Bus Ride Notes

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Entrevista

All The Postcards, uma banda do Terceiro Mundo

A banda entrevistada da vez já é uma das veteranas do hardcore nacional. Com 15 anos de carreira e sete álbuns lançados, All The Postcards não mede palavras na hora de marcar posição nas letras de suas músicas.

De Angra dos Reis, o grupo é formado por Vitor (vocal, guitarra), Marcelo (baixo), Berg (bateria) e João (guitarra). O som bem característico do hardcore melódico embala letras bem diretas sobre temas sociais e a luta política da esquerda. Para não deixar nenhuma dúvida, o álbum “Fearless” estampa na capa a famosa imagem do guerrilheiro comunista Carlos Marighella denunciando a violência do golpe militar de 1964.

Destaco aqui minha música preferida da banda, “Thanksgiving”. A canção trata do ponto de vista de nós, moradores de um país de terceiro mundo, para com os países de onde importamos tanta coisa e, mesmo sem querer, tentamos imitar.

“There’s no such thing as thanksgiving. There’s no trick or treats in halloween. In a third world country we learn it all, in a third world country you don’t know about. In a third world country when we sing, it’s in english”.

Em 2020 All The Postcards lançou “Não é o Momento Para Ser Intelectual”, o primeiro EP da banda cantado em português, mostrando uma nova cara para o som deles. E, recentemente, nos trouxe, não um, mas dois singles: a versão acústica de “Thanksgiving” e a nova, “Trinta e Nova Milhões”, com direito a um clipe colaborativo dos fãs com seus bichinhos de estimação.

Pra falar sobre tudo isso, o Bus Ride Notes recebe aqui All The Postcards.

Como a banda começou?

A banda começou em meados de 2006. A ideia partiu do baixista Marcelo, que convidou o Vitor (vocal e guitarra) para montar uma banda. Marcelo já conhecia e tinha uma outra banda com o Berg (baterista).

No terceiro álbum, “Fearless”,  uma foto do Marighella estampa a capa e em “Third World Country” vocês falam sobre a visão daqui, um país de terceiro mundo, para com a influência cultural que recebemos do primeiro mundo. Como é para a banda trazer esse lado mais político para as letras? E como vocês, enquanto artistas e indivíduos, encaram essa percepção de sermos habitantes do terceiro mundo?

Felizmente, hoje a banda tem quatro cabeças bem politizadas e com o senso bem igual.

O rock, de uma forma geral, sempre foi uma forma de protesto, principalmente o hardcore. E não iríamos contra isso, jamais.

Somos quatro caras com vidas normais e que representam muito o terceiro mundo. Quatro assalariados lutando por direitos.

O que inspira vocês, tanto musicalmente quanto demais influências para a banda?

Musicalmente há um número perto do infinito de tantas referências. Cada um de nós tem um lado que puxa mais. E, sem dúvida alguma, a política é o tema mais conversado e o que mais nos instiga a escrever.

Em “Não é o Momento Para Ser Intelectual” todas as letras são em português. Por que essa mudança?

Há anos a banda tinha essa ideia de explorar músicas em português. Dessa vez colocamos a vontade pra fora e fizemos o álbum.

A mensagem que queremos passar, agora, fica mais direta de entender e bem na cara. Felizmente quem ouviu, gostou. Ufa!

Como vocês veem essa questão de bandas brasileiras cantando em inglês?

Acho impossível ter alguém que goste de rock e não se identifique com músicas em inglês. Não tem como evitar isso! Toda a base que as bandas tem vem de fora. É normal você seguir nesse seguimento. E, lógico, que não há problema algum nisso.

A gente percebe que nas capas de todos os álbuns da banda sempre rola um trabalho gráfico muito interessante. Vocês podem falar um pouco sobre essas escolhas de capas? 

Felizmente temos grandes parceiros e amigos que nos acolhem na hora de rolar uma capa, uma imagem, uma logo.

As capas sempre surgem de ideias em comum na banda e passamos para o artista fazer. A última foi o Marcelo mesmo que fez. 

O single “Trinta e Nove Milhões” fala sobre abandono animal. Vocês tem envolvimento com a causa? Como veio a ideia pra música?

Temos um bom envolvimento na causa. Marcelo tem uns cinco gatos resgatados, Molina tem mais uns quatro, Vitor tem dois cachorros. Todos que viviam em situação de rua.

A ideia veio desse convívio mesmo e da necessidade. Durante a pandemia, o número de abandonos subiu exponencialmente. As pessoas ainda acham que ter um animalzinho é só para te fazer rir. Animal é custo, é carinho, é atenção. Demanda tudo que um filho precisa. 

Quais as novidades que vocês podem adiantar para 2021?

Em 2021 a banda completa 15 anos! As ideias são muitas. Infelizmente o Brasil está afundado em uma pandemia, impossibilitando de fazermos shows.

A ideia básica ainda é lançar um álbum este ano, com dez músicas, em português. E em setembro tem o “We Are One”, onde tocaríamos com Millencolin, Satanic Surfers, entre outros. Diante da pandemia, ainda não temos noção do que vai acontecer.

Agora, a pergunta de sempre nesses tempos de fim do mundo: como está sendo para vocês se manterem ativos como banda durante a pandemia?

Muito difícil. Participamos de algumas lives e aproveitamos esse conteúdo pra movimentar as redes, mesmo assim fica difícil criar e ter essa criatividade sem poder tocar e tudo mais.

Logo no início da pandemia lançamos o “Não É O Momento Para Ser Intelectual”, perto do final do ano lançamos uma versão acústica de “Thanksgiving”, e no início do ano o single “Trinta e Nove Milhões”. Tudo com muito custo e correria, não está sendo fácil. Fiquem em casa e usem máscara!

Você pode ouvir o som da All The Postcards no Spotify, Bandcamp e Youtube.


Lançamentos / Playlist

VEM AÍ!, parte 2 – O que é pre-save e porque usar!

Dado ao enorme sucesso (rs) da primeira matéria sobre lançamentos, resolvemos fazer uma segunda parte!

Tendo em vista várias novidades pipocando por aí, queria trazer um pouco de conteúdo e falar sobre pré-save, direcionando o papo à galera das bandas. Quase ninguém usa essa isso em terras brasilis.

– Ô seu doido, mas que diabos é pré-save?

É uma ferramenta que permite que seu público, vulgo seus fãs, incluam as músicas em suas bibliotecas/playlists antes da data oficial de lançamento, tendo acesso às músicas logo nos primeiros segundos em que estiverem disponíveis.
E por que motivos você deveria usá-la? Vamos lá:

  • Chama atenção dos ouvintes, criando expectativas e aumentando o engajamento do seu trabalho – antes mesmo de ser publicado.
  • Você pode aproveitar a oportunidade para publicar um teaser, seja um trecho da música ou videoclipe, e/ou também a pré-venda ou anúncio de novos merchs.
  • Reforçando o engajamento, o algoritmo do streaming vai ~crescer o olho pra cima de você, o que aumenta a possibilidade de conseguir adentrar as grandes playlists editoriais das plataformas – exponencialmente te levando a um possível número de maior de ouvintes. (Importante: estou falando de hipóteses, não é uma garantia!)
  • Ok, há poucos dias fomos informados sobre o vazamento de dados de milhões de pessoas no Brasil. Então é preciso ser cauteloso nessa parte. É que o pré-save serve também pra você coletar dados sobre seu público, como localização, faixa etária… te permitindo direcionar melhor sua comunicação. Às vezes rola até endereço de email, que pode se tornar um mailing de newsletter. Mais importante ainda: NÃO SEJA CUZÃO, NÃO VAZE OS DADOS DE NINGUÉM!
  • E você, caro/a ouvinte, se por acaso vir suas bandas preferidas soltando um pré-save: FAÇA-O! Isso ajuda muito mais do que pode imaginar.

Sua distribuidora de música certamente oferece a possibilidade de um pré-salvamento. Vale a pena dar uma conferida .


Dito tudo isso, hora do esquenta pros pré-saves todos:

Autoclismo
Diretamente de Teresina/PI, o trio instrumental vai lançar seu novo EP, “Tetra”, no próximo dia 23. E, eba!, tem pré-save, que você pode fazer aqui. Acompanhe a Autoclismo pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Californicks
A rapaziada do hardcore melódico de Mauá/SP tem publicado há algumas semanas os bastidores da gravação de seu novo material. Seu último trabalho foi o EP “Por Todos Nós”, de 2018. Acompanhe a Californicks pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Charlotte Matou um Cara
No último post, a gente chutou e fez gol! Só atualizando mesmo, Charlotte anunciou seu novo disco, “Atentas”, que está em fase de financiamento coletivo – e você pode contribuir aqui.

