Bus Ride Notes

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Resenhas

Caffeine Lullabies – We Want You To Be Happy

Goiânia talvez tenha sido a cidade que mais nos trouxe bandas de grande potencial nas últimas duas décadas; desde os stoners do Black Drawing Chalks e do Hellbenders, o psicodélico Boogarins, até ao dreampop da Brvnks. Não se sabe ao certo o que levou tantas bandas goianas apostarem em letras em inglês (algo que não condeno, porém tenho algumas ressalvas) mas, nesse quesito, a cidade fica pau a pau com a capital paulista.

O Caffeine Lullabies é o mais novo expoente dessa cena a aparecer aqui no Bus Ride Notes e eles nos apresentam “We Want You To Be Happy”, lançado em 2019 pela Milo Records. A produção do trabalho é assinada pela própria banda em parceria com Braz Torres Neme, que também é responsável pela gravação, mixagem e masterização. Gravado no Up Studio em Goiânia, “We Want You To Be Happy” conta também com a produção executiva de Camilo B. Rodoavalho.

Esse é o segundo álbum da banda que estreou com “The Closest Thing to Death” em 2015. O Caffeine conta com Felipe Cavalcanti (voz), Bruno Roque (guitarra), Rodrigo Modesto (baixo), Gabriel Ferreira (guitarra) e Pedro Hernandez (bateria).

Com influências do rock alternativo da década de 90 e outros nomes do hardcore/pop punk, o álbum gira em torno de temas como decepções, saúde mental, paixões e amadurecimento. Também podemos sacar muitas referências de bandas como Basement e Floating Kid.

Pra deixar mais claras ainda as influências da banda, quem assina a capa é Alexandre Souza Sesper (Garage Fuzz; The Pessimists; ACruz Sesper; Angustia).

A faixa que abre o álbum é “Disappointment Is a Tricky Animal”, já mostrando o quinteto bem energético e riffs interessantes. A letra trata de problemas de relacionamento, tema que se repete em praticamente toda as faixas do álbum.

A faixa que dá nome ao álbum descreve um ambiente desolador e cheio de inseguranças (In the wilderness where I’m lost again. Scared to see you happy while I’m not), explodindo no refrão otimista que almeja a felicidade mesmo em tempos difíceis.

“Headlights” segue a mesma linha. Destaque aqui para o ótimo trabalho nas guitarras, mantendo o som melódico sem perder o peso. A letra  da música que, segundo o faixa-a-faixa feito pela banda, quase ficou de fora do álbum (fizeram bem em não deixar essa de fora), gira em torno da vulnerabilidade em um relacionamento e as inseguranças aos quais estamos expostos em momentos assim. “You could see through my weakness. Peeling the skin where I hide”.

“Violent Superego”, um dos dois singles, é um ponto alto no álbum. Com um refrão poderoso (I pray the lord, I say deliver us from evil. I pray the devil, I say keep the lord away), a música foi uma ótima escolha de single.

Também um single, “Loved Ones” talvez seja a mais melódica do álbum. Um tanto parecida demais com os sons do Basement em “Promise Everything” (2016), a letra fala da sinceridade em se reconhecer as falhas que abalam amizades. Também uma ótima escolha de single.

Ainda seguindo o caminho mais melódico acompanhando de riffs marcantes, “Watch Your Six” têm as letras mais fortes do álbum. Crescer em ambientes disfuncionais deixam marcas que nos acompanham para sempre e as vezes é complicado abandonar antigos ressentimentos. “I got this growing pains from growing too fast. Still I’m weak”, canta Felipe Cavalcanti em um dos versos mais tocantes da faixa.

“Sublimation” traz de volta a velocidade do início do álbum, é a música que mais remete ao hardcore em “We Want You To Be Happy”. A letra evoca uma força que nos mantém de pé mesmo quando estamos a ponto de desabar, uma força quase que feral.

O álbum se encerra com a melódica “5:30 (Morbid Dreams)”. As dores passadas continuam presentes nos versos que fecham “I came to mourn and scratch my phatom arm”. O Caffeine Lullabies deixa a mensagem de que é impossível ser plenamente feliz se não nos resolvermos com nossos fantasmas internos e sermos sinceros com as nossas falhas.