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Evento / Resenha

Inferno na Terra II

Pra fechar nosso ano de posts, vamos falar da festa da firma que aconteceu em Rio Preto: a segunda edição do festival Inferno na Terra.

A multiplicação de bandas e cenas dos últimos anos felizmente tá acontecendo em todo lugar e aqui não é diferente.
Eu considero Rio Preto minha casa, apesar de não morar mais lá, e essa renovação da cena pra quem ouve muita música e só fala disso gera muitos sentimentos.

No começo dos anos 2000 a gente tinha uns 15 anos de idade e haviam quase dez bandas de moleque fazendo música autoral. Quando eu paro pra pensar nisso acho incrível, já que é uma cidade de tamanho médio. Bom, logo apareceu a indústria do “tem que vender ingresso pra tocar” e dos bares de banda cover que acabaram com tudo isso por anos. Foi de gelar o coração. Como eu disse: muitos sentimentos.
Se algo sobreviveu durante esse tempo, eu não fiquei sabendo.

Há uns três anos conheci novos amigos, as bandas que eles têm criado e o mais importante: os espaços que têm conseguido criar. Afinal de contas, quem mora no interior sabe que precisamos usar o “faça você mesmo” e armar um show no quintal se quisermos ver um, já que a única outra opção é viajar pra outra cidade, o que é longe e caro.

O coletivo RPHC, formado por amigos das bandas locais, tem realizado eventos na cidade e o Inferno na Terra é um deles. Essa segunda edição ocorreu no Centro Cultural Vasco, um lugar extremamente agradável: tem o salão de shows, uma praça de alimentação ao ar livre onde haviam o bar e comidas (opções veganas incluso, claro) do lado de uma área arborizada com bancos pra você sentar e beber uma água se escondendo do Sol (calor infernal).

Essa edição do festival contou com as bandas:

D-Compositores, banda de punk rock de Rio Preto, formada em 2018. No seu repertório eles tocam as músicas dos antigos projetos solos de alguns integrantes e as novas músicas que eles vêm compondo.

Pinscher Attack, duo de HC rábico de Monte Azul Paulista – SP. Eles têm vários EPs que podem ser ouvidos no Bandcamp ou nas redes de stream. Fizemos uma entrevista com eles, que você pode ler nesse link.

Tatuajë DiCarpa, banda Rio Pretense de powerviolence debochado. Eles têm um CD e um Split lançados, que podem ser ouvidos no Bandcamp. Também fizemos uma entrevista com eles, que você pode ler aqui.

Nada de Novo no Front, power trio de punk rock de Rio Preto, recentemente formada. No canal do Youtube da banda você pode ouvir várias músicas.

Dischord, banda crust formada em 1996. Após um tempo parados eles recentemente voltaram com uma nova formação fazendo vários shows e prestes a lançar material novo. No Facebook da banda há alguns links pra ouvir os sons já lançados.

Gagged, banda de hardcore melódico formada em 2004 em São Carlos que tem dois discos lançados. Recomendo ouvir a banda onde for que você ouve música e ir a um show quando possível. Ouça no Spotify.

Surra dispensa apresentações, creio que se você gosta de hardcore (ou trash) já pelo menos ouviu falar da banda. Eles fecharam a noite com aquele show rápido, pesado e barulhento que a gente adora.

O Inferno na Terra foi um local de bons encontros e tamos precisando disso, nesses tempos fachos a gente precisa construir, não só resistir.

Procure as bandas. Se você for da região, tente ir a um show, se você tiver passando por aqui vale a pena procurar um.

E anotem a data: 8 de Fevereiro tem Eskröta e bandas locais no festival Respeita as Minas, Fogo nos Machistas.