Família Estranha
Fugindo um pouco da curva (até pros padrões do Busão), Família Estranha é uma banda londrinense influenciada por música brasileira, latina e bluegrass (!), que tem a rua como seu palco principal. Estão com campanha de financiamento coletivo pro seu primeiro disco, “Toda Família Merece um Álbum” – e você pode contribuir aqui. Acompanhe a Família Estranha pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Join the Dance
Depois de soltar o single “The Sun” ano passado, os cariocas de hardcore melódico skate delicinha entraram em estúdio semana passada novamente. Aguardemos! Acompanhe a Join the Dance pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Kattana OCK
Duo de horror punk, baixo+bateria, estão em fase de gravação de seu material de estreia. Dá pra dar um confere nesse áudio aqui que o trem vai ser doido! Acompanhe a Kattana OCK pelo Instagram.

Medrado
Parece que vem coisa nova por aí nos versos do Medrado, que tem lançado vários singles. Um EP em parceria com o produtor An_Tnio tem previsão para ser lançado nos próximos meses. Acompanhe o trabalho do rapper pelo Instagram, Soundcloud e Spotify.

Numbomb
O trio de crust/grindcore de Brasília-via-Lisboa não terá só um, como dois lançamentos em breve: seu primeiro álbum e também um split com a Nekkrofuneral. Acompanhe a Numbomb pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Paranoia Bomb
Projeto recente de veteranos da cena punk rocker brasiliense (Firstations, Dissonicos, Caos Lúdico, Conteste!, Nada em Vão), o supergrupo traz também influências do country e do folk. Incansáveis, estão estúdio gravando o sucessor do EP “É Hora de Ir”, de 2020. Acompanhe a Paranoia Bomb pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Personas
No fim do último mês, os jovens do rock triste lançaram o single “E Eu Me Desespero Facilmente”, que dita o tom de seu próximo EP. Acompanhe a Personas pelo Instagram, Facebook e Spotify.

SLVDR
Faz bem uns 5 anos que saiu o excelente “Presença”, e dentro em breve tem novidades também! Se você curte uma fritação instrumental, fica de olho! Acompanhe a SLVDR pelo Instagram, Facebook e Spotify.

Signo 13
Há quase 10 anos na estrada, vários EPs e coletâneas na bagagem, a banda pós-punk do DF lançou seu primeiro álbum “Serpentário” num formato inusitado: soltando cada faixa como single, mensalmente, entre setembro de 2019 e outubro de 2020. E trarão mais novidades em breve! Acompanhe a Signo 13 pelo Instagram, Facebook e Spotify.

coletânea Coletivo Lança
O coletivo ainda prepara pra se lançar oficialmente em breve, com um evento online. Mas já nos adiantou sobre sua primeira atividade: uma coletânea (ainda sem nome), que tem confirmada as presenças de nomezassos como Loyal Gun, Hayz, Trash No Star, Letty, Drowned Men, Fragmentos Urbanos e Gomalakka, com músicas inéditas, será lançada no primeiro semestre. Como ainda não temos links oficiais, fica de olho nas bandas pra acompanhar!

coletânea Território Antifa
Produzida pela produtora Casa Sonora, várias bandas antifas da região metropolitana de Porto Alegre se reúnem nessa coletânea que promete! Todas entrarão com duas músicas inéditas. Alguns nomes confirmados: Lo que Te Voy a Decir (AMO!), Pupilas Dilatadas, Cine Baltimore e Punkzilla. Acompanhe a Casa Sonora pelo Instagram e Facebook.


Por hoje é isso! Espero que esse amontoado de palavras e links tenha sido útil pra você. Acredito que não faremos uma parte 3 sobre lançamentos futuros, mas pode mandar sua pauta no busridenoteszine@gmail.com. Sextou!

Discografia Caipirópolis / Playlist

Discografia Caipirópolis Volume 2

A Discografia Caipirópolis nasceu pra mostrar que tem muita coisa boa sendo feita fora da capital.

Somos do interior de São Paulo e um dia decidimos fazer uma lista de bandas daqui, como várias delas não têm músicas nas redes de stream pra fazermos uma playlist, decidimos fazer uma coletânea.
Colocamos bandas do litoral também porque ninguém sabe se litoral é interior ou não, é uma questão de opinião.

Bom, lista feita, fizemos as edições necessárias e entre elas tiramos bandas com letras machistas, violentas, reacionárias ou coisas do tipo. Gostaríamos de pedir que vocês nos avisem caso deixarmos algo parecido passar.

No primeiro volume decidimos colocar apenas bandas com mulheres na formação, então tem de tudo, punk, crust, indie, synthpop, hard rock, folk, instrumental, etc.
E agora chegamos aos próximos volumes, que serão divididos por gênero musical. Nesse segundo volume são bandas de punk rock, hardcore melódico e etc.

Abaixo você lê um pouco sobre cada banda que faz parte desse segundo volume:

4HC (São José dos Campos)
Formada em 2016 por Fred (voz), Luan Felipe (guitarra), Josean Silva (baixo) e Wesley Nerosi (bateria). “Nossa banda consiste em fazer letras voltadas para o dia a dia, algo para motivar as pessoas a continuarem e também, é claro, contra a política fascista e opressora dos dias de hoje”. A banda tem três singles lançados, “Caminho do Exílio”, “Realidade Paralela” e “Cidade Moderna” e está em processo de gravação do primeiro EP.
“Cidade Moderna” foi lançada como single em Abril de 2020.


Anversa (São José dos Campos)
Formada em janeiro de 2018 por Tati Laukaz (vocal), Marcelo Lopes (guitarra), Mendel Graves (baixo) e Eder Penha (bateria), com “letras cantadas em português que interpretam relações cotidianas indo da política a dogmas espirituais, passando pela interpretação de questões individuais e coletivas na transformação do indivíduo e a sociedade em que atua”, a banda tem quatro singles lançados, “Quem Sou”, “Carlos”, “Não” e “Feito”.
“Feito” foi lançada como single em Outubro de 2020.


ASCO (Santos)
Formada em 2013 e hoje composta por Leandro Campos (vocal), Eder Camargo (guitarra), Willians Pereira (baixo) e Willians Cruz (bateria), a banda já tem quatro EPs lançados, o mais recente, “O Pior Cenário Possível”, foi contemplado com uma tour pela Europa no mês de março de 2020. A proposta do grupo sempre foi fazer punk rock/hardcore com a ideia de passar uma mensagem de contestação, tendo em suas maiores influências o hardcore americano dos anos 80”.
“O Pior Cenário Possível” faz parte do EP de mesmo nome, lançado em Dezembro de 2019.


Astronova (Jundiaí)
Formada em 2017 “por cinco amigos que decidiram se unir para falar sobre experiências, opiniões, sociedade, repressão, preconceito e liberdade de expressão”, é atualmente composta por Chello (vocal), Luís Paulo (guitarra, vocal), Junior Costa (baixo), Felipe Sibon (guitarra) e Jamil Neto (bateria). Em outubro de 2020, juntamente com o SESC Jundiaí, participaram do projeto #SonsdaTerra apresentando seu novo single “Sempre Assim?” acompanhado de um clipe gravado e produzido durante o período de distanciamento social, disponível nas plataformas digitais da banda e do Sesc Jundiaí.
“Fantasmas” faz parte do primeiro EP da banda, “Anomia. Omissão. Opressão. Ascensão” (2019).


Brado Revolucionário (Porto Ferreira)
Formada em 1996 e hoje composta por Paulo Urbano (vocal), Rodrigo Punk (guitarra, vocal), Lucas Santos (baixo) e Beto Giocondo (bateria), a banda tem como influências o cotidiano, o ódio ao atual sistema, a revolta ao dogmatismo e principalmente o anarquismo. “Acreditamos em nossa cultura, nossa imprensa alternativa, nossos meios de protesto sonoro, nossa oposição ao sistema, nossa luta, nossa militância, nossa seriedade. Acreditamos no movimento punk, no anarquismo”. A banda está em fase final de preparação para o lançamento de um split com Putrid Scum (México), “Efecto Moral”, e em 2021, data em que completam 25 anos de estrada, a banda pretende lançar materiais comemorativos para marcar a jornada.
“Negro Coração” faz parte do album “21 Anos de Punk HardCore” (2017).


