Bus Ride Notes

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Resenha

VEM AÍ!, parte 2 – O que é pre-save e porque usar!

Dado ao enorme sucesso (rs) da primeira matéria sobre lançamentos, resolvemos fazer uma segunda parte!

Tendo em vista várias novidades pipocando por aí, queria trazer um pouco de conteúdo e falar sobre pré-save, direcionando o papo à galera das bandas. Quase ninguém usa essa isso em terras brasilis.

– Ô seu doido, mas que diabos é pré-save?

É uma ferramenta que permite que seu público, vulgo seus fãs, incluam as músicas em suas bibliotecas/playlists antes da data oficial de lançamento, tendo acesso às músicas logo nos primeiros segundos em que estiverem disponíveis.
E por que motivos você deveria usá-la? Vamos lá:

  • Chama atenção dos ouvintes, criando expectativas e aumentando o engajamento do seu trabalho – antes mesmo de ser publicado.
  • Você pode aproveitar a oportunidade para publicar um teaser, seja um trecho da música ou videoclipe, e/ou também a pré-venda ou anúncio de novos merchs.
  • Reforçando o engajamento, o algoritmo do streaming vai ~crescer o olho pra cima de você, o que aumenta a possibilidade de conseguir adentrar as grandes playlists editoriais das plataformas – exponencialmente te levando a um possível número de maior de ouvintes. (Importante: estou falando de hipóteses, não é uma garantia!)
  • Ok, há poucos dias fomos informados sobre o vazamento de dados de milhões de pessoas no Brasil. Então é preciso ser cauteloso nessa parte. É que o pré-save serve também pra você coletar dados sobre seu público, como localização, faixa etária… te permitindo direcionar melhor sua comunicação. Às vezes rola até endereço de email, que pode se tornar um mailing de newsletter. Mais importante ainda: NÃO SEJA CUZÃO, NÃO VAZE OS DADOS DE NINGUÉM!
  • E você, caro/a ouvinte, se por acaso vir suas bandas preferidas soltando um pré-save: FAÇA-O! Isso ajuda muito mais do que pode imaginar.

Sua distribuidora de música certamente oferece a possibilidade de um pré-salvamento. Vale a pena dar uma conferida .


Dito tudo isso, hora do esquenta pros pré-saves todos:

Autoclismo
Diretamente de Teresina/PI, o trio instrumental vai lançar seu novo EP, “Tetra”, no próximo dia 23. E, eba!, tem pré-save, que você pode fazer aqui. Acompanhe a Autoclismo pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Californicks
A rapaziada do hardcore melódico de Mauá/SP tem publicado há algumas semanas os bastidores da gravação de seu novo material. Seu último trabalho foi o EP “Por Todos Nós”, de 2018. Acompanhe a Californicks pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Charlotte Matou um Cara
No último post, a gente chutou e fez gol! Só atualizando mesmo, Charlotte anunciou seu novo disco, “Atentas”, que está em fase de financiamento coletivo – e você pode contribuir aqui.

Família Estranha
Fugindo um pouco da curva (até pros padrões do Busão), Família Estranha é uma banda londrinense influenciada por música brasileira, latina e bluegrass (!), que tem a rua como seu palco principal. Estão com campanha de financiamento coletivo pro seu primeiro disco, “Toda Família Merece um Álbum” – e você pode contribuir aqui. Acompanhe a Família Estranha pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Join the Dance
Depois de soltar o single “The Sun” ano passado, os cariocas de hardcore melódico skate delicinha entraram em estúdio semana passada novamente. Aguardemos! Acompanhe a Join the Dance pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Kattana OCK
Duo de horror punk, baixo+bateria, estão em fase de gravação de seu material de estreia. Dá pra dar um confere nesse áudio aqui que o trem vai ser doido! Acompanhe a Kattana OCK pelo Instagram.

Medrado
Parece que vem coisa nova por aí nos versos do Medrado, que tem lançado vários singles. Um EP em parceria com o produtor An_Tnio tem previsão para ser lançado nos próximos meses. Acompanhe o trabalho do rapper pelo Instagram, Soundcloud e Spotify.

Numbomb
O trio de crust/grindcore de Brasília-via-Lisboa não terá só um, como dois lançamentos em breve: seu primeiro álbum e também um split com a Nekkrofuneral. Acompanhe a Numbomb pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Paranoia Bomb
Projeto recente de veteranos da cena punk rocker brasiliense (Firstations, Dissonicos, Caos Lúdico, Conteste!, Nada em Vão), o supergrupo traz também influências do country e do folk. Incansáveis, estão estúdio gravando o sucessor do EP “É Hora de Ir”, de 2020. Acompanhe a Paranoia Bomb pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Personas
No fim do último mês, os jovens do rock triste lançaram o single “E Eu Me Desespero Facilmente”, que dita o tom de seu próximo EP. Acompanhe a Personas pelo Instagram, Facebook e Spotify.

