Bus Ride Notes

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Entrevista

Penúria Zero – Não Me Representa

Penúria Zero é uma banda de punk-hardcore do DF, hoje composta por Tuttis (vocal), Sopão (guitarra), Biscoito (bateria) e Ismael (baixo).

A banda tem um disco lançado, “Manipulado” (2017), e em Outubro de 2020 eles lançaram seu novo EP “Não Me Representa”.

Abaixo você lê nossa entrevista com eles, onde você conhece a banda, o EP “Não Me Representa”, a cena do DF e mais:

Vocês podem falar um pouco sobre a banda pra quem não conhece?

Olá, primeiramente, muito obrigada pelo convite.
Penúria Zero é uma banda de punk hardcore que tem o intuito de falar do nosso cotidiano e de situações do nosso país. As vezes com músicas engraçadas, as vezes com ar de deboche e outras vezes só pagação de sapo mesmo.

Foi formada em 2005 na cidade de Luziânia, GO, porém só começamos a desenrolar o som mesmo em 2011 e desde então não paramos mais.
Hoje a banda é: eu (Tuttis, vocal), Sopão (guitarra), Biscoito (bateria) e Ismael (baixo).

Uma das primeiras coisas que percebemos ouvindo Penúria Zero são algumas letras engraçadas. Deboche é quase pré-requisito no punk-hc, mas muita gente diz que precisa ser sério. Vocês podem falar sobre isso?

Nós brasileiros somos um povo que consegue fazer graça com a nossa própria desgraça, a prova disso são os milhares de memes na internet.

Concordo que o punk deveria e é para ser sério, porém muito mais do que música, o punk é a atitude. Eu creio que a banda tem essa atitude de poder falar com um pouco mais de leveza sobre a nossa situação atual.

Vocês podem falar um pouco sobre cada música do “Não Me Representa”?

Tratamos muito as falas do imundo do presidente na música “Não Me Representa” e como ele ganhou uma eleição na música “Fake News”.

Já “Cidade do Caos” fala um pouco sobre a cidade de Ceilândia e de sonhos de nordestinos que saem da sua cidade e estado natal para tentar uma vida melhor. Foi uma música feita pelo o guitarrista Sopão, que também é nordestino.

E como foi o processo de gravação? Vocês tiveram que fazer alguma adaptação devido à pandemia ou ele foi feito antes?

Gravamos antes da pandemia, porém lançamos na pandemia mesmo porque sabíamos que ia demorar pra poder lançar em shows…

E o clipe da música “Não Me Representa”? Ele foi gravado e lançado no segundo semestre de 2020, né?

Sim. Como sempre, fazemos as coisas por conta própria. Gravamos um pouco na lan house onde o biscoito trabalhava e as minhas partes gravei em casa mesmo. E o Sopão, que sempre fez essa parte de áudio e vídeo, editou em casa também.

Pensando no mundo antes do Covid, como é a cena no DF?

Ahhh saudades, inclusive, de ir aos shows.
Creio que a cena daqui não é muito diferente de outros lugares: produtores fazendo tudo na raça, sem apoio, bandas fazendo seu próprio corre para lançar material, tocar e etc… Saudades dos bons tempos!

Inclusive, Tuttis é organizadora do “Sinta a Liga”, né? Vocês podem falar sobre o festival?

Sim, esse festival é meu amor! rsrs
Ele foi criado com intuito de divulgar e enaltecer as bandas com mulheres na cena, só pode tocar banda que tem ao menos uma mina na formação.

Infelizmente o espaço para nós mulheres é pequeno, então pra mim é importante ter um show dedicado só a nós.

Nisso já conseguimos trazer várias bandas de fora pro festival, como Escrota (SP), Manger Cadavre (SP), Trash no Star (RJ), Benária (RJ), Klitores Kaos (PA), Bertha Lutz (MG), fora as bandas do DF.
Enfim, mais uma saudade: produzir esse festival que amo tanto!

Últimas considerações? Algum recado?

Se cuidem, usem máscara, não subestimem o vírus! E uma hora esse pesadelo todo passa.

“Não Me Representa” está disponível nas redes de stream, e não deixe de acessar o canal do Youtube da banda pra assistir os clipes.


Entrevista

All The Postcards, uma banda do Terceiro Mundo

A banda entrevistada da vez já é uma das veteranas do hardcore nacional. Com 15 anos de carreira e sete álbuns lançados, All The Postcards não mede palavras na hora de marcar posição nas letras de suas músicas.

De Angra dos Reis, o grupo é formado por Vitor (vocal, guitarra), Marcelo (baixo), Berg (bateria) e João (guitarra). O som bem característico do hardcore melódico embala letras bem diretas sobre temas sociais e a luta política da esquerda. Para não deixar nenhuma dúvida, o álbum “Fearless” estampa na capa a famosa imagem do guerrilheiro comunista Carlos Marighella denunciando a violência do golpe militar de 1964.

Destaco aqui minha música preferida da banda, “Thanksgiving”. A canção trata do ponto de vista de nós, moradores de um país de terceiro mundo, para com os países de onde importamos tanta coisa e, mesmo sem querer, tentamos imitar.

“There’s no such thing as thanksgiving. There’s no trick or treats in halloween. In a third world country we learn it all, in a third world country you don’t know about. In a third world country when we sing, it’s in english”.

Em 2020 All The Postcards lançou “Não é o Momento Para Ser Intelectual”, o primeiro EP da banda cantado em português, mostrando uma nova cara para o som deles. E, recentemente, nos trouxe, não um, mas dois singles: a versão acústica de “Thanksgiving” e a nova, “Trinta e Nova Milhões”, com direito a um clipe colaborativo dos fãs com seus bichinhos de estimação.

Pra falar sobre tudo isso, o Bus Ride Notes recebe aqui All The Postcards.

Como a banda começou?

A banda começou em meados de 2006. A ideia partiu do baixista Marcelo, que convidou o Vitor (vocal e guitarra) para montar uma banda. Marcelo já conhecia e tinha uma outra banda com o Berg (baterista).

No terceiro álbum, “Fearless”,  uma foto do Marighella estampa a capa e em “Third World Country” vocês falam sobre a visão daqui, um país de terceiro mundo, para com a influência cultural que recebemos do primeiro mundo. Como é para a banda trazer esse lado mais político para as letras? E como vocês, enquanto artistas e indivíduos, encaram essa percepção de sermos habitantes do terceiro mundo?

Felizmente, hoje a banda tem quatro cabeças bem politizadas e com o senso bem igual.

O rock, de uma forma geral, sempre foi uma forma de protesto, principalmente o hardcore. E não iríamos contra isso, jamais.

Somos quatro caras com vidas normais e que representam muito o terceiro mundo. Quatro assalariados lutando por direitos.

O que inspira vocês, tanto musicalmente quanto demais influências para a banda?

Musicalmente há um número perto do infinito de tantas referências. Cada um de nós tem um lado que puxa mais. E, sem dúvida alguma, a política é o tema mais conversado e o que mais nos instiga a escrever.

Em “Não é o Momento Para Ser Intelectual” todas as letras são em português. Por que essa mudança?

Há anos a banda tinha essa ideia de explorar músicas em português. Dessa vez colocamos a vontade pra fora e fizemos o álbum.

A mensagem que queremos passar, agora, fica mais direta de entender e bem na cara. Felizmente quem ouviu, gostou. Ufa!

Como vocês veem essa questão de bandas brasileiras cantando em inglês?

Acho impossível ter alguém que goste de rock e não se identifique com músicas em inglês. Não tem como evitar isso! Toda a base que as bandas tem vem de fora. É normal você seguir nesse seguimento. E, lógico, que não há problema algum nisso.

A gente percebe que nas capas de todos os álbuns da banda sempre rola um trabalho gráfico muito interessante. Vocês podem falar um pouco sobre essas escolhas de capas? 

Felizmente temos grandes parceiros e amigos que nos acolhem na hora de rolar uma capa, uma imagem, uma logo.

As capas sempre surgem de ideias em comum na banda e passamos para o artista fazer. A última foi o Marcelo mesmo que fez. 

O single “Trinta e Nove Milhões” fala sobre abandono animal. Vocês tem envolvimento com a causa? Como veio a ideia pra música?

Temos um bom envolvimento na causa. Marcelo tem uns cinco gatos resgatados, Molina tem mais uns quatro, Vitor tem dois cachorros. Todos que viviam em situação de rua.

A ideia veio desse convívio mesmo e da necessidade. Durante a pandemia, o número de abandonos subiu exponencialmente. As pessoas ainda acham que ter um animalzinho é só para te fazer rir. Animal é custo, é carinho, é atenção. Demanda tudo que um filho precisa. 

Quais as novidades que vocês podem adiantar para 2021?

Em 2021 a banda completa 15 anos! As ideias são muitas. Infelizmente o Brasil está afundado em uma pandemia, impossibilitando de fazermos shows.

A ideia básica ainda é lançar um álbum este ano, com dez músicas, em português. E em setembro tem o “We Are One”, onde tocaríamos com Millencolin, Satanic Surfers, entre outros. Diante da pandemia, ainda não temos noção do que vai acontecer.

Agora, a pergunta de sempre nesses tempos de fim do mundo: como está sendo para vocês se manterem ativos como banda durante a pandemia?

Muito difícil. Participamos de algumas lives e aproveitamos esse conteúdo pra movimentar as redes, mesmo assim fica difícil criar e ter essa criatividade sem poder tocar e tudo mais.

