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Lançamentos / Playlist

VEM AÍ – O que esperar de lançamentos para 2021?

Não sei você, mas pessoalmente tenho pequenas crises de ansiedade às quintas-feiras, antecedendo o Radar de Novidades do Spotify da sexta. Já faz parte da minha rotina – inclusive, minha playlist do ano de 2021 tá rolando. Pra dar uma amenizada nisso, costumo organizar uma lista do que tá pra sair, até pra não acabar esquecendo.

Ano passado tivemos uma baixa considerável no âmbito de lançamentos. Não preciso entrar nos méritos de dificuldades pandêmicas e etc., né? Foi e ainda tá foda pra todo mundo. Mas precisamos apoiar quem teve e tem condições de trabalhar de forma segura nesse período. E também esperar que todo mundo retome as atividades, o mais breve possível <3

Enquanto isso, bati um papo com contatinhos de bandas e selos nacionais, e abaixo elenco alguns lançamentos confirmados, previstos ou mesmo especulados – a esperança é a última que morre. Pega seu café e vem comigo!


A Trip to Forget Someone
Poucas semanas depois de publicar o single “Portão 14”, em setembro passado, a banda instrumental de Belém/PA anunciou a gravação de uma nova música, que ainda não saiu. Será que agora vai? Acompanhe A Trip to Forget Someone pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Agreste – Super Abalada (EP)
O trio belorizontino formado por remanescentes da amada Miêta soltou o (viciante) single “Cíclica em agosto passado. Podemos concluir ou presumir que, a qualquer momento, saia o EP completo? Acompanhe a Agreste pelo Instagram e Spotify.

The Biggs
Os últimos singles, “Breech Delivery” e “(Battle)Fields” saíram em 2015. Numa live recente, apresentaram uma música nova, “See You”. Será que podemos esperar mais novidades pra esse ano? Tá na hora né? Afinal o último álbum saiu há longos 12 anos… Acompanhe o Biggs pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Charlotte Matou um Cara
Nada oficial, mas algumas músicas inéditas (como “Lembrar Para Não Repetir” e “Farsantes Com a Bíblia na Mão”) foram apresentadas em shows passados e lives no último ano. Podemos sonhar com uma tão esperada voadora na cara como foi o disco homônimo de 2017? Acompanhe a Charlotte pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Deadtrack
Meus queridos crust punk metal brabo de Uberlândia estão em fase de gravação do material novo, sucessor do disco pedrada “Rupture”. Ainda sem data prevista de lançamento. Acompanhe a Deadtrack pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Enema Noise
Trabalhando em um novo EP de remixes e versões de músicas antigas, já tendo como uma prévia “Bayer + Monsanto” (an_tnio remix), a incansável e barulhenta banda candanga logo menos tem novidades – prevista pra esse primeiro semestre. Vem na sequência do EP “Aquilo que já é meu/ Hora mais fria”, que também saiu em vinil 7″. Acompanhe a Enema pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Escolta
O quarteto de rap metal brasiliense começou a gravar o novo material há poucos dias. Os shows do disco “Efeito Moral” foram incríveis, super energéticos. Que continue nessa pegada! Acompanhe a Escolta pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Eskröta – Vida Artificial (single)
Poucos meses após o discasso “Cenas Brutais”, a Eskröta retorna com um novo single, disponível no dia 28, próxima quinta! Acompanhe a Eskröta pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Gagged
Chegando em seu 17º (!) ano de estrada, os interioranos da Gagged estão em fase de composição com uma nova formação e (alerta de spoiler) preparando várias novidades. Seu último trabalho foi o disco “Sobre Nós”, de 2018 – veja o clipe de “Cidade Sem Lugar”. Acompanhe a Gagged pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Hayz
Com a possibilidade de gravar em casa, como foi o caso do excelente single “A Soma de Todos os Medos”, lançado há pouco mais de dois meses, seria correto supor que vem mais coisa por aí em breve? Por favor, nunca te pedi nada! <3 Acompanhe a Hayz pelo Instagram, Facebook e Spotify.

