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Queercore

Queercore é um gênero musical que surgiu nos anos 80. É punk e hardcore com letras sobre a vivência LGBTQ+, muitas vezes bem melódico.

Queer é uma palavra que tem sido muito usada ultimamente, é uma gíria ofensiva em inglês que foi ressignificada já há algum tempo. Dia desses me perguntaram o que significa e, depois de parar pra pensar, respondi “é tudo o que não é heterossexual ou cisgênero” (essa você vai ter que procurar no Google).

Provavelmente a coisa que eu mais gosto no queercore são os nomes das bandas. Nos anos 90, quando o gênero ficou bem famoso, a maioria dos nomes eram trocadilhos ou eram só meio malucos: The Butchies, Limp Wrist, Pansy Division, God Is My Co-Pilot.

E pra quem acha que número no nome é coisa do pop punk, tenho uma notícia pra vocês, o queercore usava bastante isso poucos anos antes: Tribe 8, Excuse 17, Slant 6, Fifth Column.

No Brasil tem Dominatrix, Anti-Corpos, Bertha Lutz com o hino “Preta, gorda, sapatão” e hoje talvez Sapataria seja a banda que melhor representa o gênero, desde o nome. Hayz é queercore puro, inspiradas em Team Dresch, Longstocking, The Third Sex. Além de Bioma, Clandestinas, Mau Sangue, Felisha Fuzz e várias outras que esqueci ou não conheço (quero recomendações).

Queercore tecnicamente são bandas que falam sobre a vivência LGBTQ+, mas a gente sempre inclui na lista bandas que tem membros LGBTQ+ (seguindo esse raciocínio fizemos a playlist nesse post) e levando isso em consideração, hoje o Brasil tá criando uma cena queercore. Além de bonito de ver, isso é necessário.

É uma grande rede de apoio, como pudemos ver recentemente em dois casos: quando Sapataria concorreu na votação pra tocar no João Rock e quando Xavosa concorreu pra tocar no Hard Chaos, ambos os festivais praticamente sem nenhuma banda com mulheres ou LGBTs no lineup.

Muitas pessoas e páginas compartilharam os links pra ajudar as duas bandas nas votações. Infelizmente nenhuma delas foi qualificada e nós precisamos refletir sobre isso. Não precisamos de mais um festival só de macho, já dizia G.L.O.S.S.: “Não vamos reencenar, não vamos representar o hardcore deles, o ‘original’ de garoto hetero é uma grande chatice”.

A playlist está no Deezer também, ouça aqui.