Cannon of Hate (Cubatão)
Atualmente com Sandro Turco (vocal), André Félis (guitarra), Márcio Parducci (guitarra), Marcos Alves (bateria) e Marcus Vinicius (baixo), Cannon Of Hate foi formada em 2013 por integrantes das bandas Artany e Lasívia que haviam encerrado as atividades. A banda tem três EPs lançados e já excursionou pelas regiões Nordeste, Sudeste e Sul além de ser bem ativa no estado de São Paulo.
“O Que Vai Ser de Nós” faz parte do EP de mesmo nome, lançado em 2017.


Discordex (Itupeva)
Formada no fim de 2016 por Rodrigo Santos (vocal), Adriano (baixo), André Felipe (guitarra) e Gustavo (bateria) a banda tem dois EPs lançados, “Obrigada a Crescer” (2018) e “Prazer, São Paulo” (2019) e atualmente trabalha em seu próximo lançamento, com o selo Clichê Records. Discordex tem letras que retratam o cotidiano, com uma alta dose de sentimento e sinceridade e cita como influência as bandas Millencolin, Rancid, Chuva Negra, Fugazi e Title Fight.
“Bravo” foi lançada como single em Novembro de 2020 junto de um clipe.


ESC (Santos)
A banda surgiu em 2005 “sem pretensão de seguir um estilo ou chegar a algum lugar, nossa amizade manteve viva a vontade de tocar”. Passaram por vários estilos dentro do rock e em 2012, com a formação atual, a banda encontrou a linha punk rock, pop punk cantando em português contando suas histórias. “Seguimos assim, tentando passar um pouco de alegria por onde estamos”. A banda tem dois EPs lançados.
“Valete” faz parte do EP “Atemporal” (2020).


Facing Death (Jundiaí)
O power trio que mistura punk rock com heavy metal setentista foi formado em 2015 por Flávio (guitarra e voz), Briti (baixo) e Diego (bateria). Em 2017 a banda lançou o primeiro album, “From Here To The Unknown”, e em Maio de 2019 lançaram o single “Dinheiro” (primeira música em português da banda) em forma de cerveja, criando uma perspectiva física para a música, na embalagem podia ser escaneado um QR code que dava acesso ao vídeo da música no Youtube. Atualmente a banda está produzindo o segundo disco.
“M.I.X.” faz parte do album “From Here to the Unknown” (2017).


Gagged (São Carlos)
Formada em 2004 e hoje composta por Zeca Ruas (voz), Rodrigo Gutz (guitarra), Eric Costa (baixo) e Murilo Ramos (bateria), a banda de hardcore melódico que faz “música para reflexão, mudança e liberdade coletiva” tem dois discos lançados, “Silent” (2011) e “Sobre Nós” (2018) e um clipe “Cidade Sem Lugar”. Com 16 anos de estrada, a maioria deles bem ativos, a banda já tocou em vários estados brasileiros e teve várias mudanças. Fizemos uma entrevista com a banda que você pode ler aqui.
“ Cidade Sem Lugar” faz parte do disco “Sobre Nós” (2018).


Garrafa Vazia (Rio Claro)
Formada em 2009 por Mário Mariones (voz, baixo), Ralph Faust (bateria) e Vancil Cardoso (guitarra), a sonoridade remonta ao punk rock 77 e ao veloz hardcore punk oitentista, com um toque garage punk aqui e ali. “Há uma energia, uma irreverência na linguagem, uma forte identidade nas letras, cantadas em português, cheias de anarquia, fúria e ironia“. A banda tem bastante estrada, muitas de demos, coletâneas nacionais e gringas, presença em shows e festivais por todo o Brasil, além dos discos “Corotinho” (2016), “Cirrose” (2019), “Birinaite Apocalipse” (2020) e o ao vivo “Kill The Nazis” (2020).
“Autonomia” faz parte do disco “Birinaite Apocalipse”, lançado em julho de 2020 pela Red Star Recordings.


NWAY (Araçatuba)
Banda formada em 2012 e ao longo dos anos, em parceria com o selo Love & Noise Records, movimenta a cena da região, tanto organizando eventos como produzindo fonogramas. Eles tem dois EPs lançados, “Horizontes” (2016) e “(Sobre)viver” (2020), este conta com um mini documentário sobre suas gravações que pode ser visto no Youtube. Ainda sobre o novo lançamento, “ele fala sobre a vida e como devemos enfrentar e persistir, levantar e prosseguir. Esse registro fala sobre saúde mental, superação, relações tóxicas, desapego, amar e odiar”.
“Retrato Contínuo” faz parte do EP “(Sobre)viver” (2020).


Old Rust (Guarujá)
Formada em 2012 por Luiz Fernando (voz e guitarra), André Bufoni (guitarra), Juliano Amaral (baixo e voz) e Juca Lopes (bateria), a banda tem um disco lançado, “Teoria Cíclica de Ascensão e Queda” (2019), que conta com a regravação das músicas do primeiro EP (2014), de mesmo nome, e outras cinco músicas compostas na primeira fase da banda, antes de um hiato de dois anos. Uma das músicas, até então inéditas, que vieram a entrar no álbum, “Audiência”, foi a escolhida para o primeiro clipe e gravado por Faria Filmes.
“Certo Pra Você” faz parte do primeiro disco da banda, “Teoria Cíclica de Ascensão e Queda” (2019).


Ovu Cuzido (Monte Aprazível)
Formada em 2003 e hoje composta por Guma (vocal), Ziq (bateria), Juliano (guitarra, vocal) e Serginho (baixo, vocal), a banda tem influências do punk e hardcore “sempre com riffs agressivos e letras contra o sistema”. Eles já lançaram uma demo, “Marmitex Infernal” (2006), e alguns singles.
“Toba de Tandera” foi lançada como single em Janeiro de 2020.


QI a Menos (São José dos Campos)
Formada em 2007 por Diegão (vocal), Gabi (baixo e vocal), Korpão (guitarra e vocal) e Lukão (bateria e vocal), a banda faz um mix das influências melódicas do hardcore californiano com toda revolta e indignação do punk rock nacional. As letras trazem contestações pessoais, sociais e políticas. A banda toma orgulho de ser underground e periférica, não fazendo questão de sair desse meio em que sobrevive por pouco mais de uma década. Eles já lançaram três EPs, “O outro lado da Moeda” (2011), “A verdade é Mentira” (2013) e “Sobrevivendo ao golpe” (2019), e participaram de coletâneas.
“Sentença” faz parte do EP “Sobrevivendo ao golpe” (2019).


Refluxo Mental (São José do Rio Preto)
Formada em 2019 e hoje composta por Ariel (bateria), Everton (guitarra), Matheus (vocal) e Maurício (baixo), eles acabam de lançar seu primeiro disco, “Socialização das Perdas”. Segundo a banda, “o momento político vivenciado no Brasil atual pede uma retomada forte às bases de uma crítica social ligada ao meio artístico. Em meio ao levante de diversos artistas (não somente da música), a Refluxo Mental pretende demonstrar que ainda é possível criar um punk rock vinculado ao pensamento crítico, como alternativa às amarras da desrazão, da barbárie e do reacionarismo. Fascistas não passarão!”.  Fizemos uma entrevista com a banda que pode ser lida aqui.
“Balbúrdia” faz parte do primeiro disco da banda, “Socialização das Perdas” (2020).


Refuse (Araraquara)
Formada por Boby Vianna (vocal), Fabrício Negrini (guitarra), Arthur Oliveira (guitarra), Pablo Dotele (baixo) e Leonardo Fernandes (bateria), em Dezembro de 2018, com a banda em processo de gravação, aconteceu seu primeiro show, no Alternatal (evento beneficente de muita história e tradição), onde, devido à fortes elogios do público presente, recebeu o convite para abrir a Intourior (tour das bandas Damage Corporation, Toxic Death e Tessalônica que rodou o interior do estado de São Paulo). Em Maio de 2019, a banda lançou seu primeiro trabalho, “Direções”, juntamente com o videoclipe da música “Minha Paz”. Logo após o lançamento surgiu o convite para ser a banda local convidada a se apresentar no Araraquara Rock 2019. Em 2020, foi lançado o clipe do novo single, “A Saída”, e atualmente a banda se encontra em processo de composição do novo EP.
“Glória” faz parte do EP “Direções” (2019).


Smoners (Paulínia)
Formada em 1996 e hoje com Edinho Smoners (baixo, vocal), William Valadares (guitarra, vocal) e Alle Leanza (bateria, vocal), a banda surgiu pelas mãos de jovens que queriam tocar um punk rock simples e de protesto, posicionando-se em relação à sociedade vigente.  “Fortalecer a cultura punk e gritar contra a constante opressão explícita ou camuflada que sofremos no nosso cotidiano, e contra o racismo, machismo, lgbtqia+ fobia”. Participar de coletivos culturais, como o Mondo Grottesco (Águas de Lindoia, Mogi Guaçu, Paulínia) e Arte de Periferia (projeto sociocultural de inclusão da arte e da cultura de periferia ao circuito central, apoiado pela Prefeitura de Campinas), é algo que a banda coloca como primordial para sua atuação pela resistência do movimento. Além de já ter tocado por todo o Brasil, em 2017 a banda foi selecionada para o “Extreme Sports and Music Events” (Nashville, EUA) e em 2018 lançou o documentário biográfico, “SmonerS.doc”, pela Arttería Filmes.
“TV” faz parte do disco “Ao Vivo Estúdio Mutante” (2019).


The Biggs (Sorocaba)
Formada por Flavia Biggs (vocal, guitarra), Mayra Biggs (baixo, vocal) e Brown Biggs (bateria), em 2020 a banda completou 25 anos de atividade.  “Com melodias que passeiam entre o grunge punk, alternative rock, riot punk e stoner rock, o power trio faz um som com influências de Sonic Youth, L7, Bikinni Kill, Babes in Toyland, MC5, entre outras”. A banda lançou duas fitas K7 “See Stars” (1997) e “Kind-Hearted” (1999), dois discos, “Wishful Thinking” (2001) e “The Roll Call” (2007) e alguns singles, sendo o mais recente “See You”, ainda não lançado oficialmente, mas apresentado no festival online “Viva Girls Rock Camp BR” (inclusive, Flavia Biggs é uma das idealizadoras do projeto Girls Rock Camp Brasil). A banda que já tocou em todo Brasil, na Argentina e Uruguai e participou de inúmeros festivais e coletâneas, também fez parte dos documentários “Feito Por Elas” (2018) e “Guitar Days” (2018) e são citados no livro “O que é punk?”, de Antônio Bivar.
“Breech Delivery” foi lançada como single em 2015.


Turning Off (Sorocaba)
Formada em 2018 e hoje com Diogo Camargo (voz e guitarra), Rafael Monari (guitarra), Alex Galdino (baixo) e Vinicius Knup (bateria), a banda lançou seu primeiro disco, “Behind The Sun”, em 2019, gravado de forma independente com ajuda de amigos da cena local. “Influenciados pela velha escola do hardcore melódico e melancólico dos anos 90, a Turning Off vem tentando trazer o clima de nostalgia do auge das trilhas sonoras subversivas do Tony Hawk’s Pro Skater em suas apresentações explosivas e diretas com alguns tons de sarcasmo e homenagens à tudo que serviu de influência para a banda”.
“Behind The Sun” faz parte do disco de mesmo nome, lançado em 2019.


Fizemos playlists com as músicas disponíveis nos streams, mas como faltam várias bandas eu recomendo muito que você ouça no Bandcamp.

Deezer aqui.


Entrevista

Gagged

Gagged foi formada em São Carlos (SP) em 2004 e hoje é composta por Zeca Ruas (voz), Rodrigo Gutz (guitarra), Eric Costa (baixo) e Murilo Ramos (bateria).

A banda de hardcore melódico que faz “música para reflexão, mudança e liberdade coletiva” tem dois discos lançados, “Silent” (2011) e “Sobre Nós” (2018).

Abaixo você lê nossa entrevista com eles, onde você conhece a banda, o disco “Sobre Nós”, a “cena” de São Carlos e mais:

Vocês podem falar um pouco sobre a banda pra quem não conhece?

Olá pessoal, valeu pelo interesse e pela possibilidade de falar sobre a nossa caminhada.
A Gagged é uma banda de hardcore melódico do interior paulista, fundada em São Carlos. Dizemos “fundada” porque há um bom tempo moramos em cidades diferentes, viajando entre São Carlos, Campinas ou Araraquara. A banda sempre pretendeu dialogar com as referências fundamentais do punk e HC, especialmente as várias linguagens dos anos 80 e 90. É o que “salta ao ouvido” quando se ouve pela primeira vez, mas parte do tempero das nossas composições vem também de outras pegadas, dentro e fora do rock. Tivemos muitos músicos diferentes ao longo da história, e cada um foi deixando suas “digitais” no nosso trabalho, dá pra ver a banda se transformando nas gravações e no palco ao longo do tempo.
Desde 2004, quando tudo começou, a banda já teve “revezamento” em todos instrumentos, a única exceção é a bateria, marretada desde sempre pelo fundador, Murilo Ramos. Ali Zaher (guitarra) e Eric Costa (baixo) também carregaram o piano durante mais ou menos dez anos. Estes três participaram da gravação dos dois álbuns, e também dos clipes lançados até agora. Além deles, mais de dez músicos, inclusive vocalistas, estiveram na estrada, no palco ou no estúdio com a Gagged.
Hoje a banda conta com Murilo Ramos (batera), Zeca Ruas (vozes), Rodrigo Gutz (guitarra) e Eric Costa (baixo). Zeca entrou em 2013 e segue desde o final da tour de “Silent”. Rodrigo entrou no lugar no Ali durante a preparação para o lançamento do segundo disco, “Sobre Nós” (2018), ele fez toda a tour de lançamento e vem segurando sozinho, desde o começo de 2019, os arranjos que eram para duas guitarras. O Eric saiu mais ou menos na época que o Ali deixou a banda, ficou de fora da tour de lançamento, mas acaba de retornar pra dar os próximos passos da Gagged.
Essa constante transformação dá um aspecto peculiar para as músicas e shows, cada um que participou trouxe um pouco de suas ideias, timbres, preferências musicais, arranjos e, acima de tudo, sua subjetividade. Na parte musical, é um mosaico de referências, mas quando o assunto é visão de mundo, as convergências foram sempre fundamentais e isso é parte da nossa identidade. Todo mundo que passou pela Gagged sabe do papel da arte em provocar a reflexão, iluminar aspectos da nossa existência coletiva, de repensar o possível. Somos uma banda de pensamento crítico e fizemos questão de levar isso para as músicas.
Esse caldeirão aparece de maneira mais elaborada no último disco, “Sobre Nós”, e quanto mais vezes se escuta o álbum, mais evidente vai ficando. As músicas e letras foram pensadas pra serem decantadas com o tempo, são camadas de som e ideias e é preciso escutar e pensar aos poucos para que elas revelem todos os sentidos que tentamos imprimir.
Muita gente prefere algo instantâneo, viral, e isso ajuda no aspecto comercial, mas nunca quisemos ser uma banda para consumo em massa. É proposital: nossa linguagem aposta nas reflexões e arranjos que podem fazer sentido com alguma contemplação… é para sair da massa mesmo, questionar valores coletivos. Claro que nem todo mundo vai gostar, e não gostar não significa ser menos engajado ou algo ruim, nós mesmos temos nossas críticas ao disco. Mas, goste ou não do resultado, concorde ou não conosco, se parar pra ouvir e pensar, nos ver nos shows, vai ter a chance de ser provocado por perguntas e sentidos peculiares. Se nosso trabalho ficou bom, cada um vai dizer o que pensa. Pra nós, isso é o que vale a pena na música.

Entre o primeiro e o segundo disco a banda trocou alguns integrantes, a maior diferença que a gente vê é que as letras eram em inglês e agora são em português. Vocês podem falar sobre essas mudanças?

Tem bastante mudança entre os discos. Acho que quatro coisas ajudaram nessa transformação: a primeira, a própria evolução dos músicos que estiveram em ambos, depois, a entrada do Zeca (voz) e do Lique (guitarra), uma terceira, o momento histórico do país durante a elaboração do disco e por último, a forma como produzimos e gravamos.
A entrada do Lique, no final de 2014, adicionou muita qualidade na guitarra, ele fez uma baita dupla com o Ali nas cordas. Os arranjos evoluíram bastante entre o primeiro e segundo disco, são muitas linhas, timbres e detalhes pensados para cada lugar. O Lique tem uma mão esquerda muito rápida, o Ali tem uma mão direita muito precisa, as interações das guitarras foram ganhando destaque ao longo dos anos e chegaram ao ápice na época de gravação.
O Zeca Ruas foi responsável por escrever a maior parte das letras em português. Quando Ali e Murilo o convidaram pra entrar na Gagged, essa ideia já fazia parte da proposta, a banda sentia que cantar em português poderia aproximá-la do público. O nome e as letras em inglês, até o disco “Silent”, refletiam a forte influência da estética das bandas de hardcore brasileiro dos anos 90, mas a ideia era buscar outros espaços. Além disso, o Zeca, que já tinha composto e cantado em português em outras bandas, também preferia seguir por esse caminho.
As letras de “Sobre Nós” foram escritas entre 2013 e 2017, mais da metade delas no últimos dois anos desse período, a coisa tava fervendo pra todo lado, o momento político ficou completamente entranhado nas letras do disco e ele apontou para o desfecho trágico que vem se consumando até hoje. Nada que mereça comemoração… mas a gente estava apontando na direção correta. Todas essas situações se somaram no processo de produção do disco.
O Ali assumiu definitivamente sua carreira de produtor e a gente acabou usando toda estrutura do Estúdio Sunrise, em Araraquara. Essa possibilidade fez total diferença, não gravamos nada com relógio contado, regravamos tudo o que tivemos vontade. Óbvio que isso nem sempre é bom e também sabemos que acabou alongando o processo por demais. Por outro lado, esse percurso nos permitiu criar muita coisa. Parte importante dos detalhes de arranjos foi forjada no próprio processo de gravação. Se não tivéssemos essa liberdade, certamente teríamos algo bem menos elaborado e com certeza teríamos aprendido e curtido muito menos.

Vocês podem falar sobre o processo de composição das letras de “Sobre Nós”? Elas têm meio que a mesma linha de raciocínio, não?

Não foi nada planejado, as letras não foram pensadas para formar um disco conceitual, apesar disso, saíram totalmente conectadas. A primeira letra que o Zeca escreveu, assim que entrou na banda, foi “A Máquina”. Na verdade, foi “Vencer ou Viver”, que não saiu no disco. Elas foram escritas juntas, em 2013, e, mesmo não tendo um conceito pré-acabado, elas já davam a tônica do tipo de letra que estava por vir. Tudo refletia, sob ângulos diferentes, os efeitos do neoliberalismo sobre nossa vida como indivíduos, seja em aspectos universais, seja em termos nacionais.
A banda toda estava acompanhando muito apreensiva os desdobramentos da política brasileira, mas também as rupturas ao redor do mundo, em todo canto do planeta explodiam convulsões, migração, xenofobia, fome, conflitos e uma escalada de valores conservadores. Todas as crises que aparentavam ser distantes do cidadão comum, na verdade vinham, cada vez mais, se refletindo brutalmente em nossa vida, na convivência humana. Todo mundo trabalha mais, por mais tempo, vive vidas virtuais e vazias de sentido. Somos impulsionados a pensar como seres isolados, desconfiar e concorrer com as demais pessoas. A cidade é hostil, física e culturalmente. Ela é agressiva na moradia, no transporte, no trabalho pra maior parte das pessoas. Perdemos o controle sobre o tempo de nossa existência. Somos anestesiados por pequenas doses de prazer empacotado. A depressão se torna nossa vizinha permanente.
Vivemos extasiados pela hipersexualização da vida e pelas drogas, e empurrados à reificação de nossos sentidos primitivos que, controlados pelo dinheiro, nos torna dóceis e submissos. Vivemos uma sociedade de ressentidos, incompletos, massificados.
As letras refletem os diálogos da banda sobre esta realidade universal em suas múltiplas faces, sempre filtradas liricamente pelas leituras de Marx, Nietzsche, Freud, Marcuse, Sartre, Keynes e tantos outros autores que o Zeca vinha lendo naquele período.
Entre 2016 e 2017, quando o caos no Brasil se tornava evidente, as letras se voltaram ainda mais para entender como essa realidade afetava os problemas do país. Com menos ou mais metáforas, “Cidade Sem Lugar”, “31 de Março”, “Fim da Linha” e “Caleidoscópio” são diálogos sobre o Brasil deste período.

Falando em “Caleidoscópio”, ela tem a participação de Greg Hetson (Bad Religion, Circle Jerks, Black President, etc), né? Como surgiu essa colaboração?

Esse é um dos nossos maiores orgulhos haha. Nunca esquecemos do dia em que a notícia chegou: “Greg vai gravar!”. Foi um arranjo bem rápido, quem fez a ponte pra gente foi o Nick Townsend, que já era amigo do Ali há algum tempo e foi também parceiro dele nos primeiros trabalhos no Sunrise, ele masterizou nosso disco no seu estúdio, nos EUA. Nick, que também tocou em bandas foda por lá (escutem Fireburn!), de vez em quando fazia som com o Greg Hetson. O Ali fez todo o contato e depois escolhemos a música que achamos que merecia um solo dele. Sempre fomos muito fãs de Bad Religion. Uma cena comum na banda era: carro lotado, viajando para fazer show em algum canto, escutando discos do Bad Religion e o Murilo falando, pra toda faixa que começava, “Essa música é foda!”. Uma atrás da outra.
A gente conhecia o estilo de solo do Greg, seus bends, as tortuosidades harmônicas. “Caleidoscópio”, do arranjo à letra, é uma caravana rumando para o abismo, para o caos. A escolha era óbvia… match perfeito. Mandamos a música pra ele e ele curtiu. Em pouco tempo, enviou o solo pra gente. Infelizmente, depois da saída do Ali, a gente acabou não mantendo contato com ele. Seria muito foda poder tocar junto um dia. 

Eu li em uma entrevista (no site Seguimos Fortes) que alguns integrantes moram em São Carlos e outros em Campinas. Isso ainda é verdade? Como rola essa questão já que não são cidades assim tão próximas?

Atualmente só o Zeca mora em Campinas. Murilo, Eric e Rodrigo estão em São Carlos. Em geral, quando a intensidade de ensaios aumenta, sobra um pouco mais pro Zeca, ele vem de Campinas de carro. Muitas vezes rola ensaio só instrumental e ele acaba não vindo, mas já fizemos vários esquemas. Durante as composições de “Sobre Nós” chegamos a fazer alguns ensaios em Rio Claro, que fica no meio do caminho entre São Carlos e Campinas.
Não é fácil, mas, por enquanto, tá valendo a pena esse corre. A gente curte se encontrar, conversar sobre política, sobre a vida e fazer um som juntos. Confiamos uns nos outros e sabemos que podemos fazer algo que sejamos fãs. Isso nos motiva a seguir, apesar dos perrengues.

Pensando no mundo antes do Covid, Gagged é uma banda que costuma fazer tours, vocês podem falar sobre como é sair em tour sendo uma banda independente?

Esse lance do COVID foi muito foda pra gente. Não curtimos essa pegada de gravar em casa, celulares… Na verdade, nem tentamos. Demoramos meses para conseguir sair do isolamento e botar alguma ideia nova pra rolar. Agora começou a acontecer, mas deu canseira pra ajustar.
Na real, sentimos muito a falta de estrada, fazer show é um lance indispensável para uma banda. Viajar, conhecer as realidades locais, músicos de cada região, sentir o retorno do palco. Acreditamos que cada viagem ajuda a plantar uma semente em cada lugar, uma conexão real, com pessoas de verdade, e que isso ajuda nossa música ecoar mais longe.
Obviamente, a gente tá ligado que a música independente é cada vez mais virtual e que os shows autorais são cada vez mais vazios, mas em várias cidades acabamos construindo um público bacana, que nos permite ter confiança de levar shows com alguma frequência para cidades diferentes. Mas, além do som, fazer os contatos, se encontrar ao vivo é uma forma de também permitir que a gente siga com algum tipo de produção cultural.
A história do punk e do hardcore é sempre igual: as bandas acabam misturando a música com alguma atividade de produção artística, cultural ou ativismo. Nos lugares em que as bandas organizam seus shows e formam público, rola um circuito e um intercâmbio maior. Produtor independente só entra depois que já tem algo rolando e que garante que vai conseguir pelo menos fechar a conta do evento. No punk e hardcore, as bandas sempre foram o farol para a sustentabilidade econômica da “cena”.
Pra nós, que fizemos shows em todo canto no estado de São Paulo e nos estados vizinhos, foi ficando mais fácil organizar turnês, fechar parcerias com outras bandas bacanas pra viajar junto… O mais difícil é sustentar essa rotina cansativa de longas distâncias, noites mal dormidas e, em boa parte dos casos, morrer com uma fatia dos custos.
Já rodamos centenas de quilômetros domingo de madrugada, depois de shows cansativos, pra chegar a tempo do trabalho na segunda às 8h da manhã. Foram várias vezes esse esquema. Só quem tá muito confiante na sua música faz isso.
Também acreditamos que nos próximos projetos, quando acabar a pandemia, a gente já vai conseguir, pelo menos, fechar essa conta financeira e poder selecionar melhor os eventos… Mas, pra que isso fosse possível, tivemos que comer muito asfalto e salgado vagabundo de estrada.

São Carlos é interior de SP, vocês podem falar um pouco sobre a “cena” daí? Ela tem mudado muito nos últimos anos como em São Paulo e outras cidades?

São Carlos sempre foi uma cidade com bastante rock n’ roll, a presença de duas grandes universidades públicas sempre garantiu um monte eventos de Centro Acadêmico e DCE. Estruturas de som mínimas e espaços de boa qualidade garantiam que sempre rolasse algum rock. É verdade que muitos desses rolês eram de bandas de festa, um combinado de covers dos anos 1970, questão de tempo até tocar “Born to be Wild”. Mas a cidade sempre teve galeras diferentes que curtiam rock autoral, de todo tipo: além do rock n’ roll, a galera da música extrema, do punk e do hardcore fizeram shows e registros importantes no fim dos anos 80 e nos anos 90.
Na virada para os anos 2000, graças ao Marky Wildstone (Dead Rocks, Bifidus Ativus, The Mings), as turnês de bandas independentes que a Highlight Sounds (SP), Monstro Discos (GO) e Motor Music (BH) organizavam passavam quase sempre por São Carlos. Tocaram por aqui os gringos do Man or Astroman, Pulley, …And You Will Know Us by the Trail of Dead, Nebula, Flatcat, além de quase todas as bandas de hardcore brasileiro que despontavam nos anos 2000.
A Gagged é produto dessa ebulição. Além da banda, em meados dessa década o Murilo também começou a produzir. Ele fez dezenas de shows, também levou muita banda nacional e gringa para os palcos da cidade. Outros produtores importantes também ajudaram a manter sempre alguma atividade e até hoje, mesmo com altos e baixos, é uma cidade que abriga bons eventos. Mas, como em todo lugar, os shows de hoje são menos cheios e outros estilos ocuparam público que antes era de rock, especialmente na universidade. As festas se tornaram eventos gigantes e elitizados (veja o exemplo do Tusca), dominados por uma lógica muito mais mercantil e massificada. 

O que vocês têm ouvido ultimamente? Tem alguma banda que tá sempre tocando na sua playlist?

Tivemos momentos em que escutávamos mais da mesma coisa, mas isso foi se transformando, e isso é uma coisa boa. Vamos tentando abrir a cabeça um do outro pra outras coisas e isso sempre aparece na hora de compor.
O Murilo tem escutado Turbonegro (Scandinavian Leather), The Damned, Queens of the Stone Age, Rocket From the Crypt e Ramones. O Zeca tem escutado bastante HC e uns mergulhos nas bandas de rockão e stoner, Good Riddance, Lowrider, Propagandhi, Black Drawing Chalks e Kyuss. O Rodrigo segue pesquisando referências em vários lugares, recentemente ouviu Periphery III, Andy Timmons (Resolution), Propagandhi (Today’s Empires, Tomorrows Ashes), Herbie Hancock (Live at Montreau) e Toto IV. O Eric tá numa vibe terapêutica, numas levadas mais emo, Hey Mercedes, The Get Up Kids, Lifetime, Saves the Day e Hot Rod Circuit estiveram presentes nos últimos tempos. 

Últimas considerações? Algum recado?

Em primeiro lugar, agradecer quem chegou até aqui. Se leu até agora é por que fez algum sentido caminhar um pouco dos nossos passos. Se ainda não conhece nosso material, não acompanha a gente nas redes sociais, saiba que cada novo comentário, compartilhamento ou indicação vale muito para nós, vai ajudar seus amigos a escutarem nossa música. A gente depende dessa rede de pessoas que curtem a estética do punk HC e estão a fim de repensar aquilo que vivemos. Fica ligado com a gente, a volta do Eric trouxe novo impulso e nós começamos um ciclo novo de composição. É um desafio bacana depois de tanta mudança de formação e depois da nossa tour de lançamento. A gente aprendeu muita coisa nesse processo e queremos por em prática nesse novo material e num possível lançamento, assim que a pandemia passar.

A discografia da banda está disponível nas redes de stream.


Resenha

Split Rosa Idiota + Please Come July

Dezembro de 2019, o fim de uma década. Parece que faz muito tempo né? Na verdade, nem é tanto tempo assim, tá logo ali. E o que aconteceu em dezembro daquele ano? Bom, se você gosta de hardcore, deveria saber que foi o mês em que a Bahia e o Rio de Janeiro fizeram conexão no ótimo Split com Rosa Idiota e Please Come July!

Com oito músicas no total, quatro pra cada, o split foi lançado pela High Fidelity Stereo, em parceria com a Tropical Death, Estopim e Eletric Funeral.

Pra quem gosta de detalhes técnicos, aqui vai o primeiro destaque desse álbum: a qualidade do som. Ambas as bandas foram muito bem gravadas, você consegue ouvir cada detalhe do som direitinho. E os responsáveis por essa produção de primeira estão aqui: o lado do Rosa Idiota foi gravado, mixado e masterizado por Dill Pereira no estúdio Ruído Rosa, em Salvador – BA; Já o lado do Please Come July, ficou por conta de Cris, no estúdio La Cueva, Rio de Janeiro – RJ.

Não tem pra onde fugir da influência do hardcore norte americano dos anos 80 e 90 aqui. Quem abre o Split é “Don’t Disappear”, do Rosa Idiota. Seguida de “Behind Bars”, “Aerophobia” e “The Stars Don’t Care About Us”. As músicas são bem coesas, funcionando muito bem juntas. A minha favorita dessa primeira parte é “Aerophobia”, música pra ficar no repeat. O refrão emociona com “Let’s make a deal and start again. I promise you, you promise me. You lose your fear of flying. Then I lose my fear of falling”.

Esse é o terceiro lançamento da banda, sucedendo Somatic (2018) e Circle (2017). A banda formada em 2015, junta veteranos da cena hardcore brasileira em sua formação: Marcelo Adam (vocal, guitarra), Diego Dill (vocal e guitarra), Fabiano Passos (baixo) e Rodrigo Gagliano (bateria).

Com a deixa da primeira parte do álbum, o Please Come July chega e não deixa a desejar. Lembrando o som do Hüsker Dü, a banda entrega “Running”, “Let’s Start Today”, “Inside” e “Figure Out” sem tirar o pé do acelerador. Acho que vale destacar “Let’s Start Today”, com um final que dá aquela vontade de subir no palco e se jogar em cima de desconhecidos (há quanto tempo isso não acontece, hein?). “Let’s start today. This is something. This feels so right. Let’s start today” é pra cantar junto.

Please Come July, assim como o Rosa Idiota, é uma banda relativamente nova. O grupo foi formado em 2016, no Rio de Janeiro e conta com Marcus Menezes (guitarra, voz), Marcelo Pineschi (baixo) e Gabriel Isidoro (baixo). O álbum que antecede o slipt, é o Life’s Puzzle (2016).

A arte do slipt é assinada por Leo Villas e, diga-se de passagem, é uma belíssima arte. Se houver uma lançamento da versão física desse álbum, essa capa com certeza vai ser uma daquelas que dá gosto de ver na estante.

Rosa Idiota + Please Come July está disponível no Spotify, Deezer, Bandcamp, Youtube, Apple Music e Google Play. Como vocês já devem saber: ouçam, compartilhem com amigos, apoiem as bandas independentes e façam seus próprios rolês.


Resenha

Caffeine Lullabies – We Want You To Be Happy

Goiânia talvez tenha sido a cidade que mais nos trouxe bandas de grande potencial nas últimas duas décadas; desde os stoners do Black Drawing Chalks e do Hellbenders, o psicodélico Boogarins, até ao dreampop da Brvnks. Não se sabe ao certo o que levou tantas bandas goianas apostarem em letras em inglês (algo que não condeno, porém tenho algumas ressalvas) mas, nesse quesito, a cidade fica pau a pau com a capital paulista.

O Caffeine Lullabies é o mais novo expoente dessa cena a aparecer aqui no Bus Ride Notes e eles nos apresentam “We Want You To Be Happy”, lançado em 2019 pela Milo Records. A produção do trabalho é assinada pela própria banda em parceria com Braz Torres Neme, que também é responsável pela gravação, mixagem e masterização. Gravado no Up Studio em Goiânia, “We Want You To Be Happy” conta também com a produção executiva de Camilo B. Rodoavalho.

Esse é o segundo álbum da banda que estreou com “The Closest Thing to Death” em 2015. O Caffeine conta com Felipe Cavalcanti (voz), Bruno Roque (guitarra), Rodrigo Modesto (baixo), Gabriel Ferreira (guitarra) e Pedro Hernandez (bateria).

Com influências do rock alternativo da década de 90 e outros nomes do hardcore/pop punk, o álbum gira em torno de temas como decepções, saúde mental, paixões e amadurecimento. Também podemos sacar muitas referências de bandas como Basement e Floating Kid.

Pra deixar mais claras ainda as influências da banda, quem assina a capa é Alexandre Souza Sesper (Garage Fuzz; The Pessimists; ACruz Sesper; Angustia).

A faixa que abre o álbum é “Disappointment Is a Tricky Animal”, já mostrando o quinteto bem energético e riffs interessantes. A letra trata de problemas de relacionamento, tema que se repete em praticamente toda as faixas do álbum.

A faixa que dá nome ao álbum descreve um ambiente desolador e cheio de inseguranças (In the wilderness where I’m lost again. Scared to see you happy while I’m not), explodindo no refrão otimista que almeja a felicidade mesmo em tempos difíceis.

“Headlights” segue a mesma linha. Destaque aqui para o ótimo trabalho nas guitarras, mantendo o som melódico sem perder o peso. A letra  da música que, segundo o faixa-a-faixa feito pela banda, quase ficou de fora do álbum (fizeram bem em não deixar essa de fora), gira em torno da vulnerabilidade em um relacionamento e as inseguranças aos quais estamos expostos em momentos assim. “You could see through my weakness. Peeling the skin where I hide”.

“Violent Superego”, um dos dois singles, é um ponto alto no álbum. Com um refrão poderoso (I pray the lord, I say deliver us from evil. I pray the devil, I say keep the lord away), a música foi uma ótima escolha de single.

Também um single, “Loved Ones” talvez seja a mais melódica do álbum. Um tanto parecida demais com os sons do Basement em “Promise Everything” (2016), a letra fala da sinceridade em se reconhecer as falhas que abalam amizades. Também uma ótima escolha de single.

Ainda seguindo o caminho mais melódico acompanhando de riffs marcantes, “Watch Your Six” têm as letras mais fortes do álbum. Crescer em ambientes disfuncionais deixam marcas que nos acompanham para sempre e as vezes é complicado abandonar antigos ressentimentos. “I got this growing pains from growing too fast. Still I’m weak”, canta Felipe Cavalcanti em um dos versos mais tocantes da faixa.

“Sublimation” traz de volta a velocidade do início do álbum, é a música que mais remete ao hardcore em “We Want You To Be Happy”. A letra evoca uma força que nos mantém de pé mesmo quando estamos a ponto de desabar, uma força quase que feral.

O álbum se encerra com a melódica “5:30 (Morbid Dreams)”. As dores passadas continuam presentes nos versos que fecham “I came to mourn and scratch my phatom arm”. O Caffeine Lullabies deixa a mensagem de que é impossível ser plenamente feliz se não nos resolvermos com nossos fantasmas internos e sermos sinceros com as nossas falhas.


Playlist

Playlists Bus Ride Notes

Aqui estão os links pra todas as nossas playlists

Queercore

Pra complementar nosso post sobre Queercore, fizemos uma playlist com bandas nacionais do gênero.

Spotify:

Deezer:


De Olho nas Sapatão

Agosto é o mês da visibilidade lésbica e em homenagem fizemos uma playlist. O nome é uma referência à HQ Dykes To Watch Out For. Foto da capa é da Velcro Choque.

Spotify:

Deezer:


2019

Essa é a nossa playlist de 2019, não é com as músicas que mais gostamos, é com tudo o que a gente sabe que foi lançado esse ano(e tá nos streams), tem album, EP e single. Divirtam-se!

Spotify:

Deezer:


Evento / Resenha

Inferno na Terra II

Pra fechar nosso ano de posts, vamos falar da festa da firma que aconteceu em Rio Preto: a segunda edição do festival Inferno na Terra.

A multiplicação de bandas e cenas dos últimos anos felizmente tá acontecendo em todo lugar e aqui não é diferente.
Eu considero Rio Preto minha casa, apesar de não morar mais lá, e essa renovação da cena pra quem ouve muita música e só fala disso gera muitos sentimentos.

No começo dos anos 2000 a gente tinha uns 15 anos de idade e haviam quase dez bandas de moleque fazendo música autoral. Quando eu paro pra pensar nisso acho incrível, já que é uma cidade de tamanho médio. Bom, logo apareceu a indústria do “tem que vender ingresso pra tocar” e dos bares de banda cover que acabaram com tudo isso por anos. Foi de gelar o coração. Como eu disse: muitos sentimentos.
Se algo sobreviveu durante esse tempo, eu não fiquei sabendo.

Há uns três anos conheci novos amigos, as bandas que eles têm criado e o mais importante: os espaços que têm conseguido criar. Afinal de contas, quem mora no interior sabe que precisamos usar o “faça você mesmo” e armar um show no quintal se quisermos ver um, já que a única outra opção é viajar pra outra cidade, o que é longe e caro.

O coletivo RPHC, formado por amigos das bandas locais, tem realizado eventos na cidade e o Inferno na Terra é um deles. Essa segunda edição ocorreu no Centro Cultural Vasco, um lugar extremamente agradável: tem o salão de shows, uma praça de alimentação ao ar livre onde haviam o bar e comidas (opções veganas incluso, claro) do lado de uma área arborizada com bancos pra você sentar e beber uma água se escondendo do Sol (calor infernal).

Essa edição do festival contou com as bandas:

D-Compositores, banda de punk rock de Rio Preto, formada em 2018. No seu repertório eles tocam as músicas dos antigos projetos solos de alguns integrantes e as novas músicas que eles vêm compondo.

Pinscher Attack, duo de HC rábico de Monte Azul Paulista – SP. Eles têm vários EPs que podem ser ouvidos no Bandcamp ou nas redes de stream. Fizemos uma entrevista com eles, que você pode ler nesse link.

Tatuajë DiCarpa, banda Rio Pretense de powerviolence debochado. Eles têm um CD e um Split lançados, que podem ser ouvidos no Bandcamp. Também fizemos uma entrevista com eles, que você pode ler aqui.

Nada de Novo no Front, power trio de punk rock de Rio Preto, recentemente formada. No canal do Youtube da banda você pode ouvir várias músicas.

Dischord, banda crust formada em 1996. Após um tempo parados eles recentemente voltaram com uma nova formação fazendo vários shows e prestes a lançar material novo. No Facebook da banda há alguns links pra ouvir os sons já lançados.

Gagged, banda de hardcore melódico formada em 2004 em São Carlos que tem dois discos lançados. Recomendo ouvir a banda onde for que você ouve música e ir a um show quando possível. Ouça no Spotify.

Surra dispensa apresentações, creio que se você gosta de hardcore (ou trash) já pelo menos ouviu falar da banda. Eles fecharam a noite com aquele show rápido, pesado e barulhento que a gente adora.

O Inferno na Terra foi um local de bons encontros e tamos precisando disso, nesses tempos fachos a gente precisa construir, não só resistir.

Procure as bandas. Se você for da região, tente ir a um show, se você tiver passando por aqui vale a pena procurar um.

E anotem a data: 8 de Fevereiro tem Eskröta e bandas locais no festival Respeita as Minas, Fogo nos Machistas.


Entrevista

Marinas Found

Marinas Found é uma banda de Pelotas – RS, formada em 2014 e hoje composta por Pedro Soler (voz/guitarra), Eduardo Walerko (voz/guitarra), Pietro Strickler (baixo) e Arthur Feltraco (bateria).

Em 2017 eles lançaram o primeiro disco, “Marinas Found”, e em Maio desse ano lançaram o disco “Ansiolítico”, foi quando eu conheci a banda.
Eu sou suspeita pra falar por que hardcore melódico é provavelmente o meu gênero musical preferido, mas o “Ansiolítico” é muito bom. A banda toca aquele HC bom pra toda hora, sonoramente eles são bem concisos.

O primeiro disco é bem pop punk e contrasta com o segundo. Faz sentido dizer que o disco novo é um “amadurecimento” (eu tenho uma certa birra dessa palavra, mas se encaixa aqui): o “Marinas Found” tem muitas falas sobre “não quero envelhecer e me conformar” (coisa de jovem) e no “Ansiolítico” a mudança é visível, mas a essência é a mesma.

Como eu comentei na entrevista, o mundo hoje tá tão doente que é difícil saber o que é traço de personalidade e o que é sintoma e isso se reflete nas letras do disco“Por que é tão difícil se libertar das entranhas que nós mesmos criamos?”.
Acredito que muita gente pode se identificar com as letras dele, além dos problemas coletivos tem as músicas como “Vegan Youth” (assisti um documentário e algo me acordou) e quem não conhece um “Jorge”, não é mesmo?

Se você gosta desse som, eu recomendo muito ouvir esse disco.

A banda gentilmente nos cedeu uma entrevista, que você lê a seguir:

Vocês podem falar um pouco da banda pra quem não conhece?

A Marinas Found é uma banda de hardcore formada em 2014 na cidade de Pelotas, no sul do Rio Grande do Sul. Somos quatro amigos que curtem tocar musicas tristes de esquerda juntos haha. A gente lançou nosso primeiro álbum em 2017, reunindo músicas do início da banda, e o “Ansiolítico” este ano com uma proposta de lançar um álbum coeso mesmo, pensado e preparado, diferente do outro que juntamos tudo que tínhamos até então.
Somos Pedro Soler (guitarra e voz), Eduardo Walerko (guitarra e voz) e Pietro Strickler (baixo).
A banda surgiu e se estruturou ao longo do tempo porque eu (Soler) e o Arthur gostávamos de tocar juntos desde crianças. A gente se apaixonou por punk na mesma época e desde então seguimos nesse role. Até lá teve muita coisa de brincadeira até nos firmarmos na Marinas Found, junto com o Walerko. No meio dessa brincadeira precisávamos de um novo baixista e o Walerko assumiu a responsabilidade. Com ele a gente virou a Marinas Found mesmo, lançamos os álbuns e começamos a levar a coisa mais seriamente com shows e tal. Então basicamente a banda surgiu de amizade e de uma pulga atrás da orelha com várias coisas, com nós mesmos, com problemas sociais, com o que a gente tava vivendo ou observando. A gente foi muito ligado um com o outro desde que nos tornamos amigos e também pensamos parecido musicalmente e politicamente, então, tudo caiu como uma luva. Com o tempo o Walerko quis voltar a tocar guitarra e entrou o Pietro no baixo. Com essa formação lançamos o “Ansiolítico”. Agora o Arthurzinho saiu de novo porque foi fazer o mestrado longe de nós e estamos sem baterista, mas logo logo já divulgaremos o novo integrante.

Pouco antes de lançar o disco novo vocês mudaram a formação da banda, né? Como foi essa mudança no processo de composição (e no geral também)?

Então, a de antes do disco foi de boa porque na verdade a mudança não excluiu ninguém, ela só adicionou o Pietro. Nós éramos eu, Walerko e Arthur e viramos eu, Walerko, Arthur e Pietro. A gente não perdeu em nada nesse sentido, só ganhamos. A composição do “Ansiolítico” foi muito massa porque nós todos nos soltamos bem mais do que no primeiro álbum, ousamos mais e tivemos uma produção mais ganha também. Fizemos uma pré produção do álbum com o Augusto Santos (ex vocalista da Suburban Stereotype) e isso também foi muito importante. A gente costuma se entender bastante nas composições, cada um soma com o que acha massa e vamos nos acertando.

“Ansiolítico” é um disco temático? Várias músicas falam de frustrações ou de problemas mentais/emocionais (o mundo hoje tá tão doente que é difícil saber o que é traço de personalidade e o que é sintoma), isso foi planejado?

Cara, acho que dá pra dizer que é temático dependendo do ponto de vista, mas isso não foi intencional. A gente teve momentos bem deprimidos e ansiosos entre o primeiro álbum e o segundo e isso acabou influenciando muito. As nossas letras costumam ser bem sinceras e pessoais, então acaba que não é planejado, mas é simplesmente o que sai de nós. Falando particularmente pelas minhas letras, nos últimos anos foi difícil fugir destes temas e tratar outros assuntos. Quando a gente fez o álbum a gente juntou todas músicas novas que tínhamos e trabalhamos com o Augusto em cima delas, mas no final nada foi planejado, foi só sons que a gente já tinha feito meio que espontaneamente. Acho que por esses motivos que falei acabou que todos os sons são meio ligados, por remeterem a mesma época e aos mesmos compositores. Quando nós terminamos o álbum não sabíamos que nome colocar e pensamos umas semanas só nisso. Quando todo mundo já tava cansando, acho que o Walerko perguntou como se chamava o remédio pra ansiedade e percebemos que ansiolítico faria muito sentido com a temática do álbum. Eu não sei exatamente como é a comparação de hoje com o de outras épocas em questão de números de pessoas com problemas mentais, mas sei que a depressão e a ansiedade só crescem no mundo há algum tempo. Eu sei que as pessoas hoje em dia tomam muito mais remédio do que jamais tomaram, eu sei que nós, nossos amigos e familiares muitas vezes são vítimas de problemas assim, pessoas que tomam remédio, bastante remédio, pessoas que já pensaram em se matar ou até já foram adiante, que não conseguem trabalhar ou estudar e que na real eu acho que tá muito ligado a sociedade como um todo, esses problemas não aparecem numa porrada de gente com as mesmas características e sintomas por nada, existe um fator social ou vários importantes. Então o álbum tenta tratar esses dois lados, o individual e o coletivo.

Pelotas é interior, né? Vocês podem falar um pouco da cena daí? Ela também tem mudado muito nos últimos anos como no Sudeste?

Sim! Então a gente teve muita sorte que quando a gente tava entrando na adolescência tinha uma gurizada que organizava role aqui e que tinha um coletivo chamado Hardcore Pride. Por causa desses caras deu pra ver que uma banda daqui podia ser muito afudê como a Suburban Stereotype era e também nós pudemos ver muitas bandas na nossa frente e nos aprofundar nos roles de HC mesmo como Zander, Dead Fish, Sugar Kane, Bullet Bane e que na época era algo incrível pra nós. A gente não sabia de role de punk e HC e do nada esses caras tavam fazendo esses shows muito foda. Sem falar que os roles que eles organizavam só com banda daqui eram muito do caralho também, eles tinham a mão pra chamar muita gente pros eventos. Então essas coisas nos colocaram no role lá com 14 anos haha. Por mais que a gente tenha demorado a virar amigo do pessoal, era algo que nos impressionava e marcou demais. Hoje em dia o role é bem mais parado, mas a gente segue tentando movimentar, dia 23 estamos trazendo o Surra pro terceiro Nosco Fest que é um role que a gente da Marinas organiza. Então a gente segue tentando com o pessoal que curte fazer evento aqui e tá sendo bem massa. Sobre estar mudando, ela mudou um pouco pra pior nos últimos anos porque parece que ficou parada, mas felizmente, de algum tempo pra cá parece que o pessoal tá se mexendo mais de novo, então, veremos mais pra frente haha.

Últimas considerações? Algum recado?

Gostaríamos de divulgar nossa maravilhosa agenda se possível hahaha.
Dia 23 agora em Pelotas teremos o Surra no Galpão e dia 30 fecharemos o mês com o Audiocore Festival com Sugar Kane, Chuva Negra, Violet Soda, Radical Karma, Suerte, Inimigo Eu, nós e a Atria, em Porto Alegre no Oculto. Vai ser muito foda e vale a pena procurar qualquer um desses eventos! Dezembro também iremos a POA, mas ainda não saiu o evento no Facetruque então vamos aguardar pra soltar o verbo, mas pode salvar a data: dia 13, Sexta Feira de Dezembro vamos a POA again.
Gostaríamos de dizer para todos tentarem ficar bem, porque a situação brasileira tá muito fudida! Precisamos estar unidos pra enfrentarmos nossos problemas pessoais e coletivos juntos! Sempre em frente com solidariedade e loucurada! A loucurada liberta, experimentem! Muito obrigado Bus Ride Notes pelo espaço e parabéns pelo corre!
Seguimos!

Ouça Marinas Found no Bandcamp ou nas redes de stream: