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Resenhas

Clandestinas

Clandestinas foi formada em 2017 em Jundiaí, SP por Alline Lola (guitarra, voz), Camila Godoi (contrabaixo, voz) e Natalia Benite (bateria, voz), militantes feministas e LGBTQIA+.

Quando ouço Clandestinas, lembro do movimento riot grrrl. O riot grrrl não foi só um gênero musical, ele foi a terceira onda do feminismo através da música. As bandas que originaram o movimento queriam chamar atenção para sua mensagem e escolheram a música para isso.

Clandestinas surgiu “da necessidade de se fazer ser ouvida em seus questionamentos sobre padrões de gênero e sexualidade, transparecendo e veiculando seu posicionamento questionador tanto em suas canções quanto nas falas, nos corpos e afetos das três musicistas”, e por isso acho que Clandestinas é mais um grande movimento artístico do que uma banda.

Seu primeiro album, “Clandestinas”, foi lançado em 2020. Produzido por Mari Crestani, ele conta com participações de Aline Maria, Luana Hansen e Mariah Duarte.

A gente tá acostumado a ouvir letras políticas no punk e no rap, mas Clandestinas não escolheu um gênero musical e por isso o som é bem distinto, é rock, é punk, é MPB e mais um pouco de inúmeras influências.

Sobre as letras é difícil falar, pois é muita informação. Esse é um disco que eu recomendo pra toda pessoa ouvir pelo menos uma vez na vida. “Clandestinas” é um álbum interessante em muitos aspectos.

“O não lugar me ocupa, o não pertenço me define. A não família me acolhe, a solidão me oprime”

“O nome ‘Clandestinas’ remete a ‘pessoa que vive fora da lei’, na banda o termo surge como essência e traz novos significados: ser clandestina é gritar quando disseram que se deveria estar calada, é amar sem medo e sem pudor quando disseram que seu amor era doentio, é fazer música mesmo achando que não se sabe cantar nem tocar, é estar com outras mulheres e se mover, é ter a consciência de que, para a hetero-cis-normatividade compulsória que rege a sociedade, os corpos e afetos distintos da norma não devem existir”.

Ainda em 2020 a banda participou do curta “Pluma Forte”, nele há o trecho de um show e podemos literalmente ver o formato de militância da banda.

Em janeiro de 2021 a banda lançou seu primeiro clipe, da música “Nenhuma a Menos”, um video que é mais que um clipe e menos que um curta.

“Com as nossas músicas, nossos corpos e nossos afetos, questionamos o machismo, o patriarcado, a hétero-cis-normatividade e o capitalismo. A revolução será feminista & LGBT”.

“Clandestinas” está disponível no Bandcamp e nas redes de stream.