Logo no início da pandemia lançamos o “Não É O Momento Para Ser Intelectual”, perto do final do ano lançamos uma versão acústica de “Thanksgiving”, e no início do ano o single “Trinta e Nove Milhões”. Tudo com muito custo e correria, não está sendo fácil. Fiquem em casa e usem máscara!

Você pode ouvir o som da All The Postcards no Spotify, Bandcamp e Youtube.


Entrevista

Reles Córtex – Operações Psicológicas

Reles Córtex é uma banda de punk acústico, anti-folk, criada em São José do Rio Preto em 2015 por Matheus Moura.

Em fevereiro de 2021 ele lançou seu segundo disco, “Operações Psicológicas”.

É meio difícil falar sobre folk punk, pois é um gênero bem direto, tanto no som quanto nas letras.

É claro que poderíamos falar sobre elas, mas fomos direto à fonte e convidamos Matheus pra conversar sobre o novo disco e mais. Confira:

Você pode se apresentar pra quem não conhece?

Meu nome é Matheus Moura (conhecido também por Mourarc), 29 anos, natural de São José do Rio Preto, SP, doutorando em ciências sociais. A Reles Córtex é um projeto de punk rock acústico iniciado por mim em 2015.

Como surgiu Reles Córtex?

Reles Córtex surgiu da contínua e incansável propriedade criativa de composição musical.
Desde pelo menos 2006 eu já esboçava diversas canções, bem toscas na época, gravava num toca-mp3 e ficava insistindo para os amigos escutarem

Nos anos seguintes participei de algumas bandas de punk e hardcore, mas que não duraram muito, por diversos motivos. Entre 2009 e 2015 foram anos meio estagnados na música pra mim.

No interior de SP é bastante difícil encontrar uma galera séria pra fazer um punk rock mais cabeça. Nesses anos todos as tentativas foram frustradas, mas as composições continuavam a vir, então resolvi colocar o projeto pra funcionar sozinho, mas sem a guitarra distorcida.

Abandonei todas as composições antigas e me concentrei em letras mais sérias, mais poéticas e filosóficas. Ainda que talvez não tenha conseguido cumprir esse objetivo muito bem (risos).

O nome “Reles Córtex” veio antes de eu ter qualquer coisa pronta. Era uma tentativa de dizer “pra que um cérebro se na maior parte do tempo a gente não o usa satisfatoriamente pra refletir?”.

Em 2015 eu tinha o nome, em 2016 eu tinha duas demos, que trabalhei sem noção de gravação nenhuma em um estúdio da cidade. Foi aí que resolvi gravar as músicas eu mesmo. Comprei uma aparelhagem mínima, um condensador, e comecei as gravações fuçando num programa de mixagem gratuito.

Em 2018 saiu o “Causas Vazias” no pior do “faça você mesmo”.

Quais são algumas das suas influências?

Minhas bandas de coração são Anti-Flag e Bad Religion. Não é coincidência esse projeto ser um punk acústico, os vocalistas dessas duas bandas, Justin Sane e Greg Graffin, possuem projetos acústicos paralelos. Minha grande inspiração vem daí.

Recentemente descobri também um cara chamado Pat The Bunny, que faz um anti-folk muito semelhante ao meu. Talvez seja essa minha mais nova fonte motivadora.

“Operações Psicológicas” é mais direto, digamos assim, que “Causas Vazias”. Ele tem menos instrumentos, é menos melódico… Como foi o processo de composição?

Esse segundo álbum traz mais agressividade tanto nas letras quanto na pegada. Eu comecei a compô-lo durante as eleições de 2018 (logo após o lançamento do “Causas Vazias”), e bom, não é preciso dizer muito mais…

Foi uma forma de colocar pra fora o que toda pessoa sensata e sensível estava sentindo naquele momento (esse sentimento talvez tenha se intensificado até o dia de hoje).

Das 11 faixas inéditas, somente duas foram feitas posteriormente às eleições, “Sua Imagem” e “Rio Preto”, essa última é uma versão de uma música que compus com a Refluxo Mental, na qual eu era vocalista até o começo desse ano.

Comparado ao álbum anterior esse está mais próximo do punk, com seu teor político e músicas mais rápidas e diretas, do que o primeiro.

Ele foi todo gravado em home studio. Como foi esse processo? Você costuma gravar em casa ou isso foi devido a pandemia?

Como mencionei anteriormente, desde o começo eu fiz músicas em home studio (à parte daquela experiência não muito feliz com duas demos).

Me sinto mais livre fazendo eu mesmo as gravações. O resultado não tem a mesma qualidade do estúdio, mas eu ainda prefiro, me sinto mais à vontade.

Também porque eu não tenho muita grana, e a música pra mim é um hobby, então gravar em estúdio não é muito atrativo.

E a parte de produção, mix e master? Foi tudo feito por você?

Durante a experiência com a Refluxo Mental eu aprendi bastante com o Lucas Dias, ex-guitarrista, que mixou e masterizou o álbum “Socialização das Perdas”.

Acho que é nítida a diferença entre “Causas Vazias” e “Operações Psicológicas”. Tudo que aprendi com esse brother eu consegui usar pra aprimorar as minhas gravações caseiras.

“Trágica Comédia” foi inspirada pelas eleições de 2018, você pode falar mais sobre essa música?

Era pra esse música chamar “Caquistocracia”, mas aí eu iria estar admitindo que acompanho o Foro de Teresina (risos). Não há problema em admitir isso, pelo contrário, mas não iria soar muito criativo, o termo já virou quase patente deles.

A letra representa essa comédia da vida real que estamos vivendo, em que o bobo da corte assumiu o trono, e dança e sapateia pra somente seu público aplaudir. Está tudo escancarado, não há necessidade nem mais de representar papéis. Quem enxerga, sofre, quem não enxerga ou se beneficia de alguma forma, aplaude. E assim seguimos…

Últimas considerações? Algum recado?

Gostaria de agradecer ao Bus Ride Notes pela oportunidade de responder a essa entrevista. E aproveitar também para agradecer a todos aqueles que me apoiam nesse projeto.

Novas composições estão por vir. E não vejo a hora de poder estar por aí fazendo apresentações desses trabalhos. Sigam-me nas redes! Abraços!

“Operações Psicológicas” está disponível no Bandcamp e nas redes de stream.


Resenha

Clandestinas

Clandestinas foi formada em 2017 em Jundiaí, SP por Alline Lola (guitarra, voz), Camila Godoi (contrabaixo, voz) e Natalia Benite (bateria, voz), militantes feministas e LGBTQIA+.

Quando eu ouço Clandestinas, lembro do movimento Riot Grrrl. O Riot Grrrl não foi só um gênero musical, ele foi a terceira onda do feminismo, que coincidiu em ser através da música.
As primeiras bandas do movimento queriam chamar atenção pra sua mensagem e escolheram a música pra isso.

Clandestinas surgiu “da necessidade de se fazer ser ouvida em seus questionamentos sobre padrões de gênero e sexualidade, transparecendo e veiculando seu posicionamento questionador tanto em suas canções quanto nas falas, nos corpos e afetos das três musicistas”, e por isso acho que Clandestinas é mais um movimento artístico do que uma banda.

Toda banda é um movimento artístico, mas a escolha de priorizar um pouco a música ou a mensagem ou misturar igualmente é bem sutil, mas a gente enxerga.

Seu primeiro album, “Clandestinas”, foi lançado em 2020. Produzido por Mari Crestani, ele conta com participações de Aline Maria, Luana Hansen e Mariah Duarte.

A gente tá acostumado a ouvir letras políticas no punk e no rap, mas Clandestinas não escolheu um gênero musical e por isso o som é bem distinto, é rock, é punk, é MPB e mais um pouco de inúmeras influências.

A banda também mistura português e inglês na faixa de abertura, “Clandestinas”, e “Lovely Lola” é a única música em inglês do disco.

“Even if she is just my best friend and I must understand another meaning of love”

Sobre as letras é difícil falar, pois é muita informação. Esse é um disco que eu recomendo pra toda pessoa ouvir pelo menos uma vez na vida. “Clandestinas” é um album interessante em muitos aspectos.

“O não lugar me ocupa, o não pertenço me define. A não família me acolhe, a solidão me oprime”

“O nome ‘Clandestinas’ remete a ‘pessoa que vive fora da lei’, na banda o termo surge como essência e traz novos significados: ser clandestina é gritar quando disseram que se deveria estar calada, é amar sem medo e sem pudor quando disseram que seu amor era doentio, é fazer música mesmo achando que não se sabe cantar nem tocar, é estar com outras mulheres e se mover, é ter a consciência de que, para a hetero-cis-normatividade compulsória que rege a sociedade, os corpos e afetos distintos da norma não devem existir”.

Ainda em 2020 a banda participou do curta “Pluma Forte”, nele há um trecho de um show e podemos literalmente ver o formato de militância da banda.

E em janeiro de 2021 a banda lançou seu primeiro clipe, da música “Nenhuma a Menos”, um video que é mais que um clipe e menos que um curta.

“Com as nossas músicas, nossos corpos e nossos afetos, questionamos o machismo, o patriarcado, a hétero-cis-normatividade e o capitalismo. A revolução será feminista & LGBT”.

“Clandestinas” está disponível no Bandcamp e nas redes de stream.


Resenha

VEM AÍ!, parte 2 – O que é pre-save e porque usar!

Dado ao enorme sucesso (rs) da primeira matéria sobre lançamentos, resolvemos fazer uma segunda parte!

Tendo em vista várias novidades pipocando por aí, queria trazer um pouco de conteúdo e falar sobre pré-save, direcionando o papo à galera das bandas. Quase ninguém usa essa isso em terras brasilis.

– Ô seu doido, mas que diabos é pré-save?

É uma ferramenta que permite que seu público, vulgo seus fãs, incluam as músicas em suas bibliotecas/playlists antes da data oficial de lançamento, tendo acesso às músicas logo nos primeiros segundos em que estiverem disponíveis.
E por que motivos você deveria usá-la? Vamos lá:

  • Chama atenção dos ouvintes, criando expectativas e aumentando o engajamento do seu trabalho – antes mesmo de ser publicado.
  • Você pode aproveitar a oportunidade para publicar um teaser, seja um trecho da música ou videoclipe, e/ou também a pré-venda ou anúncio de novos merchs.
  • Reforçando o engajamento, o algoritmo do streaming vai ~crescer o olho pra cima de você, o que aumenta a possibilidade de conseguir adentrar as grandes playlists editoriais das plataformas – exponencialmente te levando a um possível número de maior de ouvintes. (Importante: estou falando de hipóteses, não é uma garantia!)
  • Ok, há poucos dias fomos informados sobre o vazamento de dados de milhões de pessoas no Brasil. Então é preciso ser cauteloso nessa parte. É que o pré-save serve também pra você coletar dados sobre seu público, como localização, faixa etária… te permitindo direcionar melhor sua comunicação. Às vezes rola até endereço de email, que pode se tornar um mailing de newsletter. Mais importante ainda: NÃO SEJA CUZÃO, NÃO VAZE OS DADOS DE NINGUÉM!
  • E você, caro/a ouvinte, se por acaso vir suas bandas preferidas soltando um pré-save: FAÇA-O! Isso ajuda muito mais do que pode imaginar.

Sua distribuidora de música certamente oferece a possibilidade de um pré-salvamento. Vale a pena dar uma conferida .


Dito tudo isso, hora do esquenta pros pré-saves todos:

Autoclismo
Diretamente de Teresina/PI, o trio instrumental vai lançar seu novo EP, “Tetra”, no próximo dia 23. E, eba!, tem pré-save, que você pode fazer aqui. Acompanhe a Autoclismo pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Californicks
A rapaziada do hardcore melódico de Mauá/SP tem publicado há algumas semanas os bastidores da gravação de seu novo material. Seu último trabalho foi o EP “Por Todos Nós”, de 2018. Acompanhe a Californicks pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Charlotte Matou um Cara
No último post, a gente chutou e fez gol! Só atualizando mesmo, Charlotte anunciou seu novo disco, “Atentas”, que está em fase de financiamento coletivo – e você pode contribuir aqui.

Família Estranha
Fugindo um pouco da curva (até pros padrões do Busão), Família Estranha é uma banda londrinense influenciada por música brasileira, latina e bluegrass (!), que tem a rua como seu palco principal. Estão com campanha de financiamento coletivo pro seu primeiro disco, “Toda Família Merece um Álbum” – e você pode contribuir aqui. Acompanhe a Família Estranha pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Join the Dance
Depois de soltar o single “The Sun” ano passado, os cariocas de hardcore melódico skate delicinha entraram em estúdio semana passada novamente. Aguardemos! Acompanhe a Join the Dance pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Kattana OCK
Duo de horror punk, baixo+bateria, estão em fase de gravação de seu material de estreia. Dá pra dar um confere nesse áudio aqui que o trem vai ser doido! Acompanhe a Kattana OCK pelo Instagram.

Medrado
Parece que vem coisa nova por aí nos versos do Medrado, que tem lançado vários singles. Um EP em parceria com o produtor An_Tnio tem previsão para ser lançado nos próximos meses. Acompanhe o trabalho do rapper pelo Instagram, Soundcloud e Spotify.

Numbomb
O trio de crust/grindcore de Brasília-via-Lisboa não terá só um, como dois lançamentos em breve: seu primeiro álbum e também um split com a Nekkrofuneral. Acompanhe a Numbomb pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Paranoia Bomb
Projeto recente de veteranos da cena punk rocker brasiliense (Firstations, Dissonicos, Caos Lúdico, Conteste!, Nada em Vão), o supergrupo traz também influências do country e do folk. Incansáveis, estão estúdio gravando o sucessor do EP “É Hora de Ir”, de 2020. Acompanhe a Paranoia Bomb pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Personas
No fim do último mês, os jovens do rock triste lançaram o single “E Eu Me Desespero Facilmente”, que dita o tom de seu próximo EP. Acompanhe a Personas pelo Instagram, Facebook e Spotify.

SLVDR
Faz bem uns 5 anos que saiu o excelente “Presença”, e dentro em breve tem novidades também! Se você curte uma fritação instrumental, fica de olho! Acompanhe a SLVDR pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Signo 13
Há quase 10 anos na estrada, vários EPs e coletâneas na bagagem, a banda pós-punk do DF lançou seu primeiro álbum “Serpentário” num formato inusitado: soltando cada faixa como single, mensalmente, entre setembro de 2019 e outubro de 2020. E trarão mais novidades em breve! Acompanhe a Signo 13 pelo Instagram, Facebook e Spotify.

coletânea Coletivo Lança
O coletivo ainda prepara pra se lançar oficialmente em breve, com um evento online. Mas já nos adiantou sobre sua primeira atividade: uma coletânea (ainda sem nome), que tem confirmada as presenças de nomezassos como Loyal Gun, Hayz, Trash No Star, Letty, Drowned Men, Fragmentos Urbanos e Gomalakka, com músicas inéditas, será lançada no primeiro semestre. Como ainda não temos links oficiais, fica de olho nas bandas pra acompanhar!

coletânea Território Antifa
Produzida pela produtora Casa Sonora, várias bandas antifas da região metropolitana de Porto Alegre se reúnem nessa coletânea que promete! Todas entrarão com duas músicas inéditas. Alguns nomes confirmados: Lo que Te Voy a Decir (AMO!), Pupilas Dilatadas, Cine Baltimore e Punkzilla. Acompanhe a Casa Sonora pelo Instagram e Facebook.


Por hoje é isso! Espero que esse amontoado de palavras e links tenha sido útil pra você. Acredito que não faremos uma parte 3 sobre lançamentos futuros, mas pode mandar sua pauta no busridenoteszine@gmail.com. Sextou!

Playlist

VEM AÍ – O que esperar de lançamentos para 2021?

Não sei você, mas pessoalmente tenho pequenas crises de ansiedade às quintas-feiras, antecedendo o Radar de Novidades do Spotify da sexta. Já faz parte da minha rotina – inclusive, minha playlist do ano de 2021 tá rolando. Pra dar uma amenizada nisso, costumo organizar uma lista do que tá pra sair, até pra não acabar esquecendo.

Ano passado tivemos uma baixa considerável no âmbito de lançamentos. Não preciso entrar nos méritos de dificuldades pandêmicas e etc., né? Foi e ainda tá foda pra todo mundo. Mas precisamos apoiar quem teve e tem condições de trabalhar de forma segura nesse período. E também esperar que todo mundo retome as atividades, o mais breve possível <3

Enquanto isso, bati um papo com contatinhos de bandas e selos nacionais, e abaixo elenco alguns lançamentos confirmados, previstos ou mesmo especulados – a esperança é a última que morre. Pega seu café e vem comigo!


A Trip to Forget Someone
Poucas semanas depois de publicar o single “Portão 14”, em setembro passado, a banda instrumental de Belém/PA anunciou a gravação de uma nova música, que ainda não saiu. Será que agora vai? Acompanhe A Trip to Forget Someone pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Agreste – Super Abalada (EP)
O trio belorizontino formado por remanescentes da amada Miêta soltou o (viciante) single “Cíclica em agosto passado. Podemos concluir ou presumir que, a qualquer momento, saia o EP completo? Acompanhe a Agreste pelo Instagram e Spotify.

The Biggs
Os últimos singles, “Breech Delivery” e “(Battle)Fields” saíram em 2015. Numa live recente, apresentaram uma música nova, “See You”. Será que podemos esperar mais novidades pra esse ano? Tá na hora né? Afinal o último álbum saiu há longos 12 anos… Acompanhe o Biggs pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Charlotte Matou um Cara
Nada oficial, mas algumas músicas inéditas (como “Lembrar Para Não Repetir” e “Farsantes Com a Bíblia na Mão”) foram apresentadas em shows passados e lives no último ano. Podemos sonhar com uma tão esperada voadora na cara como foi o disco homônimo de 2017? Acompanhe a Charlotte pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Deadtrack
Meus queridos crust punk metal brabo de Uberlândia estão em fase de gravação do material novo, sucessor do disco pedrada “Rupture”. Ainda sem data prevista de lançamento. Acompanhe a Deadtrack pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Enema Noise
Trabalhando em um novo EP de remixes e versões de músicas antigas, já tendo como uma prévia “Bayer + Monsanto” (an_tnio remix), a incansável e barulhenta banda candanga logo menos tem novidades – prevista pra esse primeiro semestre. Vem na sequência do EP “Aquilo que já é meu/ Hora mais fria”, que também saiu em vinil 7″. Acompanhe a Enema pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Escolta
O quarteto de rap metal brasiliense começou a gravar o novo material há poucos dias. Os shows do disco “Efeito Moral” foram incríveis, super energéticos. Que continue nessa pegada! Acompanhe a Escolta pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Eskröta – Vida Artificial (single)
Poucos meses após o discasso “Cenas Brutais”, a Eskröta retorna com um novo single, disponível no dia 28, próxima quinta! Acompanhe a Eskröta pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Gagged
Chegando em seu 17º (!) ano de estrada, os interioranos da Gagged estão em fase de composição com uma nova formação e (alerta de spoiler) preparando várias novidades. Seu último trabalho foi o disco “Sobre Nós”, de 2018 – veja o clipe de “Cidade Sem Lugar”. Acompanhe a Gagged pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Hayz
Com a possibilidade de gravar em casa, como foi o caso do excelente single “A Soma de Todos os Medos”, lançado há pouco mais de dois meses, seria correto supor que vem mais coisa por aí em breve? Por favor, nunca te pedi nada! <3 Acompanhe a Hayz pelo Instagram, Facebook e Spotify.

In Venus – Sintoma (álbum)
Com o belíssimo clipe do single Ansiedade, o quarteto pós-punk anunciou seu novo disco, Sintoma – com vinil já em pré-venda. Acompanhe a In Venus pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Jova – Nada é Fixo (EP)
O artista de Belford Roxo/RJ lançou em 2020 seu primeiro EP, “Músicas Para Ouvir Perdido na Floresta” e o segundo EP de Jova, “Nada é Fixo”, que será lançado dia 29 de janeiro já tem pré-save. Embalado pela pandemia de Covid-19, ele traz como temas situações com as quais fomos obrigados a lidar por causa do isolamento social. Acompanhe Jova pelo Instagram e Spotify.

La Burca – Desaforo (álbum)
Organizei uma minitour do lançamento do último disco, “Kurious Eyes”, em 2016 aqui pelo cerrado (DF e Goiânia). Portanto, “Desaforo” é muito esperado! Já tem um single instrumental, também chamado “Desaforo”, rolando por aí – e o disco vai sair em vinil! Acompanhe a La Burca pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Manger Cadavre?
Uma das mais ativas, prolíficas e turnêzantes bandas da última década, também está com nova formação e postou recentemente que logo terão novidades. Aguardamos o que vem em sequência do excelente disco “AntiAutoAjuda” (2019). Acompanhe a Manger Cadavre? pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Movva – Depois da Tempestade (EP)
Meus meninos da nova geração do hardcore de Jaboticabal/SP terminaram recentemente a gravação de seu EP de estreia. Já experientes na cena do interior, lançaram o single “Alento” ano passado como uma prévia do que está por vir. Acompanhe a Movva pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Naja White – desabafEMOs (EP)
Depois da estreia com o single O emo tá de volta em 2020, a drag queen revelação do emo nacional se prepara para lançar o primeiro EP. Disponível no próximo dia 29, sexta – e já tem como prévia as faixas “Pontes” e “Vida de Adulto”. Acompanhe Naja White pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Nada em Vão
Os bonitos do punk rock melódico delicinha brasiliense começaram a gravar seu primeiro álbum, dois anos após o último single, “Chegou a Hora”. Porém como nem tudo são flores, precisaram dar uma pausa enquanto o baixista César se recupera de dois braços quebrados. Acompanhe a Nada em Vão pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Paciente Anônimo
Dividi palco com eles em 2019 e olha, que sonzeira! Esperam entrar em estúdio nos próximos meses para registrar seu primeiro material. Acompanhe a Paciente Anônimo pelo Instagram.

Saving Lipe
Projeto solo de rock noventista do jovem Felipe Casquet, baterista da Casquetaria, em que ele assume todos os instrumentos e vocais. O single If I Had to Stay Alone já está disponível, e é uma prévia do EP homônimo previsto pra esse primeiro semestre de 2021. Acompanhe a Saving Lipe pelo Instagram e Spotify.

Trash No Star
Já tem alguns meses que tem um destaque no Instagram da banda indicando que rolou uma gravação… então cedo ou tarde vai pipocar por aí a sequência riot garageira do maravilhoso Stay Creepy (No) Summer Hits, de 2014. Acompanhe a Trash pelo Instagram, Facebook e Spotify.


ENFIM! É isto, amiguinhes. A lista não é muito longa se colocarmos em perspectiva tudo que acontece nesse Brasilzão véio sem porteira. O conteúdo dela se restringe à minha humilde bolha existencial. Se não conhece as bandas citadas, vale a pena ir atrás! E caso saiba de mais próximos ou possíveis lançamentos, manda pra gente no busridenoteszine@gmail.com. Quem sabe não sai uma parte 2?

Nota: Estamos com problemas nos links. Nesse post, estão todos em negrito. #AJUDALUSIANO


Discografia Caipirópolis / Playlist

Discografia Caipirópolis Volume 2

A Discografia Caipirópolis nasceu pra mostrar que tem muita coisa boa sendo feita fora da capital.

Somos do interior de São Paulo e um dia decidimos fazer uma lista de bandas daqui, como várias delas não têm músicas nas redes de stream pra fazermos uma playlist, decidimos fazer uma coletânea.
Colocamos bandas do litoral também porque ninguém sabe se litoral é interior ou não, é uma questão de opinião.

Bom, lista feita, fizemos as edições necessárias e entre elas tiramos bandas com letras machistas, violentas, reacionárias ou coisas do tipo. Gostaríamos de pedir que vocês nos avisem caso deixarmos algo parecido passar.

No primeiro volume decidimos colocar apenas bandas com mulheres na formação, então tem de tudo, punk, crust, indie, synthpop, hard rock, folk, instrumental, etc.
E agora chegamos aos próximos volumes, que serão divididos por gênero musical. Nesse segundo volume são bandas de punk rock, hardcore melódico e etc.

Abaixo você lê um pouco sobre cada banda que faz parte desse segundo volume:

4HC (São José dos Campos)
Formada em 2016 por Fred (voz), Luan Felipe (guitarra), Josean Silva (baixo) e Wesley Nerosi (bateria). “Nossa banda consiste em fazer letras voltadas para o dia a dia, algo para motivar as pessoas a continuarem e também, é claro, contra a política fascista e opressora dos dias de hoje”. A banda tem três singles lançados, “Caminho do Exílio”, “Realidade Paralela” e “Cidade Moderna” e está em processo de gravação do primeiro EP.
“Cidade Moderna” foi lançada como single em Abril de 2020.


Anversa (São José dos Campos)
Formada em janeiro de 2018 por Tati Laukaz (vocal), Marcelo Lopes (guitarra), Mendel Graves (baixo) e Eder Penha (bateria), com “letras cantadas em português que interpretam relações cotidianas indo da política a dogmas espirituais, passando pela interpretação de questões individuais e coletivas na transformação do indivíduo e a sociedade em que atua”, a banda tem quatro singles lançados, “Quem Sou”, “Carlos”, “Não” e “Feito”.
“Feito” foi lançada como single em Outubro de 2020.


ASCO (Santos)
Formada em 2013 e hoje composta por Leandro Campos (vocal), Eder Camargo (guitarra), Willians Pereira (baixo) e Willians Cruz (bateria), a banda já tem quatro EPs lançados, o mais recente, “O Pior Cenário Possível”, foi contemplado com uma tour pela Europa no mês de março de 2020. A proposta do grupo sempre foi fazer punk rock/hardcore com a ideia de passar uma mensagem de contestação, tendo em suas maiores influências o hardcore americano dos anos 80”.
“O Pior Cenário Possível” faz parte do EP de mesmo nome, lançado em Dezembro de 2019.


Astronova (Jundiaí)
Formada em 2017 “por cinco amigos que decidiram se unir para falar sobre experiências, opiniões, sociedade, repressão, preconceito e liberdade de expressão”, é atualmente composta por Chello (vocal), Luís Paulo (guitarra, vocal), Junior Costa (baixo), Felipe Sibon (guitarra) e Jamil Neto (bateria). Em outubro de 2020, juntamente com o SESC Jundiaí, participaram do projeto #SonsdaTerra apresentando seu novo single “Sempre Assim?” acompanhado de um clipe gravado e produzido durante o período de distanciamento social, disponível nas plataformas digitais da banda e do Sesc Jundiaí.
“Fantasmas” faz parte do primeiro EP da banda, “Anomia. Omissão. Opressão. Ascensão” (2019).


Brado Revolucionário (Porto Ferreira)
Formada em 1996 e hoje composta por Paulo Urbano (vocal), Rodrigo Punk (guitarra, vocal), Lucas Santos (baixo) e Beto Giocondo (bateria), a banda tem como influências o cotidiano, o ódio ao atual sistema, a revolta ao dogmatismo e principalmente o anarquismo. “Acreditamos em nossa cultura, nossa imprensa alternativa, nossos meios de protesto sonoro, nossa oposição ao sistema, nossa luta, nossa militância, nossa seriedade. Acreditamos no movimento punk, no anarquismo”. A banda está em fase final de preparação para o lançamento de um split com Putrid Scum (México), “Efecto Moral”, e em 2021, data em que completam 25 anos de estrada, a banda pretende lançar materiais comemorativos para marcar a jornada.
“Negro Coração” faz parte do album “21 Anos de Punk HardCore” (2017).


Cannon of Hate (Cubatão)
Atualmente com Sandro Turco (vocal), André Félis (guitarra), Márcio Parducci (guitarra), Marcos Alves (bateria) e Marcus Vinicius (baixo), Cannon Of Hate foi formada em 2013 por integrantes das bandas Artany e Lasívia que haviam encerrado as atividades. A banda tem três EPs lançados e já excursionou pelas regiões Nordeste, Sudeste e Sul além de ser bem ativa no estado de São Paulo.
“O Que Vai Ser de Nós” faz parte do EP de mesmo nome, lançado em 2017.


Discordex (Itupeva)
Formada no fim de 2016 por Rodrigo Santos (vocal), Adriano (baixo), André Felipe (guitarra) e Gustavo (bateria) a banda tem dois EPs lançados, “Obrigada a Crescer” (2018) e “Prazer, São Paulo” (2019) e atualmente trabalha em seu próximo lançamento, com o selo Clichê Records. Discordex tem letras que retratam o cotidiano, com uma alta dose de sentimento e sinceridade e cita como influência as bandas Millencolin, Rancid, Chuva Negra, Fugazi e Title Fight.
“Bravo” foi lançada como single em Novembro de 2020 junto de um clipe.


ESC (Santos)
A banda surgiu em 2005 “sem pretensão de seguir um estilo ou chegar a algum lugar, nossa amizade manteve viva a vontade de tocar”. Passaram por vários estilos dentro do rock e em 2012, com a formação atual, a banda encontrou a linha punk rock, pop punk cantando em português contando suas histórias. “Seguimos assim, tentando passar um pouco de alegria por onde estamos”. A banda tem dois EPs lançados.
“Valete” faz parte do EP “Atemporal” (2020).


Facing Death (Jundiaí)
O power trio que mistura punk rock com heavy metal setentista foi formado em 2015 por Flávio (guitarra e voz), Briti (baixo) e Diego (bateria). Em 2017 a banda lançou o primeiro album, “From Here To The Unknown”, e em Maio de 2019 lançaram o single “Dinheiro” (primeira música em português da banda) em forma de cerveja, criando uma perspectiva física para a música, na embalagem podia ser escaneado um QR code que dava acesso ao vídeo da música no Youtube. Atualmente a banda está produzindo o segundo disco.
“M.I.X.” faz parte do album “From Here to the Unknown” (2017).


Gagged (São Carlos)
Formada em 2004 e hoje composta por Zeca Ruas (voz), Rodrigo Gutz (guitarra), Eric Costa (baixo) e Murilo Ramos (bateria), a banda de hardcore melódico que faz “música para reflexão, mudança e liberdade coletiva” tem dois discos lançados, “Silent” (2011) e “Sobre Nós” (2018) e um clipe “Cidade Sem Lugar”. Com 16 anos de estrada, a maioria deles bem ativos, a banda já tocou em vários estados brasileiros e teve várias mudanças. Fizemos uma entrevista com a banda que você pode ler aqui.
“ Cidade Sem Lugar” faz parte do disco “Sobre Nós” (2018).


Garrafa Vazia (Rio Claro)
Formada em 2009 por Mário Mariones (voz, baixo), Ralph Faust (bateria) e Vancil Cardoso (guitarra), a sonoridade remonta ao punk rock 77 e ao veloz hardcore punk oitentista, com um toque garage punk aqui e ali. “Há uma energia, uma irreverência na linguagem, uma forte identidade nas letras, cantadas em português, cheias de anarquia, fúria e ironia“. A banda tem bastante estrada, muitas de demos, coletâneas nacionais e gringas, presença em shows e festivais por todo o Brasil, além dos discos “Corotinho” (2016), “Cirrose” (2019), “Birinaite Apocalipse” (2020) e o ao vivo “Kill The Nazis” (2020).
“Autonomia” faz parte do disco “Birinaite Apocalipse”, lançado em julho de 2020 pela Red Star Recordings.


NWAY (Araçatuba)
Banda formada em 2012 e ao longo dos anos, em parceria com o selo Love & Noise Records, movimenta a cena da região, tanto organizando eventos como produzindo fonogramas. Eles tem dois EPs lançados, “Horizontes” (2016) e “(Sobre)viver” (2020), este conta com um mini documentário sobre suas gravações que pode ser visto no Youtube. Ainda sobre o novo lançamento, “ele fala sobre a vida e como devemos enfrentar e persistir, levantar e prosseguir. Esse registro fala sobre saúde mental, superação, relações tóxicas, desapego, amar e odiar”.
“Retrato Contínuo” faz parte do EP “(Sobre)viver” (2020).


Old Rust (Guarujá)
Formada em 2012 por Luiz Fernando (voz e guitarra), André Bufoni (guitarra), Juliano Amaral (baixo e voz) e Juca Lopes (bateria), a banda tem um disco lançado, “Teoria Cíclica de Ascensão e Queda” (2019), que conta com a regravação das músicas do primeiro EP (2014), de mesmo nome, e outras cinco músicas compostas na primeira fase da banda, antes de um hiato de dois anos. Uma das músicas, até então inéditas, que vieram a entrar no álbum, “Audiência”, foi a escolhida para o primeiro clipe e gravado por Faria Filmes.
“Certo Pra Você” faz parte do primeiro disco da banda, “Teoria Cíclica de Ascensão e Queda” (2019).


Ovu Cuzido (Monte Aprazível)
Formada em 2003 e hoje composta por Guma (vocal), Ziq (bateria), Juliano (guitarra, vocal) e Serginho (baixo, vocal), a banda tem influências do punk e hardcore “sempre com riffs agressivos e letras contra o sistema”. Eles já lançaram uma demo, “Marmitex Infernal” (2006), e alguns singles.
“Toba de Tandera” foi lançada como single em Janeiro de 2020.


QI a Menos (São José dos Campos)
Formada em 2007 por Diegão (vocal), Gabi (baixo e vocal), Korpão (guitarra e vocal) e Lukão (bateria e vocal), a banda faz um mix das influências melódicas do hardcore californiano com toda revolta e indignação do punk rock nacional. As letras trazem contestações pessoais, sociais e políticas. A banda toma orgulho de ser underground e periférica, não fazendo questão de sair desse meio em que sobrevive por pouco mais de uma década. Eles já lançaram três EPs, “O outro lado da Moeda” (2011), “A verdade é Mentira” (2013) e “Sobrevivendo ao golpe” (2019), e participaram de coletâneas.
“Sentença” faz parte do EP “Sobrevivendo ao golpe” (2019).


Refluxo Mental (São José do Rio Preto)
Formada em 2019 e hoje composta por Ariel (bateria), Everton (guitarra), Matheus (vocal) e Maurício (baixo), eles acabam de lançar seu primeiro disco, “Socialização das Perdas”. Segundo a banda, “o momento político vivenciado no Brasil atual pede uma retomada forte às bases de uma crítica social ligada ao meio artístico. Em meio ao levante de diversos artistas (não somente da música), a Refluxo Mental pretende demonstrar que ainda é possível criar um punk rock vinculado ao pensamento crítico, como alternativa às amarras da desrazão, da barbárie e do reacionarismo. Fascistas não passarão!”.  Fizemos uma entrevista com a banda que pode ser lida aqui.
“Balbúrdia” faz parte do primeiro disco da banda, “Socialização das Perdas” (2020).


Refuse (Araraquara)
Formada por Boby Vianna (vocal), Fabrício Negrini (guitarra), Arthur Oliveira (guitarra), Pablo Dotele (baixo) e Leonardo Fernandes (bateria), em Dezembro de 2018, com a banda em processo de gravação, aconteceu seu primeiro show, no Alternatal (evento beneficente de muita história e tradição), onde, devido à fortes elogios do público presente, recebeu o convite para abrir a Intourior (tour das bandas Damage Corporation, Toxic Death e Tessalônica que rodou o interior do estado de São Paulo). Em Maio de 2019, a banda lançou seu primeiro trabalho, “Direções”, juntamente com o videoclipe da música “Minha Paz”. Logo após o lançamento surgiu o convite para ser a banda local convidada a se apresentar no Araraquara Rock 2019. Em 2020, foi lançado o clipe do novo single, “A Saída”, e atualmente a banda se encontra em processo de composição do novo EP.
“Glória” faz parte do EP “Direções” (2019).


Smoners (Paulínia)
Formada em 1996 e hoje com Edinho Smoners (baixo, vocal), William Valadares (guitarra, vocal) e Alle Leanza (bateria, vocal), a banda surgiu pelas mãos de jovens que queriam tocar um punk rock simples e de protesto, posicionando-se em relação à sociedade vigente.  “Fortalecer a cultura punk e gritar contra a constante opressão explícita ou camuflada que sofremos no nosso cotidiano, e contra o racismo, machismo, lgbtqia+ fobia”. Participar de coletivos culturais, como o Mondo Grottesco (Águas de Lindoia, Mogi Guaçu, Paulínia) e Arte de Periferia (projeto sociocultural de inclusão da arte e da cultura de periferia ao circuito central, apoiado pela Prefeitura de Campinas), é algo que a banda coloca como primordial para sua atuação pela resistência do movimento. Além de já ter tocado por todo o Brasil, em 2017 a banda foi selecionada para o “Extreme Sports and Music Events” (Nashville, EUA) e em 2018 lançou o documentário biográfico, “SmonerS.doc”, pela Arttería Filmes.
“TV” faz parte do disco “Ao Vivo Estúdio Mutante” (2019).


The Biggs (Sorocaba)
Formada por Flavia Biggs (vocal, guitarra), Mayra Biggs (baixo, vocal) e Brown Biggs (bateria), em 2020 a banda completou 25 anos de atividade.  “Com melodias que passeiam entre o grunge punk, alternative rock, riot punk e stoner rock, o power trio faz um som com influências de Sonic Youth, L7, Bikinni Kill, Babes in Toyland, MC5, entre outras”. A banda lançou duas fitas K7 “See Stars” (1997) e “Kind-Hearted” (1999), dois discos, “Wishful Thinking” (2001) e “The Roll Call” (2007) e alguns singles, sendo o mais recente “See You”, ainda não lançado oficialmente, mas apresentado no festival online “Viva Girls Rock Camp BR” (inclusive, Flavia Biggs é uma das idealizadoras do projeto Girls Rock Camp Brasil). A banda que já tocou em todo Brasil, na Argentina e Uruguai e participou de inúmeros festivais e coletâneas, também fez parte dos documentários “Feito Por Elas” (2018) e “Guitar Days” (2018) e são citados no livro “O que é punk?”, de Antônio Bivar.
“Breech Delivery” foi lançada como single em 2015.


Turning Off (Sorocaba)
Formada em 2018 e hoje com Diogo Camargo (voz e guitarra), Rafael Monari (guitarra), Alex Galdino (baixo) e Vinicius Knup (bateria), a banda lançou seu primeiro disco, “Behind The Sun”, em 2019, gravado de forma independente com ajuda de amigos da cena local. “Influenciados pela velha escola do hardcore melódico e melancólico dos anos 90, a Turning Off vem tentando trazer o clima de nostalgia do auge das trilhas sonoras subversivas do Tony Hawk’s Pro Skater em suas apresentações explosivas e diretas com alguns tons de sarcasmo e homenagens à tudo que serviu de influência para a banda”.
“Behind The Sun” faz parte do disco de mesmo nome, lançado em 2019.


Fizemos playlists com as músicas disponíveis nos streams, mas como faltam várias bandas eu recomendo muito que você ouça no Bandcamp.

Deezer aqui.


Entrevista

Gagged

Gagged foi formada em São Carlos (SP) em 2004 e hoje é composta por Zeca Ruas (voz), Rodrigo Gutz (guitarra), Eric Costa (baixo) e Murilo Ramos (bateria).

A banda de hardcore melódico que faz “música para reflexão, mudança e liberdade coletiva” tem dois discos lançados, “Silent” (2011) e “Sobre Nós” (2018).

Abaixo você lê nossa entrevista com eles, onde você conhece a banda, o disco “Sobre Nós”, a “cena” de São Carlos e mais:

Vocês podem falar um pouco sobre a banda pra quem não conhece?

Olá pessoal, valeu pelo interesse e pela possibilidade de falar sobre a nossa caminhada.
A Gagged é uma banda de hardcore melódico do interior paulista, fundada em São Carlos. Dizemos “fundada” porque há um bom tempo moramos em cidades diferentes, viajando entre São Carlos, Campinas ou Araraquara. A banda sempre pretendeu dialogar com as referências fundamentais do punk e HC, especialmente as várias linguagens dos anos 80 e 90. É o que “salta ao ouvido” quando se ouve pela primeira vez, mas parte do tempero das nossas composições vem também de outras pegadas, dentro e fora do rock. Tivemos muitos músicos diferentes ao longo da história, e cada um foi deixando suas “digitais” no nosso trabalho, dá pra ver a banda se transformando nas gravações e no palco ao longo do tempo.
Desde 2004, quando tudo começou, a banda já teve “revezamento” em todos instrumentos, a única exceção é a bateria, marretada desde sempre pelo fundador, Murilo Ramos. Ali Zaher (guitarra) e Eric Costa (baixo) também carregaram o piano durante mais ou menos dez anos. Estes três participaram da gravação dos dois álbuns, e também dos clipes lançados até agora. Além deles, mais de dez músicos, inclusive vocalistas, estiveram na estrada, no palco ou no estúdio com a Gagged.
Hoje a banda conta com Murilo Ramos (batera), Zeca Ruas (vozes), Rodrigo Gutz (guitarra) e Eric Costa (baixo). Zeca entrou em 2013 e segue desde o final da tour de “Silent”. Rodrigo entrou no lugar no Ali durante a preparação para o lançamento do segundo disco, “Sobre Nós” (2018), ele fez toda a tour de lançamento e vem segurando sozinho, desde o começo de 2019, os arranjos que eram para duas guitarras. O Eric saiu mais ou menos na época que o Ali deixou a banda, ficou de fora da tour de lançamento, mas acaba de retornar pra dar os próximos passos da Gagged.
Essa constante transformação dá um aspecto peculiar para as músicas e shows, cada um que participou trouxe um pouco de suas ideias, timbres, preferências musicais, arranjos e, acima de tudo, sua subjetividade. Na parte musical, é um mosaico de referências, mas quando o assunto é visão de mundo, as convergências foram sempre fundamentais e isso é parte da nossa identidade. Todo mundo que passou pela Gagged sabe do papel da arte em provocar a reflexão, iluminar aspectos da nossa existência coletiva, de repensar o possível. Somos uma banda de pensamento crítico e fizemos questão de levar isso para as músicas.
Esse caldeirão aparece de maneira mais elaborada no último disco, “Sobre Nós”, e quanto mais vezes se escuta o álbum, mais evidente vai ficando. As músicas e letras foram pensadas pra serem decantadas com o tempo, são camadas de som e ideias e é preciso escutar e pensar aos poucos para que elas revelem todos os sentidos que tentamos imprimir.
Muita gente prefere algo instantâneo, viral, e isso ajuda no aspecto comercial, mas nunca quisemos ser uma banda para consumo em massa. É proposital: nossa linguagem aposta nas reflexões e arranjos que podem fazer sentido com alguma contemplação… é para sair da massa mesmo, questionar valores coletivos. Claro que nem todo mundo vai gostar, e não gostar não significa ser menos engajado ou algo ruim, nós mesmos temos nossas críticas ao disco. Mas, goste ou não do resultado, concorde ou não conosco, se parar pra ouvir e pensar, nos ver nos shows, vai ter a chance de ser provocado por perguntas e sentidos peculiares. Se nosso trabalho ficou bom, cada um vai dizer o que pensa. Pra nós, isso é o que vale a pena na música.

Entre o primeiro e o segundo disco a banda trocou alguns integrantes, a maior diferença que a gente vê é que as letras eram em inglês e agora são em português. Vocês podem falar sobre essas mudanças?

Tem bastante mudança entre os discos. Acho que quatro coisas ajudaram nessa transformação: a primeira, a própria evolução dos músicos que estiveram em ambos, depois, a entrada do Zeca (voz) e do Lique (guitarra), uma terceira, o momento histórico do país durante a elaboração do disco e por último, a forma como produzimos e gravamos.
A entrada do Lique, no final de 2014, adicionou muita qualidade na guitarra, ele fez uma baita dupla com o Ali nas cordas. Os arranjos evoluíram bastante entre o primeiro e segundo disco, são muitas linhas, timbres e detalhes pensados para cada lugar. O Lique tem uma mão esquerda muito rápida, o Ali tem uma mão direita muito precisa, as interações das guitarras foram ganhando destaque ao longo dos anos e chegaram ao ápice na época de gravação.
O Zeca Ruas foi responsável por escrever a maior parte das letras em português. Quando Ali e Murilo o convidaram pra entrar na Gagged, essa ideia já fazia parte da proposta, a banda sentia que cantar em português poderia aproximá-la do público. O nome e as letras em inglês, até o disco “Silent”, refletiam a forte influência da estética das bandas de hardcore brasileiro dos anos 90, mas a ideia era buscar outros espaços. Além disso, o Zeca, que já tinha composto e cantado em português em outras bandas, também preferia seguir por esse caminho.
As letras de “Sobre Nós” foram escritas entre 2013 e 2017, mais da metade delas no últimos dois anos desse período, a coisa tava fervendo pra todo lado, o momento político ficou completamente entranhado nas letras do disco e ele apontou para o desfecho trágico que vem se consumando até hoje. Nada que mereça comemoração… mas a gente estava apontando na direção correta. Todas essas situações se somaram no processo de produção do disco.
O Ali assumiu definitivamente sua carreira de produtor e a gente acabou usando toda estrutura do Estúdio Sunrise, em Araraquara. Essa possibilidade fez total diferença, não gravamos nada com relógio contado, regravamos tudo o que tivemos vontade. Óbvio que isso nem sempre é bom e também sabemos que acabou alongando o processo por demais. Por outro lado, esse percurso nos permitiu criar muita coisa. Parte importante dos detalhes de arranjos foi forjada no próprio processo de gravação. Se não tivéssemos essa liberdade, certamente teríamos algo bem menos elaborado e com certeza teríamos aprendido e curtido muito menos.

Vocês podem falar sobre o processo de composição das letras de “Sobre Nós”? Elas têm meio que a mesma linha de raciocínio, não?

Não foi nada planejado, as letras não foram pensadas para formar um disco conceitual, apesar disso, saíram totalmente conectadas. A primeira letra que o Zeca escreveu, assim que entrou na banda, foi “A Máquina”. Na verdade, foi “Vencer ou Viver”, que não saiu no disco. Elas foram escritas juntas, em 2013, e, mesmo não tendo um conceito pré-acabado, elas já davam a tônica do tipo de letra que estava por vir. Tudo refletia, sob ângulos diferentes, os efeitos do neoliberalismo sobre nossa vida como indivíduos, seja em aspectos universais, seja em termos nacionais.
A banda toda estava acompanhando muito apreensiva os desdobramentos da política brasileira, mas também as rupturas ao redor do mundo, em todo canto do planeta explodiam convulsões, migração, xenofobia, fome, conflitos e uma escalada de valores conservadores. Todas as crises que aparentavam ser distantes do cidadão comum, na verdade vinham, cada vez mais, se refletindo brutalmente em nossa vida, na convivência humana. Todo mundo trabalha mais, por mais tempo, vive vidas virtuais e vazias de sentido. Somos impulsionados a pensar como seres isolados, desconfiar e concorrer com as demais pessoas. A cidade é hostil, física e culturalmente. Ela é agressiva na moradia, no transporte, no trabalho pra maior parte das pessoas. Perdemos o controle sobre o tempo de nossa existência. Somos anestesiados por pequenas doses de prazer empacotado. A depressão se torna nossa vizinha permanente.
Vivemos extasiados pela hipersexualização da vida e pelas drogas, e empurrados à reificação de nossos sentidos primitivos que, controlados pelo dinheiro, nos torna dóceis e submissos. Vivemos uma sociedade de ressentidos, incompletos, massificados.
As letras refletem os diálogos da banda sobre esta realidade universal em suas múltiplas faces, sempre filtradas liricamente pelas leituras de Marx, Nietzsche, Freud, Marcuse, Sartre, Keynes e tantos outros autores que o Zeca vinha lendo naquele período.
Entre 2016 e 2017, quando o caos no Brasil se tornava evidente, as letras se voltaram ainda mais para entender como essa realidade afetava os problemas do país. Com menos ou mais metáforas, “Cidade Sem Lugar”, “31 de Março”, “Fim da Linha” e “Caleidoscópio” são diálogos sobre o Brasil deste período.

Falando em “Caleidoscópio”, ela tem a participação de Greg Hetson (Bad Religion, Circle Jerks, Black President, etc), né? Como surgiu essa colaboração?

Esse é um dos nossos maiores orgulhos haha. Nunca esquecemos do dia em que a notícia chegou: “Greg vai gravar!”. Foi um arranjo bem rápido, quem fez a ponte pra gente foi o Nick Townsend, que já era amigo do Ali há algum tempo e foi também parceiro dele nos primeiros trabalhos no Sunrise, ele masterizou nosso disco no seu estúdio, nos EUA. Nick, que também tocou em bandas foda por lá (escutem Fireburn!), de vez em quando fazia som com o Greg Hetson. O Ali fez todo o contato e depois escolhemos a música que achamos que merecia um solo dele. Sempre fomos muito fãs de Bad Religion. Uma cena comum na banda era: carro lotado, viajando para fazer show em algum canto, escutando discos do Bad Religion e o Murilo falando, pra toda faixa que começava, “Essa música é foda!”. Uma atrás da outra.
A gente conhecia o estilo de solo do Greg, seus bends, as tortuosidades harmônicas. “Caleidoscópio”, do arranjo à letra, é uma caravana rumando para o abismo, para o caos. A escolha era óbvia… match perfeito. Mandamos a música pra ele e ele curtiu. Em pouco tempo, enviou o solo pra gente. Infelizmente, depois da saída do Ali, a gente acabou não mantendo contato com ele. Seria muito foda poder tocar junto um dia. 

Eu li em uma entrevista (no site Seguimos Fortes) que alguns integrantes moram em São Carlos e outros em Campinas. Isso ainda é verdade? Como rola essa questão já que não são cidades assim tão próximas?

Atualmente só o Zeca mora em Campinas. Murilo, Eric e Rodrigo estão em São Carlos. Em geral, quando a intensidade de ensaios aumenta, sobra um pouco mais pro Zeca, ele vem de Campinas de carro. Muitas vezes rola ensaio só instrumental e ele acaba não vindo, mas já fizemos vários esquemas. Durante as composições de “Sobre Nós” chegamos a fazer alguns ensaios em Rio Claro, que fica no meio do caminho entre São Carlos e Campinas.
Não é fácil, mas, por enquanto, tá valendo a pena esse corre. A gente curte se encontrar, conversar sobre política, sobre a vida e fazer um som juntos. Confiamos uns nos outros e sabemos que podemos fazer algo que sejamos fãs. Isso nos motiva a seguir, apesar dos perrengues.

Pensando no mundo antes do Covid, Gagged é uma banda que costuma fazer tours, vocês podem falar sobre como é sair em tour sendo uma banda independente?

Esse lance do COVID foi muito foda pra gente. Não curtimos essa pegada de gravar em casa, celulares… Na verdade, nem tentamos. Demoramos meses para conseguir sair do isolamento e botar alguma ideia nova pra rolar. Agora começou a acontecer, mas deu canseira pra ajustar.
Na real, sentimos muito a falta de estrada, fazer show é um lance indispensável para uma banda. Viajar, conhecer as realidades locais, músicos de cada região, sentir o retorno do palco. Acreditamos que cada viagem ajuda a plantar uma semente em cada lugar, uma conexão real, com pessoas de verdade, e que isso ajuda nossa música ecoar mais longe.
Obviamente, a gente tá ligado que a música independente é cada vez mais virtual e que os shows autorais são cada vez mais vazios, mas em várias cidades acabamos construindo um público bacana, que nos permite ter confiança de levar shows com alguma frequência para cidades diferentes. Mas, além do som, fazer os contatos, se encontrar ao vivo é uma forma de também permitir que a gente siga com algum tipo de produção cultural.
A história do punk e do hardcore é sempre igual: as bandas acabam misturando a música com alguma atividade de produção artística, cultural ou ativismo. Nos lugares em que as bandas organizam seus shows e formam público, rola um circuito e um intercâmbio maior. Produtor independente só entra depois que já tem algo rolando e que garante que vai conseguir pelo menos fechar a conta do evento. No punk e hardcore, as bandas sempre foram o farol para a sustentabilidade econômica da “cena”.
Pra nós, que fizemos shows em todo canto no estado de São Paulo e nos estados vizinhos, foi ficando mais fácil organizar turnês, fechar parcerias com outras bandas bacanas pra viajar junto… O mais difícil é sustentar essa rotina cansativa de longas distâncias, noites mal dormidas e, em boa parte dos casos, morrer com uma fatia dos custos.
Já rodamos centenas de quilômetros domingo de madrugada, depois de shows cansativos, pra chegar a tempo do trabalho na segunda às 8h da manhã. Foram várias vezes esse esquema. Só quem tá muito confiante na sua música faz isso.
Também acreditamos que nos próximos projetos, quando acabar a pandemia, a gente já vai conseguir, pelo menos, fechar essa conta financeira e poder selecionar melhor os eventos… Mas, pra que isso fosse possível, tivemos que comer muito asfalto e salgado vagabundo de estrada.

São Carlos é interior de SP, vocês podem falar um pouco sobre a “cena” daí? Ela tem mudado muito nos últimos anos como em São Paulo e outras cidades?

São Carlos sempre foi uma cidade com bastante rock n’ roll, a presença de duas grandes universidades públicas sempre garantiu um monte eventos de Centro Acadêmico e DCE. Estruturas de som mínimas e espaços de boa qualidade garantiam que sempre rolasse algum rock. É verdade que muitos desses rolês eram de bandas de festa, um combinado de covers dos anos 1970, questão de tempo até tocar “Born to be Wild”. Mas a cidade sempre teve galeras diferentes que curtiam rock autoral, de todo tipo: além do rock n’ roll, a galera da música extrema, do punk e do hardcore fizeram shows e registros importantes no fim dos anos 80 e nos anos 90.
Na virada para os anos 2000, graças ao Marky Wildstone (Dead Rocks, Bifidus Ativus, The Mings), as turnês de bandas independentes que a Highlight Sounds (SP), Monstro Discos (GO) e Motor Music (BH) organizavam passavam quase sempre por São Carlos. Tocaram por aqui os gringos do Man or Astroman, Pulley, …And You Will Know Us by the Trail of Dead, Nebula, Flatcat, além de quase todas as bandas de hardcore brasileiro que despontavam nos anos 2000.
A Gagged é produto dessa ebulição. Além da banda, em meados dessa década o Murilo também começou a produzir. Ele fez dezenas de shows, também levou muita banda nacional e gringa para os palcos da cidade. Outros produtores importantes também ajudaram a manter sempre alguma atividade e até hoje, mesmo com altos e baixos, é uma cidade que abriga bons eventos. Mas, como em todo lugar, os shows de hoje são menos cheios e outros estilos ocuparam público que antes era de rock, especialmente na universidade. As festas se tornaram eventos gigantes e elitizados (veja o exemplo do Tusca), dominados por uma lógica muito mais mercantil e massificada. 

O que vocês têm ouvido ultimamente? Tem alguma banda que tá sempre tocando na sua playlist?

Tivemos momentos em que escutávamos mais da mesma coisa, mas isso foi se transformando, e isso é uma coisa boa. Vamos tentando abrir a cabeça um do outro pra outras coisas e isso sempre aparece na hora de compor.
O Murilo tem escutado Turbonegro (Scandinavian Leather), The Damned, Queens of the Stone Age, Rocket From the Crypt e Ramones. O Zeca tem escutado bastante HC e uns mergulhos nas bandas de rockão e stoner, Good Riddance, Lowrider, Propagandhi, Black Drawing Chalks e Kyuss. O Rodrigo segue pesquisando referências em vários lugares, recentemente ouviu Periphery III, Andy Timmons (Resolution), Propagandhi (Today’s Empires, Tomorrows Ashes), Herbie Hancock (Live at Montreau) e Toto IV. O Eric tá numa vibe terapêutica, numas levadas mais emo, Hey Mercedes, The Get Up Kids, Lifetime, Saves the Day e Hot Rod Circuit estiveram presentes nos últimos tempos. 

Últimas considerações? Algum recado?

Em primeiro lugar, agradecer quem chegou até aqui. Se leu até agora é por que fez algum sentido caminhar um pouco dos nossos passos. Se ainda não conhece nosso material, não acompanha a gente nas redes sociais, saiba que cada novo comentário, compartilhamento ou indicação vale muito para nós, vai ajudar seus amigos a escutarem nossa música. A gente depende dessa rede de pessoas que curtem a estética do punk HC e estão a fim de repensar aquilo que vivemos. Fica ligado com a gente, a volta do Eric trouxe novo impulso e nós começamos um ciclo novo de composição. É um desafio bacana depois de tanta mudança de formação e depois da nossa tour de lançamento. A gente aprendeu muita coisa nesse processo e queremos por em prática nesse novo material e num possível lançamento, assim que a pandemia passar.

A discografia da banda está disponível nas redes de stream.


Entrevista

Refluxo Mental

Refluxo Mental é uma banda de punk rock de São José do Rio Preto, interior de SP, formada em 2019 e hoje composta por Ariel “Joio” (bateria), Everton “Facada” (guitarra), Matheus (vocal) e Maurício “Mau” (baixo).

Em 10 de Outubro de 2020 eles lançaram seu primeiro disco, “Socialização das Perdas”, “gravado e mixado com a ajuda do Estúdio Jardim Elétrico, do ex-integrante (mas para sempre integrante) da Refluxo Mental, Lucas Dias”.

Segundo a banda, “o momento político vivenciado no Brasil atual pede uma retomada forte às bases de uma crítica social ligada ao meio artístico. Em meio ao levante de diversos artistas (não somente da música), a Refluxo Mental pretende demonstrar que ainda é possível criar um punk rock vinculado ao pensamento crítico, como alternativa às amarras da desrazão, da barbárie e do reacionarismo. Fascistas não passarão!”

Abaixo você confere nossa entrevista com eles:

Vocês podem falar um pouco sobre a banda pra quem não conhece?

Mau: A banda surgiu há uns dois anos? Quando eu vi que foi a menos que isso eu realmente fiquei surpreso, sabe? Foi Joio e eu conversando num dia chuvoso sobre fazer um som subversivo e eu mostrei a letra da musica “Crente” pra ele. A gente tinha uma outra banda que o vocalista não queria cantar musica com critica política, saca? E eu conhecia um cara que iria querer, que era o Matheus. A banda faz esse punk 77 com um pouco da influência de cada um e acaba saindo bem característico.

Em mais de uma ocasião vocês disseram que a banda veio pra combater o reacionarismo que tá tomando conta de tudo. Vocês começaram a banda pensando nisso ou foi algo que veio depois?

Matheus: Desde o início tínhamos a intenção de fazer crítica social. O próprio nome da banda foi uma intenção de demonstrar isso. Refluxo Mental é a tentativa de fazer a galera refletir sobre certas questões presentes na realidade brasileira, colocar a mente pra pensar sobre outros ângulos, que não costumam chegar a todos os espaços. O combate à barbárie e ao obscurantismo vem com informação e reflexão. É o que procuramos fazer.

Vocês podem falar sobre o processo de composição e gravação de “Socialização das Perdas”? Houveram mudanças de formação na banda nesse período, né?

Matheus: Ideias para composições foram muitas. Como a inspiração das nossas músicas surge dos problemas sociais que impactam nossa realidade, temos (infelizmente) conteúdo de sobra para trabalhar. A parte difícil é filtrar nossas ideias de uma forma mais ou menos coerente, a caber numa melodia bacana, na velocidade do punk rock. Cada ideia finalizada começava a ser gravada de imediato. Como gravamos em home studio, íamos criando e gravando, criando e gravando, até chegar o momento de dizermos: bom, melhor a gente fechar um CD aqui, finalizando esse primeiro momento da banda (que contou com diversas mudanças).

Mau: Mudança de formação foi apenas que a banda começou como um trio Matheus, Joio e eu e depois entrou o Lucas Dias, que acabou saindo para montar o Estúdio Jardim Elétrico em Lençóis Paulista, onde foi mixado e masterizado nosso CD, e entrou o Facada que já tocava com o Joio.

Rio Preto é interior, vocês podem falar um pouco sobre a “cena” daí?

Matheus: A cena do punk rock de maneira nacional já não é muito forte. O punk não é um estilo que agrada muita gente. No interior é ainda mais difícil. É complicado manter um ciclo constante de pessoas nos shows. Nem se fala sobre captar galera nova para ouvir o som. A internet tem ajudado bastante a esse respeito.

Vocês têm uma música chamada “Rio Preto” no disco, né?

Matheus: “Rio Preto” surgiu da indignação ao alto número de eleitores do Bolsonaro nas últimas eleições. Nossa região teve no segundo turno das eleições de 2018 uma taxa de 78% de apoiadores do dito-cujo (que é um dado presente nos primeiros versos da música). Não é fácil sair nas ruas sob o alto risco de trombar com o retrocesso. É claro que nem todo mundo compactua com as barbaridades que vem nesse pacote. Tem muita falta de informação (e desinformação) que ronda a cabeça das pessoas. É o preço de um país que investe parcamente em educação pública de qualidade. “Rio Preto”, apesar de levar o nome da cidade, representa diversas cidades que sofrem do mesmo problema.

E como vocês foram, do interior de SP, parar em Moçambique?

Mau: Cara, é uma história bem legal. Um youtuber moçambicano chamado Miguel Jorge viu um comentário que eu deixei com o Youtube da banda em uma notícia sobre a IURD (Igreja Universal do Reino de Deus) em Angola e entrou para ver os vídeos do canal, curtiu as músicas e marcou em uma postagem no Facebook que estava ouvindo Refluxo em Moçambique. Daí pra frente o pessoal foi pesquisando sobre e foram curtindo a página e ouvindo as músicas.

Últimas considerações? Algum recado?

Mau: Queria falar pro pessoal curtir as nossas redes sociais, dar uma força, que é disso que sobrevive uma banda autoral mesmo. Compartilhem, curtam, comentem! A gente faz nosso som aí com muita humildade e é verdadeiro, é o que a gente gosta, né? Afinal de contas se fosse apenas por publicidade pra barzinho a gente fazia cover de rock dos anos 80. Refluxo é Matheus, Facada, Mau e Joio.

“Socialização das Perdas” está disponível no Bandcamp e nas redes de stream.


Playlist / Resenha

Singles de Setembro

Hoje vamos publicar algo diferente do que estamos acostumados, mais uma das mutações do nosso blog/site/ainda não sei como chamar.

Nessa semana chegaram até nós alguns singles e resolvemos vir aqui falar deles. E primeiramente tamos felizes de mostrar algumas músicas de estreia.

Pata “Casa de Gelo”

Se você acompanha o Bus Ride Notes provavelmente já conhece a Pata, além de estar em algumas das nossas playlists, publicamos uma pequena resenha do primeiro disco da banda, “Shit & Blood”.

Nessa quarentena eles resolveram se aventurar com singles gravados e produzidos em casa, numa “série de experimentações sem pretensão de definir uma chave sonora para os novos passos, também com a proposta de colaborar com diferentes artistas e deixar se levar instintivamente em produções pontuais que explorem novos caminhos estéticos”.

Os já lançados “blsnr pnt mrch” e “Casa de Gelo” são em maior parte eletrônica e bem diferentes da banda que toca um rock que eu chamo de grunge.

“Casa de Gelo” tem uma melodia calma e uma letra tristinha que pra muitos é sinônimo da quarentena, mas ela na verdade foi feita há alguns anos pela vocalista Lúcia Vulcano.

Ela tem a participação de Sentidor (também responsável pela mixagem e masterização) nos beats e ambiências eletrônicas e foi lançada pela Geração Perdida de Minas Gerais e Efusiva Records.

A capa ficou por conta de Hanna Halm e também foi lançado um lyric video, produzido por Lúcia Vulcano.

O próximo single previsto é um cover de Nina Simone que irá integrar a coletânea “Rock Triste Contra o Coronavírus”.

Tigre Robô “Desconforto”

Formada no final de 2018 em Brasília por Isabela Fernandes (guitarra, teclados, voz), Junio Silva (baixo, teclados, voz) e Rafael Lamim (bateria), Tigre Robô acaba de lançar seu primeiro single, “Desconforto”. “Uma música sobre esperar pelas coisas acontecerem quando o tempo não está ao seu lado”.

A banda está gravando seu primeiro álbum e pretende lançar mais um single até o mês de Dezembro.

Eles também participaram da nossa matéria sobre gravações caseiras durante essa quarentena.

A arte de “Desconforto” foi feita pela própria Isabela Fernandes.

Tropikaos Chaga “As Ruas Vão Queimar”

“As Ruas Vão Queimar” é o primeiro single do duo Samuel Kircher (voz, guitarra, baixo) e Érico Munari (bateria), que foi gravado já durante a quarentena de 2020 (será que ao nos referir à quarentena vamos ter que especificar o ano? Espero que não).

A música foi lançada já tem um tempinho, mas o lyric video (editado pelo próprio Érico Munari) acabou de sair.

“As ruas, os dias, as notícias do cotidiano em um país problemático como o Brasil, compõem as letras e o barulho da banda”, ou seja, aquele punk rock rasgado cheio de distorção que a gente gosta.

Kebrada HC “Unides Pelo Ódio”

“Banda punk/hardcore antifa femininja diretamente da periferia do ABC”, formada por Letícia Souza (voz), Juliana Moreira (guitarra) e Victória da Cunha (baixo) em 2019.

Apesar de ser uma banda nova e essa ser a primeira música que elas lançam oficialmente, a Kebrada HC já é um tanto conhecida e é bem ativa.

“Unides Pelo Ódio” foi lançada junto de um video com trechos de shows em comemoração ao aniversário de um ano de banda.

O amigue e baterista Tobias de Teipó participou da gravação do single, mas a banda ainda está a procura de um baterista.

Ano passado fizemos uma entrevista com a vocalista, Letícia, onde ela explica porque se afastou do “rolê punk” e começou a frequentar a nova “cena” paralela que tá rolando em São Paulo. Ver isso tomando uma forma ainda maior através de mais uma banda faz uma lágrima escorrer no meu rosto.