maneira de criar que seja possível. Se você já sabe como criar, crie.

“Corpo Expandido” está disponível no Bandcamp e nas redes de stream.


Lançamentos

VEIO AÍ – Lançamentos de Março

O que falar de março que mal acabou mas já considero pakas? Entre visitas de amigs que não via há tempos + ver Alexisonfire ao vivo depois de 20 anos esperando, me sinto vivão de novo (ou finalmente?).

Não ironicamente, tudo isso não existiria se eu não me entregasse e comprometesse à música independente há décadas. Então, obrigado por nos acompanhar, por manter nossa chama acessa!

Como de costume, não pode faltar aqueles recadinhos de sempre: 1) Pra ter seu material publicado aqui, escreve pra gente no busridenoteszine@gmail.com; 2) Se curte o Busão, temos uma campanha recorrente no Apoia-se. Ajuda nóis a continuar produzindo! E 3) Disponibilize seus materiais em TODAS as plataformas! Seu público escolhe onde quer te ouvir. Procuramos colocar aqui na coluna links do Youtube por ser democrático, acessível e GRATUITO.
Vem!

Crime Caqui – Atenta

Um dos discos mais esperados da tripulação busãozística, o Warpaint sorocabano entregou tudooo! Que delícia de álbum, viu? Só vou dizer: OUÇA. No repeat. Sério.
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crise – crisedaporradecrise

Segundo Mama Rachmuth, “isso não é uma banda, é só uma crise”. “crisedaporradecrise…” é uma compilação de dois EPs e algumas músicas de demos gravadas entre 2019 e 2021 em Londres, onde Mama mora atualmente. O disco foi lançado pelo Selo Preto de São Paulo.
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Gaspacho

Formado por Eliza Möller (Olympia Tennis Club) e Juliana Trevisan (Black N.3), o duo punk do interior de Minas lançou em março seu primeiro disco homônimo. “Gaspacho” foi produzido à distância entre 2020 e 2021. Baterias foram gravadas num celular Android, guitarras em um notebook sem interface de áudio e alguns vocais foram captados diretamente no zap (amamos a era lo-fi e os discos que ela proporciona). Lançamento da Rapadura Records.
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Inoutside – Dare the Night

“Dare the Night” é o segundo single do primeiro disco de Inoutside, que será lançado ainda esse ano, e foi lançado junto de um clipe. Segundo a banda, “‘Dare the Night’ é uma canção sobre um vazio interno, o qual o eu lírico busca preencher na noite com experiências fúteis e efêmeras, com relações líquidas e inconstantes, mas sabendo, no fundo, que não é dessa forma que vai conseguir lidar com isso. Esse ponto vai ficando cada vez mais claro, até que o eu lírico desista e perceba que a solução não está na noite, mas no fim dela: na luz”.
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Janelles – Maus Hábitos

Formada em setembro de 2021, pela internet, a girl band de punk rock bubblegum de Curitiba lança seu segundo single, “Maus Hábitos”. “Até o primeiro ensaio, nem todas as integrantes se conheciam pessoalmente. Um pouco por conta da pandemia, mas também porque moramos em cidades diferentes. Mari manda os vocais de São José dos Campos, SP, Jenny grava a batera em Porto Alegre, RS, e Pri e Re gravam guitarra e baixo em Curitiba, onde temos nos encontrado e ensaiado quando conseguimos nos reunir”. A banda planeja lançar seu primeiro EP ainda esse ano.
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Memorial State – Bloomed

“Bloomed” é o primeiro EP de Memorial State, banda formada por brasileiros que se conheceram em Porto, Portugal. Eles anteciparam o novo EP com o lançamento de dois singles e clipes, “Hard To Believe” e “Empty Space”. Seu primeiro disco, “Heavy Colors”, foi lançado em 2020.
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MilloMiragem

Os incansáveis da Millo estão de volta com mais um single bonitão, dessa vez com participação do guitarrista João Elbert.
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Navy Blue – Leaving Home

Sabe aquele pop punk gostosão que te leva de volta pro MySpace, com aquele refrão bão demais pra cantar junto? É o dessa rapaziada! (edit: depois de escrever aqui, conheci o Fabio, baixista, há algumas semanas em Curitiba. A ~cena é um ovo!)
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Paranoia Bomb Realmente Paranóico

“A dúvida da volta à nossa normalidade é o principal ponto da mensagem da música. Talvez o atraso e a paciência sejam necessários para esperarmos algum rumo nas nossas vidas cheias de altos e baixos”, diz o supergrupo de country punk brasiliense sobre seu novo single.
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Rosa Tigre – Sessão da Tarde

“Sessão da Tarde” é o single de estreia da banda paulistana. Rosa Tigre, formada no final de 2021, chega com um bubblegum cheio de nostalgia por uma época “mais simples”, onde a única preocupação era escolher o que assistir na tv.
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Sara Não Tem Nome – Pare

No Carnaval zoado (onde foram proibidas festas de rua, mas aceitas feitas privadas) desse ridículo que o país se tornou, teve marchinha. Sara Não Tem Nome lançou, junto de um clipe, “Pare”, uma marchinha que ironiza o absurdo no qual se transformou nossa vida cotidiana, desde o início da pandemia. “Pare pra eu descer, essa viagem já foi longe demais”. “Pare” fará parte do próximo disco de Sara Não Tem Nome, “A Situação”.
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suave – devir arcano

suave é ambient experimental e iniciou em março um grande projeto com “devir arcano”. “Neste experimento me propus a mergulhar profundamente na simbologia dos arcanos maiores do tarot. Cada uma das cartas me acompanhou por semanas a meses, num processo de devir culminando na criação de uma música”. Cada música será lançada como single junto de uma ilustração de Vitória Lobo da Paixão. “A ideia é que ao final projeto vocês tenham não só as 24 músicas, mas também um baralho ilustrado funcional”.
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Terra Mãe – Vontade Que Não Morre

A banda de Campinas, SP, lançou seu quarto EP, “Vontade que Não Morre”, que tem influências do post-rock e emo anos 90 e revival (aquele tiquinho de math rock esperto). Segundo a banda, “Este novo trabalho inicia uma nova fase na Terra Mãe. É um trabalho totalmente experimental, onde finalmente conseguimos encontrar o ‘nosso som’ e estamos muito felizes e confortáveis em poder compartilhar essa nova sonoridade. São três faixas pensadas para ser algo extremamente simples”.
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Teto das Nuvens – Epílogo

A banda porto-alegrense de emo e post-hardcore lança seu primeiro single depois do disco “Caso Você Esteja Errado” (2020). Segundo a banda, “Esta música fala sobre aprisionamento e libertação dentro de relações, principalmente amorosas. O peso e a dor de quando nos anulamos para manter relações. O quanto isso acaba nos destruindo gradualmente e a dificuldade que muitas pessoas têm para sair dessa situação”.
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Uhrutau – Wicked

Depois do single “Carnival”, a banda de metal progressivo acaba de lançar “Wicked”, ambas músicas farão parte do álbum “Memory”, que será lançado em abril.
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Entrevistas / Leituras

Big Jesi e o #30dias30beats

Você possivelmente já ouviu falar de algum dos desafios mensais da internet. Pra quem desenha tem o Inktober, o She Shreds faz o #1RAD (1 riff a day), onde participam mulheres e pessoas não-binaries tocando guitarra ou baixo e tem também o #30dias30beats, cujo nome é autoexplicativo.

A ideia do 30 dias 30 beats foi impulsionada por Daniel Jesi, músico e produtor de João Pessoa. Esse ano ele terá sua quarta edição.

Conversamos com ele sobre o desafio, seu novo disco e muito mais.

Pra começar, você pode falar um pouco sobre a sua trajetória na música?

Comecei na música com a banda instrumental Burro Morto, que tem influências de afrobeat. No cenário de rock progressivo havia um grupo de bandas e esse grupo formou um estúdio, Mutuca, e esse estúdio acabou abrigando vários artistas renomados.

Depois da Burro Morto comecei produzir as minhas músicas na intenção de mostrar pra outras pessoas e formar uma nova banda, e enquanto isso eu tocava com outros artistas.

Eu não me via como produtor, apenas músico, mas o ambiente do estúdio te força a ser um pouco produtor. Muitas vezes você tá gravando uma pessoa e o artista tá sem ninguém pra dar um feedback, porque essa figura do produtor musical geralmente aparece quando há um financiamento, quando há algo voltado para o mercado, e lá gravávamos muitas bandas novas. Eles perguntavam “Você acha que essa guitarra tá massa?”. Comecei a virar produtor por causa disso.

O Mutuca virou exclusivamente um estúdio de gravação e eu queria um estúdio de criação, um lugar onde eu pudesse errar, não temos essa possibilidade num estúdio de gravação.

Nessa época conheci Mari Oliveira, que me apresentou o slam aqui de João Pessoa. Comecei a frequentar os slams e conheci Filosofino, Bixarte e outras pessoas que faziam hip hop na cidade, que era algo que eu não tinha tanto acesso. E nisso, junto com Riegulate, criamos o BBS com a intenção de entender o que a cidade tinha e como podíamos colaborar com isso.

Junto com Bravo, formamos um núcleo de ideias “Vamos produzir do jeito que der. Tenho um computador e uma mesa em casa, chama Filosofino pra gravar e lançamos mês que vem”. E essa ideia foi o pré 30 dias 30 beats: o que eu tiver, tenho que lançar. Se eu tiver só um computador, gravo com auxilio do celular. Fizemos isso, junto com shows, pra movimentar a criação local.

O que é o “30 dias 30 beats”? E como ele surgiu?

A ideia é experimentação, criação, exercício, mostrar uma coisa crua e o Instagram era a plataforma pra isso na época. Ele tem dois lados: o cru, como as lives, e o mais produzido, que te dá um gancho pra te levar pro Youtube, pro Spotify. Acho que hoje o TikTok leva pra um outro caminho.

O movimento 30 dias 30 beats era um grupo no Whatsapp que foi crescendo com a disseminação da hashtag. As regras foram surgindo quando mais pessoas chegavam. Surgiam dúvidas e então delimitamos uma lista de sugestões, na verdade não são regras: a faixa tem que ter pelo menos um minuto, o video também, tem que postar um por dia e etc.

No terceiro ano (2021) houveram algumas frustrações, pois conseguimos produzir facilmente, mas somos ludibriados por não entender como funciona a parte da finalização da coisa, o lançamento. Eu tenho dois discos engatilhados, que foi o material que produzi durante os dois últimos 30 dias 30 beats.

O seu disco, “Kroutons”, foi produzido durante o desafio, certo?

Todo meu primeiro disco saiu do primeiro 30 dias 30 beats, começou com músicas de um minuto, pois é o limite de duração de videos do Instagram, mas como os streams não aceitaram 30 faixas com um minuto cada, tive que reformular, mesclando faixas.

O disco teve a participação do Diego do Hominis Canidade, ele fez uma playlist com as 30 faixas e dessa playlist eu mesclei elas. Há alguns cortes bem verticais mesmo, uma música pra outra na mesma faixa.

Vocês fizeram uma coletânea com algumas das músicas produzidas durante uma das temporadas, não?

A coletânea “mvmnt vol.1” surgiu dentro do 30 dias. O pessoal sentiu a necessidade de ter um selo desvinculado à hashtag, e daí surgiu o 30DB.

Fizemos a primeira coletânea e foi legal, teve um feedback bom, mas percebemos que nós temos uma grande dificuldade com a conclusão da música, masterização, lançamento.

Era um grupo com 170 pessoas e somente 14 mandaram uma música pronta pra coletânea, aí você começa a perceber que existe um gap que não é sobre a criatividade, algumas pessoas veem esse passo da finalização, da produção, como algo que não é artístico.

É sim, mais burocrático, mas temos que aprender a fazer essa parte também, no final muita gente deixa de ser conhecida só porque não colocou sua música nos streams. Não que eu apoie os streams, mas hoje é uma necessidade. Onde tá minha comunidade? Eles usam o Spotify? Então tenho que estar lá.

Lançamos ela, mas não teve força pra um segundo ato, eu não pude monitorar e também não houve ninguém no grupo que tinha essa disponibilidade, era algo muito trabalhoso, tinha muita gente envolvida.

Últimas considerações? Algum recado?

Se ligar pra fazer parcerias na cidade, fortificar a própria base é muito importante. Se tem um artista do seu lado que não consegue se sustentar, e você tem capacidade disso, se junta com essa galera, pois a possibilidade de criar algo novo é maior e as pessoas que acompanham artistas conhecidos também querem coisas novas. Pensar menos e fazer mais.

Meu primeiro contato com o 30 dias 30 beats foi em 2021, quando vi Cada Dia Outra Música compartilhando um chamado. Fiquei curiose e fui ver do que se tratava. Achei interessantíssimo e resolvi participar, já que durante a pandemia eu aprendi a fazer beats.

Resultado: comecei o mês com um celular e terminei ele com um controlador midi. Foi intenso. Entre criar uma faixa e postar ela no Instagram há um longo caminho de aprendizagem, que é as vezes chato, mas não é difícil.

Viva a era lo-fi! Hoje é possível fazer música eletrônica sem precisar de muito dinheiro pra equipamento, e melhor ainda, com equipamentos que são um tanto fáceis de usar, como um celular (todo mundo tem) e um computador.

A cada dia os gêneros musicais se mesclam mais e vira tudo arte, muitas vezes fica difícil rotular, e os beats (aquela base de percussão eletrônica, mas nem sempre só) a gente já vê em todo lugar hoje, inclusive no rock.

Convidamos todes a acompanharem o #30dias30beats (tanto na hashtag quanto no perfil), que começa 1 de abril, é muita energia criativa num lugar só.