SLVDR
Faz bem uns 5 anos que saiu o excelente “Presença”, e dentro em breve tem novidades também! Se você curte uma fritação instrumental, fica de olho! Acompanhe a SLVDR pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Signo 13
Há quase 10 anos na estrada, vários EPs e coletâneas na bagagem, a banda pós-punk do DF lançou seu primeiro álbum “Serpentário” num formato inusitado: soltando cada faixa como single, mensalmente, entre setembro de 2019 e outubro de 2020. E trarão mais novidades em breve! Acompanhe a Signo 13 pelo Instagram, Facebook e Spotify.

coletânea Coletivo Lança
O coletivo ainda prepara pra se lançar oficialmente em breve, com um evento online. Mas já nos adiantou sobre sua primeira atividade: uma coletânea (ainda sem nome), que tem confirmada as presenças de nomezassos como Loyal Gun, Hayz, Trash No Star, Letty, Drowned Men, Fragmentos Urbanos e Gomalakka, com músicas inéditas, será lançada no primeiro semestre. Como ainda não temos links oficiais, fica de olho nas bandas pra acompanhar!

coletânea Território Antifa
Produzida pela produtora Casa Sonora, várias bandas antifas da região metropolitana de Porto Alegre se reúnem nessa coletânea que promete! Todas entrarão com duas músicas inéditas. Alguns nomes confirmados: Lo que Te Voy a Decir (AMO!), Pupilas Dilatadas, Cine Baltimore e Punkzilla. Acompanhe a Casa Sonora pelo Instagram e Facebook.


Por hoje é isso! Espero que esse amontoado de palavras e links tenha sido útil pra você. Acredito que não faremos uma parte 3 sobre lançamentos futuros, mas pode mandar sua pauta no busridenoteszine@gmail.com. Sextou!

Playlist

VEM AÍ – O que esperar de lançamentos para 2021?

Não sei você, mas pessoalmente tenho pequenas crises de ansiedade às quintas-feiras, antecedendo o Radar de Novidades do Spotify da sexta. Já faz parte da minha rotina – inclusive, minha playlist do ano de 2021 tá rolando. Pra dar uma amenizada nisso, costumo organizar uma lista do que tá pra sair, até pra não acabar esquecendo.

Ano passado tivemos uma baixa considerável no âmbito de lançamentos. Não preciso entrar nos méritos de dificuldades pandêmicas e etc., né? Foi e ainda tá foda pra todo mundo. Mas precisamos apoiar quem teve e tem condições de trabalhar de forma segura nesse período. E também esperar que todo mundo retome as atividades, o mais breve possível <3

Enquanto isso, bati um papo com contatinhos de bandas e selos nacionais, e abaixo elenco alguns lançamentos confirmados, previstos ou mesmo especulados – a esperança é a última que morre. Pega seu café e vem comigo!


A Trip to Forget Someone
Poucas semanas depois de publicar o single “Portão 14”, em setembro passado, a banda instrumental de Belém/PA anunciou a gravação de uma nova música, que ainda não saiu. Será que agora vai? Acompanhe A Trip to Forget Someone pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Agreste – Super Abalada (EP)
O trio belorizontino formado por remanescentes da amada Miêta soltou o (viciante) single “Cíclica em agosto passado. Podemos concluir ou presumir que, a qualquer momento, saia o EP completo? Acompanhe a Agreste pelo Instagram e Spotify.

The Biggs
Os últimos singles, “Breech Delivery” e “(Battle)Fields” saíram em 2015. Numa live recente, apresentaram uma música nova, “See You”. Será que podemos esperar mais novidades pra esse ano? Tá na hora né? Afinal o último álbum saiu há longos 12 anos… Acompanhe o Biggs pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Charlotte Matou um Cara
Nada oficial, mas algumas músicas inéditas (como “Lembrar Para Não Repetir” e “Farsantes Com a Bíblia na Mão”) foram apresentadas em shows passados e lives no último ano. Podemos sonhar com uma tão esperada voadora na cara como foi o disco homônimo de 2017? Acompanhe a Charlotte pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Deadtrack
Meus queridos crust punk metal brabo de Uberlândia estão em fase de gravação do material novo, sucessor do disco pedrada “Rupture”. Ainda sem data prevista de lançamento. Acompanhe a Deadtrack pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Enema Noise
Trabalhando em um novo EP de remixes e versões de músicas antigas, já tendo como uma prévia “Bayer + Monsanto” (an_tnio remix), a incansável e barulhenta banda candanga logo menos tem novidades – prevista pra esse primeiro semestre. Vem na sequência do EP “Aquilo que já é meu/ Hora mais fria”, que também saiu em vinil 7″. Acompanhe a Enema pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Escolta
O quarteto de rap metal brasiliense começou a gravar o novo material há poucos dias. Os shows do disco “Efeito Moral” foram incríveis, super energéticos. Que continue nessa pegada! Acompanhe a Escolta pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Eskröta – Vida Artificial (single)
Poucos meses após o discasso “Cenas Brutais”, a Eskröta retorna com um novo single, disponível no dia 28, próxima quinta! Acompanhe a Eskröta pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Gagged
Chegando em seu 17º (!) ano de estrada, os interioranos da Gagged estão em fase de composição com uma nova formação e (alerta de spoiler) preparando várias novidades. Seu último trabalho foi o disco “Sobre Nós”, de 2018 – veja o clipe de “Cidade Sem Lugar”. Acompanhe a Gagged pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Hayz
Com a possibilidade de gravar em casa, como foi o caso do excelente single “A Soma de Todos os Medos”, lançado há pouco mais de dois meses, seria correto supor que vem mais coisa por aí em breve? Por favor, nunca te pedi nada! <3 Acompanhe a Hayz pelo Instagram, Facebook e Spotify.

In Venus – Sintoma (álbum)
Com o belíssimo clipe do single Ansiedade, o quarteto pós-punk anunciou seu novo disco, Sintoma – com vinil já em pré-venda. Acompanhe a In Venus pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Jova – Nada é Fixo (EP)
O artista de Belford Roxo/RJ lançou em 2020 seu primeiro EP, “Músicas Para Ouvir Perdido na Floresta” e o segundo EP de Jova, “Nada é Fixo”, que será lançado dia 29 de janeiro já tem pré-save. Embalado pela pandemia de Covid-19, ele traz como temas situações com as quais fomos obrigados a lidar por causa do isolamento social. Acompanhe Jova pelo Instagram e Spotify.

La Burca – Desaforo (álbum)
Organizei uma minitour do lançamento do último disco, “Kurious Eyes”, em 2016 aqui pelo cerrado (DF e Goiânia). Portanto, “Desaforo” é muito esperado! Já tem um single instrumental, também chamado “Desaforo”, rolando por aí – e o disco vai sair em vinil! Acompanhe a La Burca pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Manger Cadavre?
Uma das mais ativas, prolíficas e turnêzantes bandas da última década, também está com nova formação e postou recentemente que logo terão novidades. Aguardamos o que vem em sequência do excelente disco “AntiAutoAjuda” (2019). Acompanhe a Manger Cadavre? pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Movva – Depois da Tempestade (EP)
Meus meninos da nova geração do hardcore de Jaboticabal/SP terminaram recentemente a gravação de seu EP de estreia. Já experientes na cena do interior, lançaram o single “Alento” ano passado como uma prévia do que está por vir. Acompanhe a Movva pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Naja White – desabafEMOs (EP)
Depois da estreia com o single O emo tá de volta em 2020, a drag queen revelação do emo nacional se prepara para lançar o primeiro EP. Disponível no próximo dia 29, sexta – e já tem como prévia as faixas “Pontes” e “Vida de Adulto”. Acompanhe Naja White pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Nada em Vão
Os bonitos do punk rock melódico delicinha brasiliense começaram a gravar seu primeiro álbum, dois anos após o último single, “Chegou a Hora”. Porém como nem tudo são flores, precisaram dar uma pausa enquanto o baixista César se recupera de dois braços quebrados. Acompanhe a Nada em Vão pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Paciente Anônimo
Dividi palco com eles em 2019 e olha, que sonzeira! Esperam entrar em estúdio nos próximos meses para registrar seu primeiro material. Acompanhe a Paciente Anônimo pelo Instagram.

Saving Lipe
Projeto solo de rock noventista do jovem Felipe Casquet, baterista da Casquetaria, em que ele assume todos os instrumentos e vocais. O single If I Had to Stay Alone já está disponível, e é uma prévia do EP homônimo previsto pra esse primeiro semestre de 2021. Acompanhe a Saving Lipe pelo Instagram e Spotify.

Trash No Star
Já tem alguns meses que tem um destaque no Instagram da banda indicando que rolou uma gravação… então cedo ou tarde vai pipocar por aí a sequência riot garageira do maravilhoso Stay Creepy (No) Summer Hits, de 2014. Acompanhe a Trash pelo Instagram, Facebook e Spotify.


ENFIM! É isto, amiguinhes. A lista não é muito longa se colocarmos em perspectiva tudo que acontece nesse Brasilzão véio sem porteira. O conteúdo dela se restringe à minha humilde bolha existencial. Se não conhece as bandas citadas, vale a pena ir atrás! E caso saiba de mais próximos ou possíveis lançamentos, manda pra gente no busridenoteszine@gmail.com. Quem sabe não sai uma parte 2?

Nota: Estamos com problemas nos links. Nesse post, estão todos em negrito. #AJUDALUSIANO


Entrevista

De Carne e Flor

De Carne e Flor é uma banda de post-hardcore formada em São Paulo em 2016 e hoje composta por Bruno Araújo (voz), Dan Carelli (guitarra), André Jordão (guitarra) e Eliton Si (bateria/voz).

Em Novembro de 2018 eles lançaram o primeiro EP, “Teto Não Familiar”, e fizeram o primeiro show.

Como quase todo post-hardcore e post-rock o som é muito melódico e as letras emotivas e de natureza vulnerável, nesse caso sob um mesmo tema. Por esse motivo eu recomendo que você ouça antes de ler a nossa entrevista, porque esse aspecto pessoal faz cada um interpretar as letras de uma maneira diferente.

A banda cita como influências Alexisonfire (Canadá), Envy (Japão), Touché Amoré (EUA), Pianos Become the Teeth (EUA), Colligere (Brasil), Suis La Lune (Suécia) e Viva Belgrado (Espanha), inclusive o nome da banda foi inspirado na música deles de mesmo nome, assim como a “inspiração para a exclamação dos versos em idioma latino, o que aumenta a dramatização pois viabiliza uma maneira mais carregada de pronunciar os versos”.

E nem só de referências musicais é feito “Teto Não Familiar”, esse é também o título do segundo episódio do anime “Neon Genesis Evangelion”, exibido pela primeira vez em 1995 no Japão.

Entre todos os seus detalhes, o EP contém quatro faixas que, dispostas de modo linear, formam a frase “A âncora que jogamos nas poças se transforma em medo e em desejo de um teto não familiar”.

A capa do EP é uma ilustração de Cristal Ganda, baseada em uma foto do quarto do vocalista Bruno. A marca quadrada no canto superior direito é uma referência ao Selo Preto (fundado por integrantes da banda), representando seu primeiro lançamento inédito.

Abaixo você lê nossa entrevista com a banda:

Vocês podem falar um pouco sobre a banda pra quem não conhece?

Bruno: A banda foi formada em 2016, com integrantes espalhados pela metrópole de SP (e continua sendo assim, mesmo com as mudanças de formação). O som é gritado, melódico e confessional.

“Teto Não Familiar” é um EP conceitual? O nome é uma referência e as letras seguem uma mesma linha de raciocínio. Vocês podem falar um pouco sobre essas escolhas?

Bruno: “Teto não-familiar” é o nome do segundo episódio de Neon Genesis Evangelion. A ideia de lançar um EP com esse nome surgiu na minha cabeça já na época em que a Black Clovd estava na ativa, era pra ser o nome do próximo lançamento, só que em inglês. O tema não foi intencional nas letras, mas ao ver as quatro músicas prontas, enxergamos que elas compartilhavam essa sensação de despertencimento, daí de última hora surgiu a ideia de formar uma sentença com a ordem dos nomes, gerando essa interação entre todos os elementos do EP de forma espontânea.

O primeiro show da banda foi depois do lançamento do EP, certo? Isso não é muito comum, como vocês chegaram a essa escolha?

Bruno: Acho que foi uma questão de foco. Queríamos estar bem ensaiados já na estreia, pra marcar bem o lançamento. Ter o EP lançado também serviu pra atrair o público e o pessoal que andava curioso com a banda desde o início, já que ele levou dois anos pra ser lançado desde que a banda começou. Aconteceu também de o André (guitarra) entrar na banda na reta de finalização do EP, então foram necessários mais uns ensaios pra ele aprender os sons e se inteirar com todo mundo.

A última música do EP, “De um Teto Não Familiar”, tem uma história, né? Você pode falar sobre?

Bruno: Escrevi a letra inspirado numa conversa com a minha mãe, onde ela narrou a trajetória de uma parente próxima que fugiu de casa ainda muito jovem pra se estabelecer em São Paulo (toda a geração anterior à minha da minha família foi nascida e criada no Ceará, tanto do lado materno quanto paterno). A ideia era fazer uma crônica ou um conto mesmo, mas acabou virando uma homenagem aos familiares e ao mesmo tempo um desabafo, tendo a luta e sofrimento que motivaram a ação libertadora da parente e toda sua geração como contraste à letargia e deslocamento que sentia na época que escrevi, e que também vejo permeados coletivamente hoje em dia. Não é algo novo ou criado por nós, mas em discussões ou reuniões a gente vê a diferença de tratamento que as gerações dão para questões de saúde mental. Não dá pra dizer precisamente se é a maior consciência/importância que costumamos dar sobre o assunto que nos faz sofrer do mesmo problema de formas diferentes, mas vejo a discrepância. Enfim, quanto mais falo sobre, mais enrolado fico pra explicar, e acho que a música é sobre isso também (risos).

Em Dezembro vocês participaram da coletânea “Tentáculos” do Selo Preto, que foi fundado por alguns integrantes da banda. Vocês podem falar um pouco sobre ela e sobre o selo?

Eliton: Não tínhamos realizado nenhuma apresentação até a estreia da banda, no final de 2018, então ficamos na febre de tocar por aí. Planejávamos agitar um show por mês por aqui e tocar em todo lugar que nos convidassem. Para isso resolvemos batizar os eventos enquanto o nome de Selo Preto aparecia no meu imaginário e em algumas conversas com bafo de bebida. Ocorreram cerca de 15 apresentações e isso agitou nosso pessoal de alguma forma. Tínhamos do lado as bandas Ravir e Obscvre Ser, que trouxeram bandas de fora de São Paulo e superaram os desafios de atender os custos disso. A coletânea então representava, no fim daquele ano, a compilação de todas as bandas que cruzamos nos eventos que essas bandas tocaram. Me sinto particularmente realizado por ser uma coletânea eclética, afinal tinha anseio de tocar com bandas variadas, no nosso limite ficou um conjunto bem diverso de músicas. O nome veio justamente dos vários “braços” de um polvo, que ele usa para alcançar alimento e trazê-lo para a boca. O objetivo geral é aumentar a visibilidade das bandas que tem seus materiais muito bem produzidos e que duram horas ou poucos dias no feed. Por enquanto o Bandcamp vem contando a história de lançamento das bandas que me impulsionaram a criar algo como um selo, no formato de linha do tempo. Para facilitar que essas bandas de fora viessem tocar aqui, estávamos para reformar o espaço Névoa na zona leste para voltar a realizar eventos lá, ainda bem que não rolou, afinal a pandemia viria deixar tudo isso lá estacionado.

Como anda o aspecto musical nesse 2020 e os planos da banda?

Bruno: É desolador, pois ouvimos falar de picos e estúdios passando por dificuldades, alguns até fechando, e na “camada acima” da nossa no circuito, o pessoal que trabalha nos palcos e na estrada tendo que se sustentar de outras formas por não ser possível realizar shows. Por outro lado vemos bandas próximas com iniciativas legais acontecendo na cena, desde ações beneficentes e merch até lives e sessões caseiras pra manter o pessoal unido, tendo como exemplo o pessoal do Caoticagem, Lili Carabina, Obscvre Ser e Navio. Tem rolado também um interesse em lançar sons caseiros, o que é um grande aprendizado pra quem resolve se aprofundar. Com o equipamento que adquirimos recuperamos o fôlego e retomamos de forma remota, junto com o produtor Igor Porto (que também produziu o EP), as gravações que iniciamos em Fevereiro e ficaram paradas desde então por conta da pandemia.

Últimas considerações? Algum recado?

Bruno: Agradecemos o convite e o interesse na entrevista! Como foi adiantado, estamos trabalhando em dois novos sons e esperamos lançá-los o quanto antes. Esperamos que todo mundo se cuide e ao mesmo tempo lute contra a inércia. Sdds shows.

“Teto Não Familiar” está disponível no Bandcamp e nas redes de stream.


Resenha

DEF – Sobre os Prédios que Derrubei Tentando Salvar o Dia (Parte 2)

Meu coração anda mais apertado que os trens da central: a DEF retorna triunfante na segunda parte de “Sobre os Prédios que Derrubei Tentando Salvar o Dia”.

Três anos após surgir com o EP “Sobre os Prédios que Derrubei Tentando Salvar o Dia (Parte 1)”, lançado pela finada Bichano Records, a DEF está de volta com a segunda parte do trabalho. “Sobre os Prédios que Derrubei Tentando Salvar o Dia (Parte 2)” foi lançado em Setembro de 2019, dessa vez pela PWR Records.

Agora um quarteto, a banda carioca conta com Deborah F. (guitarra, voz, violão, teclado), Eduarda Ribeiro (voz, guitarra), Dennis Santos (bateria) e Victor Oliver (baixo). Já fica aqui o primeiro destaque do álbum: a nova formação da banda se mostra afiadíssima alternando entre momentos serenos e dançantes, sem perder a beleza das melodias.

O espaço de tempo entre um lançamento e outro parece ter feito bem ao amadurecimento e sofisticação do som do grupo, e isso fica explícito logo na primeira faixa.

“Alarmes de Incêndio” foi o primeiro single do novo álbum, com direito à videoclipe. Talvez seja a faixa que mais lembra a parte 1 de “Sobre os Prédios…”, porém, aqui a banda já dá sinais de maior confiança para explorar o próprio som.

Deborah narra momentos inquietantes em que incêndios irrompem dentro de nós, a sensação de sufocar em si mesmo e de se perder em lugares antes tão comuns.
“Meu coração anda mais apertado que os trens da central”, canta a vocalista acompanhada da explosiva bateria de Dennis Santos.

A segunda faixa, “Descanso”, é um belíssimo e breve instrumental de violão que suavemente deságua em “A Cidade em que Apenas eu Existo”. O nome da faixa foi tirado do anime “Boku Dake ga Inai Machi”, lançado em em 2016. Aqui vemos Deborah se firmar como a letrista de expressões intensas que já se anunciava desde o primeiro EP.

A angústia em meio a prédios e ruas, e o sentimento de urgência para salvar o dia nesse emaranhado urbano acompanha todo o álbum. As letras soam como cartas brutalmente sinceras e confessionais e, no seu tom monótono, Deborah parece se dirigir a si mesma em diversos momentos sem medo de soar vulnerável, “como quem põe Deus para descansar”.

“Nada” é um exemplo do potencial letrista de Deborah, compositora de todas as músicas, exceto “Sardas”. Assinada por Eduarda Ribeiro, essa é uma ótima surpresa no meio do álbum. As estações do ano recebem o peso de uma tonelada quando o refrão marcante reivindica “a calma de ter mais um verão”.

A banda pode até ter puxado o freio nas distorções que ouvíamos em músicas como “Bad Trip” do primeiro EP, mas agora põe o pé em recursos eletrônicos (como nos teclados de “Sardas”) e mergulha fundo nas melodias com as duas guitarras da nova formação.

“Casa (Paulo)” é  um ponto fora da curva cravado entre as demais músicas do álbum, e isso não é ruim! A banda parece ter guardado as melodias mais criativas para as faixas finais.  O baixo à la The Smiths brilha e também não dá trégua na faixa seguinte, “Abutre”.

“Paraquedas (Boddah)” segue com vocais emendados num tocante spoken word, marca registrada da leva de bandas do emo brasileiro saídas da Bichano Records.

A última música é “Arranha-Céu”, uma das mais belas já feitas pela banda. Enquanto esbarra em prédios altos, Deb continua se questionando sobre os céus e os medos que descem de lá. “Mas se o avião me atropelar? Se meu amor não souber voar?”, questiona.

A parte mais difícil de salvar o dia derrubando prédios é que no dia seguinte teremos de encarar os escombros deixados por nós mesmos ali. “Sobre os Prédios que Derrubei Tentando Salvar o Dia (Parte 2)” reconhece isso em cada uma de suas músicas. Reconhece que salvar o dia também é conseguir um refúgio para respirar em paz, longe desse ar que às vezes parece ser feito de chumbo e concreto.

A arte da capa é assinada por Virgínia Moura, a mesma ilustradora do primeiro EP. A mixagem, masterização e gravação tem novamente a assinatura de Pedro Garcia (Planet Hemp/ Estúdio Canto dos Trilhos), além da própria Deborah F.


Resenha

Tuíra – Calma e Força

Tuíra é uma banda do Rio de Janeiro, formada em 2017 e atualmente com Amanda Azevedo (voz e guitarra), Hanna Halm (baixo e voz), Juliana Marques (bateria) e Thaís Catão (guitarra).

É uma das bandas que a gente coloca no subgênero queercore apesar delas não tocarem hardcore, nem as letras falarem exclusivamente sobre a vivência LGBTQ+ (se você não sabe do que eu tô falando, leia aqui nosso texto sobre).

Em Dezembro elas lançaram o primeiro EP, Calma e Força, e além das nossas impressões, as músicas têm muitas referências.

As letras, que não foram escritas sobre você, mas falam sobre você, são melancólicas, indignadas e otimistas e se contrastam com o som animado que dá vontade de dançar com influências de indie e emo (anos 90 e revival), cheio daquele timbre de guitarra estalado característico desses gêneros.

O nome “Calma e Força” reflete muito bem tudo isso. Pega a caixa de lenço e vamo ouvir.

Desde a escolha do nome à composição das músicas, a banda aposta no protagonismo das mulheres em suas diferentes formas.

Começando por “Tuíra”, escolhido em homenagem à indígena Kayapó, que com seu facão barrou a construção da barragem de Belo Monte na década de 80.

A música Kararaô (que vai ficar dias grudada na sua cabeça) fala sobre isso. Essa é a única música do EP que não abre espaço pra várias interpretações.
“Eu vou botar meu facão na sua cara injusta, eu bem sei que essa água vai nos afogar. Kararaô vai matar os filhos da santa terra, sua história alagada demarca o fim”

Kararaô era o nome original da usina de Belo Monte, que foi modificado em respeito aos indígenas, pois “Kararaô” é o grito de guerra do povo Kayapó.

A gente consegue escrever um texto longo sobre Crimeia. É difícil até escolher só uma parte da letra pra citar. É uma música sobre resiliência, praticamente uma catarse.
Eu sempre acho incrível quando conseguem expressar esse conceito e monte de sentimentos numa curta letra de música.
“Existe um eu de calma e força persistente entre entranhas de agonia e medo”

Segundo a banda “é um grito urgente por resistência, mas também uma evocação ao acalento e força que encontramos nas nossas relações leais, em quem nos dá gás e nos inspira perseverança pra continuar reagindo as violações do cotidiano e realizando nossos projetos”.

Não à toa ela foi escolhida pra ser o primeiro single da banda, lançado em Agosto.
“Quem vai dizer ou julgar não sabe de nada, não quer dizer nada”

O título da música faz referência a Crimeia de Almeida, militante política e ex-guerrilheira no Araguaia, presa e torturada pela ditadura militar brasileira quando estava grávida de sete meses, em 1972.

Quando ouvi Ella não entendi muito bem a letra. Parece um relacionamento mal resolvido? Mas “Seus donos nem se deram conta da ruína que você criou” me deu ainda mais dúvida.

Segundo a banda “”Ella” fala sobre a inteligência artificial, os algoritmos das redes sociais. A nossa inspiração era o Teste de Turing sendo Ella um chatbot criado pra testá-lo (é um algoritmo de processamento de linguagem que pode reproduzir a fala humana analisando padrões em grandes coleções de texto). Acontece que com o tempo algumas pessoas trouxeram novas interpretações pra letra da música, levantando que também parecia tratar sobre relacionamentos abusivos, romances mal acabados, etc. A gente recebeu super bem essas interpretações, afinal a relação que temos com os algoritmos hoje tem muito dessa sensação de abuso.”
Depois de ler isso tudo fez sentido, inclusive minha confusão inicial.

Só o Fim, o nome já diz tudo. Geralmente a gente vê finais retratados com raiva, rancor e “sofrência” (para um minuto pra pensar em quase todas as músicas e filmes que você já viu). Aqui a gente vê mais cansaço e aceitação.
“Certas coisas o fim resolve e não vale a pena a discussão”

Tem muita coisa pra falar sobre esse EP, mas ao mesmo tempo você tem vontade de só dizer: ouve, só ouve ele. Porque esse aspecto catártico, de melancolia e otimismo ao mesmo tempo, é muito presente nas letras e cada um tira uma coisa diferente disso.

Por isso também não consigo falar sobre Corda Bamba, talvez minha música preferida do EP, só citar:
“Já contou as glórias da semana, as tristezas diluiu em seu batom azul e suspirou com ar de quem prevê. Garrafa na metade, corda bamba, caos total. Na rua ela tá pronta, ela que sabe dela, ela não é você”

Então respira, põe o fone e vai ouvir. Calma e força.


Playlist

Playlists Bus Ride Notes

Aqui estão os links pra todas as nossas playlists

Queercore

Pra complementar nosso post sobre Queercore, fizemos uma playlist com bandas nacionais do gênero.

Spotify:

Deezer:


De Olho nas Sapatão

Agosto é o mês da visibilidade lésbica e em homenagem fizemos uma playlist. O nome é uma referência à HQ Dykes To Watch Out For. Foto da capa é da Velcro Choque.

Spotify:

Deezer:


2019

Essa é a nossa playlist de 2019, não é com as músicas que mais gostamos, é com tudo o que a gente sabe que foi lançado esse ano(e tá nos streams), tem album, EP e single. Divirtam-se!

Spotify:

Deezer:


Resenha

HAYZ – Não Estamos Mais em Casa

HAYZ é um trio de queercore formado em 2018 em São Paulo por Josie Lucas (guitarra, voz), Bruna Provazi (baixo, voz) e Roberta Bergami (bateria). E, assim sendo, é impossível falar de “Não Estamos Mais em Casa”, seu primeiro EP lançado em 8 de Março de 2019 sem citar suas influências.

No final dos anos 90 e começo dos 2000 algumas bandas de queercore faziam um som muito característico, tanto que eu não consigo chamar Team Dresch de nada além de queercore (se você tá perdido, leia aqui nosso texto sobre o gênero).
Sim, é emo, mas com algumas diferenças (se você não gosta de vocais entrelaçados, tem algo errado com você).
E é nessas bandas (incluindo Longstocking, Third Sex e, a já citada, Team Dresch) que HAYZ mais se inspira.

Com essas influências a sonoridade cria um ambiente distinto, as vezes nostálgico, e já mexe com o seu emocional desde aí. É por isso que chamam de Emo, não?
E falando em emoção, é impossível ouvir “Não Estamos Mais em Casa” e reagir com indiferença.

Cada um interpreta a arte de um jeito, mas nas letras de “Não Estamos Mais em Casa” não sobra muito espaço pra isso, você vê nitidamente que as coisas não estão bem.

Porém eu só posso falar da minha interpretação, só uma de várias que eu mesma tenho, aliás, mas é a mais presente quando ouço.
Bem, como uma pessoa que tem doenças emocionais há anos, elas causam uma forte reação. E me colocando nesse lugar, as letras desse EP ilustram nossa exaustão e aceitação “Isso não é sobre desistir, se for pra morrer que seja assim”.

Nós fazemos um exercício diário de acreditar que não estamos sozinhos. Pelas estatísticas, realmente, isso é impossível, mas aparentemente todos ao seu imediato redor não conseguem ou se recusam a entender as diferenças, afinal de contas você ainda só não tem tudo o que merece, pois não se empenhou. É bem simples, não?

“Há marcas de sangue ainda no chão, quem nunca esteve lá não pode ver… A liberdade que não conheceu e ainda assim vai te definir”

Também está presente a estagnação, um tanto latente, que as vezes sufoca “Na mesa a decomposição não te deixa esquecer que tudo segue acontecendo ao seu redor”.

Comecei falando de doenças emocionais diagnosticadas, mas o mundo anda tão doente que acredito serem poucas as pessoas que não se identificam com as letras de “Não Estamos Mais em Casa”. Elas não foram escritas sobre você, mas ao mesmo tempo falam o que você sente.

Ainda resta algum sonho? Não sei, mas preciso me amar pra poder seguir e nisso não estamos sós, eu e você.

Kings, a última faixa do EP, fala sobre um episódio de abuso que aconteceu na cena hardcore de São Paulo há alguns anos, “uma fraternidade inata que absolve escolhendo em quem acreditar”.

E apesar de ser recente e abusos ainda serem presentes, tenho a impressão que as coisas, aos poucos, estão melhorando. Não sei se por maior diálogo ou pela falta dele, afinal de contas já dizia Hole: “Você precisa aprender a dizer não”.

As letras de “Não Estamos Mais em Casa” ilustram como viver é doloroso e exaustivo, mas a conclusão é que “Tanto faz quem já não conseguimos ser, importa que não haverá negociação jamais, nenhuma a menos é a condição”.

E no final disso tudo é difícil não lembrar de Hannah Gadsby (provavelmente por que assisti Nanette vezes demais) dizendo: “Não há nada mais forte do que uma mulher destruída que se reconstruiu”.

Há alguns dias a Efusiva Records, junto com o site Nada Pop, lançou o mini documentário “Não Estamos Mais em Casa”, realizado a partir do registro feito na passagem da banda pelo Rio de Janeiro em Maio. Você pode assistir abaixo:


Evento / Resenha

Ventos e The Overalls no Podrão

Pra contexto: Fernandópolis é uma cidade de 68 mil habitantes no noroeste paulista, uma região de cidades “gêmeas”, pois são todas iguais: pequenas e sem muita coisa, o famoso cu do mundo onde nada acontece. Alguns amigos costumam brincar que literalmente nada acontece, nada de bom e nada de ruim.

Foi aqui que há poucos anos surgiu o Podrão Underground Bar. Diferente da maioria dos bares alternativos (eu detesto quando essa palavra é usada nesse contexto) daqui que exclusivamente contratam bandas covers e/ou exigem um mínimo de horas de show, como se estivessem alugando uma jukebox, o Podrão é um lugar bem agradável. E pequeno.
Além de eventualmente hospedarem shows de bandas autorais (coisa que não tem muito na região) vez ou outra trazem bandas internacionais pra cidade.
Quando anunciaram o show fiquei surpresa e feliz com a presença da Overalls, que não é uma banda de metal (basicamente é só isso que tem por aqui).

Foi aqui, também, que surgiu a Ventos, banda recém nascida, de Votuporanga.
Conhecidos de outras bandas, eles se juntaram pra agora fazer um som com as novas influências e diferente do que tem por aqui.
Eles misturam emo com dreampop e as vezes bebem na fonte da MPB, um amigo descreveu como “um som bom pra colocar no fim de tarde e fumar um apreciar”.
É mesmo um som bem gostosinho com guitarra aguda estalada, de letra “triste, melódica e sincera”, por vezes também falando de um certo mito que foi quebrado.
Eu diria que assistir ao show num lugar pequeno e com pouca luz, como o Podrão, foi aconchegante. Esse, que inclusive, foi um dos primeiros shows da banda. Com oito músicas prontas, eles pretendem gravar algo ainda esse ano e por isso coloco aqui um video:

Eu não conhecia a Overalls antes do anúncio do show, ouvi algumas músicas na internet e não formei opinião nenhuma. Imaginei que o show seria ao menos interessante, jamais imaginei que seria tão divertido. Essa é a única palavra que consigo pensar pra descrever o show: divertido. Com direito a tentativa de crowd surfing e wall of death carinhosa (pois ninguém machucou ninguém).
Eu não sei descrever o som da Overalls, mas as vezes me aparenta uma mistura de Muse e nu metal (provavelmente vou ler isso daqui uns dias e dar risada, é melhor você mesmo ouvir).

Depois do show, no disputado sofá ao lado da mesa de merch, eu virei intérprete dos meus amigos e a banda sem ao menos perceber. Pessoal muito simpático (ambos).
Foi uma noite bem agradável, com a sensação respirar ar fresco depois de muito tempo fechada em casa.