In Venus – Sintoma (álbum)
Com o belíssimo clipe do single Ansiedade, o quarteto pós-punk anunciou seu novo disco, Sintoma – com vinil já em pré-venda. Acompanhe a In Venus pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Jova – Nada é Fixo (EP)
O artista de Belford Roxo/RJ lançou em 2020 seu primeiro EP, “Músicas Para Ouvir Perdido na Floresta” e o segundo EP de Jova, “Nada é Fixo”, que será lançado dia 29 de janeiro já tem pré-save. Embalado pela pandemia de Covid-19, ele traz como temas situações com as quais fomos obrigados a lidar por causa do isolamento social. Acompanhe Jova pelo Instagram e Spotify.

La Burca – Desaforo (álbum)
Organizei uma minitour do lançamento do último disco, “Kurious Eyes”, em 2016 aqui pelo cerrado (DF e Goiânia). Portanto, “Desaforo” é muito esperado! Já tem um single instrumental, também chamado “Desaforo”, rolando por aí – e o disco vai sair em vinil! Acompanhe a La Burca pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Manger Cadavre?
Uma das mais ativas, prolíficas e turnêzantes bandas da última década, também está com nova formação e postou recentemente que logo terão novidades. Aguardamos o que vem em sequência do excelente disco “AntiAutoAjuda” (2019). Acompanhe a Manger Cadavre? pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Movva – Depois da Tempestade (EP)
Meus meninos da nova geração do hardcore de Jaboticabal/SP terminaram recentemente a gravação de seu EP de estreia. Já experientes na cena do interior, lançaram o single “Alento” ano passado como uma prévia do que está por vir. Acompanhe a Movva pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Naja White – desabafEMOs (EP)
Depois da estreia com o single O emo tá de volta em 2020, a drag queen revelação do emo nacional se prepara para lançar o primeiro EP. Disponível no próximo dia 29, sexta – e já tem como prévia as faixas “Pontes” e “Vida de Adulto”. Acompanhe Naja White pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Nada em Vão
Os bonitos do punk rock melódico delicinha brasiliense começaram a gravar seu primeiro álbum, dois anos após o último single, “Chegou a Hora”. Porém como nem tudo são flores, precisaram dar uma pausa enquanto o baixista César se recupera de dois braços quebrados. Acompanhe a Nada em Vão pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Paciente Anônimo
Dividi palco com eles em 2019 e olha, que sonzeira! Esperam entrar em estúdio nos próximos meses para registrar seu primeiro material. Acompanhe a Paciente Anônimo pelo Instagram.

Saving Lipe
Projeto solo de rock noventista do jovem Felipe Casquet, baterista da Casquetaria, em que ele assume todos os instrumentos e vocais. O single If I Had to Stay Alone já está disponível, e é uma prévia do EP homônimo previsto pra esse primeiro semestre de 2021. Acompanhe a Saving Lipe pelo Instagram e Spotify.

Trash No Star
Já tem alguns meses que tem um destaque no Instagram da banda indicando que rolou uma gravação… então cedo ou tarde vai pipocar por aí a sequência riot garageira do maravilhoso Stay Creepy (No) Summer Hits, de 2014. Acompanhe a Trash pelo Instagram, Facebook e Spotify.


ENFIM! É isto, amiguinhes. A lista não é muito longa se colocarmos em perspectiva tudo que acontece nesse Brasilzão véio sem porteira. O conteúdo dela se restringe à minha humilde bolha existencial. Se não conhece as bandas citadas, vale a pena ir atrás! E caso saiba de mais próximos ou possíveis lançamentos, manda pra gente no busridenoteszine@gmail.com. Quem sabe não sai uma parte 2?

Nota: Estamos com problemas nos links. Nesse post, estão todos em negrito. #AJUDALUSIANO


Resenha

Pata – Shit & Blood

Pata é um powertrio de Belo Horizonte, formada em 2017 por Lúcia Vulcano (guitarra e voz), Luís Friche (baixo) e Beatriz Moura (bateria), e no mesmo ano lançaram seu primeiro EP “Wild and Cabeluda”. Em Junho de 2019 lançaram o primeiro disco “Shit & Blood”.

“‘Shit & Blood’ é a construção de um subjetivo feminino que foi concebido com merda e sangue. São dez músicas que constroem a narrativa de uma persona que se tornou mulher – assim como disse Simone de Beauvoir – e está imersa nesse mundo com suas estruturas sufocantes e deterministas”.

Primeiramente, a capa do disco (por Lorena Bonna, também das bandas Whatever Happened to Baby Jane e Roberta de Razão) traz a ilustração de uma mulher sentada no vaso sanitário de um banheiro desarrumado com a calcinha abaixada mostrando um absorvente sujo de sangue e merda (“blood” e “shit” em inglês).

“Shit & Blood” é grunge puro e, assim sendo, é claro que as letras são um tanto pessimistas. O disco começa com “Downer” falando “não diga que eu não avisei!”.

Mas isso não quer dizer que as letras são tristes, se você prestar atenção nas letras de grunge você vê que a maioria é, na verdade, um desabafo. E o que a gente vê no disco todo é um tom de desabafo e deboche, “Selvagem e Cabeluda”, a única música em português do album, mostra bem isso. Entre gritos de “Ô seu bosta! Para de olhar pra minha bunda!”, ela narra o que as mulheres começam a enfrentar na adolescência e têm que aturar a vida toda: os padrões impostos pela sociedade.

“Eu era uma criança e de repente eu era mulher adulta e tinha que fazer coisas que os outros achavam que eu deveria fazer? Feche as pernas, não fale alto, não engorde. Eu quero ser livre, eu quero ser porca, eu quero ser eu. Eu quero destruir o patriarcado”.
Ela é uma das três músicas do disco que tiveram um clipe.

“Downer” foi lançada como single em Abril de 2019, a letra da música tem tudo o que você diz (ou quer dizer) naquele dia bosta quando você já tá exausto da vida acumulada. A barulheira e gritaria ajuda no “descarrego” por que é energizante. Ela também ganhou um clipe, ele segue uma menina-demônia que sai pentelhando todo mundo que ela encontra pela frente.

Algumas músicas têm nomes auto explicativos, além da já citada “Downer”, temos “Life Doesn’t Get Better (It Gets Worse)” e “Therapy Session”.
“I wish you could give up on me. And I could finally give up on myself too”.
Quando você começa a fazer terapia ou quando ela não tá funcionando a frustração é enorme e, acredito que, o sentimento universal. Sempre que ouço essa música lembro de “Therapy” da banda israelense Not On Tour e vice-versa. “After all this, say I need a psychiatrist?!

“Monster” é uma das músicas do disco que mistura várias sonoridades, começa com riffs sujos e guitarras distorcidas pra se tornar uma balada com violão enquanto a letra narra a transformação de uma garotinha em um monstro.
“The years, they passed. But I didn’t. I stood just where I wanted to, just where you need me to. Kneel before your god, before your monster”.

“The Witches” tem um som denso e sombrio e traz a narrativa de vingança das bruxas contra seus opressores.
“Look out for the shadow, you might see something you don’t wanna stare at so long”.

Em Abril de 2020 a banda lançou o clipe da música que começa com imagens de filmes de terror antigos misturadas a imagens ao vivo da banda. A segunda parte do clipe mostra cenas de protestos recentes, protestos contra a brutalidade das injustiças e desigualdades (que ironicamente é recebido com mais brutalidade policial), o que remete à imagem de “bruxas” modernas enquanto, em coro, a letra canta “We are gonna burn your house. We are gonna pray for the Sun. We are gonna make you pay for your crimes and it will be so fun”.

O disco que começa com “I hate every single day I lived so far” termina meio como uma resolução de ano novo com a melancólica e otimista “Next Year”, em um resumo que eu acho que posso descrever como o popular “vamo que vamo”:“Next year everything won’t be the same, I won’t be up all night with my regrets, I will forgive myself and try again”.

“Shit & Blood” está disponível no Bandcamp e nas redes de stream.

Essa semana a banda lançou a música “blsnr pnt mrch”.


Resenha

Brutal Mary – Brutal Mary EP

Brutal Mary é uma banda punk feminista de Brasília formada por Ana (guitarra/voz), Arthemys (baixo/voz) e Brenda (bateria).

Na bio das redes sociais elas dizem: “Somos um trio de meninas que se reúnem pra fazer barulho e música trash. Nossa intenção é tocar, tocar e tocar. ‘Se você acha que Punk não é coisa pra garota, vamos chutar a sua bunda'”.

Em Janeiro elas lançaram seu EP de estreia e a capa (por Jennifer Wrath) dele é a primeira impressão da banda: em cores pastéis Ave Maria segura um taco de Baseball coberto de pregos, sangue e desenhos de bichinhos com um pequeno urso e absorvente interno (sujo, claro) de penduricalhos.

O EP tem duas músicas em português e duas em inglês, onde vemos claramente a influência da banda: grunge feminino. Se você gosta desse quase sub gênero musical, vai amar a Brutal Mary (se não gosta, provavelmente também vai).

A primeira música, “Band Aid”, mostra um pouco desse contraste da capa e nome da banda entre o fofo “Correndo de você, cortei o meu joelho… Onde poderia estar o Band Aid de ursinho que mamãe te fez comprar?” e o brutal “Pais que querem te culpar, forçadas a engravidar e nós não queremos o seu feto”.

Quase todas as letras do EP falam sobre abuso misógino e a sensação (as vezes realidade) de estar sozinha nesses momentos.

“Bruja”, a segunda música, fala sobre isso trazendo a temática das insubmissas “bruxas”: “He can’t stand that you’re smarter. He can’t stand that you love your body. You can’t burn the witch anymore but if you could I swear she’d reborn”.

“Ah Não!” fala sobre o receio e/ou medo que toda mulher tem de sair de casa sozinha em algum momento “Nos meus sonhos eu fujo dos homens que me perseguem. Nos meus sonhos eu fujo”.

Infelizmente isso é algo tão presente que imediatamente eu lembro de outras músicas que falam a mesma coisa, como “A Rua é um Campo de Batalha” (2017) da Charlotte Matou um Cara e “Satanás” (2019) da Demônia em que o refrão diz “Ufa, que alívio! Achei que era homem, mas é só o Satanás”.

Não vou me demorar no assunto, pois inúmeros estudos falam muito melhor do que eu sobre misoginia, estupro e relação de poder, o que eu vou dizer é: por que toda mulher conhece uma mulher que já foi estuprada, mas nenhum homem conhece um estuprador? Eles não são bicho papão que pulam de trás duma árvore na madrugada.
“A luz apaga quando o estuprador passa”. Homens, ascendam a luz, essa culpa é totalmente de vocês.

Já dizia Dominatrix, em música que poderia ter sido escrita hoje, “Que tipo de vida é essa que eu tenho que ficar 24 horas por dia alerta igual a um cão de guarda? De quem são os olhos que te vigiam? De quem é a mão que te ataca?”.

O EP termina com a “romântica” (entre muitas aspas) “You are the Trash”, que fala sobre um relacionamento conturbado “Like when we used to fight when both of us weren’t right”.

O EP Brutal Mary é curto, direto e barulhento, aquilo tudo que a gente gosta.

“Brutal Mary” está disponível no Bandcamp e nas redes de stream.


Playlist

Playlists Bus Ride Notes

Aqui estão os links pra todas as nossas playlists

Queercore

Pra complementar nosso post sobre Queercore, fizemos uma playlist com bandas nacionais do gênero.

Spotify:

Deezer:


De Olho nas Sapatão

Agosto é o mês da visibilidade lésbica e em homenagem fizemos uma playlist. O nome é uma referência à HQ Dykes To Watch Out For. Foto da capa é da Velcro Choque.

Spotify:

Deezer:


2019

Essa é a nossa playlist de 2019, não é com as músicas que mais gostamos, é com tudo o que a gente sabe que foi lançado esse ano(e tá nos streams), tem album, EP e single. Divirtam-se!

Spotify:

